terça-feira, 9 de junho de 2026

Tordesilhas, os Judeus e o Império Português


O Império Português Reconfigurado: Diplomacia, Perseguição Religiosa e os Vetores da Decadência Portuguesa na Idade Moderna

Por Filipe de Freitas Leal

Introdução

A transição da Idade Média para a Idade Moderna na Península Ibérica foi marcada pela ascensão de potências marítimas que desenharam os mapas globais. No centro desse processo, o Reino de Portugal destacou-se pela pioneira expansão ultramarina e pelo desenvolvimento de uma sofisticada engenharia diplomática voltada para a consolidação de suas rotas comerciais. Todavia, a mesma Coroa que costurou tratados audaciosos para garantir o monopólio das riquezas do Atlântico e do Índico também tomou decisões políticas e religiosas internas que comprometeriam profundamente a sustentabilidade de seu império.

Este artigo analisa a trajetória portuguesa desde os grandes acordos fronteiriços com Castela até às perseguições religiosas e às crises estruturais que culminaram na perda de sua hegemonia económica e intelectual.

Enquadramento da História do Império Português e os Judeus

Para compreender a real dimensão da tragédia que envolveu a perseguição religiosa na Idade Moderna, é preciso fazer um resgate cronológico essencial: a presença judaica na Península Ibérica não era uma inserção recente ou estrangeira. Pelo contrário, ela é muito anterior à própria fundação da nacionalidade portuguesa no século XII. Os primeiros registos da fixação de comunidades judaicas na região remontam à Antiguidade Oriental, caminhando lado a lado com as rotas comerciais e a colonização dos fenícios.

Essa ancestralidade milenar fez com que o território ibérico se tornasse o berço de uma das matrizes culturais mais ricas da história judaica global: a civilização sefardita. Durante séculos, e de forma muito marcante no período do Al-Andalus (sob o domínio muçulmano), a Península Ibérica viveu uma verdadeira "Idade de Ouro" cultural e científica. Longe de serem meros habitantes marginalizados, os judeus ibéricos — os sefarditas (da palavra hebraica Sefarad, que significa Espanha/Península Ibérica) — floresceram em todas as áreas do conhecimento humano. Eles actuaram como o grande elo de ligação entre a sabedoria da Antiguidade Clássica, a ciência árabe e o mundo cristão medieval. Suas academias moldaram filósofos, poetas, astrónomos e juristas de renome internacional, cuja influência directa se estendeu para além das fronteiras ibéricas e ajudou a fertilizar o pensamento europeu.

Portanto, quando as Coroas de Espanha e Portugal decidiram banir, baptizar e converter à força ou expulsar os judeus, e mais tarde, em caso de alegada traição, queimar as populações de Cristãos-Novos na fogueira, elas não estavam apenas a punir um grupo dissidente. Os dois reinos ibéricos estavam a arrancar da sua própria terra uma comunidade que ajudara a construir os alicerces culturais, linguísticos e económicos daquela rica e bela península ao longo de mais de dois milénios. Tentar destruir e extirpar a civilização sefardita foi, para Portugal, o mesmo que amputar uma parte vital da sua própria identidade fundacional. O silenciamento forçado dessa herança deixou um vazio estrutural que moldou de forma irreversível os séculos de isolamento que se seguiram.

1 - O Tratado de Alcáçovas e a Primeira Divisão Horizontal do Mundo

Assinado em 4 de Setembro de 1479 na vila portuguesa de Alcáçovas, o Tratado de Alcáçovas encerrou oficialmente a Guerra de Sucessão de Castela e estabeleceu um marco inédito na história do direito internacional. O acordo estipulou uma linha divisória horizontal baseada no paralelo das Ilhas Canárias, determinando que todas as terras descobertas ou por descobrir ao norte dessa linha pertenceriam a Castela, enquanto os territórios ao sul ficariam sob o domínio exclusivo de Portugal.

Para os portugueses da época, o documento representou um triunfo diplomático categórico, pois assegurou a posse legal dos arquipélagos da Madeira, dos Açores e de Cabo Verde, além de garantir o controlo absoluto sobre a rota comercial da costa africana. Caso esse modelo geográfico horizontal tivesse sido mantido após a chegada de Cristóvão Colombo à América em 1492, Portugal teria herdado legalmente a maior parte, ou seja, toda a América Central e a América do Sul, restando aos espanhóis apenas a porção norte do continente.

2 - A Transição para o Eixo Vertical do Tratado de Tordesilhas

A configuração geopolítica do Tratado de Alcáçovas tornou-se insustentável quando a Espanha reivindicou as terras caribenhas achadas por Colombo, gerando um impasse que ameaçava desencadear um novo conflito armado. Consciente de que a manutenção da linha horizontal permitiria que os navios espanhóis navigassem perigosamente perto de suas rotas secretas no Atlântico Sul, o rei Dom João II de Portugal rejeitou a arbitragem inicial do Papa Alexandre VI, que na Bula Inter Coetera favorecia abertamente a Espanha.

