terça-feira, 24 de julho de 2012

O Plano Nacional de Saúde para Pessoas Idosas

As mudanças que têm vindo a ocorrer no mundo, têm tido um impacto derradeiro, no que toca à estrutura demográfica, sobretudo nos países do velho continente, ao qual Portugal não está isento, como aliás é um dos países em que o envelhecimento demográfico, tem sido mais acentuado e com consequências bastante preocupantes, sobretudo no que toca à sustentabilidade do sistema de pensões, reformas e segurança social, tendo em conta que o envelhecimento demográfico, que este trabalho aborda, acontece no topo em que a esperança de vida à nascença, tem vindo a aumentar, atingindo hoje para os homens os 76,4 anos e para as mulheres os 82,3 fazendo uma média de 79,5 anos,[1] mas esse envelhecimento é agravado na base, com uma natalidade a reduzir, os portugueses têm hoje, cada vez menos filhos, atualmente o índice sintético de fertilidade em Portugal é de cerca de 1,3 filhos por mulher[2].

1 - Introdução
"Quem motiva uma boa ação,
É tão meritório como quem a pratica”
Talmude

O envelhecimento na estrutura demográfica portuguesa, não fica só pelo índice de natalidade e esperança de vida, mas influi diretamente no que é a parcela da população ativa que contribui para as reformas e outros apoios sociais, mas também de forma indireta influi até nos hábitos de consumo e na produtividade da economia portuguesa, visto haver indícios que a população está a diminuir e respectivamente a população em idade ativa devido ao envelhecimento demográfico que atingiu o nível 5.
Todas estas alterações influem, não só na maneira como passamos a ver a população idosa, mas também paulatinamente e de forma clara, constrói-se uma nova imagem do idoso num contexto de integração intergeracional, que é alias o tema do Ano Europeu para o Envelhecimento Ativo e da solidariedade entre gerações, é pertinente no que toca à discussão desta realidade social bem como da promoção do diálogo intergeracional criador de uma nova cultura e atitude de integração.
Mas o que se passa com o envelhecimento populacional, não faz só mudar a opinião pública sobre a população idosa, mas também e devido às consequências sócio-económicas, faz com que se tenham de aplicar políticas públicas para o apoio à terceira idade, mas também políticas pública que possam prever e promover o crescimento populacional, com o intuito de sanar este e outros problemas que afetam a população idosa no país, que é já uma importante fatia do mercado interno de consumo e um dos setores económicos que mais cresce.
Segundo previsões das Nações Unidas, até 2050, haverá um aumento considerável de pessoas de 65 anos e mais anos, como diz o artigo “O Futuro é Grisalho[3], afirmando que o futuro será grisalho ou melhor dizendo será idoso.
Portanto o problema do envelhecimento é acima de tudo um problema social que merece a maior atenção, pois também é um problema económico e um problema político, requerendo a maior atenção das autoridades com políticas adequadas,[4] sendo que hoje a idade da velhice e a idade da reforma deixaram de ser coincidentes.
Uma das consequências sociais do envelhecimento a par do desenvolvimento tecnológico é que no futuro haverá falta de trabalho para uma grande parcela da sociedade, os sistemas sociais de solidariedade fragilizam-se e a civilização que até aqui existiu, do “Estado Providência”, acabou, urge pois que um novo modelo surja baseado num novo paradigma, e passa obviamente pela aplicação justa e adequada de políticas sociais.

2 – O que são políticas públicas e o que visam
“O meu ideal político é a democracia
Para que todo o homem seja respeitado como individuo
E nenhum seja venerado.”
Albert Einstein

Como disse na introdução, há muitos problemas de ordem estrutural que hoje afetam e de forma bastante significativa a sociedade em que vivemos, tanto no presente como no futuro próximo, mas o que de facto vêm a ser as políticas? E em particular para a população idosa?

