quinta-feira, 29 de janeiro de 2026

EUA X IRÀO - Guerra ou Pressão ?





   
Não faz sentido nenhum gerar uma enorme despesa militar e toda a aparatosa armada americana no Golfo, se fosse só para pressionar. Tudo de facto indica para uma Guerra, a meu ver, o Irão fez por merecer, está em guerra com Israel, o Ocidente e a civilização cristã há 47 anos, mas usa apenas os Proxies ou forças entrepostas como se nada tivesse a ver com o regime teocrático xiita e persecutório dos Ayiatholás. 

Os muitos ataques a Israel e os ataques a navios ocidentais no Mar Vermelho partiram das ordens de Teerão, o hediondo ataque de 07/10 em Israel foi orquestrado por ordem de Teerão e visava levar Israel a perder a cabeça. Nada foi por acaso e nem em vão na cabeça daquela gente fanática, capaz de matar o próprio povo para se manterem no poder, e fazem tudo isso em nome de Deus. Portanto Chega! O que eu acho é que a guerra vai trazer consequências que não sabemos bem quais serão.

O Esmagamento do Hamas e do Hezbollah eram condição sine qua non para pôr fim ao terrorismo. E o mundo árabe sabe que Israel não vai fazer as malas, entregar Jerusalém, Tel Aviv e o resto de Israel e ir-se embora. 

Daí a emergência dos acordos de Abraão. Aliás, na queda do Irão, quem mais sai a ganhar é a Arábia Saudita. A questão é que a Solução dos dois Estados tem que ser resolvida de facto, quer Netanyahu goste quer não, porque para o bem dos palestinianos e dos israelitas, é importante resolver esta questão. Que todavia, há que dizer, a bem da verdade, que nunca foi aceite pelos países e líderes árabes mais radicais, entre eles o Irão que defende a destruição do Estado de Israel e o extermínio dos judeus, daí a célebre frase "Palestina Livre do Rio até ao Mar".

Após o esmagamento do Hamas, do Hezbollah, da queda de Maduro e da asfixia do Iémen, a prioridade passa a ser derrubar o regime que financia o terrorismo, ou seja, a teocracia do Irão. Para mim, tudo isto faz parte de um plano de sobrevivência ou morte dos EUA e de Israel em maior grau, mas também do Ocidente, que pode permitir um maior equilíbrio e estabilidade no Médio Oriente.

Mas esta guerra pode ser o estopim para um conflito maior, oxalá não seja, mas tem potencial para isso. E ainda por arrastão, irá antecipar a grande crise económica que será parecida com a crise de 1929, que aliás fará com que os ricos fiquem ainda mais ricos e os pobres mais pobres.

Mas há outro fator, é que a queda do Irão, asfixia em parte a Rússia, que é fomentada por armas e pelos drones iranianos na Guerra contra a Ucrânia. E é aqui que a porca torce o rabo, o que fará a China e como reagirá a Rússia, vão ficar a ver quietinhos a estratégia geopolítica dos EUA e Israel ou vão intervir? E se sim, como?

Creio que a China ganha em manter o Soft power, o objetivo deles é preciso, certeiro e infalível, o domínio econômico, e vão conseguir. A Rússia é que pode se aventurar, ou talvez ceda num acordo de paz, desde que lhe concedam território. Não sei o que se irá passar. 

Enquanto isso, a Índia cresce economicamente seguindo os passos dos sábios chineses. A família Tata esfrega as mãos de contente com as escaramuças dos EUA e a derrocada da economia ocidental. Sim a crise será mundial, mas vai afetar os mercados "decadentes" muito mais do que os emergentes.

Resta uma palavra final de solidariedade e sentimento para o povo iraniano, homens e mulheres, corajosos e lutadores, de diferentes classes sociais e faixas etárias, que são hoje os mártires pela democracia e a libertação da sua patria. Fala-se em muitos milhares de mortos. Para dar apoio à insurreição popular a ONU e a UE declaram a Guarda Revolucionária do Irão como um grupo terrorista e genocida que massacra o próprio povo.

Autor Filipe de Freitas Leal

Sobre o Autor

Filipe de Freitas Leal nasceu em Lisboa, em 1964, é licenciado em Serviço Social pelo Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas da Universidade de Lisboa, com Pós-graduação em Políticas Públicas e Desigualdades Sociais, frequentou o Mestrado de Sociologia na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. Estagiou com reinserção social de ex-reclusos e o apoio a famílias em vulnerabilidade social. É Bloguer desde 2007, tem publicados oito livros de temas muito diversos, desde a Poesia até à Política.

terça-feira, 20 de janeiro de 2026

Eleições em Portugal: Seguro Vs. Ventura.


