A esquerda global, passou de aliada histórica de Israel no inicio da criação do Estado de Israel, passando a ser arquinimiga de Israel hoje, sobretudo os partidos esquerdistas mais radicais e os teóricos e intelectuais de Esquerda na Academia. Pelo que se vê um aumento de adesão dos jovens universitários a terem discursos de ódio antissionista (na prática é o mesmo que antissemita), e de apoio aos movimentos terroristas. Mas porquê?
O primeiro país a reconhecer o Esta
do de Israel, foi a URSS, até porque muitos dos fundadores do Estado de Israel
eram nascidos no Leste europeu, inclusive em território da extinta URSS,
inclusive os kibutz foram baseados nos kolcozes soviéticos. Nessa época toda a
Esquerda mundial apoiava Israel, A URSS pensou que Israel fosse ser um
posto avançado pró-soviético no Médio Oriente, mas enganou-se, Israel revelou
ser a mais plena democracia em toda aquela região. O que levou Israel a
aproximar-se da Europa, dos EUA e a que os soviéticos retirassem o seu apoio.
A viragem deu-se em 1967 na Guerra dos Seis Dias em que
Israel recuperou Jerusalém, a esquerda passou a ver Israel não mais como um
Estado que lutava por sobrevivência, mas por um país que ocupava território,
não tendo em conta o projeto árabe de destruição total de Israel a que chamam
os mais radicais de Entidade Sionista.
Fatores Geopolíticos e Ideológicos
Há aspectos na atual narrativa da Esquerda que se colocam
como anti-Israel, na medida em que veem em Israel a continuação da Guerra-Fria,
como um Posto avançado dos EUA, e assim passa a ser na ótica radical equerdista
o opressor, esquecendo de que em Israel há uma democracia plena a funcionar com
partidos políticos árabes-palestinos no Knesset (Parlamento Israelita), que há
1,5 milhão e meio de habitantes em Israel com plenos direitos de cidadania, em
que as mulheres estão em pé de igualdade com os homens em todos os setores da
sociedade, em que a imprensa é livre, e até que Israel abriga e dá asilo
politico a palestinianos e outros árabes da comunidade LGBT que correm risco de
vida nos seus países. Então a incapacidade da Esquerda ver este aspecto de Israel
é simplesmente porque não quer ver, nem divulgar e finge que Israel é
exatamente o oposto.
O facto é que a interseccionalidade esquerdista
associada às questões identitárias o Movimentos sociais
modernos (LGBT, negros, feministas) frequentemente adotam a causa palestina
como parte de uma luta global contra sistemas de "supremacia", e
ignoram as liberdades democráticas que Israel garante em comparação aos países
vizinhos.
A Red-Green Alliance - A Aliança da Esquerda com o
Islão
Esta questão está patente nos debates contemporâneos sobre a "Red-Green Alliance" (Aliança Vermelho-Verde), que descreve a colaboração tática entre setores da esquerda secular e radical com os movimentos islâmicos teocráticos, Hamas, Hezbollah, grupos de Esquerda esses que minimizam os ataques do 07/10 tendo inclusive os mais fanáticos esquerdista festejado o massacre de 2023 como uma vitória contra o colonialismo e o imperialismo. Os argumentos que sustentam essa percepção de "cegueira" ou "arrogância intelectual" na academia costumam focar em quatro pilares:
- Prioridade
do Anticolonialismo sobre os Direitos Individuais: Para muitos
teóricos pós-coloniais, a luta contra o que definem como
"imperialismo ocidental" ou "colonialismo de
assentamento" é a prioridade absoluta. Nessa hierarquia, as violações
de direitos humanos em regimes como o do Irã ou as agendas sociais
regressivas de grupos como o Hamas são frequentemente minimizadas ou
tratadas como "resistência legítima".
- O
Legado de Michel Foucault e o Irã: Um exemplo histórico clássico
e aberrante é o apoio de Michel
Foucault à Revolução Iraniana de 1979. Ele via no levante islâmico uma
"espiritualidade política" capaz de desafiar a racionalidade
liberal do Ocidente, ignorando os avisos de feministas e esquerdistas
iranianos sobre a natureza opressiva que o novo regime assumiria.
- Universalismo
Seletivo: Críticos apontam que a academia ocidental goza da
liberdade de expressão e proteção legal para defender regimes que, na
prática, perseguem intelectuais, minorias e dissidentes. Isso é visto por
alguns como uma forma de Eurocentrismo,
onde o intelectual projeta seus desejos revolucionários em povos
distantes, sem arcar com as consequências de viver sob essas ditaduras.
- Reducionismo
Ideológico: Ao unir socialistas, comunistas e teocracias sob a
bandeira da "causa anticolonial", a academia corre o risco de
ignorar as contradições fundamentais entre essas ideologias. O resultado é
uma análise que prioriza a geopolítica (quem é o inimigo comum) em
detrimento da realidade vivida pelas populações locais sob esses regimes.
Como essa "união de conveniência" é frequentemente
criticada por intelectuais moderados, sociais democratas, liberais e
conservadores, que vêm como uma traição aos valores universais do
Iluminismo — como a razão e a liberdade individual — em favor de uma narrativa
maniqueísta de poder, forçam ainda mais a dicotomia de Esquerda Vs Direita face
ao conflito Israelo-palestiniano.
quinta-feira, março 26, 2026
Filipe de Freitas Leal