Políticas sociais ou políticas públicas, são programas governamentais ou de organismos oficiais, que visam dar resposta especifica a problemas específicos da sociedade, dentro do âmbito de governo nacional, regional ou municipal.
As políticas públicas debruçam-se sobre os problemas prementes da sociedade, tentando colmatar as consequências nefastas da pobreza e exclusão social, criminalidade e delinquência, analfabetismo, saúde e epidemias, habitação, transportes, emprego e formação profissional e um vasto rol de aspectos socio-económicos e estruturais que na visão de Karl Marx baseavam-se quer nas “infra-estruturas” quer nas “supra-estruturas”  que estavam na base da organização social, económica e política da sociedade, modelo esse que é valido sociologicamente, e que se tem que ter em conta para planear essas políticas, que visam a normalização dos problemas estruturais, quer seja pela previsão, promoção, ou manutenção, como é o caso de políticas sociais para idosos como o PAII Programa de Apoio Integrado para os Idosos, dependentes, que visa responder às necessidades da população idosa em situação de dependência, dando assistência domiciliar, como o SADI Serviço de Apoio Domiciliário Integrado,  as UAI Unidades de Apoio Integrado, e abrangendo ainda o Plano Avô, que é um apoio à iniciativa privada social.
Os sistemas de segurança social, que estão neste momento em crise, foram durante muito tempo a resposta mais eficaz de apoio e de certa forma, evitaram políticas sociais mais pormenorizadas e de intervenções mais cirúrgicas como hoje, devido ao modelo que à época se praticava, embora construídos sob modelos diferenciados, os modelos de proteção social, visavam proteger os trabalhadores, as famílias e a velhice do conjunto dos seus cidadãos mais carenciados, segundo a lógica cristã (e também marxista) de cada um consoante as suas possibilidades para cada qual consoante as suas necessidades, através dos impostos que se recebia para serem distribuídos pela população consoante as necessidades,  hoje a população idosa é um dos maiores consumidores do sistema de proteção social, e é já uma fatia importante do mercado, havendo um crescente aumento de serviços de iniciativa privada voltados para a população idosa, desde saúde e cuidados domiciliários até a viagens de recreio e equipamentos adequados para o lar.[5]

3 – O Enquadramento do Programa de Saúde para Idosos
“Tememos a velhice,
À qual não temos a certeza
De poder chegar.”
Jean  de La Bruyère
Mas resta portanto definido que está o conceito de política social, analisar como é aplicada, e para tal abordo neste trabalho de uma política específica.
Numa conjuntura difícil, em que há claramente uma redução significativa do poder de compra, sobretudo das populações idosas, época da vida em que menos se ganha e em que mais despesas se tem, devido à fragilidade da saúde e ao défice de mobilidade, requer que os cuidados de saúde sejam um dos elementos chaves para atender a uma população idosa, permitindo que essa parcela crescente e cada vez maior, a que todos nós almejamos chegar, chegue à velhice e a viva com condições de saúde, autonomia, independência e satisfação, ou por outras palavras que viva uma velhice com qualidade.
Definir conceitos e elaborar projetos ou “desenhos” de programas de políticas públicas na área da população idosa é deveras fácil, mas é mister que se faça à luz do conhecimento científico, do que é verdadeiramente o envelhecimento antes de tudo, e fazê-lo claro com o apoio da gerontologia. Ciência multidisciplinar que nos pode auxiliar, visto ser esta ciência que estuda a velhice nos seus processos biológicos, psicológicos e sociais, e compreende-se hoje a velhice não como um problema, mas como um processo natural do ciclo da vida, como um processo de mudança genético-biológicos, sócio-culturais e psicossociais que se inicia mesmo antes do nascimento, ou seja além do envelhecimento físico a velhice é um constructo social não isento por vezes de uma gerontofobia.[6]
O Programa Nacional de Saúde Para as Pessoas Idosas, visa pois promover as condições de saúde à população idosa, um dos aspectos relevantes é de que em Portugal a maior causa de mortalidade na população com 65 anos ou mais (ver imagem IV), são as doenças do aparelho circulatório e os tumores malignos. Logo com esse dado  somado ao facto da possibilidade de os Acidentes Vasculares Cerebrais  aumentarem conforme a idade, torna-se um dado valioso na aplicação de uma política pública de saúde com vista a minorar esse problema. Embora o isolamento dos idosos no interior do Portugal profundo esteja abrangido por lei a este plano, a realidade é que a ajuda chega sempre mais tarde e por vezes de forma fatal no socorro desta população.
Claro está que somando aos aspectos científicos da gerontologia, aqui os dados da nossa geografia humana e até física de Portugal, com um litoral populoso e um interior deserto trazem repercussões no modo como se socorre os idosos, embora no interior tenham maiores possibilidades de ter alguma qualidade de vida.

