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quinta-feira, 30 de abril de 2026

A Tirania das Métricas - A Desumanização dos Trabalhadores e Consumidores


Vivemos sob uma nova lógica onde a ideologia do lucro não apenas influencia a economia, mas impõe a primazia absoluta de parâmetros, métricas e algoritmos. Em nome da eficiência, sacrificam-se a satisfação do consumidor e as condições básicas de trabalho.

O exemplo mais emblemático desse cenário é o setor de Call Centers. Ali, tanto empresas quanto prestadores de serviço tornam-se reféns de métricas como o TMA (Tempo Médio de Atendimento). O foco exclusivo na rentabilidade imediata resulta em serviços precarizados, insatisfação generalizada e uma profunda desvalorização do capital humano. É um processo que desumaniza tanto quem atende quanto quem é atendido.

Não é preciso ser-se de Esquerda, sindicalista, ou economista para ver-se esta realidade, cada vez mais, pessoas de todos os espectros políticos sentem na carne o sistema tal como ele é, está nitidamente visivel, cada vez mais visivel, só não vê quem não quer.

O "Taylorismo Digital" e a Desvalorização do Indivíduo

O que vemos hoje não é apenas uma percepção subjetiva, mas o reflexo do que estudiosos chamam de "Capitalismo de Vigilância" ou "Razão Neoliberal". Estamos a presenciar a substituição da gestão humana pela lógica algorítmica, o que pode ser analisado sob quatro perspetivas:

  • Sociologia (A Desvalorização): Autores como Ricardo Antunes e Zygmunt Bauman apontam a "uberização" do trabalho. O atendente vira um apêndice da máquina. O resultado é o sofrimento ético: a obrigação de ser eficiente para o algoritmo, mesmo sendo inútil para o ser humano.

  • Ciência Política (Erosão da Cidadania): Segundo Wendy Brown e Christian Laval, o indivíduo é reduzido a uma unidade de custo ou receita. A "falta de democracia" manifesta-se na ausência de escolha real, já que o modelo é replicado por todo o mercado.

  • Economia (A Primazia do Curto-Prazo): A suposta "eficiência" financeira gera custos sociais ocultos, como o burnout e a degradação do valor da marca a longo prazo. É o triunfo da lógica financeira sobre o valor real.

  • Direito (Assédio Algorítmico): Em todo o mundo, juristas discutem a tese do "Desvio Produtivo": no qual o tempo vital que o consumidor perde a tentar superar as barreiras de um algoritmo é um dano à sua dignidade, passível de indemnização.

O Paradoxo da Pseudo-Liberdade Neoliberal

Muitos associam o neoliberalismo à liberdade e à desregulação dos Mercados. No entanto, a prática revela um paradoxo: o sistema não quer o fim do Estado, quer sim usar o Estado, sequestrar a força e a autoriadade estatal para assim garantir que o mercado funcione sob os seus termos.

  1. Regulação Seletiva: Desregula-se o capital (menos impostos, mais privatizações passando o capital Estatal para a mão de conglomerados), mas em contrapartida, regula-se sim, e de forma rigida as leis laborais que afetam o mercado de trabalho através da vigilância e leis que facilitam a precarização. O trabalhador é visto como um mero recurso descartável.

  2. O "Empresário de Si Mesmo": Como analisaram alguns pensadores e sociólogos, a liberdade prometida é a liberdade de competir. Se o trabalhador adoece ou falha, a culpa é sua por não ter sido "eficiente", o sistema desresponsabiliza-se porque a métrica e os parametrôs são feitos para analisar os erros da base e não as falhas sistémicas do topo.

  3. Instituições para o Mercado: O poder estatal é usado para "blindar" a economia contra pressões populares por direitos sociais, a base de toda a lógica é o crescimento da empresa, que é quantificado por meras estatísticas em geral financeiras.

A Transversalidade da Desumanização

Essa lógica não se limita aos Call Centers ou a outros serviços terceirizados. É de facto uma lógica transversal: que está presente e atuante nos supermercados, nas empresas de energia, gás e no comércio em geral, mas também na fábrica, nas escolas, nos trasportes, e até mesmo nos hospitais, inclusive os públicos, onde a métrica é gastar o menos possível, onde cada doente é um número e um custo. Isto é o que se chama de "Taylorismo Digital".

  • O Fim da Empatia: O funcionário é treinado para seguir um script. Se ele gasta tempo ouvindo os problemas reais dos clientes, ele "perde" produtividade métrica, deixa de ser válido, passa a ser visto como um custo e prejuizo.

  • A Tirania do Dashboard: Gestores, Diretores de produção, diretores de RH,  não olham mais para as pessoas como pessoas, não os vêm pelos nomes, como colegas ou amigos, mas como números e os trabalhadores passam apenas a ser representados por gráficos de KPIs. Se a barra estiver no vermelho, o trabalhador é descartado. Ele não é mais uma pessoa, não interessa se é bom ou mau, se tem caráter ou não, o que importa é se produz ou se dá prejuizo.

  • O Exército de Reserva: Se o custo de treinar um novo funcionário é menor que manter um experiente, a empresa opta pela rotatividade (turnover). O esgotamento humano é um dado previsto na planilha. As empresas não se assuntam com as saídas de funcionários, são como máquinas que se avariaram, há mais currículos amontoados nas prateleiras do RH, ou na rede social LinkedIn, o desemprego é a para o Neoliberalismo um ótimo indicador, baixa os salários e submete os trabalhadores.

Existe Saída? Do Colapso à Solidariedade

Estamos presos no que Mark Fisher chamou de "Realismo Capitalista": a sensação de que não há alternativa. O sistema parece blindado por uma convergência tecnocrática, onde partidos de diferentes espectros acabam gerindo a mesma cartilha neoliberal.

