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terça-feira, 16 de junho de 2026

Acordo EUA e Irão - Estratégia ou Traição?


Aparentemente, os EUA mudaram sua postura com Israel e fecharam um acordo com o Irão. Essa decisão promete o fim das lutas e a abertura do Estreito de Ormuz. Enquanto Washington chama a mudança de pragmatismo, Jerusalém fala em traição e Teerão comemora uma vitória.

Contudo, ainda não há vencedores reais. O regime dos aiatolás continua de pé. Israel não venceu a guerra e ficou isolado diante de um perigo que continua vivo, e por fim os EUA conseguem um acordo para salvar a face e algo mais.
Mas será que as coisas mudaram tanto assim da noite para o dia? Há motivos para acreditar que esse isolamento de Israel não é um erro e nem uma traição, mas sim uma escolha estratégica. Existe uma clara jogada política, económica e militar por trás disso.
1. Estratégia Política
O presidente Donald Trump não pode se reeleger, no entanto, precisa que seu partido vença as próximas eleições intercalares para manter a maioria no Congresso e o Senado. Do mesmo modo, em Israel Benjamin Netanyahu quer garantir a sua continuidade no poder. O isolamento pode unir o povo de Israel contra um inimigo comum. Diante de uma luta pela sobrevivência, Netanyahu pode voltar a ser visto pelos cidadãos como a única opção segura.
2. Estratégia Económica
O plano principal é evitar que a crise piore e cause um colapso financeiro a nível mundial. Reabrir as rotas de comércio ajuda a travar o aumento da inflação e do desemprego, protegendo a economia global e, principalmente, a estadunidense.
3. Estratégia Militar
Ao deixar Israel isolado, o governo e as IDF ganham espaço de manobra para se defender sem colocar os soldados dos EUA no meio do conflito e sem trazer complicações diplomáticas para Washington. Além disso, a situação serve como um teste. O mundo verá até onde o Irão está disposto a cumprir o acordo, ou até onde é capaz de ir para além de vingar-se, cumprir a sua promessa ideológica e escatológica destruição de Israel.
O Verdadeiro Desafio
Fazer uma guerra sem fim contra o Irão não trará resultados definitivos. O verdadeiro desafio agora é outro. O futuro da região depende de descobrir quem, dentro do próprio governo iraniano, está pronto para mudar o regime por dentro. Além disto tudo, a capacidade militar do Irão por hora está reduzida, o Hamas está destruido, o Hezbollá no Libano está isolado desde o acordo de Israel com o governo libanês, os houties no Iemen, foram atacados e estão enfraquecidos, não é uma vitória para Israel, mas com o enfraquecimento do Eixo da Resistência é um bom recomeço.
English Version

US-Iran Agreement - Strategy or Treason?

The Strategic Shift in the Middle East

by Filipe de Freitas Leal

Apparently, the US has shifted its stance toward Israel and struck a deal with Iran. This decision promises an end to the fighting and the reopening of the Strait of Hormuz. While Washington calls this move pragmatism, Jerusalem decries it as a betrayal, and Tehran celebrates a victory.

However, there are no real winners yet. The ayatollah regime remains standing. Israel did not win the war and finds itself isolated in the face of a danger that remains very much alive. Finally, the US secures a deal to save face and perhaps a bit more.

But have things really changed so drastically overnight? There is reason to believe that Israel's isolation is neither a mistake nor a betrayal, but rather a strategic choice. There is a clear political, economic, and military play behind it.

1. Political Strategy

President Donald Trump cannot run for reelection; however, he needs his party to win the upcoming midterm elections to maintain the majority in the House and the Senate. Similarly, in Israel, Benjamin Netanyahu wants to ensure his political survival. This isolation could unite the people of Israel against a common enemy. Faced with a fight for survival, Netanyahu could once again be seen by citizens as the only safe option.

2. Economic Strategy

The primary plan is to prevent the crisis from worsening and triggering a global financial collapse. Reopening trade routes helps curb rising inflation and unemployment, thereby protecting the global economy and, most importantly, the American economy.

3. Military Strategy

By leaving Israel isolated, the government and the IDF gain room to maneuver to defend themselves without putting US soldiers in the middle of the conflict and without bringing diplomatic complications to Washington. In addition, this situation serves as a test. The world will see how far Iran is willing to go to comply with the agreement, or how far it is capable of going beyond seeking revenge to fulfill its ideological and eschatological promise of destroying Israel.

The Real Challenge

Waging an endless war against Iran will not yield definitive results. The real challenge now lies elsewhere. The future of the region depends on identifying who, within the Iranian government itself, is ready to change the regime from within.

On top of all this, Iran's military capacity is currently reduced, Hamas is destroyed, Hezbollah in Lebanon is isolated following Israel's agreement with the Lebanese government, and the Houthis in Yemen have been attacked and weakened. While this is not an outright victory for Israel, the weakening of the Axis of Resistance offers a solid fresh start.