4 – A Finalidade do Programa
“A coisa mais importante para toda a vida
é a escolha da profissão:
 quanto a isso, só o acaso dispõe.”
Blaise Pascal

O Plano Nacional de Saúde para Pessoas Idosas, foi um plano, que teve uma janela de tempo inicialmente prevista de 2004 até 2010, sob a alçada em termos normativos do Ministério da Saúde e da DGS Direção Geral da Saúde, plano esse que estava destinado a ser aplicado pelos profissionais da rede de centros de saúde, rede hospitalar e rede de cuidados continuados, complementados por orientações técnicas advindas da DGS sempre que assim se faça necessário,

Neste plano referido, do setor público da saúde, há no entanto a falha de não poder atingir todos os fatores relacionados com a saúde do idoso nos seus impactos no que toca à vida dos familiares, bem como aspectos referentes a ambientes urbanos, segurança pessoal, negligência, fatores ainda relacionados com abusos psicológicos, físicos ou sexuais, pelo que não implica que um mecanismo de integração com outros serviços pudesse ser alavancado no intuito de criar mecanismo de alerta e de apoio para prevenir tais situações, apoiando claramente as famílias que são os primeiros e os principais cuidadores.
Falta também, uma estratégia nacional concertada, no que toca às políticas públicas que promovam programas e ações de apoio à população idosa de forma integradora, dentro de uma orientação uniformizada a nível nacional, mas descentralizada pelos vários patamares quer regional quer do poder locar, indo até à freguesia e ao bairro ao encontro das populações idosas, com um projeto que seja claramente o de criar condições para um vida longa, e um envelhecimento ativo e bem sucedido, a velhice não pode ser culturalmente encarada como a antecâmara da morte, mas uma fase entre outras, que merece ser vivida com plenitude apesar dos défices que a idade impõe, incluída numa cultura intergeracional.
O PNSPI é criado dentro de um modelo consubstanciado na Rede de Cuidados Continuados de Saúde, que se propõe a criar sinergias entre diversas experiencias anteriores, que de políticas públicas nacionais ou locais, mas emanadas por organizações internacionais, como o Plano Internacional para o Envelhecimento de 2002, que gerou inclusive o PAII Plano de Apoio Integrado a Idosos, com o apoio técnico e o aval do Conselho Nacional para a Política da Terceira Idade e recebendo claramente a luz verde da Sociedade Portuguesa de Geriatria e Gerontologia (Seção da Sociedade de Ciências Médicas de Lisboa).
São observados no plano de forma inequívoca, os princípios das Nações Unidas, sobre os direitos da Pessoas Idosas, no que toca à sua independência, participação, auto-realização e dignidade.
Para além dos direitos acima o plano prevê que o idoso deve ser respeitado, no que toca ao reconhecimento dos idosos como um grupo heterogéneo que deve der respeitado e mantida a sua integridade e preservada a sua intimidade.
O PNSPI assenta em três pilares básicos:
1º - A promoção de um envelhecimento ativo ao longo de toda a vida;
2º - maior adequação dos cuidados de saúde às necessidades específicas das pessoas idosas;
3º - Promoção e desenvolvimento intersetorial de ambientes capacitadores da autonomia e independência das pessoas idosas.
Voltando para as pessoas idosas mais frágeis as prioridades de cuidados especiais frente à vulnerabilidade da idade avançada, pois as idades não sendo todas iguais, embora sendo todos idosos, tem vindo a fazer com que o conceito de “terceira idade” começasse a desaparecer do léxico terminológico dos vários profissionais, quer os de cuidados geriátricos, quer os de Gerontologia, bem como no uso habitual dos profissionais de saúde em particular, e a longo prazo da população em geral, pois não há uma terceira idade e sim uma população idosa, de idades diferentes, com características próprias e personalidade própria e inalienável que põe por terra o termo que pode ser tido como preconceituoso de “terceira idade”.
Tem portanto uma finalidade de atingir uma população com 65 anos e mais, pretendendo contribuir para o conceito de envelhecimento ativo, promovendo a longevidade com qualidade.
Para além dos cuidados de saúde, já referidos atrás neste trabalho, deve incluir-se a promoção de atividades físicas, desenvolvimento das funções cognitivas, gestão do sono e vigília, cuidados e noções de nutrição adequada à idade e a manutenção de uma velhice bem sucedida.
Com isso, e atingindo os objetivos pretende que os resultados sejam a de criar maior autonomia possível para o idoso no seu lar; recuperação da saúde oral, melhoria dos cuidados de saúde e a abordagem sobre os perigos da auto-mediação e polimedicação pela melhoria de acesso à informação  sobre saúde e medicação; Apoio psicológico a idosos com companheiros doentes de Alzheimer, Parkinson, ou outras doenças degenerativas.
O PNSPI é de suma importância no cuidado com a população idosa, mas também tem em si de forma implícita a consciencialização das demais populações de diversas faixas etárias e gerações, com o intuito de incutir que a velhice é uma fase da vida a que ninguém tem a certeza de chegar, mas que chegando deve ser vivida da melhor forma possível e com toda a dignidade que merece a pessoa humana, o mesmo é dizer, que somos todos nós ontem, hoje e amanhã.

5 – Bibliografia

CAPUCHA, Luís (2007) – “Envelhecimento e políticas sociais: Sociologia, 15, Pp. 337-348 Porto, Faculdade de Letras da UP.
FERNANDES, Ana Alexandra, Velhice, Solidariedades familiares e política social, Sociologia [online]. 2001, n.36 [citado  2012-06-12], pp. 39-52 .
MARTINS, Rosa M. L. e RODRIGUES, Maria L. M. (2004) Estereótipos sobre idosos, uma representação social gerontofóbica, pp 249-254  Viseu,  Instituto Superior Politécnico de Viseu.
MARUJO, Joaquim Parra, VER , Valores, Ética e Responsabilidade, O Futuro é grisalho, acedido em 11/06/2012 www.ver.pt/conteudos
Pordata, Base de Dados Portugal Contemporâneo,  Índice Sintético da Fecundidade, www.pordata.pt/esperanca-de-vida
Pordata, Base de Dados Portugal Contemporâneo,  Índice Sintético da Fecundidade, www.pordata.pt/Europa
[1] Pordata, Base de Dados Portugal Contemporâneo,  Índice Sintético da Fecundidade, www.pordata.pt
[2] Pordata, Base de Dados Portugal Contemporâneo,  Índice Sintético da Fecundidade, www.pordata.pt/indice
[3] MARUJO, Joaquim Parra, VER , Valores, Ética e Responsabilidade, O Futuro é grisalho, acedido em 11/06/2012 http://www.ver.pt/conteudos
[4] FERNANDES, Ana Alexandra, Velhice, Solidariedades familiares e política social, Sociologia [online]. 2001, n.36 [citado  2012-06-12], pp. 39-52 . Disponível em: www.scielo.gpeari.mctes.pt
[5] CAPUCHA, Luís (2007) – “Envelhecimento e políticas sociais: Sociologia, 15, Pp. 337-348 Porto, Faculdade de Letras da UP.
[6] MARTINS, Rosa M. L. e RODRIGUES, Maria L. M. (2004) Estereótipos sobre idosos, uma representação social gerontofóbica, pp 249-254  Viseu,  Instituto Superior Politécnico de Viseu.


Por Filipe de Freitas Leal

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Sobre o Autor

Filipe de Freitas Leal nasceu em Lisboa, em 1964, estudou Serviço Social pelo Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas da Universidade de Lisboa. Estagiou como Técnico de Intervenção Social numa Instituição vocacionada à reinserção social de ex-reclusos e apoio a famílias em vulnerabilidade social, é blogger desde 2007, de cariz humanista, também dedica-se a outros blogs de temas diversos.

