terça-feira, 24 de julho de 2012

Manifesto e Linha Editorial do Blog

Manifesto Editorial: Etcetera - O Blog Humanista

I - Princípios e Ética Editorial

O Etcetera - O Blog Humanista rege-se por padrões intransigentes de responsabilidade, alicerçados na honestidade intelectual e no respeito absoluto pela pluralidade de ideias. Promovemos um diálogo democrático e vigoroso, assegurando total independência face a interesses políticos, económicos ou confessionais. O nosso foco central é — e será sempre — o Ser Humano. Abordamos todas as temáticas com rigor analítico, recusando liminarmente o sensacionalismo e ataques de natureza pessoal ou institucional. Rejeitamos com firmeza o policiamento do pensamento, as derivas do dogmatismo ideológico e a esterilidade das políticas de cancelamento. Negamo-nos a ceder ao facilitismo de uma linha editorial binária de esquerda ou direita; tal posicionamento é redutor, asfixia a inteligência e trai o nosso propósito maior: a partilha do conhecimento e da cultura em total liberdade de pensamento.

II - Matriz Identitária e Missão

A nossa identidade alicerça-se no ideal Humanista, no pacifismo e na defesa intransigente dos Direitos Humanos. Assumimos como missão a promoção da verdade factual e da cidadania ativa num mundo saturado de desinformação. Pautamo-nos pela busca constante de uma justiça social que se reflita em cada reflexão publicada, acreditando que o conhecimento só cumpre o seu propósito quando democratizado e colocado ao serviço da dignidade humana.

III - Posicionamento e Geopolítica

Estimulamos o debate crítico sobre as questões mais prementes da atualidade internacional, com especial atenção à complexidade do Médio Oriente, ao conflito israelo-palestiniano e às dinâmicas da geopolítica global. A nossa linha editorial é de combate ativo a todas as formas de preconceito. Denunciamos o antissemitismo, o antissionismo, bem como a islamofobia, o terrorismo e o fanatismo político e religioso, venham de que quadrante vierem. Em contrapartida, defendemos a solidariedade internacional e a sustentabilidade ecológica como os únicos pilares capazes de sustentar uma civilização equilibrada.

IV - O Cruzamento de Saberes (Ampliado)

Entendemos que a política e a economia não podem ser compreendidas de forma isolada. Por isso, o Etcetera propõe uma abordagem interdisciplinar: aqui, o rigor da História e da Sociologia converge com a sensibilidade da Poesia, da Música e das Artes Visuais. Acreditamos que a cultura é a ferramenta máxima de interpretação do mundo. Este é um espaço onde o saber académico convive com a reflexão quotidiana, oferecendo ao leitor não apenas informação, mas contexto e profundidade.

V - Compromisso Pedagógico e Comunitário

Com periodicidade semanal, publicado em português de Portugal e com tradução dedicada para o inglês britânico, o blog integra na maioria dos seus artigos, referências bibliograficas de pesquisa e consulta. Assumimo-nos, por isso, como um serviço independente e de natureza voluntaria, dedicado à pedagogia social. Mais do que um monólogo, este é um espaço de construção coletiva. Todos os artigos estão abertos ao comentário e à crítica construtiva, sob uma supervisão editorial que garante um ambiente de debate seguro, elevado e respeitoso. Convidamos o leitor a ser parte ativa desta jornada em busca de um pensamento livre e humanizado.

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English Version

Editorial Manifesto: Etcetera – A Humanist Blog

I — Editorial Principles and Ethics

Etcetera – A Humanist Blog is governed by uncompromising standards of responsibility, rooted in intellectual honesty and absolute respect for the plurality of ideas. We promote a democratic and vigorous dialogue, ensuring total independence from political, economic, or religious interests. Our central focus is — and shall always be — the Human Being. We approach all themes with analytical rigour, categorically rejecting sensationalism and attacks of a personal or institutional nature. We firmly reject the policing of thought, the drifts of ideological dogmatism, and the sterility of cancel culture. We refuse to yield to the facilitism of a binary left-or-right editorial line; such a positioning is reductive, stifles intelligence, and betrays our greater purpose: the sharing of knowledge and culture in total freedom of thought.".

II — Identity and Mission

Our identity is founded upon the Humanist ideal, pacifism, and the unwavering defence of Human Rights. Our mission is to promote factual truth and active citizenship in a world saturated with disinformation. We are guided by a constant pursuit of social justice, reflected in every published piece, believing that knowledge only fulfils its purpose when democratised and placed at the service of human dignity.

