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quarta-feira, 22 de julho de 2026

O Que Estuda a Sociologia Política?









4º Capítulo do Livro "Ciência Política em 50 Lições"
A Sociologia Política é uma das ciências especializadas da sociologia. Ela não se ocupa do estudo da sociedade no seu todo, mas foca nos fenômenos políticos de uma dada realidade. Busca encontrar respostas sobre o exercício do poder e a sua legitimidade, analisando também a reação do eleitorado em determinadas eleições ou épocas. Pode, ainda, estudar as razões por trás da abstenção eleitoral ou os motivos do surgimento de motins e revoltas populares — como as manifestações estudantis em França no maio de 1968 —, apenas para dar uma breve ideia do seu campo de atuação.
Contudo, a Sociologia Política não se limita a compreender os fenômenos políticos. Ela visa também prever o impacto dessas dinâmicas na sociedade em função das decisões tomadas pelos governantes. Para isso, apoia-se em metodologias de estudo adequadas a cada caso. É importante notar que ela se distingue da Ciência Política tradicional: enquanto esta última foca nas instituições formais, nas leis e na estrutura do Estado, a Sociologia Política investiga a base social do poder, ou seja, como a cultura, as classes sociais e as relações comunitárias moldam e são moldadas pela política.
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Por outras palavras, a Sociologia Política auxilia o poder político — quer de âmbito central,
quer local —, dando a conhecer a realidade social de forma útil para as entidades, os organismos públicos e os responsáveis da administração pública. Sem os conhecimentos empíricos obtidos com o auxílio da sociologia, tornar-se-ia muito difícil tomar decisões políticas assertivas; mesmo as medidas que tentassem ser populares poderiam revelar-se inadequadas e trazer impactos negativos.
Assim, mais do que ser uma disciplina à parte da sociologia geral, a Sociologia Política e a Sociologia Aplicada fornecem os métodos científicos que auxiliam a práxis política. Trata-se de investigações cujos dados empíricos são obtidos através de amostras representativas de uma população-alvo. Esses dados são colhidos por métodos qualitativos, como entrevistas e a observação participante por parte do investigador, ou através de métodos quantitativos, feitos por questionários estruturados e o uso de estatísticas (onde se identificam tendências ou a "moda" pela comparação de variáveis). Essas respostas às grandes questões sociais permitem orientar e fundamentar as políticas públicas contemporâneas, incluindo o impacto das novas mídias digitais e dos movimentos sociais modernos.
Todavia, não cabe aqui abordar detalhadamente todas as escolas sociológicas e os seus paradigmas, para não se perder o objetivo deste livro. É notório que Karl Marx, Émile Durkheim e Max Weber foram, sem sombra de dúvida, pensadores que se debruçaram sobre os fenômenos políticos. Marx contribuiu com a sua análise histórica das classes sociais e das relações de dominação econômica. Durkheim, embora focado nos factos sociais (como o suicídio), lançou as bases para entender a coesão social e a solidariedade. No entanto, foi Max Weber o primeiro a desenvolver sistematicamente o que hoje chamamos de Sociologia Política.
Como refere Bonavides (2010) no seu manual de Ciência Política, Weber foi o pioneiro na sociologia a debruçar-se profundamente sobre as questões da legitimação e da racionalização do poder. Na sua célebre conferência A Política como Vocação (frequentemente publicada junto a A Ciência como Vocação), Weber teorizou sobre o monopólio da violência legítima pelo Estado e propôs os três tipos puros de dominação: a tradicional (baseada nos costumes), a carismática (baseada na devoção ao líder) e a racional-legal (baseada nas leis e na burocracia do Estado moderno). Além disso, o autor estudou as complexas inter-relações da política com a religião e a economia na sua obra clássica A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo.
Gostou deste texto? É um trecho adaptado do livro 'Ciência Política em 50 Lições'. Adquira o volume completo na Amazon." Link
English Version

What Does Political Sociology Study?

Political Sociology is one of the specialized branches of sociology. Rather than examining society as a whole, it focuses specifically on the political phenomena of a given reality. It seeks answers regarding the exercise and legitimacy of power, while also analyzing voter behavior in specific elections or eras. It may further investigate the reasons behind electoral abstention or the motives driving riots and popular uprisings—such as the student protests in France in May 1968—just to offer a brief overview of its scope.