No entanto, a Coroa portuguesa exigiu uma negociação direta que resultou na assinatura do Tratado de Tordesilhas em 1494, substituindo o paralelo horizontal por um meridiano vertical situado a 370 léguas a oeste de Cabo Verde. Ao empurrar a fronteira para o oeste, Portugal abriu mão de grande parte das terras americanas ocidentais em troca de uma "parede" de proteção marítima que salvaguardava a navegação da "volta do mar" em torno da África e, acidentalmente, garantiu o posterior direito de posse sobre o litoral do Brasil.

3 - O Casamento de Dom Manuel I com a Princesa Isabel de Espanha e a Exigência da Expulsão dos Judeus

Em 1495, Dom Manuel I assumiu o trono português alimentando o ambicioso projecto político de unificar todas as coroas da Península Ibérica sob a liderança dinástica de Portugal. Para viabilizar esse plano, o monarca solicitou a mão em casamento da Princesa das Astúrias, Isabel de Aragão e Castela, filha primogénita e herdeira directa dos Reis Católicos da Espanha.

Como condição inegociável para o matrimónio, os reis espanhóis exigiram que Portugal repetisse o decreto de expulsão dos judeus que Castela e Aragão haviam adoptado in 1492, recusando-se a permitir que sua herdeira residisse em um território tolerante a outras fés. Diante do dilema entre preservar uma comunidade vital para a economia lusitana ou consolidar a união ibérica, Dom Manuel I cedeu à pressão diplomática e promulgou o decreto de expulsão em Dezembro de 1496.

4 - O "Baptismo em Pé" e a Criação da Classe dos Cristãos-Novos

Reconhecendo que a saída física da população judaica — composta por proeminentes médicos, cientistas, astrónomos e banqueiros — causaria a ruína financeira do reino, Dom Manuel I planeou uma estratégia para os reter sem descumprir o acordo com a Espanha. Na Primavera de 1497, o monarca ordenou o fecho dos portos e determinou o encerramento de sinagogas, forçando milhares de judeus a concentrar-se em pontos públicos onde foram baptizados colectivamente à força com água benta.

Esse episódio histórico, que ficou conhecido como o "Baptismo em Pé", extinguiu legalmente o judaísmo em solo português e criou a categoria social e jurídica dos "Cristãos-Novos". Embora nominalmente católicos perante o Estado, a maioria desses indivíduos continuou a praticar o judaísmo de forma clandestina dentro de suas residências, originando o fenómeno do criptojudaísmo.

Mecanismos de Resistência Cultural e a Invenção da Alheira e Farinheira

Para sobreviverem à vigilância da Igreja e da sociedade majoritária, as famílias de Cristãos-Novos desenvolveram sofisticados mecanismos de resistência cultural e disfarces quotidianos. Um dos exemplos mais duradouros dessa adaptação ocorreu na culinária, com a criação da alheira, um enchido que imitava as tradicionais chouriças de porco consumidas pelos cristãos, mas que era recheado exclusivamente com carnes permitidas pela lei mosaica, como galinha, peru, coelho e pão.

Ao pendurarem esses alimentos nas áreas visíveis de suas cozinhas, os criptojudeus simulavam a quebra de suas restrições dietéticas religiosas, desviando as suspeitas dos vizinhos e das autoridades. Além da gastronomia, as práticas religiosas foram adaptadas para o ambiente doméstico estrito, onde as orações eram realizadas em voz baixa e os rituais do shabat eram disfarçados como actividades de limpeza doméstica.

O Massacre de Lisboa de 1506: O Ápice da Intolerância Popular

A conversão forçada não eliminou o preconceito popular contra os Cristãos-Novos, culminando no trágico Massacre de Lisboa em Abril de 1506, num contexto em que a capital portuguesa enfrentava os rigores de uma peste bubónica e de uma seca severa. O estopim da violência ocorreu na Igreja de São Domingos, quando um fiel declarou ter presenciado um milagre luminoso no altar, e um Cristão-Novo tentou explicar o fenómeno de forma racional como um mero reflexo de luz.

Acusado de heresia por uma multidão enfurecida, o homem foi linchado, dando início a três dias de distúrbios generalizados insuflados por frades dominicanos e marinheiros estrangeiros ancorados no porto. Mais de duas mil pessoas de origem judaica foram torturadas, assassinadas e queimadas em fogueiras improvisadas nas ruas de Lisboa antes que as tropas reais de Dom Manuel I retomassem o controlo da cidade e punissem severamente os líderes do motim.

A Institucionalização da Inquisição Portuguesa

Embora Dom Manuel I tenha tentado proteger temporariamente os Cristãos-Novos proibindo investigações religiosas por duas décadas, a pressão das alas mais conservadoras da Igreja e da nobreza intensificou-se nos anos seguintes. Em 1536, sob o reinado de seu filho, Dom João III, o Tribunal do Santo Ofício da Inquisição foi oficialmente instalado em Portugal após a obtenção de uma autorização do Papa Paulo III.

