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sábado, 1 de agosto de 2026

O Paradoxo Brasileiro: Da Armadilha das Commodities ao Crédito de Sobrevivência





O Uso do Crédito ao Consumo como Substituto de Rendimento

O cerne de um dos maiores desafios estruturais da economia brasileira reside no uso do crédito ao consumo como substituto de rendimento. O Brasil consolidou um modelo económico assente no crédito fácil, resultando no superendividamento generalizado da população através dos cartões de crédito.

Para contextualizar esta distorção, os cartões de supermercado no Brasil (conhecidos na terminologia financeira como private label) não visam o desconto ou à acumulação de pontos — como ocorre em Portugal e noutros países da Europa —, mas sim ao financiamento puro. Emitidos por grandes redes de retalho, farmácias, lojas de departamento e até postos de abastecimento, estes cartões centralizam o seu objetivo na concessão de crédito, e não na fidelização. O principal atrativo é permitir que os clientes contornem as dificuldades financeiras parcelando compras de alimentos, medicamentos e bens essenciais.

Segundo dados do Banco Central do Brasil (SCR) e de organismos de proteção ao crédito como a Serasa, cerca de 59% a 61% das dívidas de cartão de crédito no país são contraídas em supermercados. Contudo, este consumo de sobrevivência é taxado com juros estratosféricos, que oscilam entre 9,99% e 13% ao mês — um contraste brutal com a inflação oficial do país, medida pelo IBGE, que acumula cerca de 4,5% a 5% ao ano.

Este sistema reflete disfunções profundas que interligam o baixo nível salarial das classes trabalhadoras (com o salário mínimo fixado em R$ 1.621,00, ou cerca de 276,00 €), o modelo de negócio do retalho e a lógica do sistema financeiro. Diante de salários insuficientes, o limite disponível no cartão gera uma ilusão de liquidez, sendo visto como uma extensão do salário. No entanto, este excesso de consumo artificializado pressiona os preços em alta, alimentando a inflação. Como os salários reais não acompanham este encarecimento, os consumidores tornam-se reféns do sistema, recorrendo a cartões de múltiplas instituições para rolar as suas dívidas (Carvalho, 2018).

A Raiz dos Salários Baixos: A Armadilha do Agronegócio e das Commodities

A raiz deste cenário de baixos salários está diretamente ligada à reprimarização da economia brasileira, que hoje está excessivamente assente no agronegócio e na exportação de commodities de baixo valor acrescentado. Embora o setor agrícola seja altamente tecnificado e garanta saldos positivos na balança comercial, possui duas características estruturais que limitam o ganho salarial da população:

  • Baixa Absorção de Mão de Obra Qualificada: Sendo uma atividade de cultivo extensivo e altamente mecanizada, o agronegócio de exportação gera poucos empregos diretos em relação ao seu volume de receita.

  • Falta de Transbordo Tecnológico: A riqueza gerada pela venda de soja ou minério de ferro fica concentrada em poucas cadeias produtivas e explorações agrícolas, não gerando empregos industriais de elevada remuneração nos centros urbanos, onde vive a maioria da população. Sem uma indústria forte e serviços complexos, o trabalhador médio fica confinado a empregos informais, ao comércio de subsistência ou ao subemprego no setor dos serviços, empurrando a média salarial do país para baixo (Hausmann, 2014).

O Caminho para uma Economia Sustentável: Poupança e Rigor Fiscal

Romper este ciclo exige a transição para um modelo de crescimento económico sustentável de longo prazo, sustentado por dois pilares macroeconómicos fundamentais: a poupança e a responsabilidade fiscal.

  • Substituir a Despesa Pública Desregrada pelo Investimento: O Estado brasileiro precisa de migrar de um modelo focado na despesa pública corrente e em subsídios artificiais para uma política de rigor fiscal. A estabilidade das contas públicas atrai capital privado de longo prazo e reduz as taxas de juro reais de forma estrutural.

  • Fomento à Poupança Interna: Em vez de estimular o consumo imediato por meio do endividamento das famílias, o ambiente económico deve premiar a poupança e a acumulação de capital. É a poupança interna que financia os investimentos em infraestruturas, saneamento, energia e tecnologia, gerando crescimento genuíno sem pressões inflacionistas.

Contudo, a execução desta guinada estrutural esbarra na paralisia de um ambiente político profundamente disfuncional. A atual divisão ideológica e bipolarizada do debate público brasileiro foca as atenções em figuras do Executivo, mas falha em perceber que a raiz da estagnação vai além de quem ocupa a cadeira presidencial. Sob as amarras do presidencialismo de coligação (Abranches, 1988), o país convive com um Legislativo fragmentado em cerca de 15 partidos com assento parlamentar, onde nenhuma força política detém a maioria absoluta. Esta atomização do poder obriga qualquer governo a negociar pautas em bases imediatistas e paroquiais, transformando o orçamento em moeda de troca e sufocando planeamentos de longo prazo.