However, Political Sociology is not limited to understanding political phenomena alone. It also aims to forecast the social impact of these dynamics resulting from decisions made by political leaders. To achieve this, it relies on research methodologies tailored to each case. It is important to note how it differs from traditional Political Science: while the latter focuses on formal institutions, laws, and the structure of the State, Political Sociology investigates the social foundation of power—that is, how culture, social classes, and community relationships shape and are shaped by politics.

In other words, Political Sociology assists political authority—at both central and local levels—by revealing social reality in a way that is actionable for public entities, government bodies, and administrators. Without the empirical insights gained through sociology, making assertive policy decisions would become remarkably difficult; even measures intended to be popular could prove inadequate and produce negative impacts.

Thus, rather than being an isolated branch of general sociology, Political Sociology and Applied Sociology provide the scientific methods that guide political praxis. These investigations gather empirical data through representative samples of a target population. Data is collected via qualitative methods—such as interviews and participant observation—or through quantitative methods using structured questionnaires and statistical analysis (identifying trends or the "mode" by comparing variables). These responses to major social questions help guide and ground contemporary public policies, including the impact of new digital media and modern social movements.

However, a detailed discussion of all sociological schools and their paradigms falls outside the scope of this book. It is undeniable that Karl Marx, Émile Durkheim, and Max Weber were key thinkers who deeply examined political phenomena. Marx contributed through his historical analysis of social classes and economic domination. Durkheim, although focused on social facts (such as suicide), laid the groundwork for understanding social cohesion and solidarity. Nevertheless, it was Max Weber who first systematically developed what we now call Political Sociology.

As Bonavides (2010) notes in his handbook of Political Science, Weber was the pioneer in sociology to delve deeply into issues of the legitimation and rationalization of power. In his celebrated lecture Politics as a Vocation (frequently published alongside Science as a Vocation), Weber theorized on the State’s monopoly on the legitimate use of physical force and proposed the three pure types of authority: traditional (based on custom), charismatic (based on devotion to a leader), and rational-legal (based on laws and the bureaucracy of the modern State). Furthermore, he examined the complex interrelationships between politics, religion, and economics in his classic work The Protestant Ethic and the Spirit of Capitalism.

Sobre o Autor | About the Author

PT Filipe de Freitas Leal nasceu em Lisboa, em 1964. Com uma trajetória marcada pela vivência cultural e profissional entre Portugal e o Brasil, desenvolveu um olhar plural e sensível sobre as dinâmicas sociais e históricas. É licenciado em Serviço Social e pós-graduado em Políticas Públicas e Desigualdades Sociais pela Universidade Nova de Lisboa. Pesquisador independente e estudioso do idioma hebraico, dedica-se há quase duas décadas à produção de conteúdo de cariz humanista, sendo o criador dos espaços digitais Etcetera e Conhecer o Judaísmo. Autor de diversas obras que transitam pela ciência política, poesia e espiritualidade, Filipe alia o rigor da investigação documental a uma profunda empatia analítica, oferecendo reflexões que fogem de julgamentos fáceis e priorizam a compreensão histórica.

EN Filipe de Freitas Leal was born in Lisbon in 1964. With a career marked by cultural and professional experiences between Portugal and Brazil, he developed a plural and sensitive gaze on social and historical dynamics. He holds a bachelor's degree in Social Work and a postgraduate degree in Public Policy and Social Inequalities from the Universidade Nova de Lisboa. An independent researcher and scholar of the Hebrew language, he has dedicated himself for nearly two decades to producing humanist content, being the creator of the digital spaces Etcetera and Conhecer o Judaísmo. Author of several works spanning political science, poetry, and religion, Filipe combines the rigor of documentary research with a deep analytical empathy, offering reflections that avoid easy judgments and prioritize historical understanding.


segunda-feira, 17 de abril de 2023

A Diferença Entre Estado, País e Nação


Para ilustrar a diferença que há entre Estado e Nação, deve-se observar que há quatro situações distintas sobre estes dois conceitos, a saber os seguintes tipos:

·   Estado com mais de uma nação;

·   Estado Nacional com uma só nação;

·   Nação sem Estado;

·   Nação dividida em mais de um Estado.