Manifesto e Linha Editorial do Blog

Manifesto Editorial: Etcetera - O Blog Humanista

I - Princípios e Ética Editorial

O Etcetera - O Blog Humanista rege-se por padrões intransigentes de responsabilidade, alicerçados na honestidade intelectual e no respeito absoluto pela pluralidade de ideias. Promovemos um diálogo democrático e vigoroso, assegurando total independência face a interesses políticos, económicos ou confessionais. O nosso foco central é — e será sempre — o Ser Humano. Abordamos todas as temáticas com rigor analítico, recusando liminarmente o sensacionalismo e ataques de natureza pessoal ou institucional. Rejeitamos com firmeza o policiamento do pensamento, as derivas do dogmatismo ideológico e a esterilidade das políticas de cancelamento. Negamo-nos a ceder ao facilitismo de uma linha editorial binária de esquerda ou direita; tal posicionamento é redutor, asfixia a inteligência e trai o nosso propósito maior: a partilha do conhecimento e da cultura em total liberdade de pensamento.

II - Matriz Identitária e Missão

A nossa identidade alicerça-se no ideal Humanista, no pacifismo e na defesa intransigente dos Direitos Humanos. Assumimos como missão a promoção da verdade factual e da cidadania ativa num mundo saturado de desinformação. Pautamo-nos pela busca constante de uma justiça social que se reflita em cada reflexão publicada, acreditando que o conhecimento só cumpre o seu propósito quando democratizado e colocado ao serviço da dignidade humana.

III - Posicionamento e Geopolítica

Estimulamos o debate crítico sobre as questões mais prementes da atualidade internacional, com especial atenção à complexidade do Médio Oriente, ao conflito israelo-palestiniano e às dinâmicas da geopolítica global. A nossa linha editorial é de combate ativo a todas as formas de preconceito. Denunciamos o antissemitismo, o antissionismo, bem como a islamofobia, o terrorismo e o fanatismo político e religioso, venham de que quadrante vierem. Em contrapartida, defendemos a solidariedade internacional e a sustentabilidade ecológica como os únicos pilares capazes de sustentar uma civilização equilibrada.

IV - O Cruzamento de Saberes (Ampliado)

Entendemos que a política e a economia não podem ser compreendidas de forma isolada. Por isso, o Etcetera propõe uma abordagem interdisciplinar: aqui, o rigor da História e da Sociologia converge com a sensibilidade da Poesia, da Música e das Artes Visuais. Acreditamos que a cultura é a ferramenta máxima de interpretação do mundo. Este é um espaço onde o saber académico convive com a reflexão quotidiana, oferecendo ao leitor não apenas informação, mas contexto e profundidade.

V - Compromisso Pedagógico e Comunitário

Com periodicidade semanal, publicado em português de Portugal e com tradução dedicada para o inglês britânico, o blog integra na maioria dos seus artigos, referências bibliograficas de pesquisa e consulta. Assumimo-nos, por isso, como um serviço independente e de natureza voluntaria, dedicado à pedagogia social. Mais do que um monólogo, este é um espaço de construção coletiva. Todos os artigos estão abertos ao comentário e à crítica construtiva, sob uma supervisão editorial que garante um ambiente de debate seguro, elevado e respeitoso. Convidamos o leitor a ser parte ativa desta jornada em busca de um pensamento livre e humanizado.

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English Version

Editorial Manifesto: Etcetera – A Humanist Blog

I — Editorial Principles and Ethics

Etcetera – A Humanist Blog is governed by uncompromising standards of responsibility, rooted in intellectual honesty and absolute respect for the plurality of ideas. We promote a democratic and vigorous dialogue, ensuring total independence from political, economic, or religious interests. Our central focus is — and shall always be — the Human Being. We approach all themes with analytical rigour, categorically rejecting sensationalism and attacks of a personal or institutional nature. We firmly reject the policing of thought, the drifts of ideological dogmatism, and the sterility of cancel culture. We refuse to yield to the facilitism of a binary left-or-right editorial line; such a positioning is reductive, stifles intelligence, and betrays our greater purpose: the sharing of knowledge and culture in total freedom of thought.".

II — Identity and Mission

Our identity is founded upon the Humanist ideal, pacifism, and the unwavering defence of Human Rights. Our mission is to promote factual truth and active citizenship in a world saturated with disinformation. We are guided by a constant pursuit of social justice, reflected in every published piece, believing that knowledge only fulfils its purpose when democratised and placed at the service of human dignity.