Paralelamente, esta transformação exige uma ruptura de postura do próprio setor privado. Grande parte do empresariado nacional acomodou-se historicamente num modelo dependente de desonerações, subsídios públicos e da baixa complexidade do agronegócio. Sem que o mercado privado assuma o protagonismo do risco de investir em inovação, e sem um Congresso comprometido com reformas que superem o clientelismo, o Brasil continuará a afundar em voos de galinha económicos — independentemente da cor partidária do presidente.

Os Motores da Mudança: A Reforma Tributária e a Educação de Base

Para viabilizar esta transição macroeconómica, o país precisa de remover as suas duas maiores barreiras internas: o pântano fiscal existente e o apagão da qualificação educativa, formativa e profissional.

  1. Reforma Tributária Justa e Simplificada: O sistema de impostos brasileiro historicamente pune a produção de bens complexos e penaliza o consumo de forma regressiva — fazendo o mais pobre pagar proporcionalmente mais impostos sobre a sua comida do que o mais rico. Uma reforma tributária profunda, focada na unificação de impostos sobre o consumo (IVA) e na desoneração da folha de pagamentos e de investimentos em tecnologia, é crucial. Reduzir o custo de conformidade das empresas permite que as indústrias invistam em modernização e em empregos mais robustos, em vez de gastarem fortunas apenas para calcular tributos.

  2. Educação de Base e Formação Técnica Profissional: Não há valor acrescentado sem capital humano especializado. A melhoria drástica no nível educacional — focando na literacia científica de base, raciocínio matemático e inserção de escolas técnicas integradas no mercado tecnológico — é o que transforma a capacidade produtiva de um jovem. Países que enriqueceram nas últimas décadas, como a Coreia do Sul, trataram a educação básica e técnica não como assistência social, mas como infraestrutura económica de alta prioridade (Chang, 2004).

Produtividade não é Fazer Horas Extraordinárias, é Agregar Valor ao que se produz

Por fim, a base incontornável de qualquer economia desenvolvida é a produtividade, mas este conceito precisa de ser urgentemente redefinido no debate público brasileiro. Produtividade não significa esticar a jornada de trabalho, esgotar o trabalhador ou fazê-lo cumprir turnos exaustivos de 10 horas diárias por seis dias por semana. O esforço físico exaustivo focado em produtos de valor reduzido não gera riqueza nacional.

O abismo entre os países ricos e em desenvolvimento está no valor acrescentado daquilo que é produzido durante o expediente, ou seja a produtividade não se define pelo tempo de trabalho físico gasto nele, mas sim da complexidade, tecnologia e utilidade percebida pelo mercado:

  • O Modelo de Baixo Valor: Um agricultor brasileiro pode trabalhar de sol a sol, enfrentando intempéries durante meses até à colheita. Apesar do esforço monumental, o preço da saca de grãos ou do quilo do alimento é determinado globalmente pelo mercado internacional no nível mais baixo da cadeia, é a bolsa de commodities (mercadorias) que define o prço que o agricultor recebe. Mas também pode ser um operário fabril, ou um funcinário do comércio, pois a produtividade não é medida pelo tempo de horas trabalhadas.

  • O Modelo de Alto Valor: Em contrapartida, um operário numa fábrica de tecnologia na Finlândia ou na Coreia do Sul precisa de trabalhar menos horas apenas para gerar um valor adicionado e superir quando produz microchips ou componentes para smartphones.

Graças à combinação de um ambiente de negócios libertado por uma boa reforma tributária e alimentado por trabalhadores capacitados por uma educação sólida, o país adquire condições para romper a armadilha do subdesenvolvimento. Para o Brasil enriquecer e pagar salários dignos, o trabalhador precisa de parar de passar mais horas a gerar commodities primárias. O país precisa de reter o valor económico global dentro das suas fronteiras, gerando menos horas de desgaste e muito mais rendimento real na carteira do cidadão.

Referências Bibliográficas

ABRANCHES, Sérgio Henrique. O Presidencialismo de Coligação: Dilemas Institucionais da Democracia Brasileira. Dados – Revista de Ciências Sociais, Rio de Janeiro, v. 31, n. 1, p. 5-34, 1988.

CARVALHO, Laura. Valsa Brasileira: Do boom ao caos econômico. 1. ed. São Paulo: Todavia, 2018.

CHANG, Ha-Joon. Chutando a Escada: A estratégia do desenvolvimento em perspectiva histórica. São Paulo: Editora UNESP, 2004.

HAUSMANN, Ricardo; Vários: Atlas da Complexidade Econômica: Mapeando os caminhos para a prosperidade. Cambridge, MA: Harvard Kennedy School / Center for International Development, 2014.

English Version

The Brazilian Paradox of the Commodities and Low-Value Trap

By Filipe de Freitas Leal

Credit as an Income Substitute: The Core of the Structural Problem

The core of one of the greatest structural challenges in the Brazilian economy lies in using consumer credit as a substitute for income. Brazil has consolidated an economic model reliant on easy credit, resulting in widespread over-indebtedness among the population, primarily driven by credit cards.

To contextualize this distortion, supermarket credit cards in Brazil (known in financial jargon as private label cards) do not aim to offer discounts or loyalty points—as is common in Europe and the US—but rather to provide pure financing. Issued by major retail chains, pharmacies, and department stores, these cards focus on granting credit rather than building customer loyalty. Their main appeal is allowing consumers to bypass financial hardship by paying for food, medicine, and essential goods in installments.

According to data from the Central Bank of Brazil (SCR) and credit protection agencies like Serasa, roughly 59% to 61% of credit card debt in the country originates from supermarket purchases. However, this survival-driven consumption is taxed with astronomical interest rates ranging between 9.99% and 13% per month—a brutal contrast to the country’s official annual inflation rate, measured by the IBGE, which hovers around 4.5% to 5%.

This system reflects deep-seated dysfunctions linking the low wage floor of the working class (with the minimum wage set at R$ 1,621.00, or roughly €276.00) to the retail business model and the logic of the financial system. In the face of insufficient wages, available credit card limits create an illusion of liquidity, coming to be seen as an extension of one's salary. However, this artificially driven consumption exerts upward pressure on prices, fueling inflation. Because real wages fail to keep pace with these rising costs, consumers become trapped in the system, resorting to cards from multiple institutions to roll over their debts (CARVALHO, 2018).

The Root of Low Wages: The Agribusiness and Commodities Trap

The root of this low-wage scenario is directly tied to the re-primarization of the Brazilian economy, which today relies excessively on agribusiness and the export of low value-added commodities. Although the agricultural sector is highly technologically advanced and generates trade surpluses, it possesses two structural characteristics that constrain wage growth for the broader population:

  • Low Absorption of Skilled Labor: Being an extensive and highly mechanized activity, export-oriented agribusiness generates very few direct jobs relative to its revenue volume.

  • Lack of Technological Spillover: The wealth generated by selling soybeans or iron ore remains concentrated within a few production chains and large properties. It fails to create high-paying industrial jobs in urban centers, where the vast majority of the population lives. Without a strong industrial base and complex services, the average worker remains confined to informal employment, subsistence retail, or underemployment in the service sector, driving down the country's average wage (HAUSMANN et al., 2014).

The Path to a Sustainable Economy: Savings and Fiscal Discipline

Breaking this cycle requires transitioning to a sustainable, long-term economic growth model built on two fundamental macroeconomic pillars: domestic savings and fiscal responsibility.

  • Replacing Careless Public Spending with Investment: The Brazilian state needs to shift away from a model focused on current public spending and artificial subsidies toward a policy of strict fiscal discipline. Public account stability attracts long-term private capital and structurally lowers real interest rates.

  • Fostering Domestic Savings: Instead of stimulating immediate consumption through household debt, the economic environment must reward savings and capital accumulation. It is domestic savings that fund investments in infrastructure, sanitation, energy, and technology, generating genuine growth without inflationary pressure.

However, executing this structural pivot stumbles upon the paralysis of a deeply dysfunctional political environment. The current polarized ideological debate in Brazil focuses heavily on Executive figures while failing to recognize that the root of stagnation goes beyond who occupies the presidency. Bound by coalition presidentialism (ABRANCHES, 1988), the country operates under a Legislative branch fragmented across roughly 15 parliamentary parties, none of which holds an absolute majority. This atomization of power forces any government to negotiate agendas on immediate, parochial terms, turning the budget into political currency and stifling long-term planning.

Concurrently, this transformation demands a shift in the private sector’s own posture. Historically, a large portion of national business owners has grown comfortable in a model reliant on tax breaks, public subsidies, and the low complexity of agribusiness. Unless the private market steps up to take the risk of investing in innovation, and unless Congress commits to reforms that overcome clientelism, Brazil will remain trapped in short-lived economic spurts—regardless of the president's political stance.

The Engines of Change: Tax Reform and Basic Education

To enable this macroeconomic transition, the country must remove its two largest internal hurdles: the existing tax quagmire and the deficit in educational, vocational, and professional training.

  • A Fair and Simplified Tax Reform: Brazil’s tax system has historically penalized the production of complex goods and taxed consumption regressively—forcing the poorest to pay proportionally more tax on their food than the wealthy. A deep tax reform focused on unifying consumption taxes (VAT) and reducing payroll and tech investment taxes is essential. Lowering compliance costs allows industries to invest in modernization and higher-quality jobs rather than spending fortunes just calculating tax liabilities.

