segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

O Novo (Des)Acordo Ortográfico

A discussão do momento, para além da política, da crise económica e do vulgar futebol, é sem dúvida o Novo Acordo Ortográfico, que como já devem ter notado foi adotado por este blog, acompanhando outros tantos sites e blogs na grande rede virtual.
Eu partilho com muitas outras pessoas do seguinte ponto de vista, que é, independentemente de gostar ou não, adoto o Acordo Ortográfico por uma questão de coerência, e é de bradar aos céus notícias que saem a público, nas quais se diz que "a partir de 2015 o governo afirma que não vai policiar a aplicação do Acordo".
Ora isto é no mínimo um demérito para a República, pois o Acordo Ortográfico têm força de lei, ou não tem? E trata-se de um "Tratado Internacional" envolvendo inicialmente sete estados soberanos, Timor é o oitavo (aderiu após a independência em 2002), nesse sentido, quem é que o governo pensa que é, para se recusar a vigiar a aplicação do acordo? Ora, trata-se de leis domésticas a que o estado se obrigou ao ratificar acordos internacionais.

E neste sentido conversando e comungando deste ponto de vista, com uma professora amiga, que acrescentou e bem, "Vejo todos preocupados com o seu incómodo e opinião e muito poucos preocupados com o significado destas declarações. Se o Governo só policia as leis com que concorda ou que lhe interessam, onde fica o nosso Estado de Direito?"
Aliás acrescento ainda, que o acordo não foi feito ontem, demorou mais de 20 anos, e até foi no governo de Cavaco Silva que o acordo foi assinado e foi Portugal quem propôs o acordo, tendo sido solenemente ratificado em Lisboa a 16 de dezembro de 1990, tendo o tempo que passou sido mais que suficiente, no qual deveria ter sido discutido e não o foi, protelou-se negligentemente, como aliás se faz em tudo neste país (e em particular as mesmas pessoas), agora Portugal tem que mostrar que é um país sério, responsável e credível, tendo por isso que praticar o que a Lei manda. O governo também tem que aprender a governar as suas palavras e opções, pois parece que o não sabe fazer de facto.
E concordo com o que referiu a minha amiga na conversa ao afirmar: "Esta atitude de protelar e do "tanto faz", "agora não me dá jeito" e "só assumo das responsabilidades o que me apraz" e "o que importa é o meu umbigo" é que nos levou e mantém onde estamos". E acrescento eu que é por isso que temo muito que continue a contaminar o futuro do país e condenando as gerações vindouras. É caso para dizer Valha-nos Deus.

E lembrou a interlocutora, que em jogo "há as crianças. Todos os manuais foram alterados e andamos a ensinar-lhes um modelo que depois "tanto faz"? Que pedagogia é esta? É a prova cabal da irresponsabilidade, será que não se consegue observar que alterações ortográficas já ocorreram variadas vezes no nosso país ao longo da história, e que também noutras línguas, até o espanhol está a fazer alterações, o italiano tinha feito uma reforma na ortografia, depois acho que um acordo bem feito é sempre melhor para o fortalecimento da CPLP.
A proposta de um acordo para simplificar a língua portuguesa, nasceu ainda na monarquia no ano de 1885, mas não foi avante, com a República, fez-se uma reforma ortográfica com vista a eliminar o analfabetismo e fora  nomeada entre outras figuras Carolina Michaelis primeira professora universitária em Portugal e Cândido Figueiredo, mas deixou-se o Brasil de parte e daí para cá os dois países divergiram  na ortografia, tendo havido sucessivas tentativas de reaproximação, em 1931, 1940 e em 1971 houve conversações com esse fim.
Para os mais jovens, fica aqui a lembrança de que se escrevia desta forma antes de 1911 phosphoro, orthographia, exhausto, estylo e a já famosa pharmacia, além de Brazil, monarchia, portugueza, prohibido, annuncios, como na ilustração acima.
Digo isto sem medo, por crer que ter opinião custa apenas o tempo de se informar, o esforço é recompensado por uma consciência livre e uma cidadania ativa! Para tal temos de exercer o direito à liberdade de expressão, pensamento e associação, pilares fundamentais da Democracia!



Autor Filipe de Freitas Leal


Sobre o Autor

Filipe de Freitas Leal nasceu em Lisboa, em 1964, estudou Serviço Social pelo Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas da Universidade de Lisboa. Estagiou como Técnico de Intervenção Social numa Instituição vocacionada à reinserção social de ex-reclusos e apoio a famílias em vulnerabilidade social, é blogger desde 2007, de cariz humanista, também dedica-se a outros blogs de temas os.

