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sexta-feira, 17 de abril de 2026

Conflito Israelo-Árabe: Uma Tragédia em Camadas Sobrepostas (Parte I)







(Parte I) Da Teologia Cristã do Séc I aos Nacionalismos  na Europa

Muitas vezes acredita-se que o conflito no Médio Oriente teve início em 1948. No entanto, um olhar atento à história revela que esta é, na verdade, uma tragédia de milénios, onde camadas teológicas e políticas se sobrepuseram para criar o impasse atual. Para compreender o presente, é preciso escavar o passado — de Roma à Europa Moderna, do dogma cristão à ortodoxia islâmica.

O Solo Sagrado - a Dimensão Teológica Islâmica 

O Islão, surgiu no  ano 622 EC, século VII, pelo Profeta Mohammed (Maomé) e tem uma mundivisão, na qual divide o mundo de forma binária: o Dar Al-Islam (Casa do Islão), indissociável do conceito de Waqf (património sagrado inalienável), e o Dar Al-Harb (Casa da Guerra), o mundo ainda por converter ou conquistar. Neste sentido, para a ortodoxia islâmica, a existência de Israel é vista como uma conspurcação ou um sacrilégio de um solo que se tornou sagrado.
De acordo com a doutrina tradicional, uma vez que uma terra foi integrada ao Dar al-Islam, ela deve pertencer a essa esfera para sempre. A criação de um Estado não-muçulmano em solo que foi governado pelo Islão por séculos — desde a conquista de Omar no século VII, tendo o intervalo do Reino Cristão de Jerusalém que foi conquistada aos cruzados em 2 de outubro de 1187 pelo líder muçulmano Saladino (Salah ad-Din) — é vista como uma regressão inaceitável. Na tradição corânica, judeus e demais infiéis, incluíndo os cristão, deveriam viver sob a condição de dhimmis (minorias protegidas, mas subordinadas). Estes conceitos estão na base religiosa do confronto.

As Raízes Europeias do Conflito - a Dimensão Cristã

Contudo, o problema moderno tem raízes profundas na Europa. Se na dimensão islâmica o obstáculo era o dogma do solo sagrado, na dimensão cristã europeia imperou o dogma do Deicídio. O Império Romano iniciou a Diáspora forçada e a renomeação da Judeia para Palestina. A partir de Constantino, (que não era batizado) foi oficializada a religião cristã, e feitos concílios onde se iniciou a marginalização dos judeus de forma institucional, nomeadamente com a Teologia da Substituição, em que os judeus por terem morto Jesus e não o  terem reconhecido como Messias deixaram de ser na ótica cristã, o povo de Deus, e é este o elemento que fundamentou o Antissemitismo na Europa cristã.
Ao longo dos séculos, essa exclusão assumiu formas violentas: expulsões em massa (como na Inglaterra e França medievais), o terror da Inquisição na Península Ibérica e os sangrentos pogroms na Europa de Leste e Rússia. A essa pressão somou-se a dimensão judaica, que é a própria resiliência do povo judeu na preservação da sua identidade, etnia, religião e cultura distinta que os mantinha como um povo separado, não apenas pelas comunidades israelitas espalhadas pelo mundo, mas também pelos guetos.

Das Revoluções Liberais ao Nacionalismo - a Dimensão Política.

Com o surgimento dos Estados-nação, fruto das revoluções liberais do fim do século XVIII e no início do século XIX, como fruto da Revolução Francesa, os judeus passaram a ser vistos como o "elemento estranho". A Europa de forma endémica, ansiava por ver-se livre dos judeus, e para alimentar este ódio, surgiram ferramentas de propaganda como os Protocolos dos Sábios de Sião, uma falsificação da polícia secreta czarista para culpar os judeus pelas agitações sociais. Quando a tentativa de integração via Haskalá (Iluminismo Judaico) faliu perante este antissemitismo sistémico, nasceu o Sionismo. Este movimento de autodeterminação foi, por fim, tragicamente validado pelo Holocausto, devido à exclusão que culminou na criação dos guetos na Europa do Leste durante a ocupação nazi, onde centenas de milhares de pessoas, como no caso de Varsóvia, foram empilhadas em condições subumanas de fome e doenças em áreas de apenas 3 km², transformando bairros históricos em antecâmaras para o extermínio. Assim, o Sionismo não foi uma ideolgia e nem sequer uma escolha opcional, mas a única saída para um problema profundamente europeu, tendo em conta a sua origem histórica e geografica.

O Testemunho da Pedra - a Dimensão Documental dos Factos Históricos 

A imagem que ilustra esta reflexão é a do Arco do Triunfo de Tito, em Roma. Ele é o testemunho histórico da guerra romano-judaica. Ali, gravada na pedra, está a prova de que o passado de há dois mil anos nunca deixou de estar presente nos dias atuais.
Resta-me dizer ainda, que não me cabe a competência de resolver o conflito, nem a pretensão de tomar partido como se de um jogo se tratasse. Cabe-me sim, o desejo pela paz e o esforço para compreender as raízes deste confronto, e procuro fundamentar o meu ponto de vista em dados históricos concretos em vez de narrativas ideológicas que ignoram a verdade dos factos.