Contudo, a própria "perfeição" técnica do sistema pode ser seu gatilho de obsolescência:

  1. O Paradoxo da Automação: Se as máquinas substituírem todos os trabalhadores, quem terá salário para consumir os produtos? Sem consumo, o sistema "seca".

  2. O Retorno à Solidariedade Mecânica: Diante do esgotamento de recursos e da frieza algorítmica, surge o movimento de retorno ao local — mercados alternativos, moedas sociais e redes de apoio onde as pessoas se reconhecem como humanos, não como métricas.

  3. Regulação e Renda Básica: Propostas como a Renda Básica Universal e a regulação do capitalismo algorítmico visam devolver ao indivíduo o poder de dizer "não" a trabalhos degradantes.

Conclusão

O desafio atual é tratar a economia novamente como uma ferramenta a serviço da vida, e não a vida como combustível para a economia. O sistema neoliberal parece invencível, mas é vulnerável à sua própria base física e social. Quando o algoritmo para de servir ao humano, ele perde sua razão de existir.

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Referências Bibliográficas (Edições de Portugal)

  • DARDOT, Pierre; LAVAL, Christian. A Nova Razão do Mundo: Ensaio sobre a sociedade neoliberal. 1. ed. Lisboa: Editorial Bizâncio, 2013. p. 402-415. (Obra essencial para a sua análise sobre a "Razão Neoliberal" e a gestão da subjetividade).

  • BAUMAN, Zygmunt. Tempos Líquidos. 1. ed. Lisboa: Relógio D'Água, 2007. p. 33-45. (Analisa a precariedade dos vínculos e a desumanização nas instituições contemporâneas).

  • FISHER, Mark. Realismo Capitalista. 1. ed. Lisboa: KKYM, 2022. p. 41-52. (Edição portuguesa que aborda a saúde mental e a sensação de falta de alternativa ao sistema atual).

  • ANTUNES, Ricardo. Os Sentidos do Trabalho: Ensaio sobre a afirmação e a negação do trabalho. 1. ed. Coimbra: Almedina, 2013. p. 115-130. (Antunes é uma referência luso-brasileira constante em Coimbra para discutir a precarização e o setor de serviços).

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English Version

The Neoliberal Metric: Dehumanizing Workersand Consumers

By Filipe de Freitas Leal

We live under a new logic where the ideology of profit does not merely influence the economy, but imposes the absolute primacy of parameters, metrics, and algorithms. In the name of efficiency, consumer satisfaction and basic working conditions are sacrificed.

The most emblematic example of this scenario is the Call Center sector. There, both companies and service providers become hostages to metrics such as AHT (Average Handle Time). The exclusive focus on immediate profitability results in precarious services, widespread dissatisfaction, and a profound devaluation of human capital. It is a process that dehumanizes both the provider and the customer.

One does not need to be on the Left, a unionist, or an economist to see this reality; increasingly, people across all political spectrums feel the system for what it is. It is clearly visible, more so every day—only those who refuse to look cannot see it.

Digital Taylorism and the Devaluation of the Individual

What we witness today is not just a subjective perception, but a reflection of what scholars call "Surveillance Capitalism" or "Neoliberal Reason." We are witnessing the replacement of human management with algorithmic logic, which can be analyzed through four perspectives:

  • Sociology (Devaluation): Authors like Ricardo Antunes and Zygmunt Bauman point to the "uberization" of work. The worker becomes an appendix to the machine. The result is ethical suffering: the obligation to be efficient for the algorithm, even when being useless to the human being.

  • Political Science (The Erosion of Citizenship): According to Wendy Brown and Christian Laval, the individual is reduced to a unit of cost or revenue. The "lack of democracy" manifests in the absence of real choice, as the model is replicated across the entire market.

  • Economics (The Primacy of Short-Termism): Supposed financial "efficiency" generates hidden social costs, such as burnout and the long-term degradation of brand value. It is the triumph of financial logic over real value.

  • Law (Algorithmic Harassment): Around the world, legal experts discuss the theory of "Productive Deviation": in which the vital time a consumer loses trying to overcome algorithmic barriers is considered a blow to their dignity, liable for compensation.

The Paradox of Neoliberal Pseudo-Freedom

Many associate neoliberalism with freedom and market deregulation. However, practice reveals a paradox: the system does not want the end of the State; rather, it seeks to hijack State power and authority to ensure the market functions under its own terms.

  • Selective Regulation: Capital is deregulated (lower taxes, more privatizations transferring State assets to conglomerates), but in contrast, labor laws are rigidly regulated through surveillance and laws that facilitate job insecurity. The worker is seen as a mere disposable resource.

  • The "Entrepreneur of the Self": As analyzed by various thinkers, the promised freedom is the freedom to compete. If a worker falls ill or fails, the blame is theirs for not being "efficient." The system evades responsibility because metrics and parameters are designed to analyze errors at the bottom rather than systemic failures at the top.

  • Institutions for the Market: State power is used to "shield" the economy against popular pressure for social rights. The core logic is corporate growth, quantified by mere financial statistics.

The Transversality of Dehumanization

This logic is not limited to Call Centers. It is a transversal logic: active in supermarkets, energy companies, and general commerce, but also in factories, schools, transport, and even hospitals—including public ones—where the metric is to spend as little as possible, and every patient is a number and a cost. This is what is known as "Digital Taylorism."

  • The End of Empathy: Employees are trained to follow a script. If they spend time listening to a customer’s real problems, they "lose" metric productivity, lose their value, and are viewed as a cost and a liability.