A Inquisição estabeleceu um regime de terror de Estado baseado em delações anónimas, confisco sistemático de bens e torturas processuais para a obtenção de confissões de heresias e práticas judaizantes. Os réus condenados eram sentenciados nos chamados Autos de Fé, cerimónias públicas de grande impacto psicossocial onde os considerados culpados eram entregues ao braço secular para serem executados na fogueira.

5 - A Consolidação da União Ibérica e a Perda da Independência

A ironia histórica da política matrimonial de Dom Manuel I manifestou-se oitenta anos após seus esforços iniciais de unificação da Península Ibérica. O infante Miguel da Paz, filho de Dom Manuel I com a princesa Isabel, que deveria herdar todos os reinos, faleceu prematuramente no ano de 1500, desfazendo a linha directa de sucessão planeada.

Contudo, em 1580, a crise dinástica gerada pelo desaparecimento do rei Dom Sebastião na Batalha de Alcácer-Quibir permitiu que o rei Filipe II da Espanha, neto de Dom Manuel I por linhagem materna, reivindicasse o trono português. A invasão militar subsequente consolidou a União Ibérica (1580–1640), período durante o qual Portugal perdeu sua soberania política e viu suas colónias ultramarinas, incluindo o Nordeste do Brasil, serem atacadas pelas potências inimigas da Espanha, como a Holanda e a Inglaterra.

6 - A Restauração da Independência e o Fim do Domínio Espanhol

O descontentamento com o domínio espanhol cresceu progressivamente devido ao aumento das exigências fiscais e ao envolvimento forçado de Portugal em guerras europeias que arruinaram o comércio lusitano. Em 1 de Dezembro de 1640, um grupo de aristocratas nacionais organizou um golpe palaciano em Lisboa que culminou na deposição da vice-rainha espanhola e na aclamação de Dom João, Duque de Bragança, como o novo monarca soberano sob o título de Dom João IV.

Esse evento deu início à Guerra da Restauração, um longo conflito diplomático e militar contra a Espanha que se estendeu por quase trinta anos. A independência definitiva de Portugal foi formalizada apenas em 1668 com o Tratado de Lisboa, restabelecendo as fronteiras políticas anteriores, mas entregando à Dinastia de Bragança um país economicamente fragilizado.

7 - O Debate Historiográfico sobre a Decadência Portuguesa

A decadência do Império Português ao longo da Idade Moderna é um tema central de debate na historiografia ibérica, dividindo opiniões sobre o peso relativo de cada factor nesse processo. Pensadores e historiadores de relevo, como Alexandre Herculano e Oliveira Martins, argumentaram que a expulsão dos judeus e a actuação da Inquisição representaram um "suicídio económico e intelectual" para a nação.

Sob essa perspectiva, a eliminação da classe mercantil e financeira mais dinâmica do país provocou uma massiva fuga de capitais e de cérebros para nações rivais, como a Holanda, privando Portugal do conhecimento científico necessário para sustentar sua vanguarda náutica. No entanto, análises historiográficas contemporâneas sugerem que a perseguição religiosa agiu de forma integrada a outras fraquezas estruturais graves que afectavam o reino.

Factores Estruturais: A Ilusão da Riqueza e a Crise Demográfica

Além das perseguições religiosas, a economia portuguesa padeceu do que os economistas chamam de "ilusão das riquezas", caracterizada pela incapacidade de converter o lucro imediato das especiarias asiáticas e do ouro brasileiro em desenvolvimento interno. Em vez de investir na criação de manufacturas, infra-estrutura ou educação, a Coroa utilizava os recursos coloniais para importar bens básicos e produtos manufacturados da Europa Setentrional, tornando-se mera intermediária do fluxo de riquezas que alimentava a Revolução Industrial de seus vizinhos.

Essa vulnerabilidade económica era agravada por uma severa crise demográfica, dado que Portugal possuía uma população estimada em apenas um milhão de habitantes no século XVI. Esse contingente populacional reduzido mostrou-se insuficiente para guarnecer e defender com eficácia uma rede de feitorias e colónias que se estendia geograficamente do continente americano até ao Japão.

Conclusão

O declínio do poderio português na Idade Moderna não pode ser reduzido a um único evento isolado, mas sim compreendido como o resultado de uma engrenagem onde escolhas políticas internas anularam as conquistas obtidas pela diplomacia externa. Os mesmos monarcas que demonstraram pragmatismo ao delimitar os oceanos nos tratados de Alcáçovas e Tordesilhas sacrificaram a estabilidade social e económica de seu povo em prol de ambições dinásticas e de uma uniformidade religiosa forçada.

Ao expulsar e perseguir a elite intelectual e financeira representada pela comunidade judaica, Portugal privou-se das ferramentas internas necessárias para gerir a riqueza que extraía de suas colónias. Assim, as fogueiras da Inquisição e o esvaziamento económico operaram em conjunto com a escassez demográfica e a dependência externa, relegando a antiga potência pioneira dos mares a uma posição periférica no desenvolvimento da Europa moderna.

O Reino de Amesterdão e a "Nação Portuguesa"

Os judeus portugueses exilados na Holanda criaram uma comunidade tão rica e influente que ficou conhecida como "A Nação Portuguesa". Eles ajudaram a fundar o Banco de Amesterdão e a Companhia das Índias Ocidentais. Esses órgãos financiaram a invasão holandesa no Nordeste do Brasil no século XVII.

A Ascensão do Antissemitismo Católico na Cultura Portuguesa

O antissemitismo em Portugal não foi apenas uma perseguição religiosa temporária. Ele foi transformado em uma política de Estado que moldou a cultura e o pensamento do povo português por quase trezentos anos.

I. Os Estatutos de Pureza de Sangue

A Igreja e o Estado criaram leis baseadas na ideia de "pureza de sangue". O preconceito deixou de ser apenas contra a religião judaica e passou a ser contra a raça.

  • Se uma pessoa tivesse um único avô ou bisavô judeu, seu sangue era considerado "infectado".
  • Quem tinha "sangue infectado" era proibido de assumir cargos públicos, virar padre, entrar para o exército ou estudar na Universidade de Coimbra.
  • A sociedade foi dividida oficialmente entre Cristãos-Velhos (sangue puro) e Cristãos-Novos (sangue impuro).

II. O Aparelho de Terror da Inquisição

O Tribunal do Santo Ofício funcionava como uma polícia secreta de controlo do pensamento. A cultura portuguesa foi moldada pelo medo e pela delação.

  • As pessoas eram incentivadas a denunciar vizinhos e parentes. Comer carne no sábado ou não comer porco eram motivos suficientes para prisão.
  • A literatura e o teatro eram censurados. O país fechou-se para as ideias científicas que surgiam no resto da Europa (como o Iluminismo), pois qualquer novidade era vista como uma heresia ou "coisa de judeu".

III. O Impacto Psicológico e Cultural

O antissemitismo gerou uma cultura de desconfiança e isolamento. Portugal, que antes era o país mais aberto e conectado com o mundo devido às navegações, tornou-se uma sociedade fechada, fanática e atrasada cientificamente. A caça aos judeus destruiu a classe média comercial e educada, deixando o país dependente da nobreza e da Igreja.

O Fim Oficial da Discriminação (Século XVIII)

A divisão entre cristãos-novos e cristãos-velhos só acabou em 1773, quase 300 anos depois do decreto de Dom Manuel I. O responsável por isso foi o Marquês de Pombal, o primeiro-ministro de Portugal. Pombal percebeu que o preconceito de sangue destruía a economia e a administração do país. Ele tomou medidas radicais:

  • Aboliu por lei a distinção entre cristãos-novos e cristãos-velhos.
  • Queimou publicamente os registos cadastrais das famílias que tinham "sangue judeu" para que ninguém pudesse mais usar o passado como arma de discriminação.
  • Acabou com os Estatutos de Pureza de Sangue.

Embora as leis tenham mudado no século XVIII, as marcas da Inquisição e a perda da população judaica deixaram uma cicatriz profunda na história económica e cultural de Portugal.

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Apêndice: Biografias de Judeus Portugueses / Cristãos-Novos

É importante destacar a fuga de cérebros provocada pela Inquisição, que privou Portugal de mentes brilhantes. No exílio, essas pessoas ajudaram a revolucionar a ciência, a filosofia e a economia da Europa.