De acordo com o exposto acima, podemos ter em primeira análise que, há Nações sem Estado, como é o caso por exemplo da nação cigana, ou ainda das diversas tribos indígenas da América, tratando-se de nações pré-colombianas que não têm Estado, mas formam uma nação.

De igual modo, não é por acaso que este artigo é ilustrado com as bandeiras que formam o Reino Unido, porque ilustra bem que há dentro de um mesmo Estado Supra-nacional (o Reino Unido) quatro nações distintas a Inglaterra, a Escócia, o País de Gales e a Irlanda do Norte, neste último, a sua população maioritariamente católica é parte da nação irlandesa e como tal desejam juntar a Irlanda do Norte ao restante da República da Irlanda.

Numa segunda análise, temos uma nação dividida em mais de um Estado, como o povo do Curdistão, que se estende pelos territórios da Turquia, Síria, Iraque e Irão, contudo, identificam-se como uma única nação e lutam pela autodeterminação, nomeadamente na Turquia com o braço armado do PKK o Partido dos Trabalhadores do Curdistão.

No passado, houve o exemplo da Alemanha dividida em dois Estados, a RFA, ocidental, democrática e de economia liberal e a RDA, Oriental, de regime comunista, assim um mesmo povo e um mesmo país dividiram-se em dois Estados, o mesmo se passou com o Iémen e a Coreia, ambos os povos divididos entre Norte e Sul, ou ainda as duas Chinas, que se dividiram entre a continental comunista e a insular capitalista chamada de Formosa ou Taiwan.

Segue-se um outro exemplo, trata-se da existência de um Estado com mais de uma nação, cada uma com sua cultura tradições e língua próprias, é o caso do Reino Unido, que junta a Inglaterra, a Escócia, o País de Gales e a Irlanda do Norte; outro exemplo paradigmático é a Espanha onde há mais de uma nação com língua própria, como a Catalunha, País Basco, Galiza e Castela; na Bélgica juntaram-se num mesmo Estado os francófonos da Valónia, ao sul e os de língua flamenga ou holandesa da Flandres a Norte, um outro exemplo é a Confederação Helvética, que junta num mesmo Estado a federação de populações de línguas francesa, alemã, italiana e dialetos suíços.

No passado mais recente, há o exemplo da URSS com as suas quinze repúblicas socialistas, cada qual com sua língua, etnia e cultura próprias, que hoje formam Estados independentes, embora com a agravante de conflitos separatistas devido à deslocalização das populações autóctones para outras repúblicas; A Jugoslávia desmembrou-se devido a uma sangrenta guerra civil iniciada em 1991 na Bósnia-Herzegovina, fazendo surgir sete novos países; A Checoslováquia é outro exemplo, sendo que este desmembrou-se em 1992 por um plebiscito, dando lugar a dois novos países a República Checa e a Eslováquia.

Portanto a existência de um Estado com mais de uma nação é referente à organização política e jurídica na qual dois ou mais povos estão envolvidos por meio de uma União Real, uma Federação ou ainda uma Confederação de Povos e países que se unificaram sob o mesmo poder político central.

Resta clarificar os conceitos de Estado e Nação, que estão relacionados com o Território, Povo e Cidadania:

Os Elementos Fundamentais do Estado

Ø Existência de um Povo;

o      Elemento humano, composto pelos cidadãos.

Ø Posse de um Território;

o         Elemento físico da sua área geográfica

§  Área terrestre;

ü   Continental,

ü   Insular,

ü   Arquipelágico,

ü   Representativo – embaixadas.

§  Mar territorial;

ü   Até 12 milhas mais ZEE,

ü   Área lacustre,

ü   Área fluvial,

§  Espaço aéreo.

ü   Cobre todo o território nacional, terrestre, marítimo e a ZEE.

Ø Sustentado por um Poder Político.

o         Elemento Político ou o Aparelho Estatal;

§  Governo;

§  Parlamento;

§  Tribunais;

§  Conjunto de Leis e regras normativas.

o         Com reconhecimento do seu Status;

§  Pode ser um Estado Soberano;

ü   País independente.

§  Ou um Estado Semissoberano;

ü   País com independência limitada.

§  Ou Estado Não Soberano;

ü   Estado membro com autonomia.