Gosto dos comentários de Miguel Morgado na SIC. Os comentadores de direita são mais livres nas suas opiniões do que os de Esquerda, devido a que estes últimos têm uma rigidez ideológica que não lhes permite uma opinião que possa ferir a ideologia marxista, ou meramente socialista. Há na esquerda, não apenas uma rigidez ideológica, mas também um policiamento da linguagem e das ideias dos seus membros, o chamado politicamente correto ou ainda o pensamento Woke.

É precisamente este tipo de rigidez ideológica, em defesa da ortodoxia, (algo próprio das religiões) que fez com que a Esquerda mais radical perdesse estas eleições de uma forma humilhante. A Esquerda parece que vive fora da realidade algo quase patológico.

E por fim, não é preciso ser de esquerda nem de direita para se defender a democracia, princípios e valores humanistas que de resto os democratas-cristãos há muito tempo têm, basta ver a Encíclica Rerum Novarum do Papa Leão XIII no fim do século XIX e que serviu de base à fundação da Democracia Cristã em Itália,

Não sei se Ventura será eleito. Penso que não, tal como o Miguel Morgado, que nesta luta uma grande parte dos eleitores da direita e centro-direita votarão no Seguro, o que não quer dizer que não seja uma luta renhida. Mas o discurso por vezes mono-temático e radical de André Ventura não é um discurso transversal. Não nos esqueçamos que os liberais  não se prendem por discursos mono-temáticos ou excessivamente radicais do ponto de vista ideológico, eles querem é pragmatismo estão-se nas tintas para leis de imigração desde que os imigrantes ganhem pouco e dêem lucro, para os Liberais a Pátria é a União Europeia, o Euro e a Bolsa de Valores. Discursos do ventura não dão lucro.

E os demais partidos são a grosso modo mais do mesmo, com um verniz socializante mas só mesmo de fachada. O próprio Seguro é um liberal.

Quanto ao Almirante Gouveia e Melo, creio que ele esperava ser o novo Ramalho Eanes, e obter como há 50 anos, o apoio das forças democráticas do PS, PSD e CDS, mas o PSD não teve coragem de apoiar a candidatura transversal como o Almirante pretendia, e sem apoios partidários o discurso de Gouveia e Melo foi fraco, periclitante, vazio, porque tentou não se comprometer demasiado e quis agradar a gregos e troianos. E assim o PSD mereceu esta derrota ( para aprender a dar a palavra às bases) E com esta derrota, Montenegro colocou a sua imagem e o próprio PSD em perigo, e até pode ser substituído pelo Chega e a IL nas próximas eleições.

O Almirante naufragou numas eleições em que não serviu para ser o novo Ramalho Eanes com o eixo-democrático e nem o novo Américo Thomaz em Belém com o Ventura em São Bento.

Se Ventura for eleito, o que eu acho difícil, ele terá então um desafio enorme, o de ultrapassar a imagem de extremista que não é de todo aceitável na UE, vai ter que lidar com dossiers muito para além da imigração, e não poderá se posicionar contra os compromissos assumidos por Portugal nos governos anteriores. Ou seja, terá que fazer uma metamorfose, indo de Salazar a Georgia Meloni. Deixar de lado a linguagem agressiva e apresentar uma imagem moderada, assertiva e diplomática.

António José Seguro tem tudo o que precisa para agradar a quase todos como queria o Almirante, é que seguro é na verdade um líder fraco, um hesitante, aliás no PS líderes de punho só me lembro de dois, goste-se ou não , foram Mário Soares e José Sócrates, os demais líderes foram hesitantes como António Guterres que se queixava do pântano, mas o pântano era a sua falta de punho nas decisões políticas e partidárias.

Voltando à questão central deste texto que já vai longo, creio que a ascensão de André Ventura a Belém, seria o início da "Era da Incerteza" em Portugal em particular para o PSD e o PS, bem como do início de crises políticas que culminariam em dissoluções do Parlamento que fizessem Ventura beneficiar o seu partido em eleições legislativas. Mas ao contrário do que se diz, Ventura não é um fascista, nem um perigo para a democracia porque claramente ele não governaria em Ditadura.