Bibliografia Consultada

Para dar "qualidade e referências" a este estudo, consultei as seguintes obras de referência:

  • BENSOUSSAN, George. As Origens do Conflito Israelo-Árabe (1870-1950). Lisboa: Editora Guerra & Paz, 2009.
    (Preferi esta edição de Portugal, por ser-me a mais acessível do que a edição original no idioma francês).
  • ARENDT, Hannah. Origens do Totalitarismo: Antissemitismo, Imperialismo, Totalitarismo. São Paulo: Companhia das Letras, 1989.
    (Nota: No Brasil, o volume que contém "A Origem do Antissemitismo Moderno" é publicado pela Companhia das Letras).
  • HERZL, Theodor. O Estado Judeu. Lisboa: Antígona, 2009.
    (Preferi esta edição de Portugal, por ser a mais atual e acessível no idioma).
  • MORRIS, Benny. The Birth of the Palestinian Refugee Problem, 1947–1949. Cambridge: Cambridge University Press, 1987.
    (Nota: Não existe edição portuguesa deste título específico. A obra do autor publicada no Brasil é "Um Estado, Dois Estados", pela Editora Sêfer que irei consultar para a segunda parte da introdução).
  • ROSS, Dennis. The Missing Peace: The Inside Story of the Fight for Middle East Peace. New York: Farrar, Straus and Giroux, 2004.
    (Nota: Permanece a edição original em inglês, pois não há tradução para o português no Brasil ou em Portugal até o momento).
  • YE'OR, Bat. The Dhimmi: Jews and Christians Under Islam. London: Fairleigh Dickinson University Press, 1985.
    (Nota: Obra sem tradução para o português; utiliza-se a referência internacional padrão).
Este artigo tem continuação na Parte II ainda a ser elaborada. Previsão entre uma a duas semanas.
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English Version

The Arab-Israeli Conflict: A Tragedy of Overlapping Layers (Part I)

By Filipe de Freitas Leal

It is a common misconception that the conflict in the Middle East began in 1948. However, an analytical examination of history reveals a millennia-old tragedy, where theological and political strata have overlapped to create the current impasse. To comprehend the present, one must excavate the past—from Rome to Modern Europe, and from Christian dogma to Islamic orthodoxy.

Sacred Soil – The Islamic Theological Dimension

Islam emerged in 622 CE (7th century) through the Prophet Muhammad, presenting a world-view that divides the globe into a binary structure: Dar al-Islam (the House of Islam), which is inseparable from the concept of Waqf (an inalienable sacred endowment), and Dar al-Harb (the House of War), representing the world yet to be converted or conquered. Consequently, within Islamic orthodoxy, the existence of Israel is perceived as a desecration or a sacrilege of soil that has been rendered sacred.

According to traditional doctrine, once a land has been integrated into Dar al-Islam, it must belong to that sphere in perpetuity. The establishment of a non-Muslim state on land that was governed by Islam for centuries—from the conquest by Umar in the 7th century, notwithstanding the interval of the Christian Kingdom of Jerusalem (later reconquered from the Crusaders on 2 October 1187 by the Muslim leader Saladin)—is viewed as an unacceptable regression. In the Qur'anic tradition, Jews and other "infidels", including Christians, were expected to live under the status of dhimmis (protected but subordinated minorities). These concepts form the religious foundation of the confrontation.

The European Roots of the Conflict – The Christian Dimension

Nevertheless, the modern problem has deep roots in Europe. Whilst the Islamic dimension presented the obstacle of sacred soil, the European Christian dimension was dominated by the dogma of Deicide. The Roman Empire initiated the forced Diaspora and the renaming of Judaea to Palestine. From the reign of Constantine onwards (who, notably, was not baptised at the time), the Christian religion was officialised. Subsequent councils initiated the institutional marginalisation of the Jews, most notably through "Replacement Theology" (Supersessionism). This doctrine posited that because the Jews had killed Jesus and failed to recognise him as the Messiah, they had ceased to be God’s chosen people in the Christian view. This element served as the fundamental basis for anti-Semitism in Christian Europe.

Over the centuries, this exclusion manifested in violent forms: mass expulsions (as seen in medieval England and France), the terror of the Inquisition in the Iberian Peninsula, and the bloody pogroms in Eastern Europe and Russia. Added to this pressure was the Jewish dimension itself—the resilience of the Jewish people in preserving their distinct identity, ethnicity, religion, and culture, which maintained them as a separate people, not only through scattered communities worldwide but also through the imposition of ghettos.

