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sexta-feira, 17 de abril de 2026

Conflito Israelo-Árabe: Uma Tragédia em Camadas Sobrepostas (Parte I)







(Parte I) Da Teologia Cristã do Séc I aos Nacionalismos  na Europa

Muitas vezes acredita-se que o conflito no Médio Oriente teve início em 1948. No entanto, um olhar atento à história revela que esta é, na verdade, uma tragédia de milénios, onde camadas teológicas e políticas se sobrepuseram para criar o impasse atual. Para compreender o presente, é preciso escavar o passado — de Roma à Europa Moderna, do dogma cristão à ortodoxia islâmica.

O Solo Sagrado - a Dimensão Teológica Islâmica 

O Islão, surgiu no  ano 622 EC, século VII, pelo Profeta Mohammed (Maomé) e tem uma mundivisão, na qual divide o mundo de forma binária: o Dar Al-Islam (Casa do Islão), indissociável do conceito de Waqf (património sagrado inalienável), e o Dar Al-Harb (Casa da Guerra), o mundo ainda por converter ou conquistar. Neste sentido, para a ortodoxia islâmica, a existência de Israel é vista como uma conspurcação ou um sacrilégio de um solo que se tornou sagrado.
De acordo com a doutrina tradicional, uma vez que uma terra foi integrada ao Dar al-Islam, ela deve pertencer a essa esfera para sempre. A criação de um Estado não-muçulmano em solo que foi governado pelo Islão por séculos — desde a conquista de Omar no século VII, tendo o intervalo do Reino Cristão de Jerusalém que foi conquistada aos cruzados em 2 de outubro de 1187 pelo líder muçulmano Saladino (Salah ad-Din) — é vista como uma regressão inaceitável. Na tradição corânica, judeus e demais infiéis, incluíndo os cristão, deveriam viver sob a condição de dhimmis (minorias protegidas, mas subordinadas). Estes conceitos estão na base religiosa do confronto.

As Raízes Europeias do Conflito - a Dimensão Cristã

Contudo, o problema moderno tem raízes profundas na Europa. Se na dimensão islâmica o obstáculo era o dogma do solo sagrado, na dimensão cristã europeia imperou o dogma do Deicídio. O Império Romano iniciou a Diáspora forçada e a renomeação da Judeia para Palestina. A partir de Constantino, (que não era batizado) foi oficializada a religião cristã, e feitos concílios onde se iniciou a marginalização dos judeus de forma institucional, nomeadamente com a Teologia da Substituição, em que os judeus por terem morto Jesus e não o  terem reconhecido como Messias deixaram de ser na ótica cristã, o povo de Deus, e é este o elemento que fundamentou o Antissemitismo na Europa cristã.
Ao longo dos séculos, essa exclusão assumiu formas violentas: expulsões em massa (como na Inglaterra e França medievais), o terror da Inquisição na Península Ibérica e os sangrentos pogroms na Europa de Leste e Rússia. A essa pressão somou-se a dimensão judaica, que é a própria resiliência do povo judeu na preservação da sua identidade, etnia, religião e cultura distinta que os mantinha como um povo separado, não apenas pelas comunidades israelitas espalhadas pelo mundo, mas também pelos guetos.

Das Revoluções Liberais ao Nacionalismo - a Dimensão Política.

Com o surgimento dos Estados-nação, fruto das revoluções liberais do fim do século XVIII e no início do século XIX, como fruto da Revolução Francesa, os judeus passaram a ser vistos como o "elemento estranho". A Europa de forma endémica, ansiava por ver-se livre dos judeus, e para alimentar este ódio, surgiram ferramentas de propaganda como os Protocolos dos Sábios de Sião, uma falsificação da polícia secreta czarista para culpar os judeus pelas agitações sociais. Quando a tentativa de integração via Haskalá (Iluminismo Judaico) faliu perante este antissemitismo sistémico, nasceu o Sionismo. Este movimento de autodeterminação foi, por fim, tragicamente validado pelo Holocausto, devido à exclusão que culminou na criação dos guetos na Europa do Leste durante a ocupação nazi, onde centenas de milhares de pessoas, como no caso de Varsóvia, foram empilhadas em condições subumanas de fome e doenças em áreas de apenas 3 km², transformando bairros históricos em antecâmaras para o extermínio. Assim, o Sionismo não foi uma ideolgia e nem sequer uma escolha opcional, mas a única saída para um problema profundamente europeu, tendo em conta a sua origem histórica e geografica.

O Testemunho da Pedra - a Dimensão Documental dos Factos Históricos 

A imagem que ilustra esta reflexão é a do Arco do Triunfo de Tito, em Roma. Ele é o testemunho histórico da guerra romano-judaica. Ali, gravada na pedra, está a prova de que o passado de há dois mil anos nunca deixou de estar presente nos dias atuais.
Resta-me dizer ainda, que não me cabe a competência de resolver o conflito, nem a pretensão de tomar partido como se de um jogo se tratasse. Cabe-me sim, o desejo pela paz e o esforço para compreender as raízes deste confronto, e procuro fundamentar o meu ponto de vista em dados históricos concretos em vez de narrativas ideológicas que ignoram a verdade dos factos.

Bibliografia Consultada

Para dar "qualidade e referências" a este estudo, consultei as seguintes obras de referência:

  • BENSOUSSAN, George. As Origens do Conflito Israelo-Árabe (1870-1950). Lisboa: Editora Guerra & Paz, 2009.
    (Preferi esta edição de Portugal, por ser-me a mais acessível do que a edição original no idioma francês).
  • ARENDT, Hannah. Origens do Totalitarismo: Antissemitismo, Imperialismo, Totalitarismo. São Paulo: Companhia das Letras, 1989.
    (Nota: No Brasil, o volume que contém "A Origem do Antissemitismo Moderno" é publicado pela Companhia das Letras).
  • HERZL, Theodor. O Estado Judeu. Lisboa: Antígona, 2009.
    (Preferi esta edição de Portugal, por ser a mais atual e acessível no idioma).
  • MORRIS, Benny. The Birth of the Palestinian Refugee Problem, 1947–1949. Cambridge: Cambridge University Press, 1987.
    (Nota: Não existe edição portuguesa deste título específico. A obra do autor publicada no Brasil é "Um Estado, Dois Estados", pela Editora Sêfer que irei consultar para a segunda parte da introdução).
  • ROSS, Dennis. The Missing Peace: The Inside Story of the Fight for Middle East Peace. New York: Farrar, Straus and Giroux, 2004.
    (Nota: Permanece a edição original em inglês, pois não há tradução para o português no Brasil ou em Portugal até o momento).
  • YE'OR, Bat. The Dhimmi: Jews and Christians Under Islam. London: Fairleigh Dickinson University Press, 1985.
    (Nota: Obra sem tradução para o português; utiliza-se a referência internacional padrão).
Este artigo tem continuação na Parte II ainda a ser elaborada. Previsão entre uma a duas semanas.
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English Version

The Arab-Israeli Conflict: A Tragedy of Overlapping Layers (Part I)

By Filipe de Freitas Leal

It is a common misconception that the conflict in the Middle East began in 1948. However, an analytical examination of history reveals a millennia-old tragedy, where theological and political strata have overlapped to create the current impasse. To comprehend the present, one must excavate the past—from Rome to Modern Europe, and from Christian dogma to Islamic orthodoxy.

Sacred Soil – The Islamic Theological Dimension

Islam emerged in 622 CE (7th century) through the Prophet Muhammad, presenting a world-view that divides the globe into a binary structure: Dar al-Islam (the House of Islam), which is inseparable from the concept of Waqf (an inalienable sacred endowment), and Dar al-Harb (the House of War), representing the world yet to be converted or conquered. Consequently, within Islamic orthodoxy, the existence of Israel is perceived as a desecration or a sacrilege of soil that has been rendered sacred.

According to traditional doctrine, once a land has been integrated into Dar al-Islam, it must belong to that sphere in perpetuity. The establishment of a non-Muslim state on land that was governed by Islam for centuries—from the conquest by Umar in the 7th century, notwithstanding the interval of the Christian Kingdom of Jerusalem (later reconquered from the Crusaders on 2 October 1187 by the Muslim leader Saladin)—is viewed as an unacceptable regression. In the Qur'anic tradition, Jews and other "infidels", including Christians, were expected to live under the status of dhimmis (protected but subordinated minorities). These concepts form the religious foundation of the confrontation.

The European Roots of the Conflict – The Christian Dimension

Nevertheless, the modern problem has deep roots in Europe. Whilst the Islamic dimension presented the obstacle of sacred soil, the European Christian dimension was dominated by the dogma of Deicide. The Roman Empire initiated the forced Diaspora and the renaming of Judaea to Palestine. From the reign of Constantine onwards (who, notably, was not baptised at the time), the Christian religion was officialised. Subsequent councils initiated the institutional marginalisation of the Jews, most notably through "Replacement Theology" (Supersessionism). This doctrine posited that because the Jews had killed Jesus and failed to recognise him as the Messiah, they had ceased to be God’s chosen people in the Christian view. This element served as the fundamental basis for anti-Semitism in Christian Europe.

Over the centuries, this exclusion manifested in violent forms: mass expulsions (as seen in medieval England and France), the terror of the Inquisition in the Iberian Peninsula, and the bloody pogroms in Eastern Europe and Russia. Added to this pressure was the Jewish dimension itself—the resilience of the Jewish people in preserving their distinct identity, ethnicity, religion, and culture, which maintained them as a separate people, not only through scattered communities worldwide but also through the imposition of ghettos.

From Liberal Revolutions to Nationalism – The Political Dimension

With the rise of nation-states resulting from the liberal revolutions of the late 18th and early 19th centuries—the fruit of the French Revolution—Jews began to be perceived as the "alien element". Europe, in an endemic fashion, yearned to rid itself of its Jewish population. To fuel this animosity, propaganda tools emerged, such as The Protocols of the Elders of Zion, a forgery by the Tsarist secret police designed to blame Jews for social unrest. When the attempt at integration via the Haskalah (Jewish Enlightenment) failed in the face of this systemic anti-Semitism, Zionism was born. This movement of self-determination was, ultimately and tragically, validated by the Holocaust. This was the culmination of an exclusion that led to the creation of ghettos in Eastern Europe during the Nazi occupation, where hundreds of thousands—as in the case of Warsaw—were crowded into subhuman conditions of starvation and disease within areas of just 3 km², transforming historic neighbourhoods into antechambers for extermination. Thus, Zionism was not merely an ideology or an optional choice, but the sole recourse to a profoundly European problem, given its historical and geographical origins.

The Testimony of Stone – The Documentary Dimension of Historical Facts

The image illustrating this reflection is that of the Arch of Titus in Rome. It serves as a historical testimony to the Roman-Jewish War. There, etched in stone, lies the proof that the past of two thousand years ago has never ceased to be present in the modern day.

It remains for me to state that I possess neither the competence to resolve the conflict nor the pretension to take sides as if it were a game. Rather, I am driven by a desire for peace and an effort to understand the roots of this confrontation. I seek to ground my perspective in concrete historical data rather than ideological narratives that ignore factual truth.

Consulted Bibliography

To provide academic rigour and references to this study, the following seminal works were consulted:

BENSOUSSAN, George. As Origens do Conflito Israelo-Árabe (1870-1950). Lisbon: Editora Guerra & Paz, 2009. (The Portuguese edition was preferred due to its accessibility over the original French).

ARENDT, Hannah. The Origins of Totalitarianism: Antisemitism, Imperialism, Totalitarianism. New York: Harcourt, Brace & Co., 1951. (Note: In Brazil, the volume containing "The Origins of Modern Antisemitism" is published by Companhia das Letras).

HERZL, Theodor. The Jewish State (Der Judenstaat). 1896. (The 2009 Portuguese edition by Antígona, Lisbon, was utilised for this study).

MORRIS, Benny. The Birth of the Palestinian Refugee Problem, 1947–1949. Cambridge: Cambridge University Press, 1987. (Note: No Portuguese edition of this specific title exists; the author's work One State, Two States is available via Editora Sêfer).

ROSS, Dennis. The Missing Peace: The Inside Story of the Fight for Middle East Peace. New York: Farrar, Straus and Giroux, 2004. (Original English edition consulted as no Portuguese translation is currently available).

YE'OR, Bat. The Dhimmi: Jews and Christians Under Islam. London: Fairleigh Dickinson University Press, 1985. (Consulted via the standard international reference).


This article continues in Part II, currently in preparation. Expected within one to two weeks.

Sobre o Autor | About the Author

PT Filipe de Freitas Leal nasceu em Lisboa (Portugal), em 1964, é licenciado em Serviço Social pelo ISCSP (Universidade de Lisboa) e pós-graduado em Políticas Públicas e Desigualdades Sociais pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. Na sua trajetória profissional, destaca-se o estágio em reinserção social de ex-reclusos e o apoio a famílias em situação de vulnerabilidade. No mundo digital, é blogger desde 2007, atuou como ilustrador, editor e autor, conta já com oito livros publicados em áreas distintas, que vão desde o Serviço Social, Poesia até à Ciência Política, escreve artigos sobre atualidade política e conflitos geopolíticos.

EN Filipe de Freitas Leal was born in Lisbon in 1964. He holds a degree in Social Work from ISCSP (University of Lisbon) and a postgraduate degree in Public Policy and Social Inequalities. He also attended a Master’s program in Sociology at the Faculty of Social Sciences and Humanities (Universidade Nova de Lisboa). His professional background includes social reintegration of former inmates and support for families in situations of social vulnerability. A blogger since 2007, he has acted as an illustrator and independent editor, with eight published books ranging from Social Work and Poetry to Political Science. He currently writes about political current affairs and geopolitical conflicts.


sábado, 19 de novembro de 2022

Qual é a "Verdadeira" História de Portugal?

O último livro de José Gomes Ferreira, levantou um coro de protestos dos historiadores, por relatar no livro factos que contradizem a historiografia oficial de Portugal, tal como se apresentam nos conteúdos programáticos dos manuais escolares. O jornalista que escreve sobre História, afirma que a história está mesmo muito mal contada, e que esta nova versão é a "Verdadeira História de Portugal".

Quanto à Descoberta do Brasil, sabe-se que terá havido uma descoberta oficial por Pedro Álvares Cabral, após uma navegação secreta para exploração da costa por parte de Duarte Pacheco Pereira. Isto já é falado há muito inclusive no Brasil, não é invenção de Gomes Ferreira.

Aliás, não duvido de que até fosse antes de Colombo, até porque corrobora o facto de o Rei de Portugal não querer financiar a expedição de Cristovão Colombo, porque muito provavelmente já teria tido conhecimento da existência do Novo Mundo. Outra ocorrência é o facto de Portugal ter exigido ao Papa Alexandre VI, a substituição do Tratado de Alcáçovas, por um novo tratado assinado em Tordesilhas, com uma nova e mais vantajosa linha divisória para oeste, onde então já Portugal obteria o direito de posse da terra que veio a ser o Brasil.
A questão aqui é a dificuldade de se ter provas desta teoria, não o argumento em si, ou a probabilidade de ter ocorrido.
Mas de facto, sempre houve, quer por motivos políticos, quer por razões de Estado, uma historiografia mantida como oficial, e mantidas em segredo as ocorrências dos jogos e dos movimentos nos bastidores.
Todavia, não creio que se deve sair por aí a reescrever a história, porque essa é uma nova tendência, com objetivos também políticos e ideológicos
A História é uma ciência e tem que ser preservada da manipulação e instrumentalização dos interesses de grupos terceiros, muito ao gosto dos ditadores e dos manipuladores de opinião.
Quanto ao texto de José Gomes Ferreira, creio que é inócuo, no sentido de não diminuir nem denegrir em nada a verdade Histórica e o engenho dos nossos dirigentes e navegadores.
Por último, creio que esta reportagem no semanário "Visão", acaba por ser uma publicidade às avessas, e José Gomes Ferreira, vai acabar por vender imensos livros.

Autor Filipe de Freitas Leal


Sobre o Autor

Filipe de Freitas Leal nasceu em Lisboa, em 1964, é licenciado em Serviço Social pelo Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas da Universidade de Lisboa, com Pós-graduação em Políticas Públicas e Desigualdades Sociais, frequentou o Mestrado de Sociologia na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. Estagiou com reinserção social de ex-reclusos e o apoio a famílias em vulnerabilidade social. É Bloguer desde 2007, tem publicados oito livros de temas muito diversos, desde a Poesia até à Política.

terça-feira, 15 de setembro de 2020

A Nacionalidade Portuguesa no Brasil Colónia

Durante o período colonial no Brasil, todos os cidadãos tinham a nacionalidade portuguesa, na sociedade brasileira de então, os cidadãos dividiam-se em portugueses reinóis e os portugueses brasileiros, os primeiros eram nascidos na Metrópole (eram portugueses do Reino de Portugal) os segundos eram nascidos na colónia, ou seja a extensão do território português do Brasil.

Um dos grandes cidadãos portugueses nascido no Brasil, foi José Bonifácio de Andrade e Silva, foi um Pensador Livre, um Maçon, que chegou a ser Ministro do Reino, mais tarde viria a ser o Patrono da Independência do Brasil. Mesmo depois da independência a 7 de setembro de 1822, no Brasil surgiram dois partidos políticos, o Partido Brasileiro que defendia a soberania e o rompimento dos laços, e o Partido Português que pretendia reatar os laços com Portugal, desde que se mantivesse o Estatudo de Reino Unido, mesmo vencendo o primeiro partido, o Brasil continuou ligado a Portugal por laços sanguíneos, parentes de ambos os lados, e por herança cultural por um longo período. 

Autor: Filipe de Freitas Leal

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Sobre o Autor

Filipe de Freitas Leal nasceu em Lisboa, em 1964, estudou Serviço Social pelo Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas da Universidade de Lisboa. Estagiou como Técnico de Intervenção Social numa Instituição vocacionada à reinserção social de ex-reclusos e apoio a famílias em vulnerabilidade social, é blogger desde 2007, de cariz humanista, também dedica-se a outros blogs de temas diversos.


sábado, 3 de fevereiro de 2018

Quando a História é um Instrumento Ideológico

Quando utilizam a colonização portuguesa e espanhola para justificar o atraso socioeconómico e político em que a América Latina se encontra, está-se a julgar levianamente e a esquecer de que o poder há 500 anos, emanava do Papado instalado nos Estados Pontifícios e do catolicismo como modelo civilizacional, que exerceu, e ainda hoje exerce uma grande influência na cultura dos povos ibero-americanos.

Portugal e Espanha outrora estavam no topo das potências mundiais, chegaram a dividir o Mundo pelo tratado de Tordesilhas, obviamente com a bênção papal.


Os dois países ibéricos, mais tarde decaíram politicamente, quando os países do norte da Europa se rebelaram contra o Vaticano e aderiram à Reforma Protestante iniciada por Martinho Lutero, o que permitiu aos países dito protestantes tornarem-se potencias desenvolvidas.


Todos os países do sul da Europa, fiéis a Roma e que se mantiveram maioritariamente católicos (e por extensão as suas colónias) comprometeram o seu desenvolvimento socioeconómico, cultural e político.


Portanto, a respostas às questões da Histórica, têm de se buscar nas causas menos visíveis, porque não se pode julgar o passado com os olhos e a mentalidade do presente, pois isso será fazer pouco caso da história.


Eu escrevi este post, não para a divergência pura e simples, mas para contribuir para desmistificar mitos que se criaram e propagaram no discurso político sobre a história do Brasil, por vezes intencional, e ainda, para combater frases feitas e julgamentos demasiadamente fáceis.


É fácil demais acusar levianamente o passado anterior a 1822, no que concerne aos problemas do presente, se assim é, a proposta politica de hoje só pode ser a inanição total.


Ou seja, se a culpa dos meus problemas de hoje é a consequência dos erros dos meus avós, o que me restará então fazer? Nada, logo, isto aponta que o problema é na verdade FILOSÓFICO, ou seja, é uma questão de Lógica.


Autor: Filipe de Freitas Leal


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Sobre o Autor

Filipe de Freitas Leal nasceu em Lisboa, em 1964, estudou Serviço Social pelo Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas da Universidade de Lisboa. Estagiou como Técnico de Intervenção Social numa Instituição vocacionada à reinserção social de ex-reclusos e apoio a famílias em vulnerabilidade social, é blogger desde 2007, de cariz humanista, também dedica-se a outros blogs de temas diversos.

sexta-feira, 6 de maio de 2016

Marcas de Um Tempo de Revoluções

A geração à qual eu pertenço, sofreu o impacto não de uma revolução, mas de três revoluções, uma revolução politica, uma revolução tecnológica e uma revolução cultural, fruto da sociedade da informação, e como consequência temos hoje Um admirável mundo novo", como diria Aldous Huxley, ou ainda entramos definitivamente na "A Era da Incerteza" de John Kenneth Galbraith. A realidade é que essas vagas de mudança como diria Alvin Toffler, não mudaram apenas o mundo, mudaram tudo à nossa volta, de forma drastica e em pouco tempo.
Não são os cabelos brancos que nos dizem que estamos velhos, é o tempo, a saudade, as mudanças à nossa volta e as memórias de coisas que nos ajudaram a ser quem somos e que já não voltam.
Vimos pois cair uma após outra as ditaduras, foi o fim do colonialismo, a queda do Muro de Berlim e o fim do comunismo e da guerra fria, foi também o inicio da globalização e o apogeu da internet e dos novos meios de comunicação, tudo isto à mistura num curto espaço de tempo, mudou drasticamente o modo como se pensa, vê e atua num mundo em constantes e aceleradas mudanças e de novos desafios e incertezas.
Para trás, ficou o jogo da carica, a TV a preto e branco, os velhos elétricos, algumas farmácias com "Ph", ficou também o livro de leitura que tínhamos na escola, e que passava de irmão para irmão; o berlinde e o pião, os carrinhos de rodas, a mercearia, a taberna da rua, os paralelepípedos, os autocarros de dois andares, o Diário de Lisboa com o cheiro dos jornais acabados de imprimir e que nos sujavam as mãos, para trás ficou a saudade, de tempos em que domingos pareciam dias de descanso, onde tudo estava verdadeiramente fechado como se tivesse parado o tempo.
Mas não escrevo estas linhas apenas para vos falar de saudades, mas acima de tudo para vos dar um testemunho da História do tempo que vivi.
Autor Filipe de Freitas Leal


Sobre o Autor

Filipe de Freitas Leal nasceu em Lisboa, em 1964, estudou Serviço Social pelo Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas da Universidade de Lisboa. Estagiou como Técnico de Intervenção Social numa Instituição vocacionada à reinserção social de ex-reclusos e apoio a famílias em vulnerabilidade social, é blogger desde 2007, de cariz humanista, também dedica-se a outros blogs de temas diversos.

domingo, 26 de outubro de 2014

Hemisférios Alternam Horários

Horário de Inverno atras-se em uma hora os ponteiros.
Os Horários de Inverno e Verão, alternaram-se, no dia 26 de outubro, pelas 2h00; hora em que os ponteiros do relógio foram movidos para a 1h00 da madrugada, reduzindo assim em uma hora no hemisfério norte, tendo já ocorrido a alteração com a adição de uma hora no hemisfério sul (onde agora é verão) facto que ocorreu na semana anterior, e a essa  mudança de horários, traduz-se no facto de que os hemisférios norte e sul, passarem a ter apenas duas horas de diferença como é o caso da diferença horária entre Portugal e o Brasil, o que é uma aproximação pelo tempo e um ganho, isso notar-se-á nas comunicações via telefone e Internet, que são feitas nos dois sentidos, bem como nas viagens onde os passageiros não sentirão a tão grave diferença horária.


Do ponto de vista histórico o que existe não é uma mudança no horário de inverno, mas sim no horário de verão, pois a mudança deu-se precisamente no verão, com o intuito de se economizar energia elétrica num período em que os dias são mais longos que as noites, o horário de inverno é a consequência de se voltar ao horário solar, ou seja tornar à hora normal, comummente associado à posição do Sol e os movimentos da Terra, desvios esses que geram as diferentes e alternadas estações do ano nos hemisférios.


Aproveitar para pôr em dia a leitura
Qualquer das formas não são todos os países que adotam o horário de verão, a medida favorece mais os países que se encontram longe da linha do Equador, na Austrália por exemplo só os estados do sul é que adotam esta medida, que aliás idealizada pelo Presidente dos Estados Unidos da América, Benjamin Franklin em 1874, mas só foi aplicada pela primeiras vez com caráter oficial pela Alemanha em 1916. Bem com este novo horário ganhamos mais uma hora no hemisfério norte, o que dá para pôr em dia as leituras.

Por Filipe de Freitas Leal

Sobre o Autor                                                                           
Filipe de Freitas Leal é Licenciado em Serviço Social pelo Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas da Universidade de Lisboa. É estagiário como Técnico de Intervenção Social numa ONG, vocacionada à reinserção social de ex-reclusos e apoio a famílias em vulnerabilidade social, Blogger desde 2007, com o ideal de cariz Humanista, além disso dedica-se a outros blogs de cariz filosófico e poesia.

quarta-feira, 11 de junho de 2014

História Geral

História é uma palavra que deriva do grego, e significa 'pesquisa', e de facto trata-se de uma pesquisa no passado para que possamos compreender o presente e planear o futuro.
A história tem sido uma ciência aliada dos grandes humanistas, estadistas e estudiosos, na medida em que ao descobrir-se a causa, pode-se compreender o efeito do fenómeno social ao longo do tempo e situado no espaço.

No entanto falar de História não é falar apenas, há todo um complexo método científico, cujas ferramentas documentais, são também ciências afins que nascem da história e que a servem como braço direito, estou a falar da Hermenêutica e da Heurística, que verificam por sua vez a veracidade e o significado dos documentos  a fim de classifica-los e categoriza-los de modo a que possam testemunhar a História.

Da Pré-História à Antiguidade Clássica, desta à Idade Média, assando pelo Renascença, a História vem desaguar por assim dizer, na mais nova fase surgida com no campo político com a Revolução Francesa em 1789 e no campo social com a Revolução Industrial surgida no Reino Unido, ambas as Revoluções, somando-se a Independência dos Estados Unidos e das revoluções liberais que se alastraram pela Europa, mudaram o mundo para sempre.

Hoje em dia, estamos numa terceira vaga, como afirma Alvin Toffler nos seus livros "Choque do futuro" e a "Terceira vaga", vaga essa que já não é a sociedade agrícola, já não é a sociedade industrial, mas sim a Sociedade da Informação, surgida no pós-guerra.

Mas vejamos isto e muito mais nos livros que vos deixo aqui, para lerem ou para baixarem, bons estudos e boas leituras.

Hiperligações:
História Geral - Download - Aqui
História de Portugal - Download - Aqui
História dos Hebreus - Flávio Josefo - Download - Aqui


Autor Filipe de Freitas Leal


Sobre o Autor

Filipe de Freitas Leal nasceu em Lisboa, em 1964, estudou Serviço Social pelo Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas da Universidade de Lisboa. Estagiou como Técnico de Intervenção Social numa Instituição vocacionada à reinserção social de ex-reclusos e apoio a famílias em vulnerabilidade social, é blogger desde 2007, de cariz humanista, também dedica-se a outros blogs de temas diversos.

segunda-feira, 29 de abril de 2013

1º de Maio - Dia dos Trabalhadores

O dia 1º de Maio, como "Dia Internacional dos Trabalhadores" tem a sua origem nos EUA Estados Unidos da América, num movimento reivindicativo saíram à rua mais de 500 mil pessoas precisamente no dia 1 de maio de 1886, em que pretendiam a jornada de 8 horas de trabalho por dia, condições mais humanas. Essa passeata foi esmagada violentamente pela policia de Chicago, dispersando a manifestação deixando no entanto um saldo enorme de feridos e perto de duas dezenas de operários mortos.
No dia 4 de maio de 1886 os operários indignados com tamanha repressão policial e exploração capitalista, voltaram às ruas, 8 lideres sindicais foram presos, 4 executados e outros três condenados a prisão perpétua.
A repressão que se viu nas ruas de Chicago contra os operários indignou o mundo inteiro, tanto que em 1888, as pressões internacionais fizeram com que a Justiça Estadunidense anulasse a condenação e libertasse os 3 prisioneiros.
Em 1889 o Congresso Internacional Operário, decretou em Paris, que o dia 1 de maio seria doravante o Dia Internacional dos Trabalhadores em homenagem aos operários mártires de Chicago. Curiosamente os EUA ainda hoje não celebram este dia.

Desde a restauração da democracia em Portugal, que se celebra a 1º de maio, o Dia dos Trabalhadores, ou mais comummente Dia Internacional dos Trabalhadores, que é comemorado em vários países em todo o globo, tal como Portugal, que só começou a comemorar livremente este dia após o 25 de Abril, o mesmo passou a acontecer com outros países que conquistaram a sua democracia.
Em Portugal no ano de 1974, celebrou-se pela primeira vez, o Dia dos Trabalhadores em Liberdade, com uma festa contagiante por todo o país, não se via o povo português assim à mais de 40 anos, o Culminar da Festa foi no Estádio do FNAT Fundação Nacional para a Alegria no Trabalho, que foi rebatizado de Estádio 1º de Maio, onde estiveram presentes à altura Álvaro Cunhal do PCP, Mário Soares do PS(ASP) e Francisco Pereira de Moura do MDP(CDE), bem como a presença de lideres do movimento das Forças Armadas e líderes sindicais como a CGTP-IN Confederação Geral dos Trabalhadores Portugueses - Intersindical Nacional (fundada em 1970) e da UGT União Geral dos Trabalhadores (Fundada em 1978 de uma cisão da CGTP).

Autor: Filipe de Freitas Leal (Este artigo foi originalmente escrito em 30/04/2012)




Este artigo respeita as normas do Novo Acordo Ortográfico
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Sobre o Autor

 - Nasceu em 1964 em Lisboa, é estagiário em Serviço Social, numa ONG, tendo se licenciado pelo Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas da Universidade de Lisboa - ISCSP/UL, Fundou este blog em 2007, para o debate de ideias e a defesa do ideal humanista, edita ainda outros blogs, desde filosofia à teologia e apoio autodidático. (ver o Perfil)

quarta-feira, 24 de abril de 2013

25 de Abril de 1974 - A Revolução dos Cravos

Foi em 1974, que ocorreu o acontecimento que mudou o rumo de Portugal, que acabou com o Império Colonial e lançou as bases para o desenvolvimento, da democracia, da descolonização e do progresso socio-económico, enfim criaram-se as condições de um país que queria abrir-se ao Mundo num abraço fraterno, solidário e livre.
É ainda hoje discutível se esses objetivos poderiam ou não ter sido alcançados sem um golpe de estado, cujas consequências posteriores, advindas de uma descolonização mal feita, que afetou muitos portugueses, que viviam então na África portuguesa, ou por outras palavras, os historiadores procuram hoje, saber se o que causou o 25 de Abril foi o falhanço da Primavera Marcellista e o continuar de uma guerra colonial, que se acredita, só poderia ter tido uma solução politica e não militar como propunha o General António de Spínola no seu livro "Portugal e o Futuro" editado em fevereiro de 1974.
O 25 de Abril é o nome dado à Revolução dos Cravos, um movimento militar que com um Golpe de Estado, derrubou em menos de 24 horas um Regime de Cariz Fascista que durou 48 anos, sendo que desses, 4 anos foram em Regime Militar, 38 sob o governo de António de Oliveira Salazar, que após a doença fora afastado em 1968 e substituído por Marcello Caetano, que veio a ser deposto com a revolução e exilado no Brasil, onde veio a falecer em 1980.
Na madrugada de 25 de Abril, a música "E Depois do Adeus" de Paulo de Carvalho, é transmitida pelos "Emissores Associados de Lisboa" e é a primeira senha da Revolução, indicando a saída das tropas para culminar no movimento dos Capitães de Abril, por outro lado a segunda senha confirmava a Revolução,  era a música "Grândola Vila Morena" de Zeca Afonso, que fora transmitida dos estúdios da Rádio Renascença, ocupada pelos militares.
O comando do golpe estava situado na Pontinha em Lisboa, e sob a direção de Otelo Saraiva de Carvalho, enquanto as operações nas ruas de Lisboa foram dirigidas por outro importante líder o capitão da Infantaria de Santarém, Salgueiro Maia, que avançando sobre Lisboa tem a missão de ocupar o Terreiro do Paço e o Quartel do Carmo onde se refugiara o Presidente do Conselho. A História fez deste último, um exemplo de abnegada missão em prol do seu país, um homem que viu nessa revolução a sua missão de libertação do País sem querer para si protagonismo ou honras, voltou humilde aos quartéis, tendo morrido ainda novo, pobre e esquecido pelo país que ajudou a libertar, chegou a ver-lhe negada durante o governo de Cavaco Silva, uma pensão que solicitara por motivos de doença.
O reconhecimento pelos seus préstimos ao país e à sua missão libertadora, resume-se a uma singela lápide no chão do Largo do Carmo, lugar onde se consumou a abertura de Portugal à liberdade de pensamento, expressão e associação política para todos os portugueses.
Abril é um espírito que influenciou outros povos no mundo, o Brasil vivia num regime militar desde 1964, e Chico Buarque de Holanda, compôs uma música para homenagear a Revolução dos Cravos, com o titulo "Tanto Mar"; O Chile vivia na ditadura de Pinochet, que tinha derrubado o socialista Salvador Allende em 1973 a 11 de setembro, o 25 de Abril foi um exemplo para o mundo de uma revolução sem sangue, sem vingança e ódios, mas acima de tudo libertou Portugal e os portugueses, permitindo que todos os quadrantes políticos se organizassem livremente, da esquerda à direita, como os socialistas do PS de Mário Soares, dos comunistas do PCP de Álvaro Cunhal, passando pelo MDP/CDE Movimento Democrático Português de Francisco Pereira de Moura, o PPD Partido Popular Democrático de Sá Carneiro ou ainda o CDS Centro Democrático Social de Freitas do Amaral, correntes políticas que participaram no dia 25 de Abril de 1975 na primeira eleição livre para a Assembleia Constituinte, que fez nascer a constituição de 1976. Tendo sido consagrados o PS e o PPD como as principais forças políticas da democracia portuguesa. Panorama que se mantêm ainda hoje.
Mas também foi o reconhecimento do direito à Auto-determinação dos povos africanos sob administração portuguesa, como Angola, Guiné-Bissau, Cabo Verde, Moçambique e São Tomé e Príncipe, embora o programa da descolonização tenha sido mal conduzido o que gerou graves injustiças e conduziu à Guerra Civil as força politicas em Angola, tendo ainda permitido que todos os países de língua oficial portuguesa caíssem numa ditadura comunista.
Passados estes anos todos, muito se dissipou do espírito de abril, pondo de parte os exageros do verão quente de 1975 durante o governo de Vasco Gonçalves, esquecendo também a febre esquerdista, e do radicalismo ideológico desse tempo, (normal e compreensível para um povo que viveu quase 50 anos em regime de ditadura) foram muitas no entanto as conquista politicas, sociais e culturais do 25 de abril, no que toca aos direitos humanos, à justiça social, à educação, à saúde entre outros aspetos.
No entanto, os novos paradigmas vindos da globalização, da influência cada vez maior da economia, sobre a política e a sociedade, especialmente das grandes empresas multinacionais, que põe por terra as boas intenções políticas de qualquer governo.
Hoje os tempos são outros, e são outros os desafios, o que abril derrubou e o que abril conquistou já está ultrapassado, novas lutas surgem, novos problemas se levantam contra as populações, problemas como a nova exclusão social e de integração, novos problemas de habitação, novos tipos de desemprego, sobretudo de licenciados que emigram, problemas humanitários, ecológicos, enfim não é só a liberdade que conta, mas a qualidade de vida das populações, o projeto para as gerações futuras, a sustentabilidade social e económica do país e das suas gentes, bem como a sustentabilidade do mundo, das economias e dos povos nos regimes ditos democráticos esse sim é o desafio, por outras palavra o desafio hoje, e o que o espírito de abril hoje nos diz e pede é claramente uma visão Humanista.




Autor Filipe de Freitas Leal

Sobre o Autor

Filipe de Freitas Leal nasceu em Lisboa, em 1964, estudou Serviço Social pelo Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas da Universidade de Lisboa. Estagiou como Técnico de Intervenção Social numa Instituição vocacionada à reinserção social de ex-reclusos e apoio a famílias em vulnerabilidade social, é blogger desde 2007, de cariz humanista, também dedica-se a outros blogs de temas diversos.

 
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