Eu pessoalmente prefiro mil vezes Ventura como Primeiro Ministro para mostrar o que de facto vale, do que como Presidente que tem que ser para todos os portugueses e não apenas para uma parcela de portugueses que votaram nele.

Autor Filipe de Freitas Leal

Sobre o Autor

Filipe de Freitas Leal nasceu em Lisboa, em 1964, é licenciado em Serviço Social pelo Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas da Universidade de Lisboa, com Pós-graduação em Políticas Públicas e Desigualdades Sociais, frequentou o Mestrado de Sociologia na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. Estagiou com reinserção social de ex-reclusos e o apoio a famílias em vulnerabilidade social. É Bloguer desde 2007, tem publicados oito livros de temas muito diversos, desde a Poesia até à Política.

sexta-feira, 16 de janeiro de 2026

Massacres No Irão e Silêncio da Esquerda


Por onde andas ó Esquerda que tanto lutas pelos Direitos Humanos?

Onde estás Greta Thunberg, porque te calas ó Mariana Mortágua, e porque não se fazem Flotilhas pelo povo martirizado no Irão?

E os governantes e líderes de Esquerda, o que dizem, o que vão dizer e fazer Sanchez, Lula, Guterres, António Costa, Melanchon, entre outros em defesa do povo iranano? 

Será porque o Irão que atropela os direitos humanos, persegue as mulheres e mata manifestantes é o mesmo Irão que defende a Palestina, financia os terroristas do Hezbollah e do Hamas, será o mesmo Irão que a Esquerda tanto ama e defende?

Será porque o Aiatolá Khamenei era o melhor amigo de Maduro, um caudilho esquerdista corrupto e acusado de transformar a Venezuela num Narco-estado?

Porque se cala a Esquerda quando morrem às centenas, talvez já milhares? É porque o Irão é o maior inimigo de Israel ?

Ao fim e ao cabo, o que é a Esquerda hoje?

Que raio de Esquerda é esta que luta pela Palestina e abandona as iranianas. Afinal não somos todos iguais?

Se a resposta for sim, então, equivale a dizer que esta nova Esquerda de hoje é cúmplice e cobarde, e que preferiu trocar os manuais humanistas e da luta de classes pelos "Protocolos dos Sábios de Sião".

Autor Filipe de Freitas Leal

Sobre o Autor

Filipe de Freitas Leal nasceu em Lisboa, em 1964, é licenciado em Serviço Social pelo Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas da Universidade de Lisboa, com Pós-graduação em Políticas Públicas e Desigualdades Sociais, frequentou o Mestrado de Sociologia na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. Estagiou com reinserção social de ex-reclusos e o apoio a famílias em vulnerabilidade social. É Bloguer desde 2007, tem publicados oito livros de temas muito diversos, desde a Poesia até à Política.

sexta-feira, 9 de janeiro de 2026

Novos Conflitos na Geopolítica


Se a URSS, o Pacto de Varsóvia, o COMECOM e o Comunismo caíram em simultâneo no ano de 1991, deixando então de ser uma ameaça para o Ocidente, porque é que a NATO/OTAN permaneceu e expandiu-se ainda mais, até às fronteiras com a Rússia? Será que se a NATO já não existisse não teria havido guerra na Ucrânia?

Da mesma forma, a União Europeia expandiu-se para leste, mas também aqui, para além da parceria na Nord Stream, a Rússia sempre foi posta de lado e a subserviência europeia a Washington nunca foi posta em causa. Os países europeus do COMECOM poderiam ter aderido à UE tal como os países do Pacto de Varsóvia poderiam ter aderido à NATO/OTAN promovendo cooperação e intercâmbios para uma nova era de desenvolvimento. Mas não foi isso que aconteceu.

Com a ilusão da paz, e o boom económico da UE, a Europa optou pelo Soft power e desmilitarizou-se e assim, entregou à NATO/OTAN (EUA) a sua defesa, e na mesma época deslocalizou para a China muito da sua indústria e know how (fábricas) permitindo que esta viesse a ser a grande talvez já a maior potência económica, política e militar que é hoje, com o ser Hard Power.

E sim, é claro que se de facto houver a anexação da Groenlândia, aí sim, será o fim da NATO/OTAN, mas será mais do que isso, será o abandono da Europa à sua sorte. O ataque à Venezuela e o derrube de Maduro, bem como ameaças a outras áreas perto dos EUA são um sinal inequívoco disso.

E é claro que trata-se de uma guerra geopolítica num mundo que entrou em desequilíbrio, visto que até 1991, haviam duas superpotências, até que veio a queda do gigante urso soviético, depois por algum tempo só a Águia americana voo altaneira. Mas passadas três décadas e uma revolução tecnológica, o mundo passou a ser multipolar. Há sim uma disputa surda e feroz no Oceano Ártico por rotas abertas com o degelo. Há sim uma redefinição de posições no tabuleiro do xadrez das relações internacionais e está a ser obviamente feita com conflitos e provocações.

Autor Filipe de Freitas Leal

Sobre o Autor

Filipe de Freitas Leal nasceu em Lisboa, em 1964, é licenciado em Serviço Social pelo Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas da Universidade de Lisboa, com Pós-graduação em Políticas Públicas e Desigualdades Sociais, frequentou o Mestrado de Sociologia na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. Estagiou com reinserção social de ex-reclusos e o apoio a famílias em vulnerabilidade social. É Bloguer desde 2007, tem publicados oito livros de temas muito diversos, desde a Poesia até à Política.

segunda-feira, 5 de janeiro de 2026

Queda de Maduro e a Nova Ordem Mundial

 



É ingénuo pensar que o que aconteceu na Venezuela seja só por causa do Petróleo, ou do Narcotráfico. Não foi nada disso, o que está por trás disto é algo muito maior, trata-se de um jogo de domínio político na redefinição de uma Nova Ordem Mundial.

Todos sabem que o Petróleo é um ativo poderoso no Xadrez Político e económico global, não se trata apenas de os EUA passarem a ter mais barris, mas num jogo geopolítico, equivale a decidir para quem será vendido e a que preço. Isto significa que os países que são aliados de Maduro terão menos petróleo, ou terão problemas de inflação e instabilidade com o aumento do preço.

Mas sejamos francos, apesar disto, de que seja Geopolítica, redefinição de uma Nova Ordem Mundial ou o mero interesse geo-estratégico pelo controlo da maior reserva petrolífera (e isto tudo é verdade, admito) temos que olhar o lado positivo disto. Primeiro, a Venezuela com o Regime de Maduro não era um Estado de Direito mas sim um Regime de Exceção, Segundo, o país hoje está livre de um Caudilho, um facínora torcionário que perseguiu, prendeu e torturou os seus opositores e hoje já pode aspirar a ser uma democracia plena. Maduro há muito que deveria ter sido derrubado por um Golpe de Estado, até porque além disso nem sequer foi de facto eleito, fez a maior fraude eleitoral da história de que há memória até hoje.

Creio também que estamos a assistir ao fim da globalização e a ver o mundo a ser dividido em "Quintais" outra vez, ou seja está a redefinir-se uma clara luta por zonas de influência. É neste contexto, a Europa poderá perder ainda mais a capacidade de influencia. 

Também é ingénuo pensar que o Regime de Maduro era ele mesmo. Não era, ele era uma peça no Xadrez de influência e interesses de um bloco específico na Geopolítica. Cuba, Rússia, Irão, China. Hoje essa peça do Xadrez caiu, em parte por culpa própria ao perder apoio popular devido à forma ditatorial com que governou e à falta de legitimidade, ao usurpar a Presidência, através de uma fraude eleitoral, falsificando os resultados das eleições, que de facto perdeu.

Sim. Tendo em conta que um dos principais aliados do Putin era a Venezuela e Maduro, e que a Venezuela era um dos principais fornecedores de Petróleo para a Rússia. Isto diz tudo e faz sentido. Como disse, trata-se não só de os EUA controlarem a área Geopolítica nas Américas, mas também definir para quem vai e a que preço vai o Petróleo da Venezuela. Outro país que será afetado, obviamente é Cuba.

Autor Filipe de Freitas Leal

Sobre o Autor

Filipe de Freitas Leal nasceu em Lisboa, em 1964, é licenciado em Serviço Social pelo Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas da Universidade de Lisboa, com Pós-graduação em Políticas Públicas e Desigualdades Sociais, frequentou o Mestrado de Sociologia na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. Estagiou com reinserção social de ex-reclusos e o apoio a famílias em vulnerabilidade social. É Bloguer desde 2007, tem publicados oito livros de temas muito diversos, desde a Poesia até à Política.

 
Projeto gráfico pela Free WordPress Themes | Tema desenvolvido por 'Lasantha' - 'Premium Blogger Themes' | GreenGeeks Review