Sobre o Autor | About the Author

PT Filipe de Freitas Leal nasceu em Lisboa, em 1964. Com uma trajetória marcada pela vivência cultural e profissional entre Portugal e o Brasil, desenvolveu um olhar plural e sensível sobre as dinâmicas sociais e históricas. É licenciado em Serviço Social pelo Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas (ISCSP) da Universidade de Lisboa e pós-graduado em Políticas Públicas e Desigualdades Sociais pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas (FCSH/UNL). Pesquisador independente e estudioso autodidata do idioma hebraico, dedica-se há quase duas décadas à produção de conteúdo de cariz humanista, sendo o criador dos espaços digitais Etcetera e Conhecer o Judaísmo. Autor de diversas obras que transitam pela ciência política, poesia e espiritualidade, Filipe alia o rigor da investigação documental a uma profunda empatia analítica, oferecendo reflexões que fogem de julgamentos fáceis e priorizam a compreensão histórica.

EN Filipe de Freitas Leal was born in Lisbon in 1964. With a career marked by cultural and professional experiences between Portugal and Brazil, he developed a plural and sensitive gaze on social and historical dynamics. He holds a bachelor's degree in Social Work from the Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas (ISCSP), Universidade de Lisboa, and a postgraduate degree in Public Policy and Social Inequalities from the Faculdade de Ciências Sociais e Humanas (FCSH/UNL). An independent researcher and self-taught scholar of the Hebrew language, he has dedicated himself for nearly two decades to producing humanist content, being the creator of the digital spaces Etcetera and Conhecer o Judaísmo. Author of several works spanning political science, poetry, and spirituality, Filipe combines the rigor of documentary research with a deep analytical empathy, offering reflections that avoid easy judgments and prioritize historical understanding.


sábado, 19 de outubro de 2024

Israel - O Crescimento da Extrema Direita





Se preferir pode ouvir o artigo.

É imperativo que se diga que, se por um lado o problema Israelo-árabe é causado pela agressão e a insistente recusa dos árabes da Palestina em reconhecer o Estado de Israel, o que levou à Guerra da Independência em 1948; Por outro lado, o problema também é causado ou agravado pelo radicalismo do sionismo religioso e a política de expansão dos colonatos. Há que lembrar que Ygal Amir, um colono ultra-radical que em 1995 assassinou o então Primeiro Ministro de Israel Ytzhak Rabin, era da mesma corrente política e ideológica de Meir Kahane, um judeu fanático, um sionista extremista que defendia ideias de supremacia racial e expancionismo. Essas mesmas ideias fascistas, são as que defendem os atuais ministros da Direita Radical Itamar Ben-Gvir, ministro da Defesa e líder do Partido Nacional Religioso e de Bezalel Smotrich, ministro das finanças e líder do Partido Poder Judaico, pequenos partidos de Extrema-Direita, que em troca de apoio a Benyamin Netanyahu do Partido Likud (consolidação), acabam por impor a sua agenda extremista, como a tentativa de reforma da Justiça e a expansão de colonatos.

É de mau augúrio para Israel que se escolha o caminho do radicalismo, porque não podemos confundir terroristas com civis palestinianos, uma coisa é a guerra de legítima defesa das FDI (Tzahal) contra o terrorismo do Hamas, do Hezbollah ou do Regime Terrorista e teocrático do Irão, outra coisa totalmente diferentes é o ataque contra civis palestinianos por colonos. É prejudicial para todos e mancha a imagem de Israel.

E só para finalizar o raciocínio, resta-me dizer duas coisas; a primeira é que todo e qualquer conflito não se resolve apenas no campo do combate militar, a solução é sempre política e isso passa obviamente pela solução dos dois Estados. Caso contrário voltaremos sempre ao início deste ciclo vicioso, e a segunda é que foi precisamente a fuga dos regimes nazi-fascistas e dos ideais supremacistas e antissemitas, que impulsionou a fuga dos judeus para a Terra Santa, antes, durante e após a II Grande Guerra, e que viria a culminar na criação do Estado de Israel, um lar seguro para a nação israelita. Portanto os ideais de Extrema-Direita não são concordantes com a natureza da religião judaica, os valores da Torá e nem sequer com os princípios do verdadeiro Sionismo que é democrático e plural.

Autor Filipe de Freitas Leal

Sobre o Autor

Filipe de Freitas Leal nasceu em Lisboa, em 1964, é licenciado em Serviço Social pelo Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas da Universidade de Lisboa, com Pós-graduação em Políticas Públicas e Desigualdades Sociais, frequentou o Mestrado de Sociologia na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. Estagiou com reinserção social de ex-reclusos e o apoio a famílias em vulnerabilidade social. É Bloguer desde 2007, tem publicados oito livros de temas muito diversos, desde a Poesia até à Política.

terça-feira, 23 de janeiro de 2024

O Bluff de Netanyahu pelos Acordos de Abraão


Netanyahu ao recusar a solução dos dois Estados, na verdade poderá estar a fazer bluff, não é uma certeza, mas faz sentido, caso se verifique, pois poderá ser uma mera estratégia política, na medida em que pretende obter garantias de reconhecimento e segurança para o Estado de Israel perante os países árabes sunitas e assim, isolar e enfraquecer a posição do Irão e dos seus proxys como o Hamas e o Hezbollah. E obtidas as garantias de paz e reconhecimento político, aceitará a criação de um Estado Palestiniano desmilitarizado e livre do Terrorismo.

O tempo não tardará a dizer se estou certo ou errado.
Aliás, a proposta de Israel de oferecer um cessar-fogo de dois meses em troca da libertação dos reféns, que foi recusada pelo Hamas, mostra ao mundo quem está a ter má vontade política neste conflito.

Autor Filipe de Freitas Leal

Sobre o Autor

Filipe de Freitas Leal nasceu em Lisboa, em 1964, é licenciado em Serviço Social pelo Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas da Universidade de Lisboa, com Pós-graduação em Políticas Públicas e Desigualdades Sociais, frequentou o Mestrado de Sociologia na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. Estagiou com reinserção social de ex-reclusos e o apoio a famílias em vulnerabilidade social. É Bloguer desde 2007, tem publicados oito livros de temas muito diversos, desde a Poesia até à Política.

sexta-feira, 2 de outubro de 2015

Netanyahu Denuncia com Silêncio os Erros da ONU

Benyamin Netanyahu, impressionou os assistentes no seu discurso durante a 70ª Assembleia das Nações Unidas, ao fazer silêncio durante 45 segundos, como forma de protesto contra o Acordo Nuclear entre o Irão e as potencias mundiais reunidas no G5+1, que são os cinco membros com assentos permanentes no CS Conselho de Segurança da ONU, (Estados Unidos, Rússia, China, França, Reino Unido e Alemanha) e o Irão, que chegaram a acordo no dia 13 de julho de 2015.
O Acordo Nuclear com o Irão, revela-se como um ato de total ingenuidade política e de falta de lucidez da diplomacia estadunidense, mas também de todos os que com assento na ONU lhe deram aval.
Benyamin Netanyahu cobre-se totalmente de razão da cabeça aos pés, ao denunciar um silêncio sistemático e ensurdecedor dos países representados na ONU, face às ameaças iranianas ao Estado de Israel e ao seu povo, sem falar que as Nações Unidas, são o organismo que por sua vez, coloca ou retira determinados estados da lista de apoiantes do terrorismo consoante interesses geopolíticos, económicos ou meramente para seguir a batuta dos EUA.
As decisões diplomáticas estadunidenses e europeias, têm revelado nos últimos 30 anos, como sendo a principal causa dos principais conflitos,como por exemplo a Guerra Civil Síria e o surto de refugiados para a Europa.


Autor Filipe de Freitas Leal

Sobre o Autor

Filipe de Freitas Leal nasceu em Lisboa, em 1964, estudou Serviço Social pelo Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas da Universidade de Lisboa. Estagiou como Técnico de Intervenção Social numa Instituição vocacionada à reinserção social de ex-reclusos e apoio a famílias em vulnerabilidade social, é blogger desde 2007, de cariz humanista, também dedica-se a outros blogs de temas diversos.

terça-feira, 5 de agosto de 2014

Israel - Acordo de Cessar-fogo de 72 horas

Abriu-se uma hipótese para a paz, e para resgatar a imagem de Israel na política externa, sobretudo por razões que são também e acima de tudo de caráter mais humanitário que político.

Israel confirmou domingo à noite, o Acordo de cessar-fogo, de 72, acordado com o mediador do conflito, o Egito, e começa na terça feira pelas 5h00 (hora de Greenwitch), este cessar-fogo mais que uma oportunidade para ações humanitárias, é uma oportunidade de Israel por à prova o Hamas, face à reação que venha a tomar, e saber se será igual aos anteriores quatro cessar-fogo, visto ter o Hamas recusado os mesmos com o intuito de provocar a reação de Israel, e levar o conflito a um nível de irreversibilidade.

Esperemos e vejamos se a partir daqui, se poderá entrar em negociações com a Autoridade Palestiniana e o seu legitimo representante Mahmoud Abbas, para poder-se sentar à mesa das negociações, essa sim, será a batalha final que derrotará por completo o terrorismo extremista, e poderá permitir a Independência da Palestina bem como a Paz a Israel.

Por Filipe de Freitas Leal




Sobre o Autor



 - Nasceu em 1964 em Lisboa, é estagiário em Serviço Social, numa ONG, tendo se licenciado pelo Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas da Universidade de Lisboa - ISCSP/UL, Fundou este blog em 2007, para o debate de ideias e a defesa do ideal humanista, edita ainda outros blogs, desde filosofia à teologia e apoio autodidático. (ver o Perfil)

 
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