Características Fundamentais da Nação:

Ø A partilha de uma mesma Cultura;

o      Dentro do território nacional;

o      Na diáspora (comunidades de emigrantes)

Ø A existência de um Idioma comum;

Ø Cumprimento das leis consuetudinárias comuns;

Ø Partilha das mesmas tradições, usos e costumes;

Ø Partilha de uma crença religiosa em comum ou maioritária;

Ø Podem existir traços fisionómicos comuns.

O Conceito de Estado

O Estado não pode, nem deve ser confundido com a Sociedade e nem com a Nação, no entanto, pode ser entendido segundo Paulo Bonavides no seu manual de política, como a organização política da sociedade, como a Pólis dos gregos ou Civita e a Res publica dos romanos, de acordo com Bonavides (2010) O conceito moderno surge na obra de Maquiavel, no qual afirma no capítulo I, “Todos os Estados, todos os governos que tiveram e têm autoridade sobre os homens, foram e são ou repúblicas ou principados” deixando a ideia de que o Estado é o poder sobre os homens ou comunidades, poder coercivo para a manutenção do próprio Estado e do bem comum.

João Ubaldo Ribeiro no seu livro ‘Política’, lembra e bem, que o termo Estado quando é empregado no Brasil, gera nas pessoas alguma confusão em relação a entenderem um “Estado” como parte da “União” ou do Brasil, pelo que o termo mais apropriado é dizer-se Estado Membro ao invés de Estado, e dizer-se A Federação em vez de a “União”. No entanto, na língua portuguesa a palavra “Estado”, que deriva do latim tem um significado equivalente ao estatuto ou ao modo de “estar”, é ainda a condição em que se encontra alguém ou alguma coisa, muito diferente do sentido de “ser”, pelo que se torna assim uma palavra polissémica.

Resumindo, o Estado é composto por três elementos fundamentais, o Povo, a posse de um elemento físico geográfico, que é o Território em si, o Mar Territorial e o Espaço Aéreo, requer ainda o elemento do Poder Político pela totalidade do seu aparelho estatal e de um corpo de leis ou regras normativas que regem o funcionamento do mesmo.

Uma vez existindo os três elementos supracitados, resta o reconhecimento do Status do respetivo Estado, que pode ser soberano ou independente, semissoberano ou independente com limitações, ou ainda um Estado não-soberano que pode ser uma região autónoma ou um Estado membro de uma Federação.

Quadro Característico do Estado

·               Estado Moderno

Repousa sobre três elementos fundamentais.

Ø    Elementos Materiais;

ü    População;

ü    Povo;

ü    Território.

Ø    Elementos Formais;

ü    Poder político soberano;

ü    Ordem jurídica;

O Conceito de Nação

O conceito de Nação tem apresentado na maioria das pessoas, uma confusão com Povo, População e Cidadãos, trata-se de conceitos correlacionados, mas distintos.

A nação faz parte elementar do Estado pela existência do elemento humano a que chamamos Povo, mas um povo pode ser composto por mais de uma nação, o povo espanhol compõe-se de pelo menos 4 grandes nações espanholas, os Castelhanos, os galegos, os catalães e os bascos, para além disso há ainda pequenos núcleos de outras duas nações formadas por indivíduos nascidos no Território e com a cidadania espanhola, no entanto apresentando por um lado uma variação étnica como os ciganos que formam a nação cigana, por outro lado uma variação religiosa como é o caso dos judeus, mesmo que nascidos em Espanha são parte da nação israelita.

A atribuição da Nacionalidade

Uma vez definido o conceito de Nação, vamos focar na atribuição da nacionalidade, como se adquire e quem pode adquirir uma dada nacionalidade ou cidadania:

As formas mais comuns da aquisição da nacionalidade são duas, denominadas pelos termos latinos de Jus Solis que significa Direito de Solo, e pela Jus Sanguinis ou direito de sangue, com as seguintes circunstâncias descritas abaixo:

a)  Jus Sanguinis – (Direito de Sangue) Atribuição da nacionalidade pela consanguinidade, que se refere ao direito adquirido pelo nascimento de acordo com a origem nacional ou étnica independentemente da localidade onde ocorra o nascimento;

b)  Jus Solis – (Direito de Solo) Nacionalidade atribuída pelo nascimento dentro do território do Estado.

