Acho interessantíssimo, o sentimento que me atinge e muito me apraz, ao ler a opinião de ilustres portugueses, cujas ideias em muito se parecem com o que pelos meus devaneios já passou, e nas quais vejo as mesmas afirmações diante dos mesmos problemas; Coincidência? Talvez não.
Foi ainda na juventude que ao ler Eça, reconheci que as
suas criticas, presentes na sua obra, que como por exemplo em “A Cidade e
as Serras”, sobre as divisões políticas de Portugal que permaneceram no
pós Guerra Civil do fim do Séc. XIX, e em que opôs os Liberais fiéis a D. Pedro
IV e os absolutistas da situação do usurpador D. Miguel, formando assim um país
politicamente dividido entre Miguelistas e Liberais, retrato em tudo igual ao
que hoje se vê na no quotidiano português, entre sociais-democratas e
socialistas; Mas é sobretudo em “Os Maias” romance que nos
prende incansavelmente até que o livro se esgote em nossas mãos que podemos
obter a presença perene de uma mentalidade que persiste ainda no sub-consciente
coletivo português, ou ainda em “A Relíquia”, uma comédia onde o sarcasmo e o
bom humor são a marca que nos deixa, em forma de critica à religiosidade da
época.
E é o que veio dizer precisamente o realizador português João Botelho (65 anos, nascido em Lamego), 'Os
Maias' continuam a mostrar a imagem de um Portugal sem sentido … e sem remédio”
afirmações feitas na ante-estreia da sua adaptação do romance de Eça de Queiroz
para o cinema 'Os Maias Cenas
da Vida Romântica', tendo afirmado precisamente o que hoje os
portugueses sentem, descontentes que estão dos seus governantes, num sentimento
de 'beco sem saída', num pais sem objetivos e sem futuro. (1).
setembro 03, 2014
Filipe de Freitas Leal