  • Basic Education and Vocational Training: There is no added value without specialized human capital. Drastically improving the quality of education—focusing on basic scientific literacy, mathematical reasoning, and expanding technical schools tied to the technology market—is what elevates a young worker’s productive capacity. Nations that built wealth in recent decades, such as South Korea, treated basic and technical education not as social welfare, but as critical economic infrastructure (CHANG, 2004).

Productivity Isn't Working Longer Hours; It's Adding Value

Ultimately, the undeniable foundation of any developed economy is productivity, but this concept urgently needs to be redefined in the Brazilian public debate. Productivity does not mean extending the workday, exhausting the worker, or making them pull grueling 10-hour shifts, six days a week. Exhausting physical effort focused on low-value products does not generate national wealth.

The chasm between wealthy and developing countries lies in the added value of what is produced during working hours. In other words, productivity is not defined by the physical labor time spent on it, but rather by the complexity, technology, and market-perceived utility of the product:

The Low-Value Model: A Brazilian farmer can work from sunrise to sunset, facing harsh weather conditions for months until harvest. Despite this monumental effort, the price of a sack of grain or a kilogram of food is determined globally by the international market at the bottom of the supply chain; it is the commodities exchange that defines the price the farmer receives. But this could also apply to a factory worker or a retail employee, as productivity is not measured by hours worked.
The High-Value Model: In contrast, a worker in a technology factory in Finland or South South Korea needs to work fewer hours to generate a far superior added value when producing microchips or smartphone components."

Through a business environment unlocked by sound tax reform and fueled by a workforce empowered by solid education, a country builds the conditions to break free from the trap of underdevelopment. For Brazil to grow wealthy and pay decent wages, workers must stop spending endless hours producing raw commodities. The country must retain global economic value within its borders—generating fewer hours of physical strain and far more real income in citizens' pockets.

References:

  • ABRANCHES, Sérgio Henrique. O Presidencialismo de Coligação: Dilemas Institucionais da Democracia Brasileira. Dados – Revista de Ciências Sociais, Rio de Janeiro, v. 31, n. 1, pp. 5-34, 1988.

  • CARVALHO, Laura. Valsa Brasileira: Do boom ao caos econômico. 1st ed. São Paulo: Todavia, 2018.

  • CHANG, Ha-Joon. Kicking Away the Ladder: Development Strategy in Historical Perspective. London: Anthem Press, 2002 / São Paulo: UNESP, 2004.

  • HAUSMANN, Ricardo; HIDALGO, César A.; BUSTOS, Sebastián; COSCIA, Michele; CHUNG, Sarah; JIMENEZ, Juan; SIMOES, Alexander; YILDIRIM, Muhammed A. The Atlas of Economic Complexity: Mapping Paths to Prosperity. Cambridge, MA: Harvard Kennedy School / Center for International Development, MIT Press, 2014.

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Sobre o Autor | About the Author

PT Filipe de Freitas Leal nasceu em Lisboa, em 1964. Com uma trajetória marcada pela vivência cultural e profissional entre Portugal e o Brasil, desenvolveu um olhar plural e sensível sobre as dinâmicas sociais e históricas. É licenciado em Serviço Social pelo Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas (ISCSP) da Universidade de Lisboa e pós-graduado em Políticas Públicas e Desigualdades Sociais pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas (FCSH/UNL). Pesquisador independente e estudioso autodidata do idioma hebraico, dedica-se há quase duas décadas à produção de conteúdo de cariz humanista, sendo o criador dos espaços digitais Etcetera e Conhecer o Judaísmo. Autor de diversas obras que transitam pela ciência política, poesia e espiritualidade, Filipe alia o rigor da investigação documental a uma profunda empatia analítica, oferecendo reflexões que fogem de julgamentos fáceis e priorizam a compreensão histórica.

EN Filipe de Freitas Leal was born in Lisbon in 1964. With a career marked by cultural and professional experiences between Portugal and Brazil, he developed a plural and sensitive gaze on social and historical dynamics. He holds a bachelor's degree in Social Work from the Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas (ISCSP), Universidade de Lisboa, and a postgraduate degree in Public Policy and Social Inequalities from the Faculdade de Ciências Sociais e Humanas (FCSH/UNL). An independent researcher and self-taught scholar of the Hebrew language, he has dedicated himself for nearly two decades to producing humanist content, being the creator of the digital spaces Etcetera and Conhecer o Judaísmo. Author of several works spanning political science, poetry, and spirituality, Filipe combines the rigor of documentary research with a deep analytical empathy, offering reflections that avoid easy judgments and prioritize historical understanding.

 
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