  • The Tyranny of the Dashboard: Managers and directors no longer see people as people; they don't see names, colleagues, or friends, but numbers represented by KPI charts. If the bar is in the red, the worker is discarded. Character and quality no longer matter—only whether they produce or incur a loss.

  • The Reserve Army: If the cost of training a new employee is lower than retaining an experienced one, the company opts for turnover. Human exhaustion is a projected data point on a spreadsheet. Companies are not startled by resignations; they view them like broken machines—there are always more resumes piled on HR shelves or on LinkedIn. For Neoliberalism, unemployment is a great indicator: it lowers wages and subdues the workforce.

Is There a Way Out? From Collapse to Solidarity

We are trapped in what Mark Fisher called "Capitalist Realism": the sense that there is no alternative. The system seems shielded by a technocratic convergence, where parties across the spectrum end up managing the same neoliberal playbook. However, the system’s own technical "perfection" may be its trigger for obsolescence:

  • The Automation Paradox: If machines replace all workers, who will have the wages to consume the products? Without consumption, the system runs dry.

  • The Return to Mechanical Solidarity: Faced with resource depletion and algorithmic coldness, movements are emerging to return to the local—alternative markets, social currencies, and support networks where people recognize each other as humans, not metrics.

  • Regulation and Basic Income: Proposals like Universal Basic Income and the regulation of algorithmic capitalism aim to give the individual the power to say "no" to degrading work.

Conclusion: The current challenge is to treat the economy once again as a tool at the service of life, rather than life as fuel for the economy. The neoliberal system seems invincible, but it is vulnerable to its own physical and social base. When the algorithm stops serving the human, it loses its reason to exist.

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Bibliographic References (Portuguese Editions)

  • DARDOT, Pierre; LAVAL, Christian. A Nova Razão do Mundo: Ensaio sobre a sociedade neoliberal. 1st ed. Lisbon: Editorial Bizâncio, 2013. p. 402-415. (Essential work for the analysis of "Neoliberal Reason" and the management of subjectivity).

  • BAUMAN, Zygmunt. Tempos Líquidos. 1st ed. Lisbon: Relógio D'Água, 2007. p. 33-45. (Analyzes the precariousness of bonds and dehumanization in contemporary institutions).

  • FISHER, Mark. Realismo Capitalista. 1st ed. Lisbon: KKYM, 2022. p. 41-52. (Portuguese edition addressing mental health and the perceived lack of alternative to the current system).

  • ANTUNES, Ricardo. Os Sentidos do Trabalho: Ensaio sobre a afirmação e a negação do trabalho. 1st ed. Coimbra: Almedina, 2013. p. 115-130. (A constant Luso-Brazilian reference in Coimbra regarding labor precarity and the service sector).

Sobre o Autor | About the Author

PT Filipe de Freitas Leal nasceu em Lisboa (Portugal), em 1964, é licenciado em Serviço Social pelo ISCSP (Universidade de Lisboa) e pós-graduado em Políticas Públicas e Desigualdades Sociais pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. Na sua trajetória profissional, destaca-se o estágio em reinserção social de ex-reclusos e o apoio a famílias em situação de vulnerabilidade. No mundo digital, é blogger desde 2007, atuou como ilustrador, editor e autor, conta já com oito livros publicados em áreas distintas, que vão desde o Serviço Social, Poesia até à Ciência Política, escreve artigos sobre atualidade política e conflitos geopolíticos.

EN Filipe de Freitas Leal was born in Lisbon in 1964. He holds a degree in Social Work from ISCSP (University of Lisbon) and a postgraduate degree in Public Policy and Social Inequalities. He also attended a Master’s program in Sociology at the Faculty of Social Sciences and Humanities (Universidade Nova de Lisboa). His professional background includes social reintegration of former inmates and support for families in situations of social vulnerability. A blogger since 2007, he has acted as an illustrator and independent editor, with eight published books ranging from Social Work and Poetry to Political Science. He currently writes about political current affairs and geopolitical conflicts.