III — Positioning and Geopolitics

We encourage critical debate on the most pressing issues in international affairs, with particular focus on the complexities of the Middle East, the Israeli-Palestinian conflict, and the dynamics of global geopolitics. Our editorial line is one of active opposition to all forms of prejudice. We denounce antisemitism and anti-Zionism, as well as Islamophobia, terrorism, and political or religious fanaticism, from wichever quarter they may arise. Conversely, we advocate for international solidarity and ecological sustainability as the only pillars capable of upholding a balanced civilisation.

IV — The Intersection of Knowledge

We contend that politics and economics cannot be understood in isolation. Consequently, Etcetera proposes an interdisciplinary approach: here, the rigour of History and Sociology converges with the sensitivity of Poetry, Music, and the Visual Arts. We believe that culture is the ultimate tool for interpreting the world. This is a space where academic knowledge coexists with everyday reflection, offering the reader not merely information, but context and depth.

V — Pedagogical and Community Commitment

Published weekly in Portuguese and featuring a dedicated British English translation, the blog incorporates comprehensive bibliographic references for further research and consultation in most of its articles. As such, we operate as an independent, voluntary service dedicated to social pedagogy. Rather than a monologue, this is a space for collective contribution. All articles are open to comment and constructive criticism under editorial supervision, ensuring an environment of safe, elevated, and respectful debate. We invite the reader to be an active participant in this journey towards free and humanised thought."

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Sobre o Autor | About the Author

PT Filipe de Freitas Leal nasceu em Lisboa (Portugal), em 1964, é licenciado em Serviço Social pelo ISCSP (Universidade de Lisboa) e pós-graduado em Políticas Públicas e Desigualdades Sociais pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. Na sua trajetória profissional, destaca-se o estágio em reinserção social de ex-reclusos e o apoio a famílias em situação de vulnerabilidade. No mundo digital, é blogger desde 2007, atuou como ilustrador, editor e autor, conta já com oito livros publicados em áreas distintas, que vão desde o Serviço Social, Poesia até à Ciência Política, escreve artigos sobre atualidade política e conflitos geopolíticos.

EN Filipe de Freitas Leal was born in Lisbon in 1964. He holds a degree in Social Work from ISCSP (University of Lisbon) and a postgraduate degree in Public Policy and Social Inequalities. He also attended a Master’s program in Sociology at the Faculty of Social Sciences and Humanities (Universidade Nova de Lisboa). His professional background includes social reintegration of former inmates and support for families in situations of social vulnerability. A blogger since 2007, he has acted as an illustrator and independent editor, with eight published books ranging from Social Work and Poetry to Political Science. He currently writes about political current affairs and geopolitical conflicts.

segunda-feira, 23 de julho de 2012

Música - Malaika - Miriam Makeba

Todos os povos, têm a sua voz sonante, a sua musa da canção, como os portugueses com a sua Amália Rodrigues, os argentinos com Mercedes Sosa, os indianos com Ravi Shankar, e os sul-africanos têm na voz inesquecível de Miriam Makeba  (Joanesburgo1932 — Castel Volturno2008) cantora conhecida como "Mama África; aqui mais uma marcante e encantadora música de alguém que nos ensinou juntamente com outras musas e vozes, a conhecer novas pessoas, novos lugares, novas cores, novas línguas, ideias e culturas, porque todos somos um através da arte e de uma cidadania da multiculturalidade.

Malaika (My Angel)

Malaika, nakupenda Malaika
Malaika, nakupenda Malaika
Ningekuoa mali we, ningekuoa dada
Nashindwa na mali sina we, Ningekuoa Malaika
Nashindwa na mali sina we, Ningekuoa Malaika

Pesa zasumbua roho yangu
Pesa zasumbua roho yangu
Nami nifanyeje, kijana mwenzio
Nashindwa na mali sina we Ningekuoa Malaika
Nashindwa na mali sina we Ningekuoa Malaika

Kidege, hukuwaza kidege
Kidege, hukuwaza kidege
Ningekuoa mali we, ningekuoa dada
Nashindwa na mali sina, we Ningekuoa Malaika
Nashindwa na mali sina, we Ningekuoa Malaika

Malaika, nakupenda Malaika
Malaika, nakupenda Malaika
Ningekuoa mali we, ngekuoa dada
Nashindwa na mali sina we, Ningekuoa Malaika
Nashindwa na mali sina we, Ningekuoa Malaika



Malaika (Me Anjo)

