quinta-feira, 26 de março de 2026

Porque a Academia e os Intelectuais de Esquerda odeiam Israel?


A esquerda global, de aliada histórica de Israel no inicio da criação do Estado de Israel, passou a ser a arquinimiga de Israel hoje, sobretudo os partidos esquerdistas mais radicais e os teóricos e intelectuais de Esquerda na Academia. Pelo que se vê um aumento de adesão dos jovens universitários a terem discursos de ódio antissionista (na prática é o mesmo que antissemita), e de apoio aos movimentos terroristas. Mas porquê?

O primeiro país a reconhecer o Esta
do de Israel, foi a URSS, até porque muitos dos fundadores do Estado de Israel eram nascidos no Leste europeu, inclusive em território da extinta URSS, inclusive os kibutz foram baseados nos kolcozes soviéticos. Nessa época toda a Esquerda mundial apoiava Israel,  A URSS pensou que Israel fosse ser um posto avançado pró-soviético no Médio Oriente, mas enganou-se, Israel revelou ser a mais plena democracia em toda aquela região. O que levou Israel a aproximar-se da Europa, dos EUA e a que os soviéticos retirassem o seu apoio.

A viragem deu-se em 1967 na Guerra dos Seis Dias em que Israel recuperou Jerusalém, a esquerda passou a ver Israel não mais como um Estado que lutava por sobrevivência, mas por um país que ocupava território, não tendo em conta o projeto árabe de destruição total de Israel a que chamam os mais radicais de Entidade Sionista.

Fatores Geopolíticos e Ideológicos

Há aspectos na atual narrativa da Esquerda que se colocam como anti-Israel, na medida em que veem em Israel a continuação da Guerra-Fria, como um Posto avançado dos EUA, e assim passa a ser na ótica radical equerdista o opressor, esquecendo de que em Israel há uma democracia plena a funcionar com partidos políticos árabes-palestinos no Knesset (Parlamento Israelita), que há 1,5 milhão e meio de habitantes em Israel com plenos direitos de cidadania, em que as mulheres estão em pé de igualdade com os homens em todos os setores da sociedade, em que a imprensa é livre, e até que Israel abriga e dá asilo politico a palestinianos e outros árabes da comunidade LGBT que correm risco de vida nos seus países. Então a incapacidade da Esquerda ver este aspecto de Israel é simplesmente porque não quer ver, nem divulgar e finge que Israel é exatamente o oposto.

O facto é que a interseccionalidade esquerdista associada às questões identitárias o Movimentos sociais modernos (LGBT, negros, feministas) frequentemente adotam a causa palestina como parte de uma luta global contra sistemas de "supremacia", e ignoram as liberdades democráticas que Israel garante em comparação aos países vizinhos.

A Red-Green Alliance - A Aliança da Esquerda com o Islão


Esta questão está patente nos debates contemporâneos sobre a "Red-Green Alliance" (Aliança Vermelho-Verde), que descreve a colaboração tática entre setores da esquerda secular e radical com os movimentos islâmicos teocráticos, Hamas, Hezbollah, grupos de Esquerda esses que minimizam os ataques do 07/10 tendo inclusive os mais fanáticos esquerdista festejado o massacre de 2023 como uma vitória contra o colonialismo e o imperialismo. Os argumentos que sustentam essa percepção de "cegueira" ou "arrogância intelectual" na academia costumam focar em quatro pilares:

  • Prioridade do Anticolonialismo sobre os Direitos Individuais: Para muitos teóricos pós-coloniais, a luta contra o que definem como "imperialismo ocidental" ou "colonialismo de assentamento" é a prioridade absoluta. Nessa hierarquia, as violações de direitos humanos em regimes como o do Irã ou as agendas sociais regressivas de grupos como o Hamas são frequentemente minimizadas ou tratadas como "resistência legítima".
  • O Legado de Michel Foucault e o Irã: Um exemplo histórico clássico e aberrante é o apoio de Michel Foucault à Revolução Iraniana de 1979. Ele via no levante islâmico uma "espiritualidade política" capaz de desafiar a racionalidade liberal do Ocidente, ignorando os avisos de feministas e esquerdistas iranianos sobre a natureza opressiva que o novo regime assumiria.
  • Universalismo Seletivo: Críticos apontam que a academia ocidental goza da liberdade de expressão e proteção legal para defender regimes que, na prática, perseguem intelectuais, minorias e dissidentes. Isso é visto por alguns como uma forma de Eurocentrismo, onde o intelectual projeta seus desejos revolucionários em povos distantes, sem arcar com as consequências de viver sob essas ditaduras.
  • Reducionismo Ideológico: Ao unir socialistas, comunistas e teocracias sob a bandeira da "causa anticolonial", a academia corre o risco de ignorar as contradições fundamentais entre essas ideologias. O resultado é uma análise que prioriza a geopolítica (quem é o inimigo comum) em detrimento da realidade vivida pelas populações locais sob esses regimes.

Como essa "união de conveniência" é frequentemente criticada por intelectuais moderados, sociais democratas, liberais e conservadores, que vêm como uma traição aos valores universais do Iluminismo — como a razão e a liberdade individual — em favor de uma narrativa maniqueísta de poder, forçam ainda mais a dicotomia de Esquerda Vs Direita face ao conflito Israelo-palestiniano.



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English Version

From Ally to Adversary: The Global Left and the State of Israel

By Filipe de Freitas Leal

The global Left has transitioned from being a historical ally of Israel during the state's inception to becoming its arch-enemy today, particularly among radical leftist parties and academics. This has led to increased adherence among university students to anti-Zionist hate speech—which, in practice, often mirrors antisemitism—and support for terrorist movements. But why?

Historical Context and the Soviet Pivot

The first country to recognise the State of Israel was the USSR, largely because many of Israel’s founders were born in Eastern Europe or Soviet territory. Indeed, the kibbutzim were inspired by Soviet kolkhozes. At that time, the global Left supported Israel; the USSR hoped Israel would become a pro-Soviet outpost in the Middle East. However, they were mistaken. Israel emerged as a full-fledged democracy, leading it to align with Europe and the USA, which prompted the Soviets to withdraw their support.

The turning point occurred in 1967 during the Six-Day War. After Israel reclaimed Jerusalem, the Left ceased to view Israel as a state fighting for survival and began to see it as an occupying power. This perspective often disregards the Arab project for the total destruction of Israel—referred to by radicals as the "Zionist Entity."

Geopolitical and Ideological Factors

Current leftist narratives are anti-Israel insofar as they view the nation as a continuation of the Cold War—a US outpost. In the radical leftist lens, Israel is cast as the "oppressor," ignoring the reality of a functioning democracy with Arab-Palestinian parties in the Knesset (Israeli Parliament). They overlook the 1.5 million Arab citizens with full rights, the equality of women across all sectors, the free press, and the fact that Israel provides political asylum to LGBTQ+ Palestinians and Arabs whose lives are at risk in their home countries. The Left's inability to acknowledge these aspects suggests a deliberate refusal to disseminate the truth, preferring to portray Israel as the exact opposite.

Left-wing intersectionality and identity politics have led modern social movements (LGBTQ+, Black Power, feminists) to adopt the Palestinian cause as part of a global struggle against systems of "supremacy," while ignoring the democratic freedoms Israel guarantees compared to its neighbours.


The Red-Green Alliance: The Left and Islamism

This issue is central to contemporary debates regarding the "Red-Green Alliance"—a tactical collaboration between the secular radical Left and theocratic Islamic movements such as Hamas and Hezbollah. Certain leftist sectors downplay the attacks of 7 October, with the most fanatical even celebrating the 2023 massacre as a victory against "colonialism and imperialism."

The arguments sustaining this perception of "intellectual blindness" in academia generally focus on four pillars:

1.     Prioritisation of Anti-colonialism over Individual Rights: For many post-colonial theorists, the struggle against "Western imperialism" or "settler colonialism" is the absolute priority. In this hierarchy, human rights violations in regimes like Iran or the regressive social agendas of groups like Hamas are minimised or framed as "legitimate resistance."

2.     The Legacy of Michel Foucault and Iran: A classic and aberrant historical example is Michel Foucault’s support for the 1979 Iranian Revolution. He saw the Islamic uprising as a "political spirituality" capable of challenging Western liberal rationality, ignoring warnings from Iranian feminists and leftists about the oppressive nature the new regime would assume.

3.     Selective Universalism: Critics point out that Western academics enjoy the freedom of speech and legal protections to defend regimes that, in practice, persecute intellectuals, minorities, and dissidents. This is viewed by some as a form of Eurocentrism, where the intellectual projects their revolutionary desires onto distant peoples without bearing the consequences of living under such dictatorships.

4.     Ideological Reductionism: By uniting socialists, communists, and theocracies under the banner of the "anti-colonial cause," academia risks ignoring the fundamental contradictions between these ideologies. The result is an analysis that prioritises geopolitics (the common enemy) over the lived reality of local populations.

Conclusion

This "marriage of convenience" is frequently criticised by moderate intellectuals, social democrats, liberals, and conservatives. They view it as a betrayal of the universal values of the Enlightenment—such as reason and individual liberty—in favour of a Manichaean narrative of power. This further entrenches the Left vs. Right dichotomy regarding the Israeli-Palestinian conflict.

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References

Afary, Janet & Anderson, Kevin. Foucault and the Iranian Revolution: Gender and the Seductions of Islamism. 2005. University of Chicago Press

Wistrich, Robert S. A Lethal Obsession: Anti-Semitism from Antiquity to the Global Jihad. 2010. Random House

Finkielkraut, Alain. No Nome do Outro: Reflexões sobre o antissemitismo que vem. 2004. Bertrand Brasil.

Bruckner, Pascal. A Tirania da Penitência: Ensaio sobre o masoquismo ocidental. 2008. Difel. (Original: La Tyrannie de la pénitence, 2006). 


Sobre o Autor | About the Author

PT Filipe de Freitas Leal nasceu em Lisboa (Portugal), em 1964, é licenciado em Serviço Social pelo ISCSP (Universidade de Lisboa) e pós-graduado em Políticas Públicas e Desigualdades Sociais pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. Na sua trajetória profissional, destaca-se o estágio em reinserção social de ex-reclusos e o apoio a famílias em situação de vulnerabilidade. No mundo digital, é blogger desde 2007, atuou como ilustrador, editor e autor, conta já com oito livros publicados em áreas distintas, que vão desde o Serviço Social, Poesia até à Ciência Política, escreve artigos sobre atualidade política e conflitos geopolíticos.

EN Filipe de Freitas Leal was born in Lisbon in 1964. He holds a degree in Social Work from ISCSP (University of Lisbon) and a postgraduate degree in Public Policy and Social Inequalities. He also attended a Master’s program in Sociology at the Faculty of Social Sciences and Humanities (Universidade Nova de Lisboa). His professional background includes social reintegration of former inmates and support for families in situations of social vulnerability. A blogger since 2007, he has acted as an illustrator and independent editor, with eight published books ranging from Social Work and Poetry to Political Science. He currently writes about political current affairs and geopolitical conflicts.


Se Israel perdesse a guerra, o que acontecia?

















Neste artigo, exploro o cenário hipotético — e catastrófico — de uma eventual derrota militar do Estado de Israel. Analiso as ramificações que vão desde o fim da soberania estatal e a imposição da Sharia até o risco real de limpeza étnica e o consequente colapso da ordem liberal no Ocidente. Para o povo judeu, perder uma única guerra não significa apenas uma derrota política, mas o fim de seu único porto seguro e o início de uma crise civilizacional sem precedentes no século XXI, evocando os horrores de um novo Holocausto.

A Teologia da Aniquilação

Ao observar a doutrina de grupos que compõem o chamado "Eixo da Resistência" — liderado pelo Irão e composto por Hamas, Hezbollah, Houthis e milícias xiitas —, torna-se evidente que o conflito israelo-árabe transcende a disputa territorial. Na visão desses atores, a existência de um Estado não muçulmano em solo considerado Waqf (património sagrado inalienável do Islão) é uma afronta teológica.

Para o fundamentalismo radical, o território de Israel integra o Dar Al-Islam (Mundo do Islão) e, portanto, a sua "purificação" através da extinção de Israel é um imperativo religioso. Diante disso, surge a pergunta inevitável: e se Israel perder a guerra? Se o projeto de aniquilação total pretendido por Teerão fosse bem-sucedido, os desdobramentos seriam catastróficos em múltiplas dimensões.


1. Extinção do Estado e Imposição Teocrática

A consequência imediata de uma derrota militar seria a dissolução das instituições democráticas israelitas. Diferente de conflitos entre nações ocidentais, onde a rendição leva a tratados de paz ou ocupações temporárias, as diretrizes dos grupos radicais preveem a extinção total da entidade política.

Não haveria espaço para um modelo binacional ou democrático. O vácuo de poder seria preenchido pela imposição imediata da Sharia (lei islâmica radical). O Estado de Israel, como refúgio de pluralismo e inovação, deixaria de existir, sendo substituído por uma teocracia ou um regime de milícias sob influência iraniana.

2. O Destino da População Judia: Limpeza Étnica e Servidão

Para os mais de 7,5 milhões de judeus israelitas, a derrota representaria uma vulnerabilidade existencial extrema:

  • Massacres e Expulsão: Dada a retórica de "purificação" e a barbárie testemunhada em eventos como o 7 de outubro, o risco de massacres em larga escala é uma certeza estatística, não apenas uma suposição. Milhões tentariam fugir como refugiados para uma Europa e Américas já instáveis, revertendo o fluxo migratório do século XX.
  • O Status de Dhimmi: Os poucos que permanecessem seriam reduzidos à condição de dhimmis (cidadãos de segunda classe). Sob o domínio radical, estariam sujeitos a impostos especiais (jizya) e à privação de direitos políticos, vivendo sob a constante ameaça de pogroms, similares aos que ocorriam na região antes de 1948.

3. A Doutrina Begin e a Falta de Profundidade Estratégica

Como bem resumiu o filósofo Luiz Felipe Pondé, Israel vive uma realidade geográfica e política única: enquanto outros países podem perder territórios e sobreviver, "se Israel perder uma guerra, simplesmente deixa de existir".

Esta vulnerabilidade é o que sustenta a Doutrina Begin. Enunciada em 1981 pelo então Primeiro-Ministro Menachem Begin, esta política estabelece que Israel não permitirá que nenhum adversário que busque sua destruição adquira armas de destruição em massa (ADM).

  • Autodefesa Antecipatória: Israel prefere o isolamento diplomático de um ataque preventivo à aniquilação nuclear ou biológica.
  • Foco no Irão: Atualmente, esta doutrina é o motor das ações contra o programa nuclear iraniano, visando impedir que o "Eixo da Resistência" alcance a paridade estratégica necessária para o golpe final.

4. O Colapso da Ordem Global e a Nova Diáspora

A queda de Israel teria um efeito dominó que transformaria o mundo:

  • Fim do Porto Seguro: Israel é o suporte geopolítico e militar final das comunidades judaicas globais. Sem ele, o antissemitismo — que já atinge níveis alarmantes — perderia qualquer barreira de contenção, deixando o povo judeu novamente disperso e indefeso.
  • Desestabilização do Ocidente: Israel atua como o pilar da ordem liberal no Médio Oriente. Sua queda sinalizaria o declínio da hegemonia dos EUA e o fortalecimento de blocos antiocidentais. Geopolíticos alertam que nações árabes moderadas (como Jordânia e Egito) seriam as próximas a cair, criando um bloco fundamentalista contínuo do Mediterrâneo ao Golfo Pérsico.
  • Ameaça à Europa: Para as alas mais radicais do fundamentalismo, a reconquista não para no Levante. Territórios como os Balcãs e a Península Ibérica ainda são vistos como partes do Dar Al-Islam a serem recuperadas, colocando a segurança interna da Europa em xeque.

Conclusão

Para a análise geopolítica séria, Israel não é apenas um Estado em disputa, mas um ativo estratégico crítico da civilização ocidental. Sua derrota militar não resultaria em uma "Palestina livre", mas sim em um vácuo de poder sangrento dominado pelo radicalismo teocrático. O desaparecimento de Israel deixaria o Ocidente cego, vulnerável ao terrorismo e órfão de seu único aliado democrático na região, transformando o século XXI em um período de trevas civilizacionais.

Referências Bibliográficas

CYMERMAN, Henrique. Israel: A Terra Prometida. 2011. Lisboa: Guerra e Paz Editores.

MATOS CORREIA, José de. Geopolítica. 2010. Coimbra: Edições Almedina.

NOGUEIRA PINTO, Jaime. Ideologias e Relações Internacionais. 2012. Lisboa: Difel. (Nota: Este autor é a principal referência em Portugal para a análise de ameaças existenciais e doutrina de segurança).

RAPOSO, Henrique. O Mundo Não Tem de Ser Assim. 2014. Lisboa: Editora Objetiva.



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English Version

Beyond the Abyss: The Catastrophic Scenarios of an Israeli Military Defeat

In this article, I explore the harrowing—and catastrophic—consequences of a potential military defeat of the State of Israel. I examine a trajectory that spans from the eradication of state sovereignty and the imposition of Sharia law to the very real risk of ethnic cleansing and the subsequent collapse of the liberal Western order. For the Jewish people, losing a single war would not merely represent a political setback; it would signify the destruction of their only safe haven and the onset of a civilisational crisis without precedent in the 21st century—a grim echo of the Holocaust.

The Theology of Annihilation

When observing the doctrines of the so-called "Axis of Resistance"—led by Iran and comprising Hamas, Hezbollah, the Houthis, and various Shia militias—it becomes evident that the Arab-Israeli conflict transcends mere territorial disputes. Within the worldview of these actors, the existence of a non-Muslim state on land considered Waqf (an inalienable Islamic sacred trust) is a theological affront.

To radical fundamentalists, the territory of Israel is an integral part of Dar Al-Islam (the House of Islam); therefore, its "purification" through the total dismantling of Israel is seen as a religious imperative. This begs the inevitable question: what if Israel were to lose? Should the project of total annihilation sought by Tehran succeed, the fallout would be catastrophic across multiple dimensions.


1. The End of Sovereignty and the Rise of Theocracy

The immediate consequence of a military defeat would be the total dissolution of Israel’s democratic institutions. Unlike conflicts between Western nations, where surrender typically leads to peace treaties or temporary occupations, the charters of these radical groups explicitly demand the total extinction of the political entity.

There would be no room for a binational or democratic model. The power vacuum would be filled by the immediate imposition of Sharia (radical Islamic law). Israel, as a bastion of pluralism and innovation, would cease to exist, replaced by a theocratic regime or a patchwork of militias under Iranian hegemony.

2. The Fate of the Jewish Population: Ethnic Cleansing and Servitude

For the more than 7.5 million Israeli Jews, defeat would mean extreme existential vulnerability:

  • Massacres and Displacement: Given the rhetoric of "purification" and the atrocities witnessed on October 7th, the risk of large-scale massacres is a statistical certainty rather than mere conjecture. Millions would attempt to flee as refugees to an already fractured Europe and the Americas, reversing the 20th-century migratory flow.
  • Dhimmi Status: The few who might remain would be reduced to the status of dhimmis (second-class citizens). Under radical rule, they would be subject to special taxes (jizya) and stripped of political rights, living under the perpetual shadow of pogroms, reminiscent of the violence that plagued the region prior to 1948.

3. The Begin Doctrine and Lack of Strategic Depth

As the philosopher Luiz Felipe Pondé aptly noted, Israel occupies a unique geographical and political reality: while other nations can lose territory and continue to endure, "if Israel loses a single war, it simply ceases to exist."

This vulnerability underpins the Begin Doctrine. Articulated in 1981 by then-Prime Minister Menachem Begin, this policy dictates that Israel will not allow any adversary seeking its destruction to acquire weapons of mass destruction (WMD).

  • Anticipatory Self-Defence: Israel prioritizes the diplomatic isolation of a preemptive strike over the risk of nuclear or biological annihilation.
  • Focus on Iran: Today, this doctrine remains the engine of Israeli operations against the Iranian nuclear programme, aimed at preventing the "Axis of Resistance" from achieving the strategic parity required for a final blow.

4. The Collapse of Global Order and the New Diaspora

The fall of Israel would trigger a domino effect that would transform the world:

  • The End of the Safe Haven: Israel serves as the final geopolitical and military anchor for global Jewish communities. Without it, antisemitism—already reaching alarming heights—would lose its final bulwark, leaving the Jewish people once again dispersed and defenceless.
  • The Destabilisation of the West: Israel is a cornerstone of the liberal order in the Middle East. Its fall would signal the decline of US hegemony and the ascendancy of anti-Western blocs. Geopoliticians warn that moderate Arab nations (such as Jordan and Egypt) would be the next to fall, creating a continuous fundamentalist bloc from the Mediterranean to the Persian Gulf.
  • The Threat to Europe: For radical fundamentalists, "reconquest" does not end in the Levant. Territories such as the Balkans and the Iberian Peninsula are still viewed by some as parts of Dar Al-Islam to be reclaimed, placing the internal security of Europe in jeopardy.

Conclusion

In any serious geopolitical analysis, Israel is not merely a state in dispute, but a critical strategic asset of Western civilisation. Its military defeat would not result in a "free Palestine", but rather in a bloody power vacuum dominated by theocratic radicalism. The disappearance of Israel would leave the West blinded, vulnerable to terrorism, and deprived of its sole democratic ally in the region, turning the 21st century into an era of civilisational darkness.

Bibliography

·        CYMERMAN, Henrique. Israel: The Promised Land. 2011. Lisbon: Guerra e Paz Editores.

·        MATOS CORREIA, José de. Geopolitics. 2010. Coimbra: Edições Almedina.

·        NOGUEIRA PINTO, Jaime. Ideologies and International Relations. 2012. Lisbon: Difel. (Note: This author is the leading authority in Portugal on the analysis of existential threats and security doctrine).

·        RAPOSO, Henrique. The World Does Not Have to Be This Way. 2014. Lisbon: Editora Objetiva.



Sobre o Autor | About the Author

PT Filipe de Freitas Leal nasceu em Lisboa (Portugal), em 1964, é licenciado em Serviço Social pelo ISCSP (Universidade de Lisboa) e pós-graduado em Políticas Públicas e Desigualdades Sociais pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. Na sua trajetória profissional, destaca-se o estágio em reinserção social de ex-reclusos e o apoio a famílias em situação de vulnerabilidade. No mundo digital, é blogger desde 2007, atuou como ilustrador, editor e autor, conta já com oito livros publicados em áreas distintas, que vão desde o Serviço Social, Poesia até à Ciência Política, escreve artigos sobre atualidade política e conflitos geopolíticos.

EN Filipe de Freitas Leal was born in Lisbon in 1964. He holds a degree in Social Work from ISCSP (University of Lisbon) and a postgraduate degree in Public Policy and Social Inequalities. He also attended a Master’s program in Sociology at the Faculty of Social Sciences and Humanities (Universidade Nova de Lisboa). His professional background includes social reintegration of former inmates and support for families in situations of social vulnerability. A blogger since 2007, he has acted as an illustrator and independent editor, with eight published books ranging from Social Work and Poetry to Political Science. He currently writes about political current affairs and geopolitical conflicts.


segunda-feira, 23 de março de 2026

Portugal Proíbe Cirurgias de Género a Menores de Idade


Como assistente social pós-graduado em Políticas Públicas e Desigualdades Sociais, defendo, acima de tudo, os Direitos Humanos e o respeito à comunidade LGBT. Perante a lei, somos todos iguais em direitos e deveres, embora individualmente sejamos plurais.

Contudo, preocupa-me ver crianças e adolescentes — que ainda não possuem maturidade para compreender a complexidade da vida real — sendo usados como peças de propaganda ideológica. A homossexualidade sempre existiu e deve ser respeitada, mas isso não implica, necessariamente, na imposição de uma mudança de sexo ou gênero. A biologia é clara: a mulher é definida por sua capacidade reprodutiva, gestacional e hormonal; o que se tenta criar fora disso são performances de gênero que não alteram a realidade biológica.
É preciso ser coerente: o que muitos movimentos chamam de 'progresso' beira a barbárie ao defender intervenções invasivas em jovens que ainda não têm sua sexualidade plenamente desenvolvida. Críticos e teóricos das ciências sociais, muitas vezes sem formação em Biologia, Psicologia ou Medicina, opõem o gênero ao sexo biológico. Embora a teoria social tenha seu valor, ela não justifica a intervenção física em corpos saudáveis sob o pretexto de um mal-estar que, em muitos casos, pode ser um transtorno psicológico ou uma fase de desenvolvimento.
A medicina deve ser exercida por médicos, a psicologia por psicólogos, e as ideologias não devem se sobrepor à saúde. Chamo de 'mutilação' propositalmente, pois, salvo casos de malformação congênita, essas cirurgias visam adequar o corpo a uma mente em conflito, em vez de auxiliar a mente a aceitar a realidade do corpo.
Assim como não escolhemos nossa etnia, família ou língua materna ao nascer, o sexo biológico é uma condição dada. A verdadeira harmonia reside em aceitarmos nossa singularidade. Cabe aos pais e à sociedade ajudar os jovens a se aceitarem como são, em vez de incentivá-los a uma desconexão com a própria biologia. Amar ao próximo e a si mesmo começa, fundamentalmente, pela aceitação da nossa própria natureza.
Este meu artigo de opinião, tem em si mesmo uma carga argumentativa muito forte, unindo a minha formação académica (Serviço Social e Políticas Públicas) com uma visão crítica sobre a ideologia de gênero e instrumentalização da infância para propaganda religiosa.
Autor Filipe de Freitas Leal

Sobre o Autor

Filipe de Freitas Leal nasceu em Lisboa, em 1964, é licenciado em Serviço Social pelo Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas da Universidade de Lisboa, com Pós-graduação em Políticas Públicas e Desigualdades Sociais, frequentou o Mestrado de Sociologia na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. Estagiou com reinserção social de ex-reclusos e o apoio a famílias em vulnerabilidade social. É Bloguer desde 2007, tem publicados oito livros de temas muito diversos, desde a Poesia até à Política.

sábado, 21 de março de 2026

O Eixo da Resistência - Os Tentáculos do Polvo.


No tabuleiro da guerra moderna, nada acontece por acaso. Enquanto o mundo assiste ao escalar das tensões, é preciso compreender que estamos perante um choque calculado de objetivos entre potências globais e regionais. Neste artigo, analiso a arquitetura da estratégia iraniana, os perigos reais nos estreitos marítimos e as razões que tornam este conflito uma ameaça existencial sem precedentes.

Em regra, quando um país decide entrar em guerra, ele sabe com quem está a lidar. Com a espionagem moderna altamente desenvolvida, os governos 'contam as espingardas' do inimigo antes do primeiro disparo. A meu ver, não houve erro de cálculo, mas sim um choque de objetivos: os EUA buscam conter a China, enquanto Israel enfrenta uma questão existencial.
O arsenal oculto do Irão — túneis quilométricos repletos de mísseis de longo alcance — justifica o temor histórico israelita. Os tentáculos de Polvo (governo de Teerão) cercaram o Médio Oriente, do Iraque ao Líbano, passando por Gaza, Cisjordânia e Iêmen. Assim, o Irão controla indiretamente o Golfo Pérsico e o Mar Vermelho. O regime fornece ideologia, financiamento e armas pesadas a grupos extremistas, ordenando ataques enquanto permanece oficialmente impune sob o manto de Estado soberano na ONU.
Embora ainda não possua a bomba atômica, o enriquecimento de urânio em níveis muito superiores ao necessário para fins energéticos revela as suas intenções. O risco atual é o bloqueio do Mar Vermelho pelos Houthis, o que estrangularia o Canal de Suez, prejudicando o Egito, a Arábia Saudita e a Europa. Tudo indica que o Irão antecipou este cenário; sua arquitetura de guerra e os atentados — do caso AMIA ao massacre de 07/10 — parecem armadilhas meticulosas. Até a possível eliminação de seus altos escalões é absorvida pela ideologia do martírio e pelo objetivo da expansão do xiismo.
O conflito tende a alastrar-se devido à vulnerabilidade dos estreitos de Ormuz e Bab el-Mandeb. A estratégia iraniana é clara: usar escudos humanos e infraestrutura civil (escolas e hospitais) para proteger plataformas de lançamento, como faz o Hamas, garantindo que qualquer contra-ataque resulte em tragédias humanitárias.
Por fim, a ideia de um golpe de Estado interno no Irão parece distante, dada a sua imensa máquina de repressão. O regime dificilmente cairá sem uma capitulação imposta por forças externas, o que implicaria uma guerra terrestre, que poderia levar alguns anos ou, para acelerar o fim, o risco de uma catástrofe maior. Oxalá não cheguemos a esse ponto.

Autor Filipe de Freitas Leal

Sobre o Autor

Filipe de Freitas Leal nasceu em Lisboa, em 1964, é licenciado em Serviço Social pelo Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas da Universidade de Lisboa, com Pós-graduação em Políticas Públicas e Desigualdades Sociais, frequentou o Mestrado de Sociologia na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. Estagiou com reinserção social de ex-reclusos e o apoio a famílias em vulnerabilidade social. É Bloguer desde 2007, tem publicados oito livros de temas muito diversos, desde a Poesia até à Política.

sábado, 14 de março de 2026

A Guerra no Irão: Porque o Martírio de Crianças não pode ser um "Dano Colateral"


Sempre fui uma pessoa transparente e pautei a minha vida pela clareza das minhas posições, desde os meus ideais políticos e ideológicos até à minha conversão ao judaísmo. Face ao atual conflito no Irão, sinto a necessidade de partilhar com os meus amigos a minha visão sobre este momento dramático.

Quero que fique claro: em momento algum apoio a violência nem me regozijo com a morte de quem quer que seja. Defendo, sim, o direito do Estado de Israel a proteger-se perante ameaças existenciais, sejam elas de grupos terroristas ou de Estados que coloquem em causa a sobrevivência do povo judeu. Contudo, como em tudo na vida, existem limites éticos intransponíveis.

Condeno veementemente o bárbaro bombardeamento ocorrido no passado dia 28 de fevereiro, no Irão, que atingiu uma escola primária e ceifou a vida a cerca de 170 meninas. Este é um acontecimento que nunca deveria ter ocorrido, sob hipótese alguma. Como pai, sinto uma tristeza profunda e uma revolta imensa perante a morte injusta de crianças inocentes. Os objetivos militares deveriam ser estritamente cirúrgicos; atingir civis, muitos dos quais desejavam uma mudança mas não a custo do sangue do seu próprio povo, é um erro trágico e inaceitável.

Além disso, creio que a intervenção militar não deve ter como fim último a simples mudança de regime pela força, mas sim a neutralização de ameaças nucleares e balísticas. É imperativo evitar que o Irão colapse numa catástrofe humanitária ou numa guerra civil que gere um vazio de poder, tal como aconteceu na Síria ou na Líbia. A meu ver, nem a morte de Ali Khamenei deveria ter sido procurada desta forma; se em vida era um tirano, morto corre o risco de ser transformado em mártir.

A guerra deve ser sempre o último recurso face a ameaças à existência. No entanto, não podemos aceitar que existam danos 'colaterais' que signifiquem a morte de inocentes. A justiça e a defesa não se podem divorciar da humanidade.

Este texto abordou eventos extremamente recentes e sensíveis referentes ao conflito iniciado em 28 de fevereiro de 2026. Texto que preserva a minha transparência e os meus valores e ideias tendo organizado os argumentos de forma a reforçar a minha visão ética e humanitária.

Autor Filipe de Freitas Leal

Sobre o Autor

Filipe de Freitas Leal nasceu em Lisboa, em 1964, é licenciado em Serviço Social pelo Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas da Universidade de Lisboa, com Pós-graduação em Políticas Públicas e Desigualdades Sociais, frequentou o Mestrado de Sociologia na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. Estagiou com reinserção social de ex-reclusos e o apoio a famílias em vulnerabilidade social. É Bloguer desde 2007, tem publicados oito livros de temas muito diversos, desde a Poesia até à Política.

 
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