sexta-feira, 8 de maio de 2026

Análise Histórico-Critica: sobre Quem Afinal Matou Jesus, os Judeus ou os Romanos?





Jesus perante a Hegemonia Romana e a Ortodoxia Judaica

A questão sobre se Jesus de Nazaré representava uma ameaça maior à estrutura religiosa judaica ou à ordem política romana permanece como um dos debates seminais da historiografia do Segundo Templo. A resposta a esse dilema exige uma distinção analítica entre o perigo teológico-institucional e o perigo sedicioso.

A Dimensão Interna: Jesus e o Judaísmo Reformista

Jesus, operando dentro da tradição rabínica e aproximando-se axiologicamente da Escola de Hillel, propunha uma interpretação da Torá centrada na ética humanista e na primazia do espírito sobre o rigorismo legalista. No contexto de uma Judeia sob ocupação, a sua crítica voltava-se contra a corrupção do sistema do Templo. Naquela conjuntura, o Sumo Sacerdócio e a dinastia Herodiana não gozavam de plena autonomia, funcionando como extensões administrativas do poder de Roma. Assim, a pregação de Jesus não era uma afronta ao Judaísmo em si, mas uma ameaça direta a Roma e também à elite colaboracionista que sustentava o status quo teocrático-político, elite essa, que aliás tinha sido nomeada para servir aos interesses do domínio políticos romano.
A Dimensão Externa: O Perigo Político para Roma

Do ponto de vista da administração romana, o risco representado por Jesus era estritamente pragmático e sedicioso. No imaginário judaico do século I EC, a figura do Mashiah (Messias) transcendia a escatologia religiosa; era um conceito de libertação nacionalista. Para o Prefeito Pôncio Pilatos, Jesus era um catalisador de massas, capaz de converter o fervor religioso da Páscoa em uma insurreição aberta. A atribuição do título de "Rei dos Judeus" configurava o crime de Lesa-majestade (crimen laesae maiestatis) contra o Imperador.
Conclusão e Revisão Historiográfica

A natureza da execução de Jesus — a crucificação — corrobora a tese do perigo político, visto que este era o suplício romano reservado a rebeldes e insurgentes, e não a punição judaica por blasfêmia (o apedrejamento). A narrativa subsequente, que transferiu a responsabilidade do deicídio exclusivamente aos judeus, consolidou-se apenas no século IV sob o Império de Constantino. Esta transição política exigiu a desvinculação de Roma da morte da divindade cristã, institucionalizando a já antiga mas pragmática Teologia da Substituição. 
A sistematização da Teologia da Substituição surgida no século I EC, após a destruição do II Templo de Jerusalém, que se consolidou com os Pais da Igreja, como Justino Mártir no século II, que reformulou a identidade religiosa ao argumentar que a Igreja substituiu o "Israel carnal". Essa construção teológica transformou a responsabilidade política romana pela crucificação em um estigma religioso perpétuo, que gerou e fundamentou séculos de antissemitismo estrutural, através de uma deliberada reinterpretação dos factos históricos. 
Os autores que referimos abaixo, não apenas reconhecem, mas fundamentam uma parcela significativa das suas pesquisas na premissa de que a origem do antissemitismo europeu foi plantada por meio das narrativas de uma interpretação do Novo Testamento. Argumentam que, dado que Jesus foi executado pelos romanos por motivações políticas, os primeiros cristãos — visando a sobrevivência e a expansão no Império Romano —  "reescreveram" a história para transferir a responsabilidade pela morte de Cristo dos romanos para os judeus.
Abaixo, a abordagem de cada autor sobre o tema:

John Dominic Crossan: É o mais enfático. Em sua obra Quem Matou Jesus?, afirma explicitamente que os relatos da Paixão nos Evangelhos constituem uma "profecia como história", em vez de factos históricos. Para ele, a acusação de que os judeus mataram Jesus é um "mito perigoso" que serviu de alicerce para séculos de perseguição, culminando no antissemitismo moderno.