From Liberal Revolutions to Nationalism – The Political Dimension

With the rise of nation-states resulting from the liberal revolutions of the late 18th and early 19th centuries—the fruit of the French Revolution—Jews began to be perceived as the "alien element". Europe, in an endemic fashion, yearned to rid itself of its Jewish population. To fuel this animosity, propaganda tools emerged, such as The Protocols of the Elders of Zion, a forgery by the Tsarist secret police designed to blame Jews for social unrest. When the attempt at integration via the Haskalah (Jewish Enlightenment) failed in the face of this systemic anti-Semitism, Zionism was born. This movement of self-determination was, ultimately and tragically, validated by the Holocaust. This was the culmination of an exclusion that led to the creation of ghettos in Eastern Europe during the Nazi occupation, where hundreds of thousands—as in the case of Warsaw—were crowded into subhuman conditions of starvation and disease within areas of just 3 km², transforming historic neighbourhoods into antechambers for extermination. Thus, Zionism was not merely an ideology or an optional choice, but the sole recourse to a profoundly European problem, given its historical and geographical origins.

The Testimony of Stone – The Documentary Dimension of Historical Facts

The image illustrating this reflection is that of the Arch of Titus in Rome. It serves as a historical testimony to the Roman-Jewish War. There, etched in stone, lies the proof that the past of two thousand years ago has never ceased to be present in the modern day.

It remains for me to state that I possess neither the competence to resolve the conflict nor the pretension to take sides as if it were a game. Rather, I am driven by a desire for peace and an effort to understand the roots of this confrontation. I seek to ground my perspective in concrete historical data rather than ideological narratives that ignore factual truth.

Consulted Bibliography

To provide academic rigour and references to this study, the following seminal works were consulted:

BENSOUSSAN, George. As Origens do Conflito Israelo-Árabe (1870-1950). Lisbon: Editora Guerra & Paz, 2009. (The Portuguese edition was preferred due to its accessibility over the original French).

ARENDT, Hannah. The Origins of Totalitarianism: Antisemitism, Imperialism, Totalitarianism. New York: Harcourt, Brace & Co., 1951. (Note: In Brazil, the volume containing "The Origins of Modern Antisemitism" is published by Companhia das Letras).

HERZL, Theodor. The Jewish State (Der Judenstaat). 1896. (The 2009 Portuguese edition by Antígona, Lisbon, was utilised for this study).

MORRIS, Benny. The Birth of the Palestinian Refugee Problem, 1947–1949. Cambridge: Cambridge University Press, 1987. (Note: No Portuguese edition of this specific title exists; the author's work One State, Two States is available via Editora Sêfer).

ROSS, Dennis. The Missing Peace: The Inside Story of the Fight for Middle East Peace. New York: Farrar, Straus and Giroux, 2004. (Original English edition consulted as no Portuguese translation is currently available).

YE'OR, Bat. The Dhimmi: Jews and Christians Under Islam. London: Fairleigh Dickinson University Press, 1985. (Consulted via the standard international reference).


This article continues in Part II, currently in preparation. Expected within one to two weeks.

Sobre o Autor | About the Author

PT Filipe de Freitas Leal nasceu em Lisboa (Portugal), em 1964, é licenciado em Serviço Social pelo ISCSP (Universidade de Lisboa) e pós-graduado em Políticas Públicas e Desigualdades Sociais pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. Na sua trajetória profissional, destaca-se o estágio em reinserção social de ex-reclusos e o apoio a famílias em situação de vulnerabilidade. No mundo digital, é blogger desde 2007, atuou como ilustrador, editor e autor, conta já com oito livros publicados em áreas distintas, que vão desde o Serviço Social, Poesia até à Ciência Política, escreve artigos sobre atualidade política e conflitos geopolíticos.

EN Filipe de Freitas Leal was born in Lisbon in 1964. He holds a degree in Social Work from ISCSP (University of Lisbon) and a postgraduate degree in Public Policy and Social Inequalities. He also attended a Master’s program in Sociology at the Faculty of Social Sciences and Humanities (Universidade Nova de Lisboa). His professional background includes social reintegration of former inmates and support for families in situations of social vulnerability. A blogger since 2007, he has acted as an illustrator and independent editor, with eight published books ranging from Social Work and Poetry to Political Science. He currently writes about political current affairs and geopolitical conflicts.


quinta-feira, 26 de março de 2026

Porque a Academia e os Intelectuais de Esquerda odeiam Israel?


A esquerda global, de aliada histórica de Israel no inicio da criação do Estado de Israel, passou a ser a arquinimiga de Israel hoje, sobretudo os partidos esquerdistas mais radicais e os teóricos e intelectuais de Esquerda na Academia. Pelo que se vê um aumento de adesão dos jovens universitários a terem discursos de ódio antissionista (na prática é o mesmo que antissemita), e de apoio aos movimentos terroristas. Mas porquê?

O primeiro país a reconhecer o Esta
do de Israel, foi a URSS, até porque muitos dos fundadores do Estado de Israel eram nascidos no Leste europeu, inclusive em território da extinta URSS, inclusive os kibutz foram baseados nos kolcozes soviéticos. Nessa época toda a Esquerda mundial apoiava Israel,  A URSS pensou que Israel fosse ser um posto avançado pró-soviético no Médio Oriente, mas enganou-se, Israel revelou ser a mais plena democracia em toda aquela região. O que levou Israel a aproximar-se da Europa, dos EUA e a que os soviéticos retirassem o seu apoio.

