Sempre fui uma pessoa transparente e pautei a minha vida pela clareza das minhas posições, desde os meus ideais políticos e ideológicos até à minha conversão ao judaísmo. Face ao atual conflito no Irão, sinto a necessidade de partilhar com os meus amigos a minha visão sobre este momento dramático.
Quero que fique claro: em momento algum apoio a violência nem me regozijo com a morte de quem quer que seja. Defendo, sim, o direito do Estado de Israel a proteger-se perante ameaças existenciais, sejam elas de grupos terroristas ou de Estados que coloquem em causa a sobrevivência do povo judeu. Contudo, como em tudo na vida, existem limites éticos intransponíveis.
Condeno veementemente o bárbaro bombardeamento ocorrido no passado dia 28 de fevereiro, no Irão, que atingiu uma escola primária e ceifou a vida a cerca de 170 meninas. Este é um acontecimento que nunca deveria ter ocorrido, sob hipótese alguma. Como pai, sinto uma tristeza profunda e uma revolta imensa perante a morte injusta de crianças inocentes. Os objetivos militares deveriam ser estritamente cirúrgicos; atingir civis, muitos dos quais desejavam uma mudança mas não a custo do sangue do seu próprio povo, é um erro trágico e inaceitável.
Além disso, creio que a intervenção militar não deve ter como fim último a simples mudança de regime pela força, mas sim a neutralização de ameaças nucleares e balísticas. É imperativo evitar que o Irão colapse numa catástrofe humanitária ou numa guerra civil que gere um vazio de poder, tal como aconteceu na Síria ou na Líbia. A meu ver, nem a morte de Ali Khamenei deveria ter sido procurada desta forma; se em vida era um tirano, morto corre o risco de ser transformado em mártir.
A guerra deve ser sempre o último recurso face a ameaças à existência. No entanto, não podemos aceitar que existam danos 'colaterais' que signifiquem a morte de inocentes. A justiça e a defesa não se podem divorciar da humanidade.
Este texto abordou eventos extremamente recentes e sensíveis referentes ao conflito iniciado em 28 de fevereiro de 2026. Texto que preserva a minha transparência e os meus valores e ideias tendo organizado os argumentos de forma a reforçar a minha visão ética e humanitária.
sábado, março 14, 2026
Filipe de Freitas Leal


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