Bart D. Ehrman: Explica que o antijudaísmo emergiu como uma disputa interna entre judeus que acreditavam em Jesus e aqueles que não o aceitavam. Com o tempo, essa retórica religiosa tornou-se a base para o antissemitismo institucionalizado quando o Império Romano se cristianizou, resultando em séculos de violência.
Principais Historiadores e Autores
Entre os estudiosos que sustentam essa tese, destacam-se:
  • Reza Aslan: Em seu livro Zelota: A Vida e a Época de Jesus de Nazaré, Aslan argumenta que Jesus era um revolucionário político cujo movimento desafiava diretamente a ocupação romana na Judeia.
  • Bart D. Ehrman: Um dos maiores especialistas em Novo Testamento, Ehrman afirma que Jesus foi crucificado especificamente por se declarar Rei dos Judeus, o que era um ato de traição no sistema legal romano.
  • John Dominic Crossan: Co-fundador do Jesus Seminar, Crossan descreve Jesus como um camponês que promovia um "Reino de Deus" que era uma alternativa radical e subversiva ao Reino de Roma.
  • Richard A. Horsley: Foca na dimensão sociopolítica de Jesus como um líder que mobilizou as massas rurais contra o imperialismo romano.
  • Andrew Springer: Defende que o método da crucificação era reservado exclusivamente para rebeldes e insurrectos, reforçando que os romanos viam Jesus como um "agitador social" e uma ameaça à ordem pública.
Referências Bibliográficas
  • ASLAN, Reza. Zelota: A vida e a época de Jesus de Nazaré. Rio de Janeiro: Zahar, 2013.
  • CROSSAN, John Dominic. Jesus: Uma biografia revolucionária. Rio de Janeiro: Imago, 1995.
  • EHRMAN, Bart D. Como Jesus se tornou Deus. São Paulo: Leya, 2014.
  • HORSLEY, Richard A. Jesus e o Império: O Reino de Deus e a nova desordem mundial. São Paulo: Paulus, 2014.
  • HORSLEY, R. A.; HANSON, J. S. Bandidos, profetas e messias: Movimentos populares no tempo de Jesus. São Paulo: Paulus, 1995.
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English Version

A Historical-Critical Analysis: Jesus Facing Roman Hegemony and Jewish Orthodoxy

By Filipe de Freitas Leal
The question of whether Jesus of Nazareth was a bigger threat to the Jewish religious leaders or to Roman political rule is still one of the most important debates in the history of the Second Temple period. To answer this, we need to distinguish between two types of danger: a challenge to religious institutions and a threat of political rebellion.
The Internal Dimension: Jesus and the Call for Reform
Jesus worked within the Jewish tradition, sharing many values with the School of Hillel. He taught an interpretation of the Torah that focused on human ethics and the 'spirit of the law' rather than strict, formal rules. At that time, Judaea was under Roman occupation, and Jesus focused his criticism on corruption within the Temple system. The High Priests and the Herodian kings were not truly independent; they acted as local agents for Roman power. Therefore, Jesus’s message was not an attack on Judaism itself, but a direct challenge to the elite groups who cooperated with Rome to keep their own power.
The External Dimension: The Political Risk to Rome
For the Roman governors, the danger Jesus posed was purely practical. In the 1st-century Jewish world, the figure of the ‘Messiah’ was not just a religious idea; it was a symbol of national liberation. For the Prefect Pontius Pilate, Jesus was seen as someone who could stir up the crowds, potentially turning the intense religious atmosphere of Passover into a violent revolt. By being called the 'King of the Jews', Jesus was technically committing Lèse-majesté—the crime of offending the dignity of the Emperor.
Conclusion: Re-evaluating the History
The nature of Jesus' execution — crucifixion — corroborates the thesis of political danger, as this was the Roman punishment reserved for rebels and insurgents, rather than the Jewish punishment for blasphemy (stoning). The subsequent narrative, which transferred the responsibility for deicide exclusively to the Jews, only consolidated in the 4th century under the Empire of Constantine. This political transition required decoupling Rome from the death of the Christian deity, institutionalizing the ancient yet pragmatic Supersessionism (Replacement Theology).
The systematization of Supersessionism, which emerged in the 1st century CE following the destruction of the Second Temple in Jerusalem, was consolidated by the Church Fathers, such as Justin Martyr in the 2nd century. He reshaped religious identity by arguing that the Church had replaced the 'carnal Israel.' This theological construct transformed the Roman political responsibility for the crucifixion into a perpetual religious stigma, which generated and underpinned centuries of structural antisemitism through a deliberate reinterpretation of historical facts.
Here is how each author approaches the subject:
  • John Dominic Crossan: He is the most emphatic. In his book Who Killed Jesus?, he explicitly states that the Passion accounts in the Gospels are "prophecy historicized" rather than actual history. For him, the accusation that the Jews killed Jesus is a "dangerous myth" that served as the foundation for centuries of persecution and culminated in modern antisemitism.
  • Bart D. Ehrman: He explains that anti-Judaism emerged as an internal dispute between Jews who believed in Jesus and those who did not. Over time, this religious rhetoric became the basis for state-sponsored antisemitism when the Roman Empire became Christianized, leading to centuries of violence.
Key Historians and Authors
Among the scholars who support this thesis, the following stand out:
  • Reza Aslan: In his book Zealot: The Life and Times of Jesus of Nazareth, Aslan argues that Jesus was a political revolutionary whose movement directly challenged the Roman occupation of Judea.
  • Bart D. Ehrman: One of the leading New Testament specialists, Ehrman asserts that Jesus was crucified specifically for declaring himself "King of the Jews," which constituted an act of treason under the Roman legal system.
  • John Dominic Crossan: Co-founder of the Jesus Seminar, Crossan describes Jesus as a peasant promoting a "Kingdom of God" that served as a radical and subversive alternative to the Roman Empire.
  • Richard A. Horsley: Focuses on the socio-political dimension of Jesus as a leader who mobilized rural masses against Roman imperialism.
  • Andrew Springer: Contends that the method of crucifixion was reserved exclusively for rebels and insurrectionists, reinforcing the view that the Romans saw Jesus as a "social agitator" and a threat to public order.
Selected Bibliography
  • ASLAN, Reza. Zealot: The Life and Times of Jesus of Nazareth. New York: Random House, 2013.
  • CROSSAN, John Dominic. Jesus: A Revolutionary Biography. San Francisco: HarperCollins, 1994.
  • EHRMAN, Bart D. How Jesus Became God: The Exaltation of a Jewish Preacher from Galilee. New York: HarperOne, 2014.
  • HORSLEY, Richard A. Jesus and Empire: The Kingdom of God and the New World Disorder. Minneapolis: Fortress Press, 2003.
  • HORSLEY, R. A.; HANSON, J. S. Bandits, Prophets, and Messiahs: Popular Movements at the Time of Jesus. Minneapolis: Winston Press, 1985.
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Sobre o Autor | About the Author

