Na narrativa teológica de grupos que compõem o chamado
"Eixo da Resistência" liderado pelo Irão, para os quais, a
existência de um Estado judeu soberano numa terra anteriormente sob domínio
islâmico é vista como uma violação do Waqf (o património
sagrado inalienável), e se Se Israel perdesse a guerra que o Irão pretende
que seja de aniquilação total, os desdobramentos seriam catastróficos em
múltiplas dimensões:
1. Fim da Soberania e Extinção do Estado
A consequência imediata seria a dissolução das instituições
israelitas. Como o estatuto de grupos como o Hamas e as diretrizes de
lideranças iranianas defendem explicitamente a extinção total de Israel,
o país deixaria de existir como entidade política. Nem sequer haveria uma fase
de transição para um modelo democrático binacional, mas sim a imposição de uma
teocracia ou de um governo sob lei islâmica radical a Shária.
2. O Destino da População Judia
O cenário para os mais de 7 milhões e meio de judeus israelita
seria de uma situação de vulnerabilidade extrema:
- Expulsão
em Massa: Analistas sugerem que uma parte da população tentaria
fugir como refugiada para a Europa ou Américas, revertendo o processo
migratório do século XX.
- Violência
Generalizada: Dada a retórica de "purificação" e os
precedentes de ataques contra civis (como o de 7 de outubro), há um risco
real de massacres em larga escala e sobretudo de limpeza étnica.
- Status de Dhimmi: Sob uma interpretação radical, os que permanecessem (e seriam poucos) teriam que ser forçosamente reduzidos ao status de dhimmis (protegidos, mas inferiores), sem direitos políticos e sujeitos a impostos especiais (jizya), vivendo sob a tutela do novo domínio, mas mesmo assim não estariam totalmente livres de pogroms como havia na Palestina antes de 1948.
3. Crise Global e nova Diáspora
A perda de Israel teria um efeito dominó no mundo, recrudescimento de ataques antissemitas por toda a parte, radicalização do islão, fragilidade geopolítica da europa, para o povo judeu uma situação de grande vulnerabilidade e perigo existencial.
- Insegurança
para Comunidades Judaicas: Israel é visto como o "porto
seguro" final. Sem ele, o antissemitismo global poderia
intensificar-se, pois o povo judeu perderia seu suporte geopolítico e
militar.
- Mudança
na Ordem Mundial: A vitória de milícias xiitas e do Irã alteraria
permanentemente o equilíbrio de poder no Médio Oriente, fortalecendo o
fundamentalismo em detrimento de Estados árabes moderados, e seria também
uma ameaça para a Europa, os Balcãs e a Península Ibérica são considerados
pelos mais radicais parte do Dar Al-Islam, a ser reconquistado e islamizado.
O historiador brasileiro, também professor de filosofia,
Luiz Felipe Pondé resumiu numa entrevista à TV Cultura a situação afirmando
que, diferentemente de outros países que podem perder territórios e continuar
existindo, "se Israel perder uma guerra, simplesmente deixa de
existir".
A Doutrina Begin é o pilar de sobrevivência
que sustenta a estratégia de defesa de Israel contra ameaças existenciais,
baseada na premissa de que o país não pode se dar ao luxo de perder sequer uma
única guerra, foi enunciada pelo Primeiro-Ministro Menachem Begin em 1981, esta
doutrina estabelece que Israel não permitirá que nenhum inimigo na
região que busque sua destruição adquira armas de destruição em massa (ADM),
especialmente armas nucleares
- Ataque
Preventivo: A lógica é de "autodefesa antecipatória".
Israel prefere agir sozinho e preventivamente do que esperar que uma
ameaça nuclear ou biológica se concretize.
- Ações
Históricas: Esta política foi aplicada na destruição do reator
iraquiano Osirak (1981) e do reator sírio Al-Kibar (2007).
- Foco
Atual: Hoje, a doutrina é o principal motor das ações israelenses
contra o programa nuclear do Irã, visando evitar que o "Eixo da
Resistência" alcance paridade estratégica ou capacidade de
aniquilação
O que dizem os analistas sobre uma "Derrota de
Israel"
Analistas geopolíticos e militares tratam o cenário de uma
derrota total de Israel não apenas como um evento militar, mas como um colapso
civilizacional para o povo judeu:
- Inexistência
de "Plano B": Diferente de nações com vastos
territórios, Israel possui "falta de profundidade estratégica".
Uma derrota militar nas fronteiras atuais levaria rapidamente o combate
para dentro dos centros urbanos (Tel Aviv, Jerusalém), resultando na dissolução
imediata da estrutura estatal.
- O
"Fim do Porto Seguro": Especialistas como o historiador
Benny Morris alertam que Israel é o único lugar onde os judeus detêm o
poder de se defender. Sem o Estado, o povo judeu voltaria a ser uma
minoria dispersa e vulnerável em escala global, enfrentando o que muitos
descrevem como o risco de um "segundo Holocausto".
- Caos
Regional: Analistas indicam que uma vitória de grupos como o
Hamas ou o Hezbollah não resultaria em um Estado palestino estável, mas em
uma disputa sangrenta entre milícias radicais, transformando a região em
um vácuo de poder dominado pelo fundamentalismo iraniano.
- Questão
da Legitimidade: Recentemente, alguns analistas observam que
Israel enfrenta uma "guerra de legitimidade". Mesmo vencendo
militarmente, a perda de apoio internacional e o isolamento diplomático
são vistos como uma forma de "derrota lenta" que pode
comprometer a viabilidade do país a longo prazo
Visão dos Geopolíticos
O desaparecimento de Israel teria implicações profundas e
desestabilizadoras para a segurança da Europa e do Ocidente, transformando
radicalmente o equilíbrio de poder global e a ordem interna das sociedades
ocidentais, a perceção entre os especialistas divide-se em eixos principais:
- Pilar
da Ordem Liberal: Para muitos, Israel é a única democracia real
na região e o principal instrumento para garantir um Oriente Médio que não
seja hostil aos valores ocidentais. Sua perda sinalizaria o declínio da
hegemonia dos EUA e a falência da ordem internacional baseada em regras.
- Efeito
Dominó Regional: Geopolíticos alertam que o desaparecimento de
Israel desequilibraria nações árabes moderadas (como Jordânia e Egito),
que hoje mantêm tratados de paz e cooperação com o país. Isso poderia
levar à queda desses regimes e à criação de um bloco antiocidental
contínuo do Mediterrâneo ao Golfo Pérsico.
- Polarização
Social no Ocidente: O conflito já gera divisões internas na
Europa. Um cenário de derrota total de Israel intensificaria conflitos
sociais, ondas de antissemitismo e islamofobia, desafiando a coesão das
democracias europeias.
Em suma, para a maioria dos analistas, Israel não é apenas um Estado em disputa, mas um "ativo estratégico crítico" cujo fim deixaria o Ocidente mais cego, mais vulnerável ao terrorismo e sem seu principal aliado democrático no Médio Oriente.
quinta-feira, março 26, 2026
Filipe de Freitas Leal


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