A Filosofia como base do saber

Fala-se por vezes, de que a maioria dos alunos que saem do secundário, e por conseguinte de outros tantos que entram no ensino superior, tem falta de uma boa base cultural.
Quanto à falta de bases de cultura geral, nos alunos que saem do 12ª ano, tenho a dizer que a culpa não é senão do pouco incentivo cultural, que não foi devidamente cultivado quer em casa, quer no próprio ensino secundário (e pelos vistos  não o será tão cedo) ou ainda de uma má política no ministério da educação,  mas também é das grelhas das TV's generalistas ou ainda das más escolhas no uso da internet, e contra isso pouco ou nada se pode fazer na Universidade.
Outro erro, é o de não se ensinar Filosofia, do 10º ao 12º ano, como disciplina obrigatória a todos os cursos, e porque? porque a Filosofia é a mãe da grande maioria das ciências sociais e porque o conhecimento das correntes filosóficas ao longo da História, facilita a compreensão de outras disciplinas, cujas principais correntes advém da filosofia.
Claro está, que ao chegar à faculdade pressupõe-se, que um mínimo de bases culturais já tenham sido adquiridas devidamente, para poder prosseguir no ensino superior.
Outrossim, é ter em conta que a aprendizagem deve funcionar em rede, ou seja uma interligação entre ciências e saberes, e a Filosofia é um desses elos, sendo um dos mais importantes, temos ainda a História e a Geografia, que ajudam-nos a saber localizar no tempo e no espaço, as diversas correntes filosóficas que marcaram a humanidade.
Como já deve o leitor ter notado eu adoro filosofia, e porquê? Porque creio que ensina-nos a pensar, promovendo em nós um senso critico, que nos faz ver, julgar e agir de modo mais assertivo e consciente, sendo ainda uma ferramenta importantíssima no exercício da nossa cidadania, com base nos deveres, nos direitos e no saber ser e saber estar.
Uma pessoa amiga, lembrou-me entretanto, em meio à conversa sobre este assunto, que no entanto "quem tem os fundamentos, a Faculdade dá os meios para o desabrochar das capacidades e das potencialidades, e acrescentou é o que vejo a acontecer com muitos alunos, e que esses continuem assim" concluiu.
Pelo que concordei pronta e plenamente, é sem duvida um patamar que nos impulsiona a voos mais altos, na cultura e nas potencialidades que não devemos negligenciar, pois temos de as colocar a serviço da comunidade.
Outra falta imensa na maioria dos jovens de hoje em dia e até de adultos é a leitura. (que eu próprio já sinto falta devido à escassez de tempo), é pois de salientar que a falta de tempo e hábito para tal, trás maus resultados nos estudos, pelo que não basta ler uma página por dia, é preciso sim, fazer disso um hábito, deveríamos de alimentar-nos de leitura diariamente e acumular e ligar e religar conhecimentos.
Nesse sentido andando pela biblioteca do instituto (ISCSP), descobri um livro, que é deveras interessantíssimo, é simples e muito útil para os alunos de ciências sociais, trata-se de "Itinerários da Teoria Sociológica" de José Júlio Gonçalves, gostei imenso e aconselho-o aos alunos, pois nesse livro está presente a base filosófica da maioria das correntes que fundaram e fundamentaram a Sociologia e outras ciências sociais.

Mais acrescento e fazendo a devida justiça (Não poderia ser de outra maneira), que dos meios para desabrochar as capacidades e as potencialidades, deve-se somar a parte dos professores com o seu carisma, e agradeço a todos, todos sem exceção, os que até aqui encontrei no ISCSP Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas, onde estou a cursar o 2º Ano da Licenciatura de Serviço Social, e isto para dizer que devemos reconhecer sempre o mérito a quem o tem por inerência, e justamente faz da profissão da docência e com sacrifícios, o sentido da sua vida, mesmo que o vento dos tempos modernos não corram a favor dos professores, como outrora, merecem e merecerão sempre a minha mais sincera gratidão, a seu tempo homenagearei todos neste blog.






Autor Filipe de Freitas Leal


Sobre o Autor

Filipe de Freitas Leal nasceu em Lisboa, em 1964, estudou Serviço Social pelo Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas da Universidade de Lisboa. Estagiou como Técnico de Intervenção Social numa Instituição vocacionada à reinserção social de ex-reclusos e apoio a famílias em vulnerabilidade social, é blogger desde 2007, de cariz humanista, também dedica-se a outros blogs de temas diversos.

domingo, 29 de janeiro de 2012

Nós e as Redes Sociais - I

Das visitas que teimosamente faço às redes sociais, sendo esse espaço cibernético hoje o que os cafés o foram no passado recente, e isso faz-me nunca deixar de passear por esses caminhos em busca de tertúlias on-line, onde encontro temas para o blog, no que me deparei há dias no facebook, com um comentário bastante pertinente de uma querida amiga, que dizia o seguinte: Que há pessoas que pensão que para se darem ao respeito, devem ser pessoas sisudas, sérias, distantes e impenetráveis, pelo que afirmou, que o que é preciso é o contrário,  ou seja dá-se ao respeito "todo aquele que candidamente é quem é e respeita aquilo que os outros são" tal como popularmente se diz "vive e deixa viver", acrescentei eu.
Pois eu cá penso do mesmo modo, dá-se ao respeito sendo quem se é e aceitando o próximo em toda a sua a personalidade, ou dignidade de ser quem é e como é. Há que sermos flexíveis e não os duros da história, e isso fez-me lembrar algo muito interessante, a razão de nascer de uma arte marcial, o judo. Certa vez, um monge budista ao observar a neve que se acumulava nas folhas e galhos das árvores, reparou que quando os galhos estavam muito carregados cediam com a sua flexibilidade e a neve caia, evitando que se partisse, voltando assim à sua posição normal. Do mesmo modo devemos fazer nós na vida a flexibilidade vai mais a nosso favor que a favor do nosso inimigo ou adversário, pois tirando partido da força que dele emana e que não espera, se nos empurrarem nos os puxamos, se nos puxarem nós os empurramos e nos defendemos e os vencemos sem os agredir. Gostei muito desta filosofia budista.
De outro modo, ser flexível nos relacionamentos, respeitar os outros e nos darmos ao respeito, em nada nos impede de escrever sobre nós próprios publicamente nas redes sociais, não é de modo algum redutor, devemos também, saber ensinar os outros utentes dessas redes, a usarem de modo responsável, lógico e racional esse instrumento e mecanismo, fazendo ver que o seu bom uso é aliás, um modo bastante adequado de se desenvolverem contactos, onde podemos afastar os que não nos merecem e aproximarmo-nos de todos aqueles com quem reciprocamente nos identificamos, estreitando laços por vezes interessantes e bastante pertinentes para os nossos estudos e a nossa atividade profissional, creio que é uma forma de se ir descobrindo nas redes pessoas semelhantes, com ideais parecidas, é um meio de partilhar, de aprender e um modo de dar sentido à vida e aos nossos projetos.
Os que não compreendem, ou que connosco não se identificam, tem toda a liberdade de seguir o seu caminho e a obrigação de nos deixarem ser livres nas redes sociais, que o somos de forma correta, responsável, honesta e de modo pertinente voltada para interesses reais de pessoas e grupos, seja no facebook, orkut, LinkedIn, twitter, e qualquer outro.
E deveras tenho a ideia de que tudo isto que referi, só será possível plenamente, num espírito de verdade, respeito e transparência, que de outro modo as simulações os tolheriam e nunca seriam eles mesmos quem pretendiam alguma vez ser.
Penso que como de uma minúscula semente de mostarda, que faz nascer um arbusto enorme, assim também é a amizade, qual ouro escondido e mais valioso que temos de saber preservar com o carinho e respeito necessários. Inclusive as amizades presentes nas redes sociais.

Autor Filipe de Freitas Leal


Sobre o Autor

Filipe de Freitas Leal nasceu em Lisboa, em 1964, estudou Serviço Social pelo Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas da Universidade de Lisboa. Estagiou como Técnico de Intervenção Social numa Instituição vocacionada à reinserção social de ex-reclusos e apoio a famílias em vulnerabilidade social, é blogger desde 2007, de cariz humanista, também dedica-se a outros blogs de temas os.

Nada Será Como Antes

Estava de volta do computador e reli comentários de amigos nas redes sociais, e uma chamou-me a atenção, pelo que passo agora para o blog, antes que se perca para sempre.


Há alguns dias atrás, uma pessoa amiga perguntava, "será que as coisas poderiam voltar a ser como eram antes?",  confesso que a pergunta não me foi dirigida a mim, logo não conheço a razão de ser da questão, mas a pertinência da mesma, levou-me a dar prontamente um auxilio, pelo que respondi dizendo: "Nada na vida, volta a ser igual como o fora antes alguma vez, mas creio que, ou será melhor porque a experiência e a maturidade assim o fazem, ou será pior, porque as circunstâncias assim o impõe".
Já Heráclito (filósofo grego) dizia: "Um Homem não se banha duas vezes no mesmo rio", querendo dizer com isto que numa segunda vez, nem o homem nem o rio eram os mesmos, tudo muda. Da mesma forma acrescento, as Primaveras não são todas iguais, a mudança é uma constante na irreversibilidade do caminho da vida. Há pois que saber tirar partido disto.
O que a cara amiga tinha em mente, quando formulou a pergunta, não o sei, e provavelmente não o saberei, mas à minha mente veio a questão: A crise que veio com a queda das torres gémeas em 2001, as guerras no Afeganistão e Iraque (desastrosas) os tsunami na Tailândia em 2004 e no Japão em 2011 com o agravamento do acidente nuclear, vem trazer um agravamento do problema ambiental em todo globo, somando ainda a crise de 2008 nos EUA e o seu contágio a todo o Mundo com efeitos desastrosos para a Europa, e em particular Portugal, levando a uma crise financeira e monetária com a derrocada do euro, na qual os PIGS se viram numa situação de ruptura financeira, orçamental e não estão livres do perigo iminente de Bancarrota, tudo isto fazem-me crer, que trouxeram de forma irreversível e exponencial, mudanças políticas, económicas, sociais e culturais.

O mundo daí saído será outro, e tal como nas gerações passadas, não mais veremos o que chamámos ainda ontem, de bons velhos tempos, que sociedade irão herdar os nosso filhos e netos? Logo resta dizer: Nada é ou será como antes.

Autor Filipe de Freitas Leal




Sobre o Autor

Filipe de Freitas Leal nasceu em Lisboa, em 1964, estudou Serviço Social pelo Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas da Universidade de Lisboa. Estagiou como Técnico de Intervenção Social numa Instituição vocacionada à reinserção social de ex-reclusos e apoio a famílias em vulnerabilidade social, é blogger desde 2007, de cariz humanista, também dedica-se a outros blogs de temas diversos.

Não Tenhamos Medo Da Própria Sombra

Venho aqui postar um artigo baseado em pensamentos, qual imagens soltas, que não sendo imediatamente apreendidas e prontamente presas a um papel que me sirva de socorro, perder-se iam no viés das frases soltas que se atropelam na mente, como ideias, que se não fossem logo escritas, perderiam a sua pertinência, e por vezes encontro sempre lenha para queimar assuntos e posts na blogosfera, vindas de comentários e conversas nas redes sociais, mas não como as conversas de café, que essas eu dispenso bem, no entanto sozinho quando escrevo, ai sim, o café seja quente, morno ou frio nunca falta à minha mesa em meio a papeis, teclado e um relógio a acusar horas tardias teimosamente.
O cerne da questão, da qual venho falar, que tanto me cativou num comentário de uma pessoa amiga, é referente ao que hora se fala, comenta e propaga, sobre a Maçonaria, devo dizer que creio tratar-se de um assunto estrategicamente desviante da atenção do povo, inculcando-lhe suspeições, duvidas, mas também por vezes incitando ao preconceito, explorando os medos e o desconhecimento do que seja a maçonaria ou outra ordem qualquer, como os Rosacruzes, os novos-templários etc. Não caro leitor, não faço parte de nenhuma dessas organizações ditas sociedades secretas, mas não gosto de julgamentos fáceis em praça pública, feitos a partir da maldade, do conluio ou de razões escuras e duvidosas.
Penso e sinto, ser essa maldade, essa ignorância (se me permitem a palavra) esses temores, que geram hoje em nós aquilo de que Albert Camus diz no seu livro l'étranger, "fazem um homem se sentir estrangeiro", quer seja no seu país, no seu emprego, na sua casa e até dentro de si mesmo. Mas mais grave é que quem usa dessa maldade, usa-o agora porque os tempos são penosa e perigosamente difíceis e porque a plebe sente a necessidade de bodes expiatórios.
Já no antigo Império Romano, os imperadores sabiam que para dominar a turba, bastava-lhes dar pão e circo, como em tempos de crise escasseia o pão, está à vista que é mais fácil criar circos do que criar empregos, é mais fácil encontrar culpados do que buscar soluções, é mais fácil lidar com o medo do que mostrar confiança e novos caminhos.
E isso assusta-me na medida em que é na génese teste tipo de coisas, que se fez nascer o preconceito racial, o anti-semitismo, o ódio à diferença, sejam diferenças de etnia, crença, consciência política, religiosa, cultural de género ou de opção sexual, quem ousa ser diferente em tempos conturbados corre perigos, mesmo à porta de casa, no café, no autocarro, no emprego, na vizinhança e em toda a parte onde possa estar, é sempre julgado pelo seu ser, seja porque se veste como um muçulmano, porque tem um kipá judeu, porque usa uma tatuagem de alguma tribo urbana, ou porque ousa simplesmente ser ele mesmo, livre no que é, no que crê e no que pensa.
Mas apesar de tudo, digo-vos: não tenhamos medo da própria sombra!

Autor Filipe de Freitas Leal




Sobre o Autor

Filipe de Freitas Leal nasceu em Lisboa, em 1964, estudou Serviço Social pelo Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas da Universidade de Lisboa. Estagiou como Técnico de Intervenção Social numa Instituição vocacionada à reinserção social de ex-reclusos e apoio a famílias em vulnerabilidade social, é blogger desde 2007, de cariz humanista, também dedica-se a outros blogs de temas diversos.

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Repositórios

Repositórios são coleções de documentos digitais, para partilhar o conhecimento, em todas as áreas do saber ciêntifico.
Normalmente são organizados pelas instituições de ensino superior onde o conhecimento se produz, e são armazenados em formatos digitais como PDF ou similares.
Os objetivos da existência de repositórios são para além da partilha, a promoção do conhecimento de forma credível.
Eis aqui uma série de links para acesso a Repositórios científicos, ferramenta essencial do estudo, incluindo o autodidático, onde encontrará desde teses e dissertações
até obras completas de todos os campos do conhecimento.
A maioria dos repositórios é de acesso livre pertencendo a universidades ou bibliotecas.

Estudo Geral - Repositório Digital da Universidade de Coimbra
https://estudogeral.sib.uc.pt/

OA-USP - Open Source USP Universidade de São Paulo
http://www.acessoaberto.usp.br/repositorio-institucional-da-usp/

Oasis.br - Portal Brasileiro de Acesso Aberto à Informação Ciêntifica

RAUP - Repositório Aberto Universidade do Porto

RCAAP - Repositório Científico de Acesso Aberto de Portugal

RIUnB - Repositório Institucional da Universidade de Brasília

RUL - Repositório da Universidade de Lisboa
http://repositorio.ul.pt/

RUN - Repositório da Universidade Nova de Lisboa
http://run.unl.pt/


R-UTL - Repositório da Universidade Técnica de Lisboa
https://www.repository.utl.pt/?locale=pt

SHERPA - Search All UK Repositories
http://www.sherpa.ac.uk










Método autodidático

O método autodidático, pode parecer à primeira vista, algo do outro mundo para muitos iniciantes, mas na realidade todos nós, sem exceção já o praticamos, em momentos que fora necessária a consulta de materiais de apoio, quer sejam em formato audio e video, ou mesmo escrito, por outras palavras todos somos de certo modo autoditadas.

No método autodidatico, são utilizados pelo aprendiz, de acordo com as suas escolhas e necessidade, diversos materiais de apoio, como ficheiros áudio e video e texto, os já famosos manuais escritos, à disposição na biblioteca UHL.

O que há na UHL

Nesta plataforma, denominada de Universidade Humanista Livre, não havendo propriamente um curso, há no entanto uma vasta área do conhecimento à disposição dos interessados, que vai da História à Economia, passando pela Sociologia, Antropologia entre outras disciplinas.

Biblioteca

Na biblioteca estão os manuais em pdf, ou a indicação de leituras on-line pertinentes a cada uma das disciplinas a estudar.
É ainda colocada à disposição dos leitores aprendizes, sites de repositórios universitários, onde se encontrarão muitas teses e dissertações.
Há ainda uma página só de hiperligações de sites de referência, para consulta, há que tirar todo o proveito da internet e ir diretamente aos sitios certos, a fim de não perder tempo.

Temas

Os temas a que se pode aceder no menu do site UHL, são: Artes, ciências sociais, humanidades, letras e a chamada Educação Liberal com o trivium e o quadrivium.

Aprendizagem ao Longo da Vida

A aprendizagem ao logo da vida, mais que um conceito novo, é um modelo de desenvolvimento económico, fruto das mudanças sociais que se verificaram com a globalização, o apogeu da sociedade da informação e do desenvolvimento tecnológico galopante.
A aprendizagem ao longo da vida, é transversal a todos os níveis de ensino, é sentida como uma ferramenta necessária a todos os cidadãos (estudantes, trabalhadores, comunidades) e também interessa sobremaneira às empresas, com o intuito de adaptar o capital humano dos seus colaboradores, ao conhecimento e às novas tecnologias sempre em desenvolvimento.
Independentemente dos nível de ensino que tenhamos concluído ou estejamos a frequentar, há sempre necessidade de aprendizagem que vamos precisar aprender, pois são ferramentas paralelas e complementares, ao desenvolvimento do nosso capital humano, das competências para o trabalho ou simplesmente como aquisição pessoal de conhecimento, e trata-se de formações, que vão de cursos de idiomas a aprendizagem especificas como informática, aperfeiçoamento de competências e técnicas.
O autodidatismo, é um modo que visa suprir de forma livre essa necessidade, através da partilha de conhecimento, que irá ser tanto maior quanto maior for o número de aderentes a plataformas de auto-estudo como a UHL Universidade Humanista Livre.


Autor Filipe de Freitas Leal



Sobre o Autor

Filipe de Freitas Leal nasceu em Lisboa, em 1964, estudou Serviço Social pelo Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas da Universidade de Lisboa. Estagiou como Técnico de Intervenção Social numa Instituição vocacionada à reinserção social de ex-reclusos e apoio a famílias em vulnerabilidade social, é blogger desde 2007, de cariz humanista, também dedica-se a outros blogs de temas diversos.

domingo, 8 de janeiro de 2012

Workshop | Auto-estima em Crianças e Jovens

A "Quero-te Muito", é uma associação, sediada em Coimbra, contando com atividade em Sintra, Amadora, Lisboa, Oeiras, Leiria, Viseu, Castelo Branco, Porto, Braga, Évora, Beja e Faro. Surgiu em 2006 com o objetivo de ser uma plataforma parental para a realização de workshops e partilha de ideias e de experiencias dos pais no processo educativo, formando um elo de ligação e apoio entre pais e educadores, sobretudo na compreensão e resolução de problemas ligados a insucesso escolar, bullying entre outros.
A Associação "Quero-te Muito", vai realizar um Workshop com o tema: Promover a Auto-Estima em Crianças e Jovens, destinada a psicólogos, sociólogos, educadores, docentes e demais profissionais a desempenhar funções com crianças.
Nos principais temas abordados pelo Workshop estão: A auto-estima, O trabalho com crianças e jovens, o trabalho com familias, dinamicas e atividades entre outros temas pertinentes. 
Data: 13 de Janeiro
Horário: Pós Laboraldas 17h00 às 21h00
Morada: Hotel D. Luís; Rotunda da Ponte Rainha Santa Isabel - Quinta da Várzea – Santa Clara 3040-091 Coimbra
Local: Ver mapa
Inscrições: Clique aqui para inscrições

Autor Filipe de Freitas Leal


Sobre o Autor

Filipe de Freitas Leal nasceu em Lisboa, em 1964, estudou Serviço Social pelo Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas da Universidade de Lisboa. Estagiou como Técnico de Intervenção Social numa Instituição vocacionada à reinserção social de ex-reclusos e apoio a famílias em vulnerabilidade social, é blogger desde 2007, de cariz humanista, também dedica-se a outros blogs de temas diversos.

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Terceira Idade e a Violência Doméstica

Introdução

"Na juventude deve-se acumular o saber,
Na velhice fazer uso dele."
Piotr Kropotkin

Os maus tratos infligidos aos idosos, refletem uma assustadora realidade, que ano após ano, tem vindo a ser abordada com maior clareza e preocupação por parte das autoridades e população em geral, e é todavia no silêncio, que sofrem os maus tratos, muitas vezes impunes.

Há que frisar no entanto, que verdadeiramente não é um fenómeno novo[1], há deveras uma maior incidência percentual, e a somar-se a isso deve-se ter em conta o facto de o modo como se encara a violência doméstica e o que se passa dentro do lar é encarado hoje de forma radicalmente diferente e por vezes permissiva.

O presente trabalho aborda também o papel dos familiares, cuidadores, instituições de solidariedade social, assistentes sociais, gerontólogos, enfermeiros, e a sociedade em geral de uma forma pertinente, até porque os dados que tem vindo a público, informam o aumento da violência contra as pessoas idosas.

O Jornal de Notícias, na sua edição de 7 de outubro de 2010, noticiava: "Maus tratos a idosos mais que duplicaram", continuando o jornal dizendo que "de 2000 a 2009 os crimes contra idosos teriam tido uma subida de 120% (...) todos os dias, dois idosos em média, são vitimas de maus tratos de algum tipo, desde violência fisica, emocional, passando pelos abusos financeiros", informação referida no jornal nortenho seguindo os dados fornecidos pela Associação de Proteção e Apoio à Vitima (APAV).

O crescimento da violência e maus tratos contra pessoas idosas, é acompanhado simultaneamente com alterações profundas nas sociedades pós moderna, com uma visão altamente competitiva e consumista, que veio influenciar, em muito, a definição do rumo e paradigmas que culminaram nas mudanças estruturais ora vigentes, tanto do ponto de vista político, sócio económico, como cultural e por fim refletindo-se nas mudanças tecnológicas, que vieram imprimir à sociedade pós-moderna um cunho vincadamente excludente de tudo o que não seja voltado para a cultura hedonista, baseada no efémero, na rapidez, na eficiência, no lucro, na moda, no novo e no belo, em que os idosos não são tidos em conta, esquecendo-se que a Terceira idade ativa e bem sucedita, numa relação de intergeracionalidade tem e terá muito ainda a contribuir para a sociedade, com a sua sabedoria e experiencia de vida.


Uma das grandes mudanças sócio económicas, que se sentiu a partir dos anos 60 do Século XX foi sem sombra de dúvida, o crescimento do Demográfico da População Idosa, e sobretudo, estando acompanhado por uma queda na natalidade, fez aumentar o peso dos idosos na soma da população total, somam-se ainda as melhorias das condições de vida, no aspeto económico e o referido jornal e a APAV, alertaram que a violência contra idosos ocorre em certos casos de maneira subtil, sendo desapercebida ou inclusive aceite e tolerada na sociedade, pelo que se deve combater contundentemente e promover a integração intergeracional, a justiça e a solidariedade.



1 – Resumo


“A Idade não é decisiva;”
O que é decisivo é a inflexibilidade,
Em ver as realidades da vida
E corresponder a elas interiormente”

Max Weber

Este trabalho, realizado no âmbito da Cadeira de Introdução à Gerontologia, aborda o tema da Violência e da Negligência Parental na Terceira Idade, entendendo-se por violência todo e qualquer maltrato, quer de cariz físico, psicológico e moral, bem como a negligência às necessidades da pessoa idosa desde cuidados de saúde, alimentação, passando pelo controlo e abuso financeiros, isolamento intencional do idoso e também por fim o abandono.

Abordamos aqui de uma forma sucinta, sem no entanto descurar dos pontos chaves de que trata a gerontologia, e nesse sentido iremos necessariamente abordar a conexão e convergência de ação entre a gerontologia e a praxis do Serviço Social, tendo em conta a necessidade de definição de conceitos essenciais para compreender, estudar e desenvolver ideias no combate ao fenómeno dos maus tratos em pessoas idosas.

No estudo de caso, descrevemos ainda a história verídica e problemática de uma ocorrência de violência doméstica e maus tratos continuados, cometidos contra uma pessoa idosa, (…)[2] no seio familiar, o que aliás é na maioria dos casos onde ocorre este fenómeno.

Falamos ainda através da falência progressiva do sistema de cuidados informais baseados em laços familiares, amizade, vizinhança, como eram os bairros antigos e como ainda se vê em alguns locais de Portugal, que faz nascer a necessidade de promover uma assistências adequada mas cada vez menos, tendo a família alargada deixado de lado com as alterações sociais ao longos do século XX, passando a ser uma família nuclear em média de dois filhos, mas já comumente de filho único, ou de famílias monoparentais, em que só o existe o progenitor e o filho, trazendo consequências a longo prazo pelo envelhecimento da população no topo e na base, também há cada vez mais pessoas a viverem sozinhas e estamos aqui a falar de todas as faixas etárias.

Roger Fontaine afirma no seu livro: “Psicologia do Envelhecimento” “a manutenção da participação social, é condição de uma velhice bem sucedida” e acrescenta que há uma “reforma-reivindicação – o reformado conterta o estatuto de velho na sociedade (...) os idosos deveriam unir-se e constituir um grupo de pressão”.[3]

Palavras Chave: Maus Tratos, Solidão, Abandono, Negligência parental


2– Introdução

"Cada fracasso ensina ao homem
algo que necessitava aprender"
Charles Dickhens

O presente trabalho, vem abordar o tema da violência e os maus tratos infligidos contra pessoas idosas, e retrata no Estudo de Caso a ocorrência de violência doméstica, sofrida por uma senhora idosa, e que fora perpetrada por um familiar, trata-se de um caso verídico em que os nomes dos intervenientes em causa, são alterados com o intuito de mantermos o respeito pela identidade e privacidade dos mesmos, mas que achamos necessário para de uma forma clara compreender-se a dimensão das consequências do fenómeno, trata-se pois de um caso em que a vitima suportava em silêncio os maus tratos sofridos, tendo no entanto tomado a decisão de se defender, quando a violência tomou proporções insuportáveis e atingia já outros membros da família, o que nos leva a crer que agindo assim por medo e pressões psicológicas as vitimas são muitas mais do que alguma vez as estatísticas e os relatórios das autoridade possa ter.

Com o objetivo de melhor compreender o fenómeno da violência, ou mesmo simplesmente da vivência dos idosos, da sua situação de saúde, solidão entre outros aspetos, foi realizado um conjunto de entrevistas que serão apresentadas em power point.

Definimos o conceito de Maus Tratos, seja de caratér físico, psiquico, abuso sexual, abuso financeiro ou seja ainda por negligência parental, de modo a abordar com clareza as dimensões que afetam a vida da população idosa enquanto vítima, e da sociedade enquanto portadora deste mal, fazendo com que tenhamos de compreender o fenómeno na sua origem, para elaborar e promover a proteção das vítimas, levando à justiça os criminosos e realizando dentro de um espírito de humanismo a praxis do Serviço Social.

Este tema da Violência contra as Pessoas Idosas, foi amplamente debatido no 3ème Congrès de l’AIFRIS – Association Internationale pour la Formation, la Recherche et l’Intervention Social,[4] que se realizou em Hammamet, Tunísia de 21 a 24 de abril de 2009, e no qual também se abordou a natureza do vinculo inevitável e fundamental entre a Gerontologia e o Serviço Social de modo multidisciplinar, onde afirma “A acividade dos assistentes sociais, direcionada para as populações em situação de fragilidade social, é suportada pela estrutura sócio cognitiva e pela forma identitária que alimenta o seu saber agir (...) estabelece uma dialética permanente entre a ação e o esforço de compreender e conhecer esse saber e agir” apoiado claramente pela gerontologia no intuito do serviço social se fazer presente no socorro aos idosos e a todas as populações alvo.

Tal como qualquer outra dimensão humana, a Velhice é um construto social, e é na diferença cultural, de época para época e de lugar para lugar que a definição do que é o idoso ou o envelhecimento, que se categoriza e encara a Terceira Idade de formas diferentes.

Urge criar condições de dignificação e integração das pessoas idosas na sociedade, de modo intergeracional positivo e criativo. A sociedade é de todos e para todos.


3 – Definição de Maltrato e Violência Doméstica


“É uma infelicidade que existam tão poucos intervalos
Entre o tempo em que somos demasiadamente novos
E o tempo em que somos demasiadamente velhos”
Montesquieu

Por maus tratos podemos definir, toda a situação intencional, que cause danos quer reversíveis ou não ao idoso (bem como qualquer vitima de violência ou maltrato) e podem ser praticados de diversas formas, que abaixo indicamos.

No entanto a definição não é universal e suscita várias controvérsias por entendimentos diferentes, no entanto é ponto pacifico que é um fenómeno com reconhecimento como problema social, mas não diferem muito do que acima foi citado e do que abaixo assinalamos.

A maioria dos casos é praticado por familiares dentro das paredes do lar, mas há casos que é praticado por estranhos, estando os idosos a cuidado de terceiros em instituições como lares etc.

- Maus Tratos Físicos
- Maus Tratos Psicológicos
- Negligência Parental
- Abuso Sexual
- Abuso Financeiro

A vulnerabilidade e mais ainda a forma como é encarada e entendida a velhice e o envelhecimento como construtos sociais, repercutem a existência da violência e dos maus tratos em determinados casos.[5], Isabel Dias, diz ainda que associado ao envelhecimento encontra-se o fenómeno dos maus tratos., pois o estatuto da velhice  não é conquistado pelo idoso, não é no entanto igual o fenómeno e em Portugal não há dados suficientes para fazer-se um levantamento da realidade da violência doméstica contra o idoso, dos maus tratos, do abandono e abusos de diversa ordem, pelo que o fenómeno é diferente de país para país, por exemplo na Austrália, Canadá, Inglaterra e Irlanda do Norte, o fenómeno da violência contra idosos oscila entre 3% a 10%, por exemplo no Canada 55% dos casos denunciados eram de abandono, 15% de maus tratos físicos e de 12% de abusos financeiro.[6]

4 – Estudo de Caso
“Honra teu pai e tua mãe,
a fim de que tenhas vida longa na terra,”
Êxodo 20.12

Processo familiar (Estatuto de vítima Art.14 da lei nº 112 2009 de 16 de Setembro) Dados do atendimento.

O pedido da própria foi efectuado um atendimento social no qual a D. Miquelina (nome fictício), expôs a sua situação actual. A D. Miquelina e seu filho Pedro, portador de síndrome de DOWN estão a viver numa casa cedida pela sua irmã, escondidos, por ter sido alvo de ameaças de morte por parte do seu ex-companheiro. Foi vítima de maus tratos físicos e psicológicos por parte deste companheiro que continuava a aborda-la bem como ao seu filho. Este indivíduo, segundo relatos da própria tem problemas de alcoolismo. Apresentou queixa dia 11 de Novembro de 2011 e foi acompanhada para a APAV (Gabinete de Apoio a Vitima de Cascais) onde se encontra em acompanhamento desde essa altura. Dado o contexto da violência, a senhora, foi aconselhada pela equipa da APAV a abandonar a casa onde residia para um local desconhecido pelo agressor. Foi pedida pela mesma a ajuda dos bombeiros para o transporte dela e do filho derivado aos problemas financeiros que atravessa e também como uma medida de segurança pelo que foi bem recebida pelos bombeiros de cascais.

O projecto de vida desta senhora passa pela fuga definitiva para os Açores, onde reside a sua filha mais velha. Com o acompanhamento da família residente na ilha pensa conseguir organizar a sua vida. Esta filha é também tutora do Pedro. Refere que a família já procurou casa para os dois e assegurou uma habitação dando um sinal, onde podem entrar a partir de Fevereiro de 2012. A casa onde se encontram actualmente esta penhorada ao banco e por isso a qualquer momento tem que abandonar, a D. Miquelina vem solicitar ajuda para a compra dos bilhetes de ida para os Açores, para acabar com este sofrimento que tem passado pelo que a idade já não ajuda (69 anos) e ficando perto da filha sempre pode contar com alguma ajuda e ajudar também a filha porque não gosta de estar dependente e quer sentir se segura para seguir a sua vida.

A D. Miquelina afirma que durante estes longos 20 anos de sofrimento, só tinha aguentado a violência pois esta não afetava o seu filho e “(…) desde à 2 anos que tem piorado tanto para mim como para o meu filho, por isso já não aguentei e tive que largar um homem que bebia ate cair para o lado e que me chegava a bater com o cinto e um cabo de electricidade que tinha. As marcas ainda hoje permanecem no meu corpo e no do meu filho, acho que nenhuma mulher e criança merecem os horrores que eu vivi. Cheguei a estar com uma faca fincada no meu pescoço (…)”

5 – Os Maus Tratos em Idosos - Estatísticas

"O segredo de uma velhice agradável
consiste apenas na assinatura de
um honroso pacto com a solidão"
Gabriel Garcia Marquez

O fenómeno da violência doméstica contra idosos, não é novo, mas tem se agravado, com o aumento do envelhecimento demográfico que no topo quer na base, gerando problemas e desafios necessários para promover a inserção dos idosos, penalizar o crime e combater o isolamento social a que muitos estão votados, para tal  urge fortalecer as redes sociais de relacionamento de proximidade e de familiares.