PT Filipe de Freitas Leal nasceu em Lisboa (Portugal), em 1964, é licenciado em Serviço Social pelo ISCSP (Universidade de Lisboa) e pós-graduado em Políticas Públicas e Desigualdades Sociais pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. Na sua trajetória profissional, destaca-se o estágio em reinserção social de ex-reclusos e o apoio a famílias em situação de vulnerabilidade. No mundo digital, é blogger desde 2007, atuou como ilustrador, editor e autor, conta já com oito livros publicados em áreas distintas, que vão desde o Serviço Social, Poesia até à Ciência Política, escreve artigos sobre atualidade política e conflitos geopolíticos.

EN Filipe de Freitas Leal was born in Lisbon in 1964. He holds a degree in Social Work from ISCSP (University of Lisbon) and a postgraduate degree in Public Policy and Social Inequalities. He also attended a Master’s program in Sociology at the Faculty of Social Sciences and Humanities (Universidade Nova de Lisboa). His professional background includes social reintegration of former inmates and support for families in situations of social vulnerability. A blogger since 2007, he has acted as an illustrator and independent editor, with eight published books ranging from Social Work and Poetry to Political Science. He currently writes about political current affairs and geopolitical conflicts.


terça-feira, 5 de maio de 2026

O Tesouro do Judaísmo: Como e Porquê os Judeus Sobreviveram 2000 Anos na Diáspora?


Parte I - A Natureza intrínseca e singular do Judaísmo (A essência do Povo do Livro)

Há uma diferença intrínseca do Judaísmo face às outras duas religiões abraâmicas, o cristianismo foi instrumentalizado pelo poder político de Roma, que serviu para a expansão do Cristianismo, o Islão pelo contrário instrumentalizou a política e fez dela o seu braço armado para a expansão, ao contrário, o Judaísmo utilizou a Diáspora como um laboratório de refinamento intelectual. O resultado é um "tesouro epistemológico" inegualável que agora se apresenta como o antídoto contra a barbárie.