Em segundo lugar, há os processos de naturalização na qual a nacionalidade pode ser adquirida pelo acumulo por via da adoção ou de casamento, podendo também ocorrer por via da conversão, tal como abaixo indicado:

a)  Naturalização – Processo de aquisição de nacionalidade a pedido do próprio;

b)  Casamento - Processo de aquisição da cidadania por meio de casamento;

c)   Adoção – A adoção de uma criança estrangeira, faz com que a mesma receba a nacionalidade dos pais adotivos, de acordo com a Jus Sanguinis, tendo em conta o princípio de que os filhos adotivos têm os mesmos direitos dos filhos biológicos.

d)  Conversão – E o caso da religião judaica, em que o convertido passa a pertencer ao povo de Israel, podendo se assim o entender, pedir para residir em Israel, recebendo a cidadania israelita.

A Naturalização compreende o requerimento formal de uma pessoa que expressamente se auto propõe a fazer parte de uma nação, trata-se de um processo moroso e burocrático que exige que o candidato adquira um conjunto de competências e condições que permitam inequivocamente que possa fazer parte da Nação, tal como a fluência da língua, o conhecimento da cultura e a sua submissão à ordem jurídica do País a que quer aderir, ou seja, exige-se um conjunto de condições Sine Qua Non, para a atribuição da cidadania, tais como:

·     Ter autorização de residência no país, em alguns casos com 5 anos de residência efetiva;

·     Ter domínio do idioma e conhecimento da cultura e história do país; comprovado através de prova escrita e oral.

·     Ter meios de subsistência que devem ser provados;

·     Não ter cometido crimes no país de origem;

·     Aceitar e comprometer-se em se submeter à ordem constitucional e jurídica do país de adoção.

Há países em que não há distinção de Natos de Naturalizados gozando os mesmos direitos, outros, porém não permitem o uso dos direitos políticos na sua totalidade, como é o caso do Brasil, em que há distinção entre um cidadão nato de um naturalizado, por exemplo não pode ser eleito Senador nem Presidente da República, podendo ser deputado, sendo-lhe, no entanto, vedados os cargos na linha de sucessão presidencial, como o de Presidente do Parlamento. Israel é um país em que tal distinção não ocorre, devendo-se ao facto de que a nacionalidade ser um atributo religioso.

Todavia, a cidadania tal como se adquire, quer pelo nascimento ou pela naturalização, pode também ser retirada em condições especiais, isto é, pode vir a ser renunciada pelo próprio cidadão, ou ainda em casos graves, pode impor-se a retirada ou a cassação da cidadania, como abaixo indicados:

·    Renúncia - A pedido do próprio individuo.

·    Cassação – Ocorre quando há razões imperiosas, como por exemplo, a traição à pátria, por crimes de sangue, traição ou por atos terroristas.

·    Incompatibilidade – Quando não é permitido o acumulo de mais de uma ou duas nacionalidades.


Conclusão: Os conceitos de País, Estado e Nação são distintos no pensamento europeu, aliás Portugal foi o Primeiro Estado Nação da Europa e nem passou pela fase do feudalismo. No continente americano o conceito de Estado, País e Nação são diferentes.

Autor Filipe de Freitas Leal

Sobre o Autor

Filipe de Freitas Leal nasceu em Lisboa, em 1964, é licenciado em Serviço Social pelo Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas da Universidade de Lisboa, com Pós-graduação em Políticas Públicas e Desigualdades Sociais, frequentou o Mestrado de Sociologia na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. Estagiou com reinserção social de ex-reclusos e o apoio a famílias em vulnerabilidade social. É Bloguer desde 2007, tem publicados oito livros de temas muito diversos, desde a Poesia até à Política.

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quarta-feira, 30 de março de 2022

Os Três Sistemas: Entre a Tirania do Estado e a Indiferença do Mercado

Olhar para a história política é confrontar um ciclo de ilusões e opressões. O fascismo nunca escondeu a sua natureza: foi o lobo implacável, a violência pura e o autoritarismo despido de máscaras que esmagou a liberdade humana.

O comunismo real, contudo, refinou a armadilha. Vestiu a pele de cordeiro, seduzindo as massas com promessas de igualdade utópica para, nos bastidores do poder, instalar regimes totalitários que asfixiaram o próprio povo. Ambos sacrificaram o indivíduo em nome do controlo absoluto.Hoje, enfrentamos uma ameaça mais subtil, mas igualmente devastadora: o neo-liberalismo.