A viragem deu-se em 1967 na Guerra dos Seis Dias em que Israel recuperou Jerusalém, a esquerda passou a ver Israel não mais como um Estado que lutava por sobrevivência, mas por um país que ocupava território, não tendo em conta o projeto árabe de destruição total de Israel a que chamam os mais radicais de Entidade Sionista.

Fatores Geopolíticos e Ideológicos

Há aspectos na atual narrativa da Esquerda que se colocam como anti-Israel, na medida em que veem em Israel a continuação da Guerra-Fria, como um Posto avançado dos EUA, e assim passa a ser na ótica radical equerdista o opressor, esquecendo de que em Israel há uma democracia plena a funcionar com partidos políticos árabes-palestinos no Knesset (Parlamento Israelita), que há 1,5 milhão e meio de habitantes em Israel com plenos direitos de cidadania, em que as mulheres estão em pé de igualdade com os homens em todos os setores da sociedade, em que a imprensa é livre, e até que Israel abriga e dá asilo politico a palestinianos e outros árabes da comunidade LGBT que correm risco de vida nos seus países. Então a incapacidade da Esquerda ver este aspecto de Israel é simplesmente porque não quer ver, nem divulgar e finge que Israel é exatamente o oposto.

O facto é que a interseccionalidade esquerdista associada às questões identitárias o Movimentos sociais modernos (LGBT, negros, feministas) frequentemente adotam a causa palestina como parte de uma luta global contra sistemas de "supremacia", e ignoram as liberdades democráticas que Israel garante em comparação aos países vizinhos.

A Red-Green Alliance - A Aliança da Esquerda com o Islão


Esta questão está patente nos debates contemporâneos sobre a "Red-Green Alliance" (Aliança Vermelho-Verde), que descreve a colaboração tática entre setores da esquerda secular e radical com os movimentos islâmicos teocráticos, Hamas, Hezbollah, grupos de Esquerda esses que minimizam os ataques do 07/10 tendo inclusive os mais fanáticos esquerdista festejado o massacre de 2023 como uma vitória contra o colonialismo e o imperialismo. Os argumentos que sustentam essa percepção de "cegueira" ou "arrogância intelectual" na academia costumam focar em quatro pilares:

  • Prioridade do Anticolonialismo sobre os Direitos Individuais: Para muitos teóricos pós-coloniais, a luta contra o que definem como "imperialismo ocidental" ou "colonialismo de assentamento" é a prioridade absoluta. Nessa hierarquia, as violações de direitos humanos em regimes como o do Irã ou as agendas sociais regressivas de grupos como o Hamas são frequentemente minimizadas ou tratadas como "resistência legítima".
  • O Legado de Michel Foucault e o Irã: Um exemplo histórico clássico e aberrante é o apoio de Michel Foucault à Revolução Iraniana de 1979. Ele via no levante islâmico uma "espiritualidade política" capaz de desafiar a racionalidade liberal do Ocidente, ignorando os avisos de feministas e esquerdistas iranianos sobre a natureza opressiva que o novo regime assumiria.
  • Universalismo Seletivo: Críticos apontam que a academia ocidental goza da liberdade de expressão e proteção legal para defender regimes que, na prática, perseguem intelectuais, minorias e dissidentes. Isso é visto por alguns como uma forma de Eurocentrismo, onde o intelectual projeta seus desejos revolucionários em povos distantes, sem arcar com as consequências de viver sob essas ditaduras.
  • Reducionismo Ideológico: Ao unir socialistas, comunistas e teocracias sob a bandeira da "causa anticolonial", a academia corre o risco de ignorar as contradições fundamentais entre essas ideologias. O resultado é uma análise que prioriza a geopolítica (quem é o inimigo comum) em detrimento da realidade vivida pelas populações locais sob esses regimes.

Como essa "união de conveniência" é frequentemente criticada por intelectuais moderados, sociais democratas, liberais e conservadores, que vêm como uma traição aos valores universais do Iluminismo — como a razão e a liberdade individual — em favor de uma narrativa maniqueísta de poder, forçam ainda mais a dicotomia de Esquerda Vs Direita face ao conflito Israelo-palestiniano.



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English Version

From Ally to Adversary: The Global Left and the State of Israel

By Filipe de Freitas Leal

The global Left has transitioned from being a historical ally of Israel during the state's inception to becoming its arch-enemy today, particularly among radical leftist parties and academics. This has led to increased adherence among university students to anti-Zionist hate speech—which, in practice, often mirrors antisemitism—and support for terrorist movements. But why?

Historical Context and the Soviet Pivot

The first country to recognise the State of Israel was the USSR, largely because many of Israel’s founders were born in Eastern Europe or Soviet territory. Indeed, the kibbutzim were inspired by Soviet kolkhozes. At that time, the global Left supported Israel; the USSR hoped Israel would become a pro-Soviet outpost in the Middle East. However, they were mistaken. Israel emerged as a full-fledged democracy, leading it to align with Europe and the USA, which prompted the Soviets to withdraw their support.