quinta-feira, 14 de abril de 2016

Globalização ou o Fim da Democracia - I

A Globalização e o liberalismo
A Globalização e o liberalismo estão a alterar os papeis entre a politica e a economia, pois submetem o papel do Estado (antes um regulador) aos grandes conglomerados económicos e financeiros (antes meros agentes).
A GLOBALIZAÇÃO não é propriamente dito exequível com um governo soberano que queria respeitar um programa de governo pelo qual fora eleito, isto porque vai contra a lógica da economia dos mercado financeiros e de grupos poderosos que tem margens anuais de lucros superiores ao PIB de países como Grécia, Irlanda e Portugal por exemplo (países que pediram resgate ao FMI e que sofreram a intervenção da Troika).
Neste sentido, pode-se observar que a democracia está a ser usada apenas como plataforma de implementação dos interesses dos grandes conglomerados, quer seja pelo Poder Executivo (governo), quer pelo legislativo e não raras vezes também pelo judiciário, ao qual cabe a responsabilidade pelo cumprimento legal, pela fiscalização das reformas implementadas, feitas através de politicas que visam reformas económicas, sociais e financeiras profundas, claramente com o intuito de retirar e afastar o Estado tanto do seu papel regulador como da sua presença em setores como a banca, os transportes públicos, as comunicações, correios, saúde, educação, energia e saneamento básico, mesmo que alguns dêem lucro, setores esses que se supõe a necessária participação de capitais públicos; posto isto, temos que as reformas liberais levadas a cabo interferem também no mercado de trabalho através de alterações à legislação laboral fragilizando os trabalhadores, bem como pela redução dos ordenados no mercado de trabalho e o fim dos apoios sociais, os quais têm vindo a gerar graves consequências sociais consideráveis, como desemprego de longa duração, emigração, empobrecimento das faixas mais idosas da população e o consequente agravamento da insustentabilidade da segurança social, que choca com o apoio estatal à banca falida, através de dinheiro público saído do bolso dos contribuintes.
O problema é morder o isco.
Um fator importante que visa essa inversão e que deve ser observado com atenção é a corrupção, por outras palavras é o isco que faltava para a implosão da democracia que tanto demorou a construir, minando um dos alicerces fundamentais que é a confiança dos cidadãos eleitores, somando-se a isto temos o quarto poder, o da imprensa com a sua voracidade em derrubar lideres e a promover outros, sobra assim, apenas um regime em que o cidadão limita-se a escolher quem é que vai exercer o cargo, não interessa se será do partido A ou do B, se é o cidadão C ou o D, acabam todos por ter de cumprir as normativas que vêm de cima, de acordo com interesses empresariais ou económicos, que são por sua vez as Multinacionais, as Agências de Rating e os Mercados Comuns como a UE, a NAFTA, Asean, entre outros, pelo que se transforma um Estado de Direito e soberano num Estado Vassalo, ou uma mera zona geográfica, como se de um simples mapa empresarial de zonas comerciais se tratasse.
A máquina que põe tudo isso a funcionar, é sem sombra de duvida a corrupção, é esse aliás o isco como acima referido, e como vem a provar as recentes revelações dos Papeis do Panamá, que é o de corromper, comprar e deixar cair na rua pela denúncia os politicos, os partidos, para desacreditar na opinião pública, não so a esquerda e a direita, mas sim todo um sistema político.
Claro que pode-se afirmar em Ciência Política que a politica é a luta pela conquista e pela manutenção do poder, mas a corrupção muda tudo isto, e o jogo politico hoje mudou de palco, não é no palanque de um líder, mas sim no escritório de um CEO, não é a falar de ideias e causas, mas sim de valores e ganhos, ou seja, por outras palavras, a Economia impôs-se à politica.
O Brasil, Portugal, Grécia e outros países que se submetem a obedecer a agenda da globalização de conglomerados e do FMI, são países cobaias, onde se verifica já, se não o fim da democracia, pelo menos uma metamorfose que visa alterar a sua função politica, para uma função meramente executiva dos interesses estabelecidos pelos mercados financeiros.
Mas porque o fim da democracia?
Os partidos continuarão a existir, e haverá eleições, contudo os governos saídos de uma Parlamento eleito não conseguirão promover reformas substanciais, tal como se observou em Portugal, quando a Troika impôs a qualquer partido e em qualquer governo as normas que devem ser cumpridas, que não podem ficar aquém das expectativas dos organismos executivos como o Eurogrupo, o FMI ou o Concelho da Europa.
Voltando atrás no tempo, quando nos anos 60 ou 70, nos países democráticos, haviam eleições, votavam-se em programas eleitorais, vimos por exemplo o caso de França em que François Mitterrand do PS, implementou uma série de reformas estruturais socializantes, ou do lado contrário, governos de direita como o de Margaret Thatcher, que impôs a privatização feroz, a luta contra os sindicatos dos mineiros e a implementação da sua politica ultra-liberal.
Hoje, não se passa assim, nos países que fazem parte da UE União Europeia por exemplo, temos um parlamento europeu que não é deliberativo e nem legislativo mas sim normativo, e temos um núcleo duro que é a Comissão Europeia, que por outras palavras é o Governo Central da Europa, de onde emanam as diretivas aos países membros, tal como o que ocorreu com a Grécia que tentou mudar o jogo, mas teve de se vergar.
Ao que parece, a Europa só não aceitou as condições que foram sugeridas pelo governo de Tsipras, porque entendia que aqueles politicos de esquerda, não poderiam influenciar o resto da Europa, entenderam que era preciso verga-los e não permitir que fossem um exemplo a seguir, e isto aconteceu mesmo depois do referendo no qual os gregos rejeitaram as politicas de austeridade da Troika, foi aqui que se viu de facto quais são as cartas em cima da mesa e quem domina o jogo, pois as mesmas propostas teriam sido aceites se os proponentes fossem da ND Nova Democracia (de direita) ou o PASOK Partido Socialista Grego (de centro-esquerda) partidos amigos ou europeístas.
Portanto conclui-se, que ao elegermos democraticamente um parlamento do qual sairá um governo, os programas eleitorais não serão implementados porque as politicas impostas não não o permitem, embora as respectivas diretivas nem sequer tenham sido escrutinadas pelos demais cidadãos europeus, torna esta prática centralizadora um ato político antidemocrático, que limita o ato de votar de cada cidadão numa simples cerimónia secundária.
É um novo colonialismo, uma nova ditadura? perguntam alguns; Mas penso que talvez nem seja isso, mas mais do que isso, uma subversão doce, disfarçada e colorida de um sistema, as pessoas, os povos a serviço de interesses poderosos, mas de forma totalmente desvinculada de humanismo e preocupações sociais.

> Continua no próximo post: Globalização ou o Fim da Democracia - II

Autor Filipe de Freitas Leal


Sobre o Autor

Filipe de Freitas Leal nasceu em Lisboa, em 1964, estudou Serviço Social pelo Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas da Universidade de Lisboa. Estagiou como Técnico de Intervenção Social numa Instituição vocacionada à reinserção social de ex-reclusos e apoio a famílias em vulnerabilidade social, é blogger desde 2007, de cariz humanista, também dedica-se a outros blogs de temas diversos.

sexta-feira, 23 de outubro de 2015

A Era da Incerteza # 1.2 - A Paisagem

1.2 - A Paisagem

Os economistas têm periodicamente tentado descrever o sistema económico para os leigos, como se se tratasse de uma máquina. A matéria-prima alimenta-a; os trabalhadores põe-na em movimento; os capitalistas possuem-na; o Estado, os donos da terra, os capitalistas e os trabalhadores partilham o seu produto, geralmente de uma forma clamorosamente desigual. A impressão seria melhor se se pensasse num mundo económico como uma paisagem. Antes da Revolução Industrial, esse mundo era fundamentalmente agrícola  Os batalhadores empregavam-se, na maior parte, na agricultura. Rendimento e poder, duas coisas que geralmente andam juntas, eram expressas pelo tamanho e magnificência das habitações onde as pessoas viviam; as dos trabalhadores rurais eram muitas e sórdidas, A abundância de mão-de-obra e a relativa escassez da terra favoreciam o proprietário, tal como a tradição, a posição social, as leis e a educação. A casa do dono da terra refletia esse statu privilegiado.

O Estado, por sua vez, exercia outro domínio  primordial, tanto sobre o dono da terra como sobre o trabalhador. O poder descia do governante para o dono da terra e deste para o trabalhador. À medida que o poder percorria os sucessivos escalões, o rendimento aumentava. É uma lei que convém lembrar. O rendimento flui quase sempre ao longo do mesmo eixo que o poder. mas na direção oposta.

Nem o poder estatal nem o dos possuidores da terra era absoluto. Na Inglaterra, por altura da Revolução Industrial, tanto graças à lei como à tradição, os rendeiros e os próprios trabalhadores rurais dispunham de algumas defesas mínimas contra o poder dos seus senhores. Havia leis reguladoras das suas indemnizações e expulsões que tinham de ser respeitadas. E em Runnymede, em 1215, uma grande assembleia tinha selado um compromisso histórico com a liberdade humana, de particular incidência na fixação rigorosa dos direitos da propriedade imobiliária. Em consequência disso, a posição dos grandes proprietários da terra ficou substancialmente protegida contra as incursões do rei. Contudo, a Inglaterra era um caso ímpar, Em França, os camponeses estavam muito menos protegidos contra os seus senhores; tanto os que não possuíam terras como aqueles que as tinham, eram muito mais vulneráveis às exigências do rei cada vez mais insistentes. E o mesmo se passava no resto da Europa, agravando-se à medida que se penetrava no Oriente e na Ásia. Na Índia, no longínquo domínio dos Mongóis - em cujas cortes deslumbrantes do século XVII europeus artística e arquitetónicamente mais primitivos tinha começado a abrir o seu caminho - toda a terra era considerada como uma grande plantação pertencente ao Grão-Mongol.

John Kenneth Galbraith
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Autor do blog Filipe de Freitas Leal

Sobre o Autor

Filipe de Freitas Leal nasceu em Lisboa, em 1964, estudou Serviço Social pelo Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas da Universidade de Lisboa. Estagiou como Técnico de Intervenção Social numa Instituição vocacionada à reinserção social de ex-reclusos e apoio a famílias em vulnerabilidade social, é blogger desde 2007, de cariz humanista, também dedica-se a outros blogs de temas diversos.

A Era da Incerteza # 1.1 A Origem

1.1 - A Origem

As ideias que explicam a moderna vida económica tomaram forma durante um longo período de tempo, tal como as constituições económicas que procuram explicar. Mas há um ponto em que todos concordam e pelo qual poderemos começar. Na última metade do século XVIII a vida económica na Grã-Bretanha e, em menor escala, em toda a Europa Ocidental e, logo a seguir, na Nova Inglaterra, foi transformada por uma sucessão de invenções mecânicas - a máquina a vapor e uma série de inovações notáveis na indústria têxtil: a lançadeira volante (que apareceu mais cedo), logo de seguida da máquina de fiação para oito fios, depois a fiadeira movida a água, a fiadeira automática aperfeiçoada e, finalmente, o tear mecânico.

A roupa era (como continua a ser) instrumento fundamental de ostentação da gente rica e uma utilidade que o pobre não podia dispensar.

A fiação manual e a tecelagem eram processos infinitamente lentos e caros; a compra, por um cidadão da classe média, de um casaco, era comparável nos tempos modernos ao de um automóvel ou até mesmo de uma casa. As novas máquinas tiraram ao fabrico dos tecidos o seu caráter familiar, transferiram-no para as fábrica e tornaram o produto barato - um artigo de consumo de massa.

Com a Revolução Têxtil, surgiu uma tendência generalizada para as modificações técnicas, e de grande confiança e orgulho nos seus resultados. foi uma coisa parecida com a eclosão  de confiança na tecnologia e nas suas maravilhas que se seguiu à Segunda Guerra Mundial. No entanto, a Revolução Industrial arrastou outra revolução no pensamento económico.

Estas ideias continham indícios do mundo futuro, mas eram também - pormenor importante - profundamente influenciadas pelo mundo até então existente, praticamente o mundo da agricultura. Nem poderia ser de outra forma. Até aí, à vida económica, com exceção de um pequeníssimo número de privilegiados, apenas se pedia que fornecesse a cada um e à sua família três coisas - comida, roupa e abrigo. Tudo isto provinha da terra. A comida em primeiro lugar, claro. E as peles, a lá e as fibras vegetais. Quanto às casas, tal como eram então provinham da floresta, da pedreira, ou do forno do tijolo mais próximos  Até à Revolução Industrial, e ainda depois dela, durante muito tempo em muitos países, toda a economia era agrícola.

John Kenneth Galbraith
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Autor do blog Filipe de Freitas Leal

Sobre o Autor

Filipe de Freitas Leal nasceu em Lisboa, em 1964, estudou Serviço Social pelo Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas da Universidade de Lisboa. Estagiou como Técnico de Intervenção Social numa Instituição vocacionada à reinserção social de ex-reclusos e apoio a famílias em vulnerabilidade social, é blogger desde 2007, de cariz humanista, também dedica-se a outros blogs de temas diversos.

quinta-feira, 22 de outubro de 2015

A Era da Incerteza # Introdução

Um dia, no Verão de 1973, quando a escandalosa revelação do caso Watergate era a única coisa que me ocupava o espírito, recebi um telefonema de Adrian Malone, da BBC de Londres. Malone queria saber se eu estava interessado em colaborar numa série de programas de televisão acerca de alguns aspectos não especificados da história das ideias económicas e sociais.
A proposta surgiu-me num momento excecionalmente oportuno. Os professores de Harvard são compelidos, por uma tradição que deve remontar ao tempo dos peregrinos,[1] a manifestar a sua profunda paixão pelo que ensinam. Mesmo aqueles cujo enfado é mais que visivelmente retribuído pelas suas minúsculas turmas, falam no que toca ao Clube da Faculdade, de como é profunda a sua dedicação às funções que exercem. Eu achava a perpetração dessa fraude cada vez mais difícil. Já tinha dado comigo, uma ou duas vezes, a olhar com certo fastio para filas de rostos jovens e ansiosos. Uma coisa terrível: começava a pensar em reformar-me. Porque não? Porque não experimentar o vasto e impessoal auditório da televisão? Não havia – tinham-me dito já – a menor hipótese de ouvir os telespectadores a desligar os aparelhos. Que importava se um homem adormecia, se um casal desistia? O dia não tinha corrido grande coisa, o amor tinha as suas exigências e, de qualquer forma, eu nunca o saberia. Depois de uma hesitação quase simbólica, aceitei. Reuni-me com Adrian Malone. Dick Gilling, Mick Jackson e David Kennard – os homens que iriam ser, durante os três anos seguintes, meus constantes e tão estimados companheiros de trabalho.
Depressa acordamos no título a dar à série: «A idade da Incerteza» soava bem, não limitava o pensamento e sugeria o tema básico: iríamos estabelecer o contraste entre as grandes certezas do pensamento económico do século passado e a enorme incerteza com que defrontamos os problemas da nossa época. No século passado, os capitalistas estavam convencidos do êxito do capitalismo, os socialistas, do socialismo, os imperialistas, do colonialismo, e as classes dirigentes sabiam que todos esperavam que elas governassem. Só uma ínfima parte dessa certeza sobreviveu até hoje. Dada a espantosa complexidade dos problemas que o género humano atualmente enfrenta, seria, sem dúvida, bizarro que tal certeza permanecesse.
Com o decorrer das nossas discussões, surgiu um novo tema, ao lembrarmo-nos de uma coisa que está longe de ser original: as ideias são importantes, não apenas em si mesmas, mas também na medida em que explicam ou interpretam o comportamento social. As ideias dominantes de uma época são as que guiam as pessoas e os governos. Portanto, ajudam a moldar a própria história. Aquilo que os homens pensam do poder do mercado ou dos perigos do Estado está presente na leis que esses mesmos homens decretam ou não decretam – no que exigem do governo ou confiam às foras do mercado. Assim, o tratamento que daríamos às ideias podia dividir-se, grosso modo, em duas partes: Primeiro, os homens e as ideias depois as consequências destas. Em primeiro lugar Adam Smith, Ricardo, e Malthus, a seguir, o impacto dos seus sistemas na Inglaterra, na Irlanda e no Novo Mundo: primeiro, a história das ideias económicas, depois a história da economia.
Esta divisão deveria caracterizar, não só os programas iniciais e os primeiros capítulos deste livro, mas também toda a sequência da série.
Em dada altura passaríamos dos homens às consequências, das ideias às instituições. A última das grandes figuras da economia de que me ocupo é Keynes. Isto não significa que seja a última a merecer referência; deve-se apenas ao facto de aquelas que se lhe seguiram terem nascido demasiado tarde. Que nem eles nem os seus amigos se lamentam. A televisão não vai acabar. As ideias e as instituições resultantes foram as matérias-primas com que se construíram a série e este livro, e ambos têm as suas exigências.
Um trabalho como este, para a televisão, leva, por si mesmo, a uma especialização simples e óbvia. A substância seria minha; a apresentação pertenceria aos meus colegas da BBC. Se esta divisão fosse subvertida, os resultados seriam, certamente, deploráveis. Uma apresentação eficaz – uma planificação inteligente, a busca de cenas relevantes, a fotografia e a direção – só era possível na medida em que os meus colegas mergulhassem profunda e profissionalmente nas ideias. Foi o que fizeram. E, ao fazê-lo, influenciaram grandemente o meu pensamento, contribuíram muito para a minha informação. Esses benefícios fazem parte deste livro. Em troca, embora isso fosse geralmente menos importante, sugeri cenas e locais para fotografias e, ocasionalmente, como deveria ser dado significado visual a determinadas coisas.
A minha associação com a BBC não se limitou aos produtores e aos diretores. A British Broadcasting Corporation, como muitos devem saber, é uma grande organização. No mundo da televisão responsável, há a BBC e os outros. O seu génio reside na qualidade das pessoas que atrai e também no facto de cada um sentir – os talentosos operadores de câmara, sonoplastas, luminotécnicos, assistentes de produção, colaboradores vários – que partilha verdadeiramente a responsabilidade pelo produto final.
Trabalhar para a televisão, todos os escritores que experimentaram o sabem, é muito diferente de escrever um livro. A administração do tempo tem de ser rigorosa. Uma hora de Karl Marx pode parecer interminável a alguns telespectadores, em relação à sua vida, longa, intensa, variada e prodigiosamente ativa – é apenas um minuto. Não se trata de simplificar; pode-se expor uma ideia central rapidamente, com o rigor e a clareza, e, mesmo assim, ser-se chamado à pedra. A disciplina do tempo manifesta-se na necessidade de seleção – temos de nos concentrar nos pontos mais importantes e, ainda assim, escolher alguns de entre eles. E tudo o que o autor selecionar será profundamente pessoal; que ninguém  pense que o que ele escolhe para dizer acerca de Adam Smith, Ricardo, Karl Marx, Lenine ou John Maynard Keynes, ou a própria seleção destas figura, de preferência a outras, reflete uma sabedoria imutável e objetiva. Em televisão, não se pode ser exaustivo. Apenas se pode esperar que a seleção seja razoavelmente apreciada. O que se pode propor, com toda a diplomacia e tato, aos críticos – àqueles que, na tradição do seu oficio, juntam calor e uma generosidade infalível a uma profunda perceção – é que digam se o que fizemos contribuiu alguma coisa para o conhecimento humano.
Num programa de televisão, uma parte da história é contada pelas imagens, outra pelas palavras. Ninguém pensaria em publicar um livro que contivesse as imagens sem as palavras (bom… convém ter cautela ao dizer isto: hoje, os editores publicam quase tudo). Da mesma forma, ninguém pensaria em publicar as palavras escritas para o écran. Um texto para o cinema ou para a televisão é uma coisa mutilada, uma forma sem rosto. Deve ser também concebido sem esquecer que o telespectador o ouve apenas uma vez. Quiçá em programas deste tipo se devesse proporcionar a quem os vê a possibilidade de repetir imediatamente os pontos mais difíceis. Mas tal não acontece. O autor de um livro, ao contrário, parte do princípio que o leitor, ocasionalmente, dará, às vezes, uma vista de olhos às páginas já lidas, para tornar aquilo que o autor diz ou tenta dizer.
Quando reparei a série, escrevi primeiro ensaios cuidadosos acerca dos assuntos a tratar. Foi a partir desse material básico que se desenvolveram os textos para a televisão. Com os ensaios originais, melhorados pelos «scripts», escrevi então este livro, que muitas vezes vai para além das ideias e dos acontecimentos focados no programas de televisão. Felizmente que um capítulo não tem de ser limitado ao que se pode ler numa hora – pelo menos, por enquanto. O livro tem gravuras, mas para ilustra a história. As palavras foram escritas para viverem por si mesmas. Emergi dos meus três anos com a BBC com um maior respeito pela televisão; mas de modo algum acredito que a palavra escrita seja obsoleta ou para lá caminhe.
John Kenneth Galbraith



[1] Primeiros colonos puritanos ingleses que em 1920, fundaram a colónia de Plymouth, no atual Estado de Massachustts, EUA – NT.


Autor Filipe de Freitas Leal


Sobre o Autor

Filipe de Freitas Leal nasceu em Lisboa, em 1964, estudou Serviço Social pelo Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas da Universidade de Lisboa. Estagiou como Técnico de Intervenção Social numa Instituição vocacionada à reinserção social de ex-reclusos e apoio a famílias em vulnerabilidade social, é blogger desde 2007, de cariz humanista, também dedica-se a outros blogs de temas diversos.

terça-feira, 10 de junho de 2014

Princípios de Gestão

Equipe Humanos Silhuetas Desenho Apresentação
A gestão faz parte não apenas do mundo dos negócios, ou de assuntos de Estado, mas também como é óbvio é uma farramenta necessária a todos, instituições, organizações, grupos de pessoas ou familias, no intuito de administrar os recursos disponiveis face às necessidades sentidas de modo a produzir os resultados desejados, quer seja o consumo ou produção de bens e serviços.

Aqui optei por não colocar os resumos de aulas, como noutros posts anteriormente editados, mas sim a hiperligação para o ficheiro do Resumo do livro "Princípios de Gestão (61029) em pdf, da Universidade Aberta de Portugal, da autoria de "Sebenta UA" e que conta com os seguintes capítulos:

Capítulo 01 - A gestão e a sua evolução,
Capítulo 02 - A empresa e o seu ambiente,
Capítulo 03 - Planeamento e processo de decisão,
Capítulo 04 - Tomadas de decisões,
Capítulo 05 - Organização processo e estrutura,
Capítulo 06 - Motivação,
Capítulo 07 - Lideraça,
Capítulo 08 - Comunicação,
Capítulo 09 - Comunicação na organização,
Capítulo 10 - O processo de controlo,
Capítulo 11 - Técnicas de controlo,
Capitulo 12 - Gestão do conhecimento e aprendizagem organizacional,
Capítulo 13 - Internacionalização da empresa,
Capítulo 14 - Ética e Responsabilidade social nas empresas.

