terça-feira, 28 de agosto de 2007

O Despertar Por Um Novo Humanismo.




Creio que chegamos a uma época em que, como sociedade ou civilização, já não há margem para erros. Não existe mais espaço para soluções que não tenham o Ser Humano como centro, objetivo e motor desta nova caminhada da Humanidade pela sobrevivência do Planeta e de toda a nossa espécie.
Muito do que foi feito em nome do "progresso" — e das suas falsas ilusões de riqueza e grandeza dentro de um prisma individualista — criou um fosso profundo entre as pessoas. Deixou, ano após ano e década após década, um rastro de erosão e destruição maciça do nosso planeta. A fauna e a flora agonizam; a natureza reage de forma agressiva, como que desesperada para salvar um ecossistema que destruímos de forma inconsciente e egoísta.
Sim, é urgente um "Novo Humanismo". São necessárias novas políticas, mais pragmáticas e inteiramente livres da obsessão pelo lucro ou pelo crescimento desenfreado. Neste momento de crise, seria salutar um revivalismo naturalista da humanidade, pautado pelo menor consumismo das populações, por uma maior solidariedade coletiva e pelo respeito mútuo entre governados e governantes.
No entanto, os tempos tornam-se difíceis e o futuro, duvidoso. Isso se reflete não apenas no desafio da sobrevivência económica das famílias, mas também na deterioração do ambiente social através da violência, do desemprego e do crime. Diante desses fenômenos alarmantes, precisamos projetar caminhos que garantam maior justiça social, igualdade, liberdades e direitos fundamentais. Somente sob o ecossistema de uma cidadania ativa e consciente poderemos ultrapassar os grandes obstáculos que se avizinham.
Autor Filipe de Freitas Leal







Sobre o Autor

Filipe de Freitas Leal nasceu em Lisboa, em 1964, estudou Serviço Social pelo Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas da Universidade de Lisboa. Estagiou como Técnico de Intervenção Social numa Instituição vocacionada à reinserção social de ex-reclusos e apoio a famílias em vulnerabilidade social, é blogger desde 2007, de cariz humanista, também dedica-se a outros blogs de temas diversos.

domingo, 5 de agosto de 2007

O Socialismo Cristão: As Origens, desde Thomas More à Revolução Industrial


O socialismo cristão tem antecedentes que remontam a épocas anteriores, encontrando eco não apenas na figura de Jesus Cristo, mas também na de outras personalidades marcantes como Thomas More, com a sua Utopia, e santos da Igreja Católica, como São Francisco de Assis. No entanto, é fundamentalmente com o surgimento da Revolução Industrial que nascem as bases deste ideal. Ele surge como resposta às desigualdades gritantes de um sistema capitalista emergente e de um Estado despreparado para dar respostas sociais em prol dos mais desfavorecidos.
Se, por um lado, se entende que o cristianismo é naturalmente uma forma de socialismo, por outro, argumenta-se que o socialismo marxista foi sumamente influenciado pelos ideais judaico-cristãos. Sabe-se que Karl Marx tinha origens judaicas e que a sua família se converteu ao protestantismo luterano. Mais tarde, o ateísmo pregado no seu materialismo dialético não passava, para muitos, da necessidade de se criar um Estado plenamente leigo. [3, 4]
Este movimento teve o seu início em meados do século XIX, através das obras de vários doutrinários cristãos católicos, principalmente franceses (como Ozanam, Henri de Saint-Simon, Lamennais, Montalembert e Albert de Mun) e alemães (como Ketteler). Estes autores propunham um socialismo novo, baseado nos ideais do cristianismo e oposto à luta de classes, mas profundamente preocupado com as reivindicações das classes pobres e trabalhadoras, defendendo um governo mais justo e uma sociedade mais equilibrada.
O socialismo cristão desenvolveu-se, mais tarde, como um ramo ou variante progressista do catolicismo social consignado nas encíclicas papais, sobretudo de Leão XIII (Rerum Novarum) e Pio XI. Em oposição ao socialismo de Proudhon e, mais tarde, ao marxismo ou socialismo científico, mas opondo-se também e de igual modo ao capitalismo selvagem, o catolicismo social recusa a luta de classes. Em vez disso, promove a colaboração entre patrões e trabalhadores, prega a aplicação da doutrina cristã e exige a intervenção do Estado para corrigir os males criados pela industrialização, gerando uma maior justiça social e uma distribuição mais equitativada riqueza.
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English Version
Christian Socialism: Its Origins, from Thomas More to the Industrial Revolution
By Filipe de Freitas Leal
Christian socialism has antecedents that reach back to earlier periods, finding resonance not only in the figure of Jesus Christ but also in other notable personalities such as Thomas More, with his Utopia, and Catholic saints such as Francis of Assisi. Nevertheless, it is fundamentally with the advent of the Industrial Revolution that the foundations of this ideal were laid. It emerged as a response to the stark inequalities of an emerging capitalist system and to a State unprepared to provide social solutions for the most disadvantaged.
While, on the one hand, Christianity is sometimes understood as inherently a form of socialism, on the other it is argued that Marxist socialism was profoundly influenced by Judaeo-Christian ideals. It is well known that Karl Marx had Jewish origins and that his family converted to Lutheran Protestantism. Later, the atheism advocated in his dialectical materialism was seen by many as little more than the necessity of establishing a fully secular State.
This movement began in the mid-nineteenth century through the works of several Catholic Christian theorists, chiefly French (such as Ozanam, Henri de Saint-Simon, Lamennais, Montalembert and Albert de Mun) and German (such as Ketteler). These authors proposed a new form of socialism, grounded in Christian ideals and opposed to class struggle, yet deeply concerned with the demands of the poor and working classes, advocating a more just government and a more balanced society.
Christian socialism later developed as a branch or progressive variant of social Catholicism as articulated in papal encyclicals, particularly those of Leo XIII (Rerum Novarum) and Pius XI. In opposition to the socialism of Proudhon and, later, to Marxism or scientific socialism—while equally rejecting unrestrained capitalism—social Catholicism repudiates class struggle. Instead, it promotes cooperation between employers and workers, advocates the application of Christian doctrine, and calls for State intervention to remedy the harms produced by industrialisation, thereby fostering greater social justice and a more equitable distribution of wealth.

Sobre o Autor | About the Author

PT Filipe de Freitas Leal nasceu em Lisboa (Portugal), em 1964, é licenciado em Serviço Social pelo ISCSP (Universidade de Lisboa) e pós-graduado em Políticas Públicas e Desigualdades Sociais pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. Na sua trajetória profissional, destaca-se o estágio em reinserção social de ex-reclusos e o apoio a famílias em situação de vulnerabilidade. No mundo digital, é blogger desde 2007, atuou como ilustrador, editor e autor, conta já com oito livros publicados em áreas distintas, que vão desde o Serviço Social, Poesia até à Ciência Política, escreve artigos sobre atualidade política e conflitos geopolíticos.

EN Filipe de Freitas Leal was born in Lisbon in 1964. He holds a degree in Social Work from ISCSP (University of Lisbon) and a postgraduate degree in Public Policy and Social Inequalities. He also attended a Master’s program in Sociology at the Faculty of Social Sciences and Humanities (Universidade Nova de Lisboa). His professional background includes social reintegration of former inmates and support for families in situations of social vulnerability. A blogger since 2007, he has acted as an illustrator and independent editor, with eight published books ranging from Social Work and Poetry to Political Science. He currently writes about political current affairs and geopolitical conflicts.

 
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