The turning point occurred in 1967 during the Six-Day War. After Israel reclaimed Jerusalem, the Left ceased to view Israel as a state fighting for survival and began to see it as an occupying power. This perspective often disregards the Arab project for the total destruction of Israel—referred to by radicals as the "Zionist Entity."

Geopolitical and Ideological Factors

Current leftist narratives are anti-Israel insofar as they view the nation as a continuation of the Cold War—a US outpost. In the radical leftist lens, Israel is cast as the "oppressor," ignoring the reality of a functioning democracy with Arab-Palestinian parties in the Knesset (Israeli Parliament). They overlook the 1.5 million Arab citizens with full rights, the equality of women across all sectors, the free press, and the fact that Israel provides political asylum to LGBTQ+ Palestinians and Arabs whose lives are at risk in their home countries. The Left's inability to acknowledge these aspects suggests a deliberate refusal to disseminate the truth, preferring to portray Israel as the exact opposite.

Left-wing intersectionality and identity politics have led modern social movements (LGBTQ+, Black Power, feminists) to adopt the Palestinian cause as part of a global struggle against systems of "supremacy," while ignoring the democratic freedoms Israel guarantees compared to its neighbours.


The Red-Green Alliance: The Left and Islamism

This issue is central to contemporary debates regarding the "Red-Green Alliance"—a tactical collaboration between the secular radical Left and theocratic Islamic movements such as Hamas and Hezbollah. Certain leftist sectors downplay the attacks of 7 October, with the most fanatical even celebrating the 2023 massacre as a victory against "colonialism and imperialism."

The arguments sustaining this perception of "intellectual blindness" in academia generally focus on four pillars:

1.     Prioritisation of Anti-colonialism over Individual Rights: For many post-colonial theorists, the struggle against "Western imperialism" or "settler colonialism" is the absolute priority. In this hierarchy, human rights violations in regimes like Iran or the regressive social agendas of groups like Hamas are minimised or framed as "legitimate resistance."

2.     The Legacy of Michel Foucault and Iran: A classic and aberrant historical example is Michel Foucault’s support for the 1979 Iranian Revolution. He saw the Islamic uprising as a "political spirituality" capable of challenging Western liberal rationality, ignoring warnings from Iranian feminists and leftists about the oppressive nature the new regime would assume.

3.     Selective Universalism: Critics point out that Western academics enjoy the freedom of speech and legal protections to defend regimes that, in practice, persecute intellectuals, minorities, and dissidents. This is viewed by some as a form of Eurocentrism, where the intellectual projects their revolutionary desires onto distant peoples without bearing the consequences of living under such dictatorships.

4.     Ideological Reductionism: By uniting socialists, communists, and theocracies under the banner of the "anti-colonial cause," academia risks ignoring the fundamental contradictions between these ideologies. The result is an analysis that prioritises geopolitics (the common enemy) over the lived reality of local populations.

Conclusion

This "marriage of convenience" is frequently criticised by moderate intellectuals, social democrats, liberals, and conservatives. They view it as a betrayal of the universal values of the Enlightenment—such as reason and individual liberty—in favour of a Manichaean narrative of power. This further entrenches the Left vs. Right dichotomy regarding the Israeli-Palestinian conflict.

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References

Afary, Janet & Anderson, Kevin. Foucault and the Iranian Revolution: Gender and the Seductions of Islamism. 2005. University of Chicago Press

Wistrich, Robert S. A Lethal Obsession: Anti-Semitism from Antiquity to the Global Jihad. 2010. Random House

Finkielkraut, Alain. No Nome do Outro: Reflexões sobre o antissemitismo que vem. 2004. Bertrand Brasil.

Bruckner, Pascal. A Tirania da Penitência: Ensaio sobre o masoquismo ocidental. 2008. Difel. (Original: La Tyrannie de la pénitence, 2006). 


Sobre o Autor | About the Author

PT Filipe de Freitas Leal nasceu em Lisboa (Portugal), em 1964, é licenciado em Serviço Social pelo ISCSP (Universidade de Lisboa) e pós-graduado em Políticas Públicas e Desigualdades Sociais pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. Na sua trajetória profissional, destaca-se o estágio em reinserção social de ex-reclusos e o apoio a famílias em situação de vulnerabilidade. No mundo digital, é blogger desde 2007, atuou como ilustrador, editor e autor, conta já com oito livros publicados em áreas distintas, que vão desde o Serviço Social, Poesia até à Ciência Política, escreve artigos sobre atualidade política e conflitos geopolíticos.