Angel, eu te amo Anjo
Angel, eu te amo Anjo
Nós propriedade Ningekuoa, eu me casaria com você, irmã
Eu não posso e não temos propriedade, Ningekuoa Anjos
Eu não posso e não temos propriedade, Ningekuoa Anjos

Dinheiro zasumbua minha alma
Dinheiro zasumbua minha alma
E o que devo fazer, rapaz seu amigo
Eu não posso e suas propriedades que Ningekuoa Anjos
Eu não posso e suas propriedades que Ningekuoa Anjos

Bird, pássaro que você pensou
Bird, pássaro que você pensou
Nós propriedade Ningekuoa, eu me casaria com você, irmã
Eu não posso com seus ativos, nós Ningekuoa Anjos
Eu não posso com seus ativos, nós Ningekuoa Anjos

Angel, eu te amo Anjo
Angel, eu te amo Anjo
Nós Ningekuoa propriedade, ngekuoa irmã
Eu não posso e não temos propriedade, Ningekuoa Anjos
Eu não posso e não temos propriedade, Ningekuoa Anjos



Por Filipe de Freitas Leal

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Sobre o Autor

Filipe de Freitas Leal nasceu em Lisboa, em 1964, estudou Serviço Social pelo Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas da Universidade de Lisboa. Estagiou como Técnico de Intervenção Social numa ONG, vocacionada à reinserção social de ex-reclusos e apoio a famílias em vulnerabilidade social, é blogger desde 2007, de cariz humanista, também dedica-se a outros blogs de temas diversos e poesia.

sábado, 21 de julho de 2012

Crise - Cresce Insolvência de Famílias e Empresas

Em Portugal  verificou-se um aumentou na ordem de 83% no numero de insolvências de famílias e falências de empresas, só no primeiro semestre deste ano, o mesmo é dizer que triplicou face ao ano passado, sendo que terão dado entrada nos tribunais, cerca de 53 processos diariamente, o que acarreta que os tribunais fiquem agora totalmente repletos de processos, segundo o jornal público.
Tudo isto é consequência da crise financeira europeia que afeta vários países da zona euro e que se vive também em Portugal, em especial na Região Norte, onde o número de falências e insolvências é muito superior ao resto do país, tudo isto é vivido num ciclo vicioso de falência de empresas, desemprego e falta de capacidade financeira para os particulares continuarem a respeitar os pagamentos das suas obrigações mensais, bem como inclusive gastos de saúde e alimentação, fazendo assim com que há hoje na sociedade portuguesa verdadeiros flagelos, vividos em silêncio e no desespero de homens, mulheres, crianças e idosos que não sabem o que fazer à vida.
O mercado de trabalho está estagnado e os índices de desemprego teimam em aumentar, engrossando ainda mais as famílias falidas.
Segundo dados do jornal "Publico" registaram-se 9.637 insolvências de famílias, sendo que um dos fatores associados à crise, desemprego, endividamento e perda de recursos financeiros é também o facto de as famílias estarem mais informadas sobre este mecanismo, e de o encarar como uma saída possível, como é o caso do site "Plano Viável" de Florbela Oliveira no programa de TV "Querida Júlia" onde dá informações pertinentes ao sobre endividamento e insolvência das famílias.



Autor Filipe de Freitas Leal

Sobre o Autor

Filipe de Freitas Leal nasceu em Lisboa, em 1964, estudou Serviço Social pelo Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas da Universidade de Lisboa. Estagiou como Técnico de Intervenção Social numa Instituição vocacionada à reinserção social de ex-reclusos e apoio a famílias em vulnerabilidade social, é blogger desde 2007, de cariz humanista, também dedica-se a outros blogs de temas diversos.