Na Europa dos 27, em 2008, houve um crescimento de 17% da população com mais de 65 anos de idade, e uma taxa de dependência dos idosos com cerca de 25%, sendo para o nosso país percentagem era respetivamente de 16% e 26%.[7]

As forças de segurança registaram, só no primeiro semestre de 2009, 14.600 queixas de violência doméstica. Isto equivale a uma média de 81 participações por dia; E significa que cerca de 1 (mais concretamente 1,4) em cada mil habitantes de Portugal apresentou uma queixa deste tipo;

Em comparação ao primeiro semestre de 2008, houve um aumento de 12% de denúncias; A grande maioria dos denunciantes de situações de violência doméstica são as próprias vitimas.

O Perfil do Agressor

O agressor é maioritariamente do género masculino e na casa dos 40 a 50 anos, sendo  parente próximo da vitima de violência doméstica no idoso, morando na maioria das vezes entre paredes, onde a pressão psicológica é exercida com maior poder. (ver Anexo I)


6 – Conclusão
“Devemos aprender durante toda a vida,
sem imaginar que a sabedoria vem com a velhice”
Platão

A realidade crua da situação de Violência Doméstica na Terceira Idade, e dos diversos modos como ela é praticada, onde é praticada e por quem é praticada, colocam ao Serviço Social e à Gerontologia, uma missão de grande envergadura, pois o Serviço social parte dos problemas do individuo ou dos grupos vulneráveis e em sutuação de grande carência material ou psíquica, visando compreender a situação e encontrar uma resposta capaz.

Deve-se ultrapassar barreiras culturais, para criar uma mudança, para abrir espaço onde os jovens, os adultos e os idosos sejam em pé de igualdade elemento insubstituíveis e ativos.

O Serviço Social é multidisciplinar constituindo-se de várias dimensões com as quais desenvolve a sua Práxis, a saber:

1 - Normativa – porque regula e é reguladora
2 - Estratégica – porque tem objetivos, métodos e meios de acordo com modelos estabelecidos.
3 - Teleológica – Porque tem fins determinados por valores, numa visão humanista e humanizadora e uma visão humanista também do mundo social.
4 - Dramatúrgica – porque é no campo profissional que sendo seu corpo e instrumento vive o drama da pessoa humana nos mais variados contextos e complexidades.

Trabalho Académico de Introdução à Gerontologia
Professora Doutora Paula Campos Pinto - Curso de Serviço Social
Andreia Nicolau
Filipe Leal
Joana Soares
José Luís Rodrigues
Sara Vieira
 Lisboa, 2012


7 – Autores Citados e Bibliografia
Bibliografia

Eidelwein, Karen (2007) “Psicologia Social e Serviço Social: uma relação interdisciplinar na direção da produção de conhecimento” - Revista Textos & Contextos Porto Alegre v. 6 n. 2 p. 298-313.  jul./dez. 2007
Iamamoto, Marilda V. (2006) O serviço social na contemporaneidade: trabalho e formação profissional. 10. ed. São Paulo: Cortez,
Maia, A; Guimarães, C; Carvalho, C; Capitão, L; Carvalho, S; Capela, S (2007) CONGRESSO FAMÍLIA, SAÚDE E DOENÇA, 2, Braga, Portugal, 2007 – “Congresso Família, Saúde e Doença: atas”. [Braga: Universidade do Minho, 2007]. Repositório Universidade do Minho
McGee, Robin A, David A. Wolfe, Sandra A. Yuen, Susan K. Wilson, Jean Carnochan, (1991) “The measurement of maltreatment: A comparison of approaches” - The University of Western Ontario, London, Ontario, Canada, Repositório Elsevier
Núncio, Mª José (2010) “Introdução ao Serviço Social - História, Teoria e Métodos” - Lisboa, ISCSP.
Monteiro, Sílvia Raquel T. (2010) Maltrato por Omissão de Conduta, A Negligência Parental na Infância – Estudo de Caso – Dissertação de Mestrado em Medicina Legal – Universidade do Porto – Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar, Porto

Infografia
SAÚDE E VIOLÊNCIA – Ao longo do Ciclo de Vida” Dinâmicas Relacionais Associadas" (Grupo de Trabalho Sobre Violência ao Longo do Ciclo de Vida, Roda do Poder Controlo; Saúde e violência Consultado em 05/12/2011.

[1] Alves, Cláudia (2005) “Violência Doméstica” pp 18  , Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra.
[2] Pires, Sónia (2009) “Violência Sobre Idoso” Câmara Municipal da Amadora – Gabinete de Ação Social, Amadora. Portugal
[3] Fontaine, Roger (2009) Psicologia do Envelhecimento, pp 156. – Climepsi Editores, Lisboa.
[4] Pereira, Fernando (2009) Serviço Social e Gerontologia – Articulações e Fronteiras,  Instituto Polítécnico de Bragança – Faculdade de Psicologia, Bragança.
[5] Dias, Isabel (2004) Violência na família – uma abordagem sociológica, pp. 141, Ed. Afrontamento, Lisboa
[6] Idem.
[7] Pereira, Fernando (2009) Serviço Social e Gerontologia – Articulações e Fronteiras,  Instituto Polítécnico de Bragança – Faculdade de Psicologia, Bragança.

Autor Filipe de Freitas Leal

Sobre o Autor

Filipe de Freitas Leal nasceu em Lisboa, em 1964, estudou Serviço Social pelo Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas da Universidade de Lisboa. Estagiou como Técnico de Intervenção Social numa Instituição vocacionada à reinserção social de ex-reclusos e apoio a famílias em vulnerabilidade social, é blogger desde 2007, de cariz humanista, também dedica-se a outros blogs de temas diversos.

 
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