I. A Anatomia da Diferença: Por que o Judaísmo não é um Braço Religioso a serviço do Poder Político?

Diferentemente do Cristianismo, que se fundiu à estrutura administrativa do Império Romano, de onde conquistou a Europa e a partir de Roma geria a fé e a política de continentes, e também do Islão, que nasceu pela força da espada e sob a égide do Califado como um procjeto de governança e expansão teológica, o Judaísmo seguiu uma trajetória centrífuga e oposta. O aspecto fundamental aqui é a natureza da sua "missão". Sendo uma religião etnocêntrica e não proselitista, o Judaísmo não possui o motor da "conquista de almas" nem se diz a condição exclusiva para a salvação espiritual. 

Assim, sem a necessidade e sem a mínima pretensão de converter o "outro", a religião judaica nunca precisou de exércitos para validar o seu credo nem a sua crença ou divindade. O poder político, para o judeu da Diáspora, não era um instrumento de controlo, mas uma ameaça externa a ser navegada, os judeus estavam sempre prontos para fugir, nunca para desistir de ser quem eram. Isso gerou uma separação crucial: enquanto outras fés buscavam o Poder Universal (o mundo sob uma bandeira), o Judaísmo focou na Continuidade Particular (o povo sob uma lei). O resultado foi a preservação de uma identidade singular e de uma consciência compartilha.

II. O Milagre do Refinamento: 2000 Anos a separar o "Trigo do Joio"

O aspeto mais cruel da história judaica — o antissemitismo endémico — é também o arquitecto da sua sofisticação. A expulsão e o massacre funcionaram como um processo de selecção metafísica. Sem terra, os judeus foram forçados a investir no único capital que não poderia ser confiscado: o seu intelecto, aliado a uma engenharia de sobrevivência como povo e nação sem terra.

Este é o ponto crucial: a inteligência judaica não é um traço biológico, mas uma necessidade de sobrevivência espiritual. A dedicação à Torá e ao Talmud criou uma "aristocracia do saber" que foi e ainda é ensinada de geração em geração (LeDor VaDor) onde o status não vinha da linhagem militar, mas da capacidade de interpretar a lei. Esse rigor hermenêutico transbordou para a Filosofia e através desta, para todas as áreas da ciência. A Diáspora não foi apenas um exílio; foi um período de destilação onde o "joio" da superficialidade foi queimado nas fogueiras das perseguições, restando o "trigo" de uma resiliência mística e intelectual sem paralelos.

III. A Ontologia do Conflito: A Luz vs. As Trevas da Ignorância

Se no passado o Antissemitismo foi forjado pela Teologia da Substituição e alimentado pelo dogma do Deícidio (a Crucifixão de Cristo), no cenário contemporâneo, o confronto entre Israel e as forças do Eixo da Resistência como o Irão, Houties, Hezbollah e o Hamas (este último equivale a uma palavra que em hebraico significa "violência") é a manifestação física de um choque ontológico. O fundamentalismo que move o terrorismo é alimentado pela ignorância e pelo ódio religioso que se baseia no dogma de Waqf — a ideia de que o território do Dar Al-Islam (Casa do Islão) é inalienável e absoluto e afirmam que a morte é um troféu. Dizem que amam mais a morte do que os israelitas amam a vida.

Para o pensamento judaico, a vida é o valor supremo (Pikuach Nefesh). O aspecto fundamental aqui é o amor à vida que reside no saber versus o amor à morte. A violência é vista como o estágio mais baixo da consciência humana — o subproduto da inveja e da escuridão intelectual. A existência de Israel, portanto, não é apenas nem nunca foi uma questão de definição de fronteiras, mas a garantia de um espaço onde o "amor à Torá" (ao saber) prevalece sobre a pulsão de destruição. O Estado de Israel é o porto seguro para o tesouro acumulado no exílio.

IV. A Redenção Epistemológica: Um Futuro da plenitude e Luz

A conclusão desta saga milenar não é a vitória militar, mas uma revolução na forma como a humanidade percebe a realidade. A "grande missão" do povo israelita, como sugerido pela mística da Kabalá, é uma contribuição epistemológica. Não se trata de converter o mundo ao Judaísmo, mas de elevar o mundo à compreensão de que o Mal é, em si mesmo, por essência, a falta de luz.