sexta-feira, 20 de julho de 2012

José Hermano Saraiva - O Adeus do Historiador

Portugal perdeu um dos seus mais ilustres cidadãos, trata-se do Professor José Hermano Saraiva (1919 - 2012), um dos grandes Historiadores de Portugal, que soube levar ao grande público, o gosto pela história e pela cultura do seu país, exerceu advocacia e também o ensino como professor universitário no ISCSPU Instituto Superior de Ciências Sociais e Política Ultramarina (atual ISCSP/UTL), além disso foi  membro da Academia das Ciências de Lisboa, foi embaixador no Brasil, apresentador de Televisão, com programas de história e cultura de Portugal desde 1972, na RTP Radiotelevisão Portuguesa, com programas como "O tempo e a alma" (1972) "Horizontes da Memória" (1996), "A alma e a gente" entre outros, da RTP, canal 2 (programação de maior incidência cultural).
Foi ele que fez  tantos portugueses aprenderam a gostar e respeitar, desde a sua infância, a história e cultura, sendo um dos seus livros mais populares, "História Concisa de Portugal" (1978) da Editora Europa América e da já célebre coleção Livros de Bolso que é ainda hoje um livro de referência do grande público.
Hermano Saraiva foi também ministro da educação e cultura de 1968 a 1970, no governo de Oliveira Salazar, e posteriormente de Marcello Caetano, tendo sido no entanto afastado após a crise estudantil de 1969, que ocorreu com protestos estudantis de abril até setembro desse ano, acompanhado de greves e repressão por parte da polícia política, após o afastamento, José Hermano Saraiva seria nomeado embaixador de Portugal no Brasil, cargo que ocupou até ao 25 de abril.
Hermano Saraiva, foi sobretudo um homem que soube criar o seu espaço, e ser respeitado após a revolução dos cravos de 25 de abril de 1974, devido ao seu grande valor como pessoa e homem das letras e da cultura.
Recentemente chegou a afirmar numa entrevista ao DN Diário de Notícias, "Penso que a morte não será muito desagradável, a não ser que se sintam dores. A pessoa deixou de sentir e, serenamente, entra no vago. De um modo geral, não tenho medo da morte." Afirmou em outubro de 2011, quando do seu 92º aniversário.



Em "Horizontes da Memória" RTP 2.

Autor Filipe de Freitas Leal

Sobre o Autor

Filipe de Freitas Leal nasceu em Lisboa, em 1964, estudou Serviço Social pelo Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas da Universidade de Lisboa. Estagiou como Técnico de Intervenção Social numa Instituição vocacionada à reinserção social de ex-reclusos e apoio a famílias em vulnerabilidade social, é blogger desde 2007, de cariz humanista, também dedica-se a outros blogs de temas diversos.

quinta-feira, 19 de julho de 2012

Música - Rosa de Hiroshima - Ney Matogrosso

Rosa de Hiroshima, é um poema escrito por Vinicios de Morais, e que foi adaptado para música, pelo grupo musical brasileiro dos anos 70, Secos e Molhados,  do qual fazia parte o cantor Ney Matogrosso, (a quem muito comumente é tido como o autor da música) está é uma música de intervenção política, embora não focasse a situação brasileira da altura, o Brasil vivia numa ditadura militar, apoiava a política externa estadunidense em todos os sentidos, e criticar a Bomba Atómica, era criticar os seu autores da bomba, da guerra fria e criticar o apoio que os Estados Unidos da América, davam a regimes ditatoriais com era o caso do próprio Brasil, bem como o Chile de Pinochet, ou ainda a Nicarágua de Anastácio Somoza. Mas é uma música que sobretudo combate a loucura humana da guerra levada ao seu extremo, o uso das armas nucleares.


Rosa de Hiroshima
(Letra: Vinicios de Morais, Música Gerson Conrad)


Pensem nas crianças
Mudas telepáticas
Pensem nas meninas
Cegas inexatas
Pensem nas mulheres
Rotas alteradas
Pensem nas feridas
Como rosas cálidas
Mas, oh, não se esqueçam
Da rosa da rosa
Da rosa de Hiroshima
A rosa hereditária
A rosa radioativa
Estúpida e inválida
A rosa com cirrose
A anti-rosa atômica
Sem cor sem perfume
Sem rosa sem nada



Texto escrito conforme o Acordo Ortográfico - Convertido pelo Lince

Cartoon # 05 - Eleições na Grécia

A propósito das ultimas eleições na Grécia, que devido à crise foram o foco e as atenções de toda a Europa; este cartoon foi retirado do site: "A Visão Humanista" tendo sido publicado a 18/06/2012.


Texto escrito conforme o Acordo Ortográfico - Convertido pelo Lince

Hiroshima Nunca Mais

Hiroshima é na história moderna do Século XX, um pesado e doloroso marco, o mundo não seria o mesmo após a Bomba atómica, os seres humanos (os capitalistas e imperialistas) mostraram que colocam os interesses acima das vidas humanas, acima do equilíbrio inclusive do ecossistema planetário, custe o que custar, e ainda hoje assim sucede.
A Bomba foi usada com o argumento de acabar com a guerra e impor a paz... mas que preço tão alto! Quão aviltante é o ato, como a ideia.
Dezenas de bