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sábado, 14 de março de 2026

A Guerra no Irão: Porque o Martírio de Crianças não pode ser um "Dano Colateral"


Sempre fui uma pessoa transparente e pautei a minha vida pela clareza das minhas posições, desde os meus ideais políticos e ideológicos até à minha conversão ao judaísmo. Face ao atual conflito no Irão, sinto a necessidade de partilhar com os meus amigos a minha visão sobre este momento dramático.

Quero que fique claro: em momento algum apoio a violência nem me regozijo com a morte de quem quer que seja. Defendo, sim, o direito do Estado de Israel a proteger-se perante ameaças existenciais, sejam elas de grupos terroristas ou de Estados que coloquem em causa a sobrevivência do povo judeu. Contudo, como em tudo na vida, existem limites éticos intransponíveis.

Condeno veementemente o bárbaro bombardeamento ocorrido no passado dia 28 de fevereiro, no Irão, que atingiu uma escola primária e ceifou a vida a cerca de 170 meninas. Este é um acontecimento que nunca deveria ter ocorrido, sob hipótese alguma. Como pai, sinto uma tristeza profunda e uma revolta imensa perante a morte injusta de crianças inocentes. Os objetivos militares deveriam ser estritamente cirúrgicos; atingir civis, muitos dos quais desejavam uma mudança mas não a custo do sangue do seu próprio povo, é um erro trágico e inaceitável.

Além disso, creio que a intervenção militar não deve ter como fim último a simples mudança de regime pela força, mas sim a neutralização de ameaças nucleares e balísticas. É imperativo evitar que o Irão colapse numa catástrofe humanitária ou numa guerra civil que gere um vazio de poder, tal como aconteceu na Síria ou na Líbia. A meu ver, nem a morte de Ali Khamenei deveria ter sido procurada desta forma; se em vida era um tirano, morto corre o risco de ser transformado em mártir.

A guerra deve ser sempre o último recurso face a ameaças à existência. No entanto, não podemos aceitar que existam danos 'colaterais' que signifiquem a morte de inocentes. A justiça e a defesa não se podem divorciar da humanidade.

Este texto abordou eventos extremamente recentes e sensíveis referentes ao conflito iniciado em 28 de fevereiro de 2026. Texto que preserva a minha transparência e os meus valores e ideias tendo organizado os argumentos de forma a reforçar a minha visão ética e humanitária.

Autor Filipe de Freitas Leal

Sobre o Autor

Filipe de Freitas Leal nasceu em Lisboa, em 1964, é licenciado em Serviço Social pelo Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas da Universidade de Lisboa, com Pós-graduação em Políticas Públicas e Desigualdades Sociais, frequentou o Mestrado de Sociologia na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. Estagiou com reinserção social de ex-reclusos e o apoio a famílias em vulnerabilidade social. É Bloguer desde 2007, tem publicados oito livros de temas muito diversos, desde a Poesia até à Política.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

Israel x Palestina e Irão: A Origem do Conflito



Olá a todos, como estão? Cá estou de volta a aprofundar um tema muito polémico. Eu estive a informar-me sobre detalhes do conflito Israelo-árabe, detalhes que a imprensa não revela e uma parte dos intelectuais, uns desconhecem, outros não entendem, e outros ainda pior, escondem de nós.

Um desses detalhes é, a bem da verdade, uma das causas fundamentais do conflito, que opõe os países muçulmanos face ao Estado de Israel, (sobretudo os mais radicais), trata-se do dogma religioso do 'Waqf' ou Dogma do Solo Sagrado do Islão, e também dos 'Dhimis' (os não muçulmanos chamados de infiéis que para viverem no Dar al-Islam ou a Casa do Islão e poder praticar a sua religião devem pagar o imposto da 'Gizhya'), quanto ao solo Sagrado, compreende toda o território do I Califado. E é devido a isto que em 1979, após a Revolução Islâmica, o Irão colocou na sua constituição programática a missão da destruição total da Entidade Sionista, e dos judeus, chamando de Israel um cancro no solo Sagrado do Islão.

O Hamas em Gaza, tal como o Hezbollah do Líbano, ou a Jihad Islâmica, são os tais proxies, grupos terroristas, financiados pelo Irão, e que têm esta visão dogmática do Waqf. E foi este dogma religioso que levou os países árabes a não aceitarem a partilha da Palestina pela Resolução 181 da ONU em 1947.

Yasser Arafat não era um religioso, pelo contrário era um muçulmano secular casado com uma católica, mas apesar de ser secular, de reconhecer o direito de Israel como Estado e de querer a Palestina livre, ele hesitou, pois tinha medo do que se chama hoje de "A rua árabe" e a reação da ala mais radical, e por isso rejeitou a solução dos dois Estados, na Reunião de Camp David no ano 2000; bastava dizer sim e a Palestina hoje seria livre e existia. O mundo ficou perplexo, inclusive levou Bill Clinton a dizer que a recusa de Arafat foi "uma tragédia de dimensões históricas"

O atentado de 07/10 foi a gota D'Água que mudou o paradigma de ação defensiva de Israel e da politica dos EUA face ao conflito, somando-se os atentados contra os navios no Mar Vermelho pelos Houtis, e fez com que Israel e os EUA mudassem a tática, antes atacavam defensivamente apenas os tentáculos do polvo, que eram os grupos terroristas financiados pelo Irão, mas agora a tática passou a ser a necessidade de eliminar a cabeça do Polvo (o regime teocrático do Irão). Não é para menos, o governo de Teerão calculou mal as consequências do 07/10. Esperava liderar o mundo árabe contra Israel.

Agora o problema é saber como este embroglio se resolve. Nenhuma das possibilidades é fácil, e todas trazem consequências. A queda do regime é uma Caixa de Pandora, que pode abrir-se para outros males que não sabemos quais são. Se Yasser Arafat tinha medo da rua Árabe, é bom que os EUA tenham medo do vazio de poder, porque não sabemos até que ponto a população quer como líder o Príncipe Rheza Pahlavi, filho do Xá deposto em 1979.

Ou será que vale mais deixar tudo como está no Irão e fazer um ultimato como o Artigo 5 da NATO-OTAN, dizendo ao Irão: "Se atacares Israel, vais pelos ares". Enfim, algo tem que ser bem calculado, porque há o perigo de cair o poder na rua e no vazio de autoridade, algo que poderá deflagrar numa guerra civil, e nesse caso ninguém sai a ganhar.

Facto é que há milhares de mortos, milhares de presos políticos e de execuções no Irão. Um povo sem armas não consegue derrubar um governo Teocrático, fanático e tirano.

Enquanto tudo isto se passa os manifestantes e a oposição clamam pela libertação que venha dos EUA, mas até mais de Israel.

Autor Filipe de Freitas Leal

Sobre o Autor

Filipe de Freitas Leal nasceu em Lisboa, em 1964, é licenciado em Serviço Social pelo Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas da Universidade de Lisboa, com Pós-graduação em Políticas Públicas e Desigualdades Sociais, frequentou o Mestrado de Sociologia na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. Estagiou com reinserção social de ex-reclusos e o apoio a famílias em vulnerabilidade social. É Bloguer desde 2007, tem publicados oito livros de temas muito diversos, desde a Poesia até à Política.

quinta-feira, 29 de janeiro de 2026

EUA X IRÀO - Guerra ou Pressão ?





   
Não faz sentido nenhum gerar uma enorme despesa militar e toda a aparatosa armada americana no Golfo, se fosse só para pressionar. Tudo de facto indica para uma Guerra, a meu ver, o Irão fez por merecer, está em guerra com Israel, o Ocidente e a civilização cristã há 47 anos, mas usa apenas os Proxies ou forças entrepostas como se nada tivesse a ver com o regime teocrático xiita e persecutório dos Ayiatholás. 

Os muitos ataques a Israel e os ataques a navios ocidentais no Mar Vermelho partiram das ordens de Teerão, o hediondo ataque de 07/10 em Israel foi orquestrado por ordem de Teerão e visava levar Israel a perder a cabeça. Nada foi por acaso e nem em vão na cabeça daquela gente fanática, capaz de matar o próprio povo para se manterem no poder, e fazem tudo isso em nome de Deus. Portanto Chega! O que eu acho é que a guerra vai trazer consequências que não sabemos bem quais serão.

O Esmagamento do Hamas e do Hezbollah eram condição sine qua non para pôr fim ao terrorismo. E o mundo árabe sabe que Israel não vai fazer as malas, entregar Jerusalém, Tel Aviv e o resto de Israel e ir-se embora. 

Daí a emergência dos acordos de Abraão. Aliás, na queda do Irão, quem mais sai a ganhar é a Arábia Saudita. A questão é que a Solução dos dois Estados tem que ser resolvida de facto, quer Netanyahu goste quer não, porque para o bem dos palestinianos e dos israelitas, é importante resolver esta questão. Que todavia, há que dizer, a bem da verdade, que nunca foi aceite pelos países e líderes árabes mais radicais, entre eles o Irão que defende a destruição do Estado de Israel e o extermínio dos judeus, daí a célebre frase "Palestina Livre do Rio até ao Mar".

Após o esmagamento do Hamas, do Hezbollah, da queda de Maduro e da asfixia do Iémen, a prioridade passa a ser derrubar o regime que financia o terrorismo, ou seja, a teocracia do Irão. Para mim, tudo isto faz parte de um plano de sobrevivência ou morte dos EUA e de Israel em maior grau, mas também do Ocidente, que pode permitir um maior equilíbrio e estabilidade no Médio Oriente.

Mas esta guerra pode ser o estopim para um conflito maior, oxalá não seja, mas tem potencial para isso. E ainda por arrastão, irá antecipar a grande crise económica que será parecida com a crise de 1929, que aliás fará com que os ricos fiquem ainda mais ricos e os pobres mais pobres.

Mas há outro fator, é que a queda do Irão, asfixia em parte a Rússia, que é fomentada por armas e pelos drones iranianos na Guerra contra a Ucrânia. E é aqui que a porca torce o rabo, o que fará a China e como reagirá a Rússia, vão ficar a ver quietinhos a estratégia geopolítica dos EUA e Israel ou vão intervir? E se sim, como?

Creio que a China ganha em manter o Soft power, o objetivo deles é preciso, certeiro e infalível, o domínio econômico, e vão conseguir. A Rússia é que pode se aventurar, ou talvez ceda num acordo de paz, desde que lhe concedam território. Não sei o que se irá passar. 

Enquanto isso, a Índia cresce economicamente seguindo os passos dos sábios chineses. A família Tata esfrega as mãos de contente com as escaramuças dos EUA e a derrocada da economia ocidental. Sim a crise será mundial, mas vai afetar os mercados "decadentes" muito mais do que os emergentes.

Resta uma palavra final de solidariedade e sentimento para o povo iraniano, homens e mulheres, corajosos e lutadores, de diferentes classes sociais e faixas etárias, que são hoje os mártires pela democracia e a libertação da sua patria. Fala-se em muitos milhares de mortos. Para dar apoio à insurreição popular a ONU e a UE declaram a Guarda Revolucionária do Irão como um grupo terrorista e genocida que massacra o próprio povo.

Autor Filipe de Freitas Leal

Sobre o Autor

Filipe de Freitas Leal nasceu em Lisboa, em 1964, é licenciado em Serviço Social pelo Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas da Universidade de Lisboa, com Pós-graduação em Políticas Públicas e Desigualdades Sociais, frequentou o Mestrado de Sociologia na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. Estagiou com reinserção social de ex-reclusos e o apoio a famílias em vulnerabilidade social. É Bloguer desde 2007, tem publicados oito livros de temas muito diversos, desde a Poesia até à Política.

sexta-feira, 9 de janeiro de 2026

Novos Conflitos na Geopolítica


Se a URSS, o Pacto de Varsóvia, o COMECOM e o Comunismo caíram em simultâneo no ano de 1991, deixando então de ser uma ameaça para o Ocidente, porque é que a NATO/OTAN permaneceu e expandiu-se ainda mais, até às fronteiras com a Rússia? Será que se a NATO já não existisse não teria havido guerra na Ucrânia?

Da mesma forma, a União Europeia expandiu-se para leste, mas também aqui, para além da parceria na Nord Stream, a Rússia sempre foi posta de lado e a subserviência europeia a Washington nunca foi posta em causa. Os países europeus do COMECOM poderiam ter aderido à UE tal como os países do Pacto de Varsóvia poderiam ter aderido à NATO/OTAN promovendo cooperação e intercâmbios para uma nova era de desenvolvimento. Mas não foi isso que aconteceu.

Com a ilusão da paz, e o boom económico da UE, a Europa optou pelo Soft power e desmilitarizou-se e assim, entregou à NATO/OTAN (EUA) a sua defesa, e na mesma época deslocalizou para a China muito da sua indústria e know how (fábricas) permitindo que esta viesse a ser a grande talvez já a maior potência económica, política e militar que é hoje, com o ser Hard Power.

E sim, é claro que se de facto houver a anexação da Groenlândia, aí sim, será o fim da NATO/OTAN, mas será mais do que isso, será o abandono da Europa à sua sorte. O ataque à Venezuela e o derrube de Maduro, bem como ameaças a outras áreas perto dos EUA são um sinal inequívoco disso.

E é claro que trata-se de uma guerra geopolítica num mundo que entrou em desequilíbrio, visto que até 1991, haviam duas superpotências, até que veio a queda do gigante urso soviético, depois por algum tempo só a Águia americana voo altaneira. Mas passadas três décadas e uma revolução tecnológica, o mundo passou a ser multipolar. Há sim uma disputa surda e feroz no Oceano Ártico por rotas abertas com o degelo. Há sim uma redefinição de posições no tabuleiro do xadrez das relações internacionais e está a ser obviamente feita com conflitos e provocações.

Autor Filipe de Freitas Leal

Sobre o Autor

Filipe de Freitas Leal nasceu em Lisboa, em 1964, é licenciado em Serviço Social pelo Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas da Universidade de Lisboa, com Pós-graduação em Políticas Públicas e Desigualdades Sociais, frequentou o Mestrado de Sociologia na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. Estagiou com reinserção social de ex-reclusos e o apoio a famílias em vulnerabilidade social. É Bloguer desde 2007, tem publicados oito livros de temas muito diversos, desde a Poesia até à Política.

 
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