Abaixo a Hiperligação para este manual e outros livros sugeridos

Princípios de Gestão (61029) Download - Aqui
Gestão Financeira - Download - Aqui
Gestão de Pessoas na Prática - Download - Aqui

Sobre o Autor

 - Nasceu em 1964 em Lisboa, é estagiário em Serviço Social, numa ONG, tendo se licenciado pelo Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas da Universidade de Lisboa - ISCSP/UL, Fundou este blog em 2007, para o debate de ideias e a defesa do ideal humanista, edita ainda outros blogs, desde filosofia à teologia e apoio autodidático. (ver o Perfil)

domingo, 1 de junho de 2014

Desemprego # 1 - Tipologias

Entende-se por desemprego, fundamentalmente a parte da população ativa de um país que não está a trabalhar, quer por conta própria (pequeno, médio ou microempresário) quer por conta de outrem (contrato com terceiros), que está disponível para trabalhar e que está à procura de trabalho. Em ralação à população ativa, pode dizer-se que corresponde à parcela da população que encontra-se entre os 16 e os 66 anos de idade, que são o primeiro ano em que se pode iniciar a atividade laboral, e o segundo que é a idade para se obter a reforma (aposentadoria).

A situação de desemprego está diretamente ligada ao mercado de trabalho, que o mesmo será dizer que neste mercado quem procura trabalho são as empresas, e quem oferece trabalho são os trabalhadores.

A diferença entre os termo trabalho e emprego, pode ser compreendida de modo simples pelo facto de trabalho ser a realização de qualquer tarefa, seja ela paga ou não, contratada ou não, enquanto emprego, é a situação especifica de um trabalhador vender (empregar) a sua força de trabalho,  bem como a disponibilidade do seu tempo e do seu saber, em troca de uma remuneração, acordada em contrato.

O desemprego está também ligado aos ciclos económicos, que variam de acordo com o crescimento da economia mundial, nacional e local, que geram oscilações da procura e da oferta, em tempos de crise, a procura diminui e com isso gera-se a queda das procuras, e consequentemente da produtividade e do emprego.

Há fundamentalmente três tipos diferentes de tipologias de desemprego, a saber
1.º - desemprego estrutural, É o tipo de desemprego que está diretamente relacionado com a oscilação da oferta e da procura no mercado de trabalho, ocorre quando as características da oferta de trabalho por parte dos indivíduos não corresponde as características pretendidas da procura de trabalho pelas empresas, ou seja, as qualificações dos trabalhadores a oferecer a força de trabalho não corresponde às necessidades do mercado, daí não se complementarem, e o desemprego permanece, podendo haver o mesmo numero de desempregados e o mesmo numero de vagas, mas que não conseguem ser preenchidas por falta de qualificações adequadas às mesmas, daí haver indivíduos que optem por procurar formação e emprego noutras áreas.
2.º - desemprego conjuntural está relacionado com a conjuntura económica de um dado país, portanto muito diretamente é afetada pelas oscilações do PIB, que segundo a teoria denominada de 'Lei de Okum', a cada quebra de 2% do PIB a taxa de desemprego aumenta 1%, é portanto um tipo de desemprego onde a procura de trabalho por parte das empresas é muito reduzida, gerando também uma quebra no nível salarial, ou podemos dizer que é uma situação de desemprego cíclica, pois é diretamente influenciada pelos ciclos económicos de receção e expansão da economia.
3.º - desemprego friccional, resulta da movimentação da mão-de-obra, de uma empresa para outra, sendo este tipo de desemprego, considerado o mais natural, pois existe sempre independentemente dos ciclos económicos, e sobretudo hoje em dia, na aldeia global, a procura de emprego é cada vez mais feita além-fronteiras.

Para além destes três tipos de desemprego, há que ainda que ter a noção das diferentes formas de emprego que são os seguintes e a sua relação social (Castel, 1995):
a-) Emprego estável - é o emprego que contribui para socialização dos indivíduos pelo trabalho
b-) Emprego precário -  É a situação de trabalho que devido à fragilidade do mesmo, coloca o trabalhador numa zona de vulnerabilidade social.
c-) Perda de emprego - É a situação que acarreta uma rutura progressiva dos laços sociais do individuo, também denominado de desfiliação.

Por Filipe de Freitas Leal


Este artigo respeita as normas do novo Acordo Ortográfico.





Sobre o Autor

 - Nasceu em 1964 em Lisboa, é estagiário em Serviço Social, numa ONG, tendo se licenciado pelo Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas da Universidade de Lisboa - ISCSP/UL, Fundou este blog em 2007, para o debate de ideias e a defesa do ideal humanista, edita ainda outros blogs, desde filosofia à teologia e apoio autodidático. (ver o Perfil)

quarta-feira, 30 de abril de 2014

Menor Crescimento Económico na América Latina

Prevê-se que em 2014, o crescimento económico na América Latina, deverá abrandar, acordo com os dados fornecidos pela CEPAL Comissão Económica para a América Latina e o Caribe, será aproximadamente da ordem dos 2,7% de crescimento e isso deve-se ao baixo nível de atividade na economia do Brasil e do México.
O Brasil e o México, sofreram com a desaceleração continuada no comércio externo, a crise do mercado mundial, e especialmente na Europa, para além disso há condições mais difíceis e menos favoráveis para os mercados de exportação, e por outro lado está a abrandar naturalmente a economia depois de um boom nos anos anteriores, e a crise ainda pode causar mais desemprego e gerar assim a descida dos salários queda dos salários, devido à diminuição da procura interna.

Esta fragilidade nos mercados mostra-nos que é preciso haver uma preocupação dos governos latino-americanos para uma maior justiça social, e isso demonstra a necessidade de uma economia de rosto humanista.
Autor Filipe de Freitas Leal

Sobre o Autor

Filipe de Freitas Leal nasceu em Lisboa, em 1964, estudou Serviço Social pelo Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas da Universidade de Lisboa. Estagiou como Técnico de Intervenção Social numa Instituição vocacionada à reinserção social de ex-reclusos e apoio a famílias em vulnerabilidade social, é blogger desde 2007, de cariz humanista, também dedica-se a outros blogs de temas diversos.

 
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