III — Positioning and Geopolitics

We encourage critical debate on the most pressing issues in international affairs, with particular focus on the complexities of the Middle East, the Israeli-Palestinian conflict, and the dynamics of global geopolitics. Our editorial line is one of active opposition to all forms of prejudice. We denounce antisemitism and anti-Zionism, as well as Islamophobia, terrorism, and political or religious fanaticism, from wichever quarter they may arise. Conversely, we advocate for international solidarity and ecological sustainability as the only pillars capable of upholding a balanced civilisation.

IV — The Intersection of Knowledge

We contend that politics and economics cannot be understood in isolation. Consequently, Etcetera proposes an interdisciplinary approach: here, the rigour of History and Sociology converges with the sensitivity of Poetry, Music, and the Visual Arts. We believe that culture is the ultimate tool for interpreting the world. This is a space where academic knowledge coexists with everyday reflection, offering the reader not merely information, but context and depth.

V — Pedagogical and Community Commitment

Published weekly in Portuguese and featuring a dedicated British English translation, the blog incorporates comprehensive bibliographic references for further research and consultation in most of its articles. As such, we operate as an independent, voluntary service dedicated to social pedagogy. Rather than a monologue, this is a space for collective contribution. All articles are open to comment and constructive criticism under editorial supervision, ensuring an environment of safe, elevated, and respectful debate. We invite the reader to be an active participant in this journey towards free and humanised thought."

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Sobre o Autor | About the Author

PT Filipe de Freitas Leal nasceu em Lisboa (Portugal), em 1964, é licenciado em Serviço Social pelo ISCSP (Universidade de Lisboa) e pós-graduado em Políticas Públicas e Desigualdades Sociais pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. Na sua trajetória profissional, destaca-se o estágio em reinserção social de ex-reclusos e o apoio a famílias em situação de vulnerabilidade. No mundo digital, é blogger desde 2007, atuou como ilustrador, editor e autor, conta já com oito livros publicados em áreas distintas, que vão desde o Serviço Social, Poesia até à Ciência Política, escreve artigos sobre atualidade política e conflitos geopolíticos.

EN Filipe de Freitas Leal was born in Lisbon in 1964. He holds a degree in Social Work from ISCSP (University of Lisbon) and a postgraduate degree in Public Policy and Social Inequalities. He also attended a Master’s program in Sociology at the Faculty of Social Sciences and Humanities (Universidade Nova de Lisboa). His professional background includes social reintegration of former inmates and support for families in situations of social vulnerability. A blogger since 2007, he has acted as an illustrator and independent editor, with eight published books ranging from Social Work and Poetry to Political Science. He currently writes about political current affairs and geopolitical conflicts.

segunda-feira, 23 de julho de 2012

Música - Malaika - Miriam Makeba

Todos os povos, têm a sua voz sonante, a sua musa da canção, como os portugueses com a sua Amália Rodrigues, os argentinos com Mercedes Sosa, os indianos com Ravi Shankar, e os sul-africanos têm na voz inesquecível de Miriam Makeba  (Joanesburgo1932 — Castel Volturno2008) cantora conhecida como "Mama África; aqui mais uma marcante e encantadora música de alguém que nos ensinou juntamente com outras musas e vozes, a conhecer novas pessoas, novos lugares, novas cores, novas línguas, ideias e culturas, porque todos somos um através da arte e de uma cidadania da multiculturalidade.

Malaika (My Angel)

Malaika, nakupenda Malaika
Malaika, nakupenda Malaika
Ningekuoa mali we, ningekuoa dada
Nashindwa na mali sina we, Ningekuoa Malaika
Nashindwa na mali sina we, Ningekuoa Malaika

Pesa zasumbua roho yangu
Pesa zasumbua roho yangu
Nami nifanyeje, kijana mwenzio
Nashindwa na mali sina we Ningekuoa Malaika
Nashindwa na mali sina we Ningekuoa Malaika

Kidege, hukuwaza kidege
Kidege, hukuwaza kidege
Ningekuoa mali we, ningekuoa dada
Nashindwa na mali sina, we Ningekuoa Malaika
Nashindwa na mali sina, we Ningekuoa Malaika

Malaika, nakupenda Malaika
Malaika, nakupenda Malaika
Ningekuoa mali we, ngekuoa dada
Nashindwa na mali sina we, Ningekuoa Malaika
Nashindwa na mali sina we, Ningekuoa Malaika