EN Filipe de Freitas Leal was born in Lisbon in 1964. He holds a degree in Social Work from ISCSP (University of Lisbon) and a postgraduate degree in Public Policy and Social Inequalities. He also attended a Master’s program in Sociology at the Faculty of Social Sciences and Humanities (Universidade Nova de Lisboa). His professional background includes social reintegration of former inmates and support for families in situations of social vulnerability. A blogger since 2007, he has acted as an illustrator and independent editor, with eight published books ranging from Social Work and Poetry to Political Science. He currently writes about political current affairs and geopolitical conflicts.


sexta-feira, 13 de março de 2026

Esquerda Woke: A Nova Face do Antissemitismo


Vivemos tempos de inversão de valores, onde as bandeiras do humanismo parecem ter sido substituídas por dogmas ideológicos cegos. Como alguém que dedicou a carreira a estudar as desigualdades sociais e os direitos humanos, observo com profunda preocupação o rumo que a chamada "Nova Esquerda" tomou. Neste artigo, analiso como o radicalismo Woke se tornou, ironicamente, o novo motor do antissemitismo global.

A Mecânica da Exclusão Ideológica

A perversão reside no facto de que esta "Nova Esquerda" sequestrou a linguagem da justiça social para a transformar numa arma de exclusão. Ao dividir o mundo numa dicotomia simplista entre "opressores" e "oprimidos" — baseada apenas em características identitárias e não em atos ou valores — retiraram ao indivíduo a sua humanidade para o reduzir a uma etiqueta coletiva. Nesta aritmética ideológica distorcida, o povo judeu foi arbitrariamente reclassificado como o "opressor supremo", ignorando séculos de perseguição e a sua própria autodeterminação. Assim, o que começou como uma suposta defesa das minorias vulneráveis transmutou-se, ironicamente, num sistema que legitima o antissemitismo sob a capa do progressismo, punindo o sucesso e a resiliência de um povo com a mesma retórica de exclusão que outrora dizia combater.

O Abandono da Razão pelo Dogma

A Nova Esquerda — radical e Woke — tornou-se o epicentro e o motor do antissemitismo a nível global. Ao promover a cultura do cancelamento e a "lacração", esta corrente perdeu a lucidez: abandonou a luta de classes e a lógica racional para se lançar num discurso dogmático, típico do fanatismo religioso. Mais grave ainda, apoia, com um silêncio sepulcral e cúmplice, as injustiças de ditadores como Maduro ou Khamenei, enquanto vocifera em altifalantes palavras de ordem como "morte a Israel" ou o já tristemente célebre mote "Palestina livre, do rio até ao mar".

A Ignorância como Ferramenta de Ódio

A esmagadora maioria destes políticos, intelectuais e influenciadores de opinião desconhece a origem real do conflito. Possuem uma visão enviesada e distorcida por doutrinas revisionistas de uma História que não estudaram, não conhecem e, por isso, não compreendem. Agem como cavaleiros do apocalipse, semeando o ódio onde deveria haver concórdia e festejando a guerra em vez de celebrar a paz. Incendeiam a opinião pública com desespero, em vez de oferecerem esperança.

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English Version

The New Left and the Betrayal of Humanism: The New Engine of Global Antisemitism

By Filipe de Freitas Leal

We live in times of inverted values, where the banners of humanism seem to have been replaced by blind ideological dogmas. As someone who has dedicated a career to studying social inequalities and human rights, I observe with profound concern the direction the so-called "New Left" has taken. In this article, I analyse how Woke radicalism has ironically become the new engine of global antisemitism.

The Mechanics of Ideological Exclusion

The perversion lies in the fact that this "New Left" has hijacked the language of social justice to transform it into a weapon of exclusion. By dividing the world into a simplistic dichotomy of "oppressors" versus "oppressed" — based solely on identity characteristics rather than actions or values — they have stripped the individual of their humanity, reducing them to a collective label. Within this distorted ideological arithmetic, the Jewish people have been arbitrarily reclassified as the "ultimate oppressor", ignoring centuries of persecution and their own right to self-determination. Thus, what began as a supposed defence of vulnerable minorities has, ironically, transmuted into a system that legitimises antisemitism under the guise of progressivism, punishing the success and resilience of a people with the very rhetoric of exclusion it once claimed to fight.

The Abandonment of Reason for Dogma

The New Left — radical and Woke — has become the epicentre and the motor of antisemitism on a global scale. By promoting cancel culture and "virtue signalling", this movement has lost its lucidity: it has abandoned the class struggle and rational logic to throw itself into a dogmatic discourse typical of religious fanaticism. Even more grave is its support, through a deathly and complicit silence, for the injustices of dictators such as Maduro or Khamenei, while shouting slogans through loudspeakers like "death to Israel" or the now infamously celebrated motto "Palestine free, from the river to the sea".

Ignorance as a Tool for Hatred

The overwhelming majority of these politicians, intellectuals, and influencers are ignorant of the true origins of the conflict. They possess a biased vision, distorted by revisionist doctrines of a history they have not studied, do not know, and therefore do not understand. They act as horsemen of the apocalypse, sowing hatred where there should be concord and celebrating war instead of peace. They inflame public opinion with despair, rather than offering hope.

 Referências bibliográficas / References

·        Baddiel, D. (2021). Jews Don't Count. London: TLS Books.

·        Bernstein, D. L. (2022). Woke Antisemitism: How a Progressive Ideology Harms       the Jewish People. New York: Post Hill Press.