  • Isaac Abravanel (1437–1508) — O Estadista e Filósofo das Finanças: Nascido em Lisboa, foi um dos maiores financeiros, teólogos e estadistas da transição para a Idade Moderna. Atuou como tesoureiro do rei D. Afonso V de Portugal, gerindo com grande perícia os recursos do reino durante as campanhas de expansão no Norte de África. Após a morte do monarca, a política de centralização absolutista de D. João II forçou-o a refugiar-se em Castela, onde chegou a financiar as viagens de Cristóvão Colombo. Em 1492, recusando-se a abdicar da sua fé perante o decreto de expulsão espanhol, partiu para o exílio definitivo em Itália (Veneza e Nápoles), onde produziu uma vasta obra filosófica e política que influenciou intelectuais por toda a Europa.
  • Pedro Nunes (1502–1578) — O Gênio da Navegação: Ele foi um dos maiores matemáticos e geógrafos do mundo. Embora tenha ficado em Portugal, Nunes era de família de cristãos-novos e viveu sob constante vigilância. Ele inventou o nónio, um instrumento que permitia medir fracções de graus com alta precisão. Essa invenção foi fundamental para que as caravelas calculassem suas rotas no mar aberto.
  • Garcia de Orta (1501–1568) — O Pioneiro da Medicina Tropical: Médico cristão-novo, ele viajou para a Índia para fugir do clima de perseguição em Lisboa. Em Goa, estudou as plantas medicinais e escreveu o primeiro tratado científico europeu sobre doenças tropicais (como o cólera). Anos após a sua morte, a Inquisição descobriu que ele praticava o judaísmo em segredo. Seu corpo foi exumado e seus ossos foram queimados em um Auto de Fé na Índia.
  • Amato Lusitano (1511–1568) — O Pioneiro da Anatomia e da Circulação: Nascido em Castelo Branco com o nome de batismo de João Rodrigues, adotou o nome de Amato Lusitano no exílio, onde se consagrou como um dos maiores médicos e anatomistas do século XVI. Através da dissecação de cadáveres, descobriu as válvulas nas veias, um passo fundamental para a posterior compreensão do sistema circulatório humano, além de ter escrito as Cúrias Médicas, obra científica de referência europeia. Fugindo do clima de perseguição instalado pela Inquisição em Portugal, viveu uma vida errante de tremendo sucesso intelectual em Antuérpia, Ferrara, Ragusa e Salónica, onde faleceu.
  • Grácia Mendes Nasi (1510–1569) — A "Senhora", a Diplomata e Financeira: Nascida em Lisboa como Beatriz de Luna Miques, ficou historicamente conhecida como HaGiveret ("A Senhora"). Foi uma das mulheres mais ricas e poderosas da Europa renascentista, assumindo a gestão do imenso império financeiro da Casa Mendes após a morte do marido. No exílio, utilizou a sua vasta fortuna e uma complexa rede secreta de agentes comerciais para financiar a fuga de milhares de cristãos-novos de Portugal , salvando-os do Tribunal do Santo Ofício. Passando por Antuérpia, Veneza e Ferrara, fixou-se em Constantinopla, onde assumiu publicamente a fé judaica, tornou-se conselheira diplomática do Império Otomano e liderou um dos primeiros projetos de colonização judaica na Palestina.
  • Uriel da Costa (1585-1640) — O Filosofo que Inspirou Spinoza: Nascido no Porto como Gabriel da Costa Fiuza no seio de uma abastada família de cristãos-novos, estudou Direito Canónico em Coimbra antes de redescobrir a fé judaica através da leitura do Antigo Testamento, o que o levou a convencer a sua família a refugiar-se nos Países Baixos, onde adotou o nome de Uriel. Em Amesterdão, revelou-se um pensador exímio e profícuo, mas as suas teses altamente polémicas e críticas face à ortodoxia religiosa ditaram a sua excomunhão pela própria comunidade judaica; após sofrer profundas humilhações públicas para ser readmitido, mergulhou numa depressão severa, vindo a suicidar-se após concluir o seu livro de memórias, deixando um trágico legado que impressionaria profundamente o jovem Baruch Spinoza.
  • Baruch Spinoza (1632–1677) — O Filósofo da Liberdade: Embora tenha nascido em Amesterdão, Spinoza era filho de judeus portugueses que fugiram da perseguição em Portugal. Ele se tornou um dos maiores filósofos da história ocidental. Seguiu de certo modo as pegadas de Uriel da Costa, e foi igualmente excomungado da Sinagoga pelas suas ideias sobre Deus, a natureza e a liberdade de pensamento, ideias que mais tarde ajudaram a moldar o Iluminismo e a ciência moderna, foi o filósofo que influenciou grandemente John Lock e Thomas Jefferson.
  • António Ribeiro Sanches (1699–1783) — O Reformador da Medicina: Nascido em Penamacor, foi um dos mais brilhantes "estrangeirados" portugueses do século XVIII. Formado em Medicina em Coimbra e Salamanca, fugiu de Portugal para escapar à vigilância inquisitorial que pairava sobre a sua família de cristãos-novos. No exílio, alcançou prestígio internacional, chegando a ser médico pessoal da Imperatriz Isabel da Rússia. A partir de Paris, tornou-se colaborador da célebre Enciclopédia de Diderot e D'Alembert. Sanches manteve uma correspondência crucial com o Marquês de Pombal , enviando-lhe as suas Cartas sobre a Educação da Mocidade, que serviram de base teórica para a reforma do ensino e da Universidade de Coimbra, e influenciando diretamente o primeiro-ministro a extinguir a distinção jurídica de sangue no reino.

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Bibliografia Consultada:

BETHENCOURT, Francisco. História da Inquisição: Portugal, Espanha e Itália. 1994. Lisboa: Círculo de Leitores. (Valida a mecânica do Santo Ofício, o sistema de delações anónimas e o impacto psicossocial do aparelho de terror).

FONSECA, Luís Adão da. O Tratado de Tordesilhas e a Diplomacia Portuguesa no Tempo de D. João II. 1991. Lisboa: Comissão Nacional para as Comemorações dos Descobrimentos Portugueses. (Sustenta a análise das divisões geográficas e o pragmatismo geopolítico joanino).

GODINHO, Vitorino Magalhães. Os Descobrimentos e a Economia Mundial. 1981-1983 (2 vols.). Lisboa: Editorial Presença. (Fundamenta a ligação entre as rotas ultramarinas e os fatores económicos estruturais do reino).

HERCULANO, Alexandre. História da Origem e Estabelecimento da Inquisição em Portugal. 1987 (edição original de 1854-1859). Lisboa: Livraria Bertrand. (A obra clássica que inaugura o debate sobre o "suicídio económico e moral" provocado pelo Santo Ofício).

KAPLAN, Yosef. An Alternative Path to Modernity: The Sephardi Diaspora in Western Europe. 2000. Leiden: Brill. (Referência mundial que valida o desenvolvimento da "Nação Portuguesa" em Amesterdão e o contexto das excomunhões).

LIPINER, Elias. O Baptismo em Pé: Estudos de História Marrana. 1998. Lisboa: Vega. (Obra máxima de validação documental sobre a violência institucional da conversão forçada de 1497).

MARQUES, A. H. de Oliveira. História de Portugal (Vol. II: A Idade Moderna). 1981. Lisboa: Palas Editores. (Fornece os dados demográficos e o contraponto historiográfico contemporâneo sobre a crise demográfica e manufatureira).

MARTINS, Joaquim Pedro Oliveira. História de Portugal. 1996 (edição original de 1879). Lisboa: Guimarães Editores. (Sustenta a visão crítica oitocentista sobre a decadência cultural e intelectual do país).

SANCHES, António Ribeiro. Cartas sobre a Educação da Mocidade. 1922 (edição original de 1760). Coimbra: Imprensa da Universidade. (Documento histórico que serviu de base teórica para as reformas pombalinas e o fim da distinção de sangue).

SARAIVA, António José. Inquisição e Cristãos-Novos. 1969. Porto: Inova. (Fundamenta a tese da Inquisição como um aparelho político-económico voltado para a destruição da classe mercantil).

TAVARES, Maria José Pimenta Ferro. Judeus e Cristãos-Novos no Tempo de D. Manuel I. 1987. Lisboa: Universidade Nova de Lisboa. (A base arquivística e demográfica mais rigorosa sobre o período de transição e o impacto social do decreto de expulsão).

 

sexta-feira, 8 de maio de 2026

Análise Histórico-Critica: sobre Quem Afinal Matou Jesus, os Judeus ou os Romanos?





Jesus perante a Hegemonia Romana e a Ortodoxia Judaica

A questão sobre se Jesus de Nazaré representava uma ameaça maior à estrutura religiosa judaica ou à ordem política romana permanece como um dos debates seminais da historiografia do Segundo Templo. A resposta a esse dilema exige uma distinção analítica entre o perigo teológico-institucional e o perigo sedicioso.

A Dimensão Interna: Jesus e o Judaísmo Reformista

Jesus, operando dentro da tradição rabínica e aproximando-se axiologicamente da Escola de Hillel, propunha uma interpretação da Torá centrada na ética humanista e na primazia do espírito sobre o rigorismo legalista. No contexto de uma Judeia sob ocupação, a sua crítica voltava-se contra a corrupção do sistema do Templo. Naquela conjuntura, o Sumo Sacerdócio e a dinastia Herodiana não gozavam de plena autonomia, funcionando como extensões administrativas do poder de Roma. Assim, a pregação de Jesus não era uma afronta ao Judaísmo em si, mas uma ameaça direta a Roma e também à elite colaboracionista que sustentava o status quo teocrático-político, elite essa, que aliás tinha sido nomeada para servir aos interesses do domínio políticos romano.
A Dimensão Externa: O Perigo Político para Roma

Do ponto de vista da administração romana, o risco representado por Jesus era estritamente pragmático e sedicioso. No imaginário judaico do século I EC, a figura do Mashiah (Messias) transcendia a escatologia religiosa; era um conceito de libertação nacionalista. Para o Prefeito Pôncio Pilatos, Jesus era um catalisador de massas, capaz de converter o fervor religioso da Páscoa em uma insurreição aberta. A atribuição do título de "Rei dos Judeus" configurava o crime de Lesa-majestade (crimen laesae maiestatis) contra o Imperador.
Conclusão e Revisão Historiográfica