Malaika (Me Anjo)

Angel, eu te amo Anjo
Angel, eu te amo Anjo
Nós propriedade Ningekuoa, eu me casaria com você, irmã
Eu não posso e não temos propriedade, Ningekuoa Anjos
Eu não posso e não temos propriedade, Ningekuoa Anjos

Dinheiro zasumbua minha alma
Dinheiro zasumbua minha alma
E o que devo fazer, rapaz seu amigo
Eu não posso e suas propriedades que Ningekuoa Anjos
Eu não posso e suas propriedades que Ningekuoa Anjos

Bird, pássaro que você pensou
Bird, pássaro que você pensou
Nós propriedade Ningekuoa, eu me casaria com você, irmã
Eu não posso com seus ativos, nós Ningekuoa Anjos
Eu não posso com seus ativos, nós Ningekuoa Anjos

Angel, eu te amo Anjo
Angel, eu te amo Anjo
Nós Ningekuoa propriedade, ngekuoa irmã
Eu não posso e não temos propriedade, Ningekuoa Anjos
Eu não posso e não temos propriedade, Ningekuoa Anjos



Por Filipe de Freitas Leal

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Sobre o Autor

Filipe de Freitas Leal nasceu em Lisboa, em 1964, estudou Serviço Social pelo Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas da Universidade de Lisboa. Estagiou como Técnico de Intervenção Social numa ONG, vocacionada à reinserção social de ex-reclusos e apoio a famílias em vulnerabilidade social, é blogger desde 2007, de cariz humanista, também dedica-se a outros blogs de temas diversos e poesia.

sábado, 21 de julho de 2012

Crise - Cresce Insolvência de Famílias e Empresas

Em Portugal  verificou-se um aumentou na ordem de 83% no numero de insolvências de famílias e falências de empresas, só no primeiro semestre deste ano, o mesmo é dizer que triplicou face ao ano passado, sendo que terão dado entrada nos tribunais, cerca de 53 processos diariamente, o que acarreta que os tribunais fiquem agora totalmente repletos de processos, segundo o jornal público.
Tudo isto é consequência da crise financeira europeia que afeta vários países da zona euro e que se vive também em Portugal, em especial na Região Norte, onde o número de falências e insolvências é muito superior ao resto do país, tudo isto é vivido num ciclo vicioso de falência de empresas, desemprego e falta de capacidade financeira para os particulares continuarem a respeitar os pagamentos das suas obrigações mensais, bem como inclusive gastos de saúde e alimentação, fazendo assim com que há hoje na sociedade portuguesa verdadeiros flagelos, vividos em silêncio e no desespero de homens, mulheres, crianças e idosos que não sabem o que fazer à vida.
O mercado de trabalho está estagnado e os índices de desemprego teimam em aumentar, engrossando ainda mais as famílias falidas.
Segundo dados do jornal "Publico" registaram-se 9.637 insolvências de famílias, sendo que um dos fatores associados à crise, desemprego, endividamento e perda de recursos financeiros é também o facto de as famílias estarem mais informadas sobre este mecanismo, e de o encarar como uma saída possível, como é o caso do site "Plano Viável" de Florbela Oliveira no programa de TV "Querida Júlia" onde dá informações pertinentes ao sobre endividamento e insolvência das famílias.



Autor Filipe de Freitas Leal

Sobre o Autor

Filipe de Freitas Leal nasceu em Lisboa, em 1964, estudou Serviço Social pelo Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas da Universidade de Lisboa. Estagiou como Técnico de Intervenção Social numa Instituição vocacionada à reinserção social de ex-reclusos e apoio a famílias em vulnerabilidade social, é blogger desde 2007, de cariz humanista, também dedica-se a outros blogs de temas diversos.

sexta-feira, 20 de julho de 2012

José Hermano Saraiva - O Adeus do Historiador

Portugal perdeu um dos seus mais ilustres cidadãos, trata-se do Professor José Hermano Saraiva (1919 - 2012), um dos grandes Historiadores de Portugal, que soube levar ao grande público, o gosto pela história e pela cultura do seu país, exerceu advocacia e também o ensino como professor universitário no ISCSPU Instituto Superior de Ciências Sociais e Política Ultramarina (atual ISCSP/UTL), além disso foi  membro da Academia das Ciências de Lisboa, foi embaixador no Brasil, apresentador de Televisão, com programas de história e cultura de Portugal desde 1972, na RTP Radiotelevisão Portuguesa, com programas como "O tempo e a alma" (1972) "Horizontes da Memória" (1996), "A alma e a gente" entre outros, da RTP, canal 2 (programação de maior incidência cultural).
Foi ele que fez  tantos portugueses aprenderam a gostar e respeitar, desde a sua infância, a história e cultura, sendo um dos seus livros mais populares, "História Concisa de Portugal" (1978) da Editora Europa América e da já célebre coleção Livros de Bolso que é ainda hoje um livro de referência do grande público.
Hermano Saraiva foi também ministro da educação e cultura de 1968 a 1970, no governo de Oliveira Salazar, e posteriormente de Marcello Caetano, tendo sido no entanto afastado após a crise estudantil de 1969, que ocorreu com protestos estudantis de abril até setembro desse ano, acompanhado de greves e repressão por parte da polícia política, após o afastamento, José Hermano Saraiva seria nomeado embaixador de Portugal no Brasil, cargo que ocupou até ao 25 de abril.
Hermano Saraiva, foi sobretudo um homem que soube criar o seu espaço, e ser respeitado após a revolução dos cravos de 25 de abril de 1974, devido ao seu grande valor como pessoa e homem das letras e da cultura.
Recentemente chegou a afirmar numa entrevista ao DN Diário de Notícias, "Penso que a morte não será muito desagradável, a não ser que se sintam dores. A pessoa deixou de sentir e, serenamente, entra no vago. De um modo geral, não tenho medo da morte." Afirmou em outubro de 2011, quando do seu 92º aniversário.



Em "Horizontes da Memória" RTP 2.

Autor Filipe de Freitas Leal

Sobre o Autor

Filipe de Freitas Leal nasceu em Lisboa, em 1964, estudou Serviço Social pelo Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas da Universidade de Lisboa. Estagiou como Técnico de Intervenção Social numa Instituição vocacionada à reinserção social de ex-reclusos e apoio a famílias em vulnerabilidade social, é blogger desde 2007, de cariz humanista, também dedica-se a outros blogs de temas diversos.

quinta-feira, 19 de julho de 2012

Música - Rosa de Hiroshima - Ney Matogrosso

Rosa de Hiroshima, é um poema escrito por Vinicios de Morais, e que foi adaptado para música, pelo grupo musical brasileiro dos anos 70, Secos e Molhados,  do qual fazia parte o cantor Ney Matogrosso, (a quem muito comumente é tido como o autor da música) está é uma música de intervenção política, embora não focasse a situação brasileira da altura, o Brasil vivia numa ditadura militar, apoiava a política externa estadunidense em todos os sentidos, e criticar a Bomba Atómica, era criticar os seu autores da bomba, da guerra fria e criticar o apoio que os Estados Unidos da América, davam a regimes ditatoriais com era o caso do próprio Brasil, bem como o Chile de Pinochet, ou ainda a Nicarágua de Anastácio Somoza. Mas é uma música que sobretudo combate a loucura humana da guerra levada ao seu extremo, o uso das armas nucleares.


Rosa de Hiroshima
(Letra: Vinicios de Morais, Música Gerson Conrad)


Pensem nas crianças
Mudas telepáticas
Pensem nas meninas
Cegas inexatas
Pensem nas mulheres
Rotas alteradas
Pensem nas feridas
Como rosas cálidas
Mas, oh, não se esqueçam
Da rosa da rosa
Da rosa de Hiroshima
A rosa hereditária
A rosa radioativa
Estúpida e inválida
A rosa com cirrose
A anti-rosa atômica
Sem cor sem perfume
Sem rosa sem nada



Texto escrito conforme o Acordo Ortográfico - Convertido pelo Lince

Cartoon # 05 - Eleições na Grécia

A propósito das ultimas eleições na Grécia, que devido à crise foram o foco e as atenções de toda a Europa; este cartoon foi retirado do site: "A Visão Humanista" tendo sido publicado a 18/06/2012.


Texto escrito conforme o Acordo Ortográfico - Convertido pelo Lince

 
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