·        Braunstein, J.-F. (2022). La Religion Woke. Paris: Grasset.

·        Simons, J. W. (2023). Israelophobia: The Newest Version of the Oldest Hatred and What to Do About It. London: Constable.



Sobre o Autor | About the Author

PT Filipe de Freitas Leal nasceu em Lisboa (Portugal), em 1964, é licenciado em Serviço Social pelo ISCSP (Universidade de Lisboa) e pós-graduado em Políticas Públicas e Desigualdades Sociais pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. Na sua trajetória profissional, destaca-se o estágio em reinserção social de ex-reclusos e o apoio a famílias em situação de vulnerabilidade. No mundo digital, é blogger desde 2007, atuou como ilustrador, editor e autor, conta já com oito livros publicados em áreas distintas, que vão desde o Serviço Social, Poesia até à Ciência Política, escreve artigos sobre atualidade política e conflitos geopolíticos.

EN Filipe de Freitas Leal was born in Lisbon in 1964. He holds a degree in Social Work from ISCSP (University of Lisbon) and a postgraduate degree in Public Policy and Social Inequalities. He also attended a Master’s program in Sociology at the Faculty of Social Sciences and Humanities (Universidade Nova de Lisboa). His professional background includes social reintegration of former inmates and support for families in situations of social vulnerability. A blogger since 2007, he has acted as an illustrator and independent editor, with eight published books ranging from Social Work and Poetry to Political Science. He currently writes about political current affairs and geopolitical conflicts.


sábado, 7 de março de 2026

A Geopolítica como Claque: Onde Nos Leva a Ideologia Cega e Irracional?


Neste post eu escrevo o facto de hoje vivermos tempos em que a análise geopolítica foi substituída pela paixão cega das claques. Quando a ideologia se sobrepõe à verdade humana, perdemos a capacidade de enxergar a raiz dos conflitos e o sofrimento de quem neles padece.

É desolador observarmos como os conflitos armados são debatidos por colunistas, comentadores, intelectuais e até cidadãos comuns, como se fossem meros jogos de futebol. A análise leviana, doutrinária e sectária — moldada estritamente pelo espectro político de quem fala — ignora a tragédia real em prol de uma narrativa de "claque".

Para compreender a profundidade dessas questões, recuso-me a seguir cartilhas ideológicas. Elas são, por natureza, rígidas demais para atingir a raiz dos problemas. O entendimento real exige, acima de tudo, humildade intelectual: é preciso fazer "tábua rasa", buscar informações multidisciplinares e manter a objetividade.

Sem intenção de ofender, é impossível não notar como a "Nova Esquerda" e suas doutrinas pós-modernas têm se mostrado míopes e sectárias, incapazes de uma visão holística. Minha crítica nasce de uma percepção compartilhada por muitos: primeiro, a Esquerda abandonou a defesa das classes trabalhadoras; depois, os valores da família. Agora, parece abandonar os democratas ao redor do mundo.

Ao aliar-se estrategicamente a regimes como o do Irão, Rússia, China e Cuba — ignorando que são ditaduras opressoras e persecutórias — a Esquerda vira as costas aos venezuelanos, aos árabes e, tragicamente, às feministas e democratas iranianos. Diante desse cenário, a pergunta torna-se inevitável: afinal, o que é a Esquerda hoje e a quem ela realmente serve?

quinta-feira, 5 de março de 2026

A Geopolítica do Apocalipse: Os Pilares Teológicos da Inimizade do Irão contra Israel




Para compreender a fundo a hostilidade do regime iraniano contra Israel, é necessário transcender a análise política convencional e mergulhar nos dogmas do pensamento xiita. Para Teerão, o conflito não é uma disputa territorial comum, mas uma missão sagrada de purificação do solo islâmico.
Aqui estão os pilares teológicos que sustentam esta visão:
1. A Terra como "Waqf" (Legado Inalienável)
No pensamento jurídico fundamentalista seguido por Khomeini, o mundo divide-se em Dar Al-Islam (Território do Islão) e Dar Al-Harb (Território da Guerra). Qualquer terra que já tenha sido governada pelo Islão torna-se um Waqf — um património sagrado e inalienável pertencente à comunidade muçulmana (Umma) sob a guarda de Deus.
  • O Dogma da Inversão: Para o regime, é uma abominação teológica que "infiéis" governem crentes. Embora judeus e cristãos sejam considerados "Povos do Livro" (Ahl al-Kitab), o seu lugar dogmático seria o de Dhimmis (minorias protegidas, mas submissas e sem poder político). A existência de Israel é vista como um "roubo" de um território sagrado e, pior, uma inversão da hierarquia divina, onde o antigo submisso agora governa sobre o solo do Islão.
2. A Reinterpretação dos "Filhos de Israel"
Khomeini e os seus sucessores utilizam versículos do Alcorão (das Suras Al-Baqarah e Al-Ma'idah) sobre a desobediência de grupos israelitas no passado para alimentar uma narrativa anacrónica.
  • A Aplicação: O moderno Estado de Israel não é visto como uma entidade política secular, mas como o herdeiro das "características de traição" descritas nos textos antigos. Nesta visão, combater o sionismo é a continuação direta da luta dos profetas contra a corrupção e a arrogância.
3. Escatologia Xiita: O Retorno do Mahdi
A teologia xiita é profundamente marcada pela crença no retorno do 12º Imam, o Mahdi, que virá para estabelecer a justiça final.
  • O Papel de Jerusalém: A tradição escatológica afirma que o Mahdi travará uma batalha final contra as forças do mal e liderará a oração na Mesquita de Al-Aqsa.
  • Aceleração do Destino: Diferente de uma espera passiva, o regime de Teerão vê-se como a "vanguarda" que deve preparar o cenário para este retorno. A eliminação de Israel é vista como um pré-requisito teológico; ao "limpar" o caminho para o Messias islâmico, o regime acredita estar a cumprir um cronograma divino.
Conclusão: Uma Ameaça Existencial
O regime teocrático do Irão e os seus proxies (Hamas, Hezbollah, Houthis e milícias) não lutam por fronteiras ou pela autodeterminação palestiniana — que serve apenas como ferramenta de propaganda. O objetivo final é a eliminação total de Israel. Nesta visão apocalíptica, muitos analistas veem paralelos com a batalha final de Yajuj e Majuj (Gog e Magog), sugerindo que, para os Aiatolás, estamos a viver os capítulos finais de um confronto cósmico onde a diplomacia humana não tem lugar.
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A ideologia central do Hamas, conforme estabelecido no seu Estatuto de Fundação de 1988, baseia-se na premissa de que a Palestina histórica — abrangendo toda a área entre o rio Jordão e o Mar Mediterrâneo, incluindo o território de Israel — é uma terra islâmica de waqf (posse religiosa inalienável).
Essa visão teológica e política implica o seguinte:
Propriedade Perpétua: A terra pertence à comunidade muçulmana (Ummah) e não pode ser cedida, vendida ou alienada por nenhum líder ou autoridade, nem por um período limitado.
Conflito Religioso: O Hamas argumenta e admite que o conflito não é apenas uma disputa territorial, mas um dever religioso. Portanto, a libertação da Palestina é tratada como uma Jihad (guerra santa) individual e obrigatória para todos os muçulmanos.
Rejeição de Israel: Baseado nessa ideologia, o Hamas rejeita o reconhecimento da legitimidade de Israel e opõe-se a qualquer acordo de paz que resulte na perda de território palestino.
Atualizações e nuances:
Embora o documento de 2017 tenha suavizado parte da linguagem e aceitado um estado palestino provisório nas fronteiras de 1967 (Cisjordânia, Gaza e Jerusalém Oriental), o Hamas não renunciou formalmente ao seu estatuto original de 1988 nem à ideologia de que toda a Palestina é um waqf islâmico. Líderes do grupo frequentemente afirmam que o documento de 2017 é um complemento, não um substituto, da visão fundamental do grupo


domingo, 10 de novembro de 2024

Pogrom em Amsterdão - Nada Está Garantido


Toda a minha vida, pensei que quem decidia o que eu era em termos de posição política e ideológica era eu próprio.

Também acreditava desde muito jovem. que a democracia era o Regime Político da Liberdade de Pensamento e Expressão.
Acreditava ainda, que ser de Esquerda era defender os interesses dos trabalhadores, da classe média, lutar pelos Direitos Humanos de forma transversal. Por isso eu via-me como um simpatizante da Esquerda e sempre votei nos partidos da dita Esquerda democrática.
Acreditei toda a minha vida que, em democracia não havia o problema de ser rotulado por ser de uma minoria religiosa.
E os anos passaram, descobri que afinal não sou eu quem decide a minha posição ideológica, cheguei mesmo a ser chamado de reacionário e fascista por aqueles em que sempre votei.
E descobri que não posso dizer tudo o que penso, porque não é já considerada uma linguagem correta, passei a ser policiado na linguagem.
No Parlamento, os deputados nos quais eu votava antes, passaram a abraçar apenas as novas causas identitárias e esqueceram-se de mim, dos trabalhadores e da população em geral.
E já nem posso hoje andar na rua com o meu Kipá, nem a estrela de David sem ter medo de ser insultado pelos antissionistas e antissemitas. Afinal, alguém sabe dizer-me o que é a democracia, é que eu pensei que fosse uma coisa, mas afinal é outra.

O que se passou em Amsterdão é sinal da decadência da democracia tal como a conhecíamos.

Autor Filipe de Freitas Leal 

Sobre o Autor

Filipe de Freitas Leal nasceu em Lisboa, em 1964, é licenciado em Serviço Social pelo Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas da Universidade de Lisboa, com Pós-graduação em Políticas Públicas e Desigualdades Sociais, frequentou o Mestrado de Sociologia na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. Estagiou com reinserção social de ex-reclusos e o apoio a famílias em vulnerabilidade social. É Bloguer desde 2007, tem publicados oito livros de temas muito diversos, desde a Poesia até à Política.

 
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