A natureza da execução de Jesus — a crucificação — corrobora a tese do perigo político, visto que este era o suplício romano reservado a rebeldes e insurgentes, e não a punição judaica por blasfêmia (o apedrejamento). A narrativa subsequente, que transferiu a responsabilidade do deicídio exclusivamente aos judeus, consolidou-se apenas no século IV sob o Império de Constantino. Esta transição política exigiu a desvinculação de Roma da morte da divindade cristã, institucionalizando a já antiga mas pragmática Teologia da Substituição. 
A sistematização da Teologia da Substituição surgida no século I EC, após a destruição do II Templo de Jerusalém, que se consolidou com os Pais da Igreja, como Justino Mártir no século II, que reformulou a identidade religiosa ao argumentar que a Igreja substituiu o "Israel carnal". Essa construção teológica transformou a responsabilidade política romana pela crucificação em um estigma religioso perpétuo, que gerou e fundamentou séculos de antissemitismo estrutural, através de uma deliberada reinterpretação dos factos históricos. 
Os autores que referimos abaixo, não apenas reconhecem, mas fundamentam uma parcela significativa das suas pesquisas na premissa de que a origem do antissemitismo europeu foi plantada por meio das narrativas de uma interpretação do Novo Testamento. Argumentam que, dado que Jesus foi executado pelos romanos por motivações políticas, os primeiros cristãos — visando a sobrevivência e a expansão no Império Romano —  "reescreveram" a história para transferir a responsabilidade pela morte de Cristo dos romanos para os judeus.
Abaixo, a abordagem de cada autor sobre o tema:

John Dominic Crossan: É o mais enfático. Em sua obra Quem Matou Jesus?, afirma explicitamente que os relatos da Paixão nos Evangelhos constituem uma "profecia como história", em vez de factos históricos. Para ele, a acusação de que os judeus mataram Jesus é um "mito perigoso" que serviu de alicerce para séculos de perseguição, culminando no antissemitismo moderno.

Bart D. Ehrman: Explica que o antijudaísmo emergiu como uma disputa interna entre judeus que acreditavam em Jesus e aqueles que não o aceitavam. Com o tempo, essa retórica religiosa tornou-se a base para o antissemitismo institucionalizado quando o Império Romano se cristianizou, resultando em séculos de violência.
Principais Historiadores e Autores
Entre os estudiosos que sustentam essa tese, destacam-se:
  • Reza Aslan: Em seu livro Zelota: A Vida e a Época de Jesus de Nazaré, Aslan argumenta que Jesus era um revolucionário político cujo movimento desafiava diretamente a ocupação romana na Judeia.
  • Bart D. Ehrman: Um dos maiores especialistas em Novo Testamento, Ehrman afirma que Jesus foi crucificado especificamente por se declarar Rei dos Judeus, o que era um ato de traição no sistema legal romano.
  • John Dominic Crossan: Co-fundador do Jesus Seminar, Crossan descreve Jesus como um camponês que promovia um "Reino de Deus" que era uma alternativa radical e subversiva ao Reino de Roma.
  • Richard A. Horsley: Foca na dimensão sociopolítica de Jesus como um líder que mobilizou as massas rurais contra o imperialismo romano.
  • Andrew Springer: Defende que o método da crucificação era reservado exclusivamente para rebeldes e insurrectos, reforçando que os romanos viam Jesus como um "agitador social" e uma ameaça à ordem pública.
Referências Bibliográficas
  • ASLAN, Reza. Zelota: A vida e a época de Jesus de Nazaré. Rio de Janeiro: Zahar, 2013.
  • CROSSAN, John Dominic. Jesus: Uma biografia revolucionária. Rio de Janeiro: Imago, 1995.
  • EHRMAN, Bart D. Como Jesus se tornou Deus. São Paulo: Leya, 2014.
  • HORSLEY, Richard A. Jesus e o Império: O Reino de Deus e a nova desordem mundial. São Paulo: Paulus, 2014.
  • HORSLEY, R. A.; HANSON, J. S. Bandidos, profetas e messias: Movimentos populares no tempo de Jesus. São Paulo: Paulus, 1995.
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English Version