No futuro, o antissemitismo e o racismo serão vistos como resíduos de uma era pré-racional, nichos de indivíduos incapazes de processar a complexidade da vida. A luz da sabedoria judaica, preservada por dois milénios de Diáspora, servirá como uma lente circular: A Kabalá ajuda a humanidade a evoluir até o ponto de ser capaz de entender as verdades que o povo judeu guardou em segredo. Quando a ignorância for dissipada, a violência (hamas) perderá a sua razão de ser, e a contribuição intelectual e mística do Judaísmo será finalmente reconhecida como o milagre que salvou a consciência humana da extinção.

Parte II - O Estado de Israel como Porto Seguro Existencial

VI. A Essência não depende do Estado
Historicamente, o argumento de que o Judaísmo "não depende do Estado" refere-se à sua identidade ontológica. Durante 2000 anos, o Judaísmo provou ser a única civilização que embora espalhada pelo mundo, foi capaz de se manter como uma nação coesa, com as suas leis, língua litúrgica, religião e cultura sem ter um território, um exército ou uma capital. Nesse sentido, o "Judaísmo" como conceito e fé é independente de estruturas políticas ou Estatais. O judaísmo sobreviveu aos dois cativeiros, a Grécia, a Roma, à Inquisição e aos Czares apenas com o "Estado de consciência" proporcionado pela oração e a devoção ao estudo da Torá. 
VII. A Existência física exige o Estado (Sionismo)
O Sionismo surgiu no século XIX como uma resposta pragmática a uma conclusão trágica: embora o Judaísmo (a ideia) fosse imortal, os judeus (as pessoas) estavam sendo exterminados. O antissemitismo moderno (racial e nacionalista) mostrou que a espiritualidade e a cultura não eram escudos contra balas e câmaras de gás.
O choque que eu menciono é o coração do debate interno de todos os judeus:
  • Antes de 1948: Muitos judeus ortodoxos eram contra o Sionismo político, acreditando que a identidade deveria continuar sendo puramente espiritual até a era messiânica.
  • Depois do Holocausto: Ficou claro que, sem soberania, o "tesouro" que você descreveu (a sabedoria de 2000 anos) poderia desaparecer simplesmente porque não haveria mais ninguém vivo para carregá-lo.
A Síntese

O Sionismo não nega que o Judaísmo possa existir sem um Estado; ele afirma que os judeus não devem ser obrigados a sofrer continuas perseguições e massacres para provar essa independência espiritual. Se foram precisos 40 anos do deserto para estarem prontos como nação para entrar na Terra Prometida, e se foi preciso sobreviver a 2000 anos de Diáspora forçada, que serviu para criar um povo resiliente e singular, será necessário agora a existência do Estado de Israel para que a luz do judaísmo possa contribuir ainda mais para a elevação mundial, e assim, Israel cumprir sua missão de ser Luz para as Nações não por si só, mas pelo "Livro" que é a Bíblia Hebraica, a Torá, o Tanach. Está é aliás a verdadeira essência de ser o Povo Eleito, que não deve ser interpretado como pretensão de superioridade, mas sim por ter recebido sobre si a missão que se refere a manter viva a Torá até ao fim dos tempos, onde em paz, seja então entregue a toda a humanidade.

Sobre o Autor | About the Author

PT Filipe de Freitas Leal nasceu em Lisboa (Portugal), em 1964, é licenciado em Serviço Social pelo ISCSP (Universidade de Lisboa) e pós-graduado em Políticas Públicas e Desigualdades Sociais pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. Na sua trajetória profissional, destaca-se o estágio em reinserção social de ex-reclusos e o apoio a famílias em situação de vulnerabilidade. No mundo digital, é blogger desde 2007, atuou como ilustrador, editor e autor, conta já com oito livros publicados em áreas distintas, que vão desde o Serviço Social, Poesia até à Ciência Política, escreve artigos sobre atualidade política e conflitos geopolíticos.

EN Filipe de Freitas Leal was born in Lisbon in 1964. He holds a degree in Social Work from ISCSP (University of Lisbon) and a postgraduate degree in Public Policy and Social Inequalities. He also attended a Master’s program in Sociology at the Faculty of Social Sciences and Humanities (Universidade Nova de Lisboa). His professional background includes social reintegration of former inmates and support for families in situations of social vulnerability. A blogger since 2007, he has acted as an illustrator and independent editor, with eight published books ranging from Social Work and Poetry to Political Science. He currently writes about political current affairs and geopolitical conflicts.


 
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