Ao entronizar o mercado e o lucro como deuses soberanos, este modelo mercantilizou a nossa própria existência. Sob a bandeira de uma falsa liberdade individual, destrói os laços de solidariedade e transforma direitos fundamentais — como a saúde e a educação — em privilégios de quem pode pagar. Quem não gera lucro é descartado, transformado na "ovelha negra" de um sistema que normaliza a desigualdade e pune a vulnerabilidade.Não podemos continuar a aceitar a escolha entre a tirania do Estado e a indiferença do mercado.

É hora de despertar para uma verdadeira Democracia Humanista. Exigir o restabelecimento de um Welfare State forte e renovado não é um ideal utópico, é uma urgência civilizacional. A economia deve, obrigatoriamente, estar ao serviço da dignidade humana. Só quando assumirmos a Justiça Social como um dever coletivo intransigente é que deixaremos de ser presas ou marginais deste sistema, construindo uma sociedade onde cada ser humano tem o direito elementar de prosperar.

O Fascismo era mau, o comunismo, idem, o Neoliberalismo não fica atrás. Os primeiros eram o lobo, os segundos, um lobo com pele de cordeiro, e por fim, os terceiros, são uma ovelha negra.

Eu creio que só nos valerá uma verdadeira Democracia Humanista que permita a Justiça Social e que restabeleça um novo Welfare State.

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English Version

The Three Systems: Between State Tyranny and Market Indifference

by Filipe de Freitas Leal

Looking at political history means confronting a cycle of illusions and oppressions. Fascism never hid its true nature: it was the relentless wolf, pure violence, and unmasked authoritarianism that crushed human freedom.
Real communism, however, refined the trap. It wore sheep's clothing, seducing the masses with promises of a utopian equality only to install, behind the scenes of power, totalitarian regimes that suffocated their own people. Both sacrificed the individual in the name of absolute control. Today, we face a more subtle but equally devastating threat: neo-liberalism.
By enthroning the market and profit as sovereign gods, this model has commodified our very existence. Under the banner of a false individual freedom, it destroys the bonds of solidarity and transforms fundamental rights — such as healthcare and education — into privileges for those who can afford them. Those who do not generate profit are discarded, turned into the "black sheep" of a system that normalizes inequality and punishes vulnerability. We cannot continue to accept the choice between State tyranny and market indifference.
It is time to awaken to a true Humanist Democracy. Demanding the restoration of a strong and renewed Welfare State is not a utopian ideal; it is a civilizational urgency. The economy must, obligatorily, be at the service of human dignity. Only when we embrace Social Justice as an uncompromising collective duty will we stop being prey or outcasts of this system, building a society where every human being has the elementary right to thrive.
Fascism was evil, communism likewise, and Neoliberalism is no better. The first was the wolf, the second a wolf in sheep's clothing, and finally, the third is a black sheep. I believe our only salvation lies in a true Humanist Democracy that enables Social Justice and restores a new Welfare State.
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Sobre o Autor | About the Author

PT Filipe de Freitas Leal nasceu em Lisboa (Portugal), em 1964, é licenciado em Serviço Social pelo ISCSP (Universidade de Lisboa) e pós-graduado em Políticas Públicas e Desigualdades Sociais pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. Na sua trajetória profissional, destaca-se o estágio em reinserção social de ex-reclusos e o apoio a famílias em situação de vulnerabilidade. No mundo digital, é blogger desde 2007, atuou como ilustrador, editor e autor, conta já com oito livros publicados em áreas distintas, que vão desde o Serviço Social, Poesia até à Ciência Política, escreve artigos sobre atualidade política e conflitos geopolíticos.

EN Filipe de Freitas Leal was born in Lisbon in 1964. He holds a degree in Social Work from ISCSP (University of Lisbon) and a postgraduate degree in Public Policy and Social Inequalities. He also attended a Master’s program in Sociology at the Faculty of Social Sciences and Humanities (Universidade Nova de Lisboa). His professional background includes social reintegration of former inmates and support for families in situations of social vulnerability. A blogger since 2007, he has acted as an illustrator and independent editor, with eight published books ranging from Social Work and Poetry to Political Science. He currently writes about political current affairs and geopolitical conflicts.


 
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