A Historical-Critical Analysis: Jesus Facing Roman Hegemony and Jewish Orthodoxy

By Filipe de Freitas Leal
The question of whether Jesus of Nazareth was a bigger threat to the Jewish religious leaders or to Roman political rule is still one of the most important debates in the history of the Second Temple period. To answer this, we need to distinguish between two types of danger: a challenge to religious institutions and a threat of political rebellion.
The Internal Dimension: Jesus and the Call for Reform
Jesus worked within the Jewish tradition, sharing many values with the School of Hillel. He taught an interpretation of the Torah that focused on human ethics and the 'spirit of the law' rather than strict, formal rules. At that time, Judaea was under Roman occupation, and Jesus focused his criticism on corruption within the Temple system. The High Priests and the Herodian kings were not truly independent; they acted as local agents for Roman power. Therefore, Jesus’s message was not an attack on Judaism itself, but a direct challenge to the elite groups who cooperated with Rome to keep their own power.
The External Dimension: The Political Risk to Rome
For the Roman governors, the danger Jesus posed was purely practical. In the 1st-century Jewish world, the figure of the ‘Messiah’ was not just a religious idea; it was a symbol of national liberation. For the Prefect Pontius Pilate, Jesus was seen as someone who could stir up the crowds, potentially turning the intense religious atmosphere of Passover into a violent revolt. By being called the 'King of the Jews', Jesus was technically committing Lèse-majesté—the crime of offending the dignity of the Emperor.
Conclusion: Re-evaluating the History
The nature of Jesus' execution — crucifixion — corroborates the thesis of political danger, as this was the Roman punishment reserved for rebels and insurgents, rather than the Jewish punishment for blasphemy (stoning). The subsequent narrative, which transferred the responsibility for deicide exclusively to the Jews, only consolidated in the 4th century under the Empire of Constantine. This political transition required decoupling Rome from the death of the Christian deity, institutionalizing the ancient yet pragmatic Supersessionism (Replacement Theology).
The systematization of Supersessionism, which emerged in the 1st century CE following the destruction of the Second Temple in Jerusalem, was consolidated by the Church Fathers, such as Justin Martyr in the 2nd century. He reshaped religious identity by arguing that the Church had replaced the 'carnal Israel.' This theological construct transformed the Roman political responsibility for the crucifixion into a perpetual religious stigma, which generated and underpinned centuries of structural antisemitism through a deliberate reinterpretation of historical facts.
Here is how each author approaches the subject:
  • John Dominic Crossan: He is the most emphatic. In his book Who Killed Jesus?, he explicitly states that the Passion accounts in the Gospels are "prophecy historicized" rather than actual history. For him, the accusation that the Jews killed Jesus is a "dangerous myth" that served as the foundation for centuries of persecution and culminated in modern antisemitism.
  • Bart D. Ehrman: He explains that anti-Judaism emerged as an internal dispute between Jews who believed in Jesus and those who did not. Over time, this religious rhetoric became the basis for state-sponsored antisemitism when the Roman Empire became Christianized, leading to centuries of violence.
Key Historians and Authors
Among the scholars who support this thesis, the following stand out:
  • Reza Aslan: In his book Zealot: The Life and Times of Jesus of Nazareth, Aslan argues that Jesus was a political revolutionary whose movement directly challenged the Roman occupation of Judea.
  • Bart D. Ehrman: One of the leading New Testament specialists, Ehrman asserts that Jesus was crucified specifically for declaring himself "King of the Jews," which constituted an act of treason under the Roman legal system.
  • John Dominic Crossan: Co-founder of the Jesus Seminar, Crossan describes Jesus as a peasant promoting a "Kingdom of God" that served as a radical and subversive alternative to the Roman Empire.
  • Richard A. Horsley: Focuses on the socio-political dimension of Jesus as a leader who mobilized rural masses against Roman imperialism.
  • Andrew Springer: Contends that the method of crucifixion was reserved exclusively for rebels and insurrectionists, reinforcing the view that the Romans saw Jesus as a "social agitator" and a threat to public order.
Selected Bibliography
  • ASLAN, Reza. Zealot: The Life and Times of Jesus of Nazareth. New York: Random House, 2013.
  • CROSSAN, John Dominic. Jesus: A Revolutionary Biography. San Francisco: HarperCollins, 1994.
  • EHRMAN, Bart D. How Jesus Became God: The Exaltation of a Jewish Preacher from Galilee. New York: HarperOne, 2014.
  • HORSLEY, Richard A. Jesus and Empire: The Kingdom of God and the New World Disorder. Minneapolis: Fortress Press, 2003.
  • HORSLEY, R. A.; HANSON, J. S. Bandits, Prophets, and Messiahs: Popular Movements at the Time of Jesus. Minneapolis: Winston Press, 1985.
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Sobre o Autor | About the Author

PT Filipe de Freitas Leal nasceu em Lisboa (Portugal), em 1964, é licenciado em Serviço Social pelo ISCSP (Universidade de Lisboa) e pós-graduado em Políticas Públicas e Desigualdades Sociais pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. Na sua trajetória profissional, destaca-se o estágio em reinserção social de ex-reclusos e o apoio a famílias em situação de vulnerabilidade. No mundo digital, é blogger desde 2007, atuou como ilustrador, editor e autor, conta já com oito livros publicados em áreas distintas, que vão desde o Serviço Social, Poesia até à Ciência Política, escreve artigos sobre atualidade política e conflitos geopolíticos.

EN Filipe de Freitas Leal was born in Lisbon in 1964. He holds a degree in Social Work from ISCSP (University of Lisbon) and a postgraduate degree in Public Policy and Social Inequalities. He also attended a Master’s program in Sociology at the Faculty of Social Sciences and Humanities (Universidade Nova de Lisboa). His professional background includes social reintegration of former inmates and support for families in situations of social vulnerability. A blogger since 2007, he has acted as an illustrator and independent editor, with eight published books ranging from Social Work and Poetry to Political Science. He currently writes about political current affairs and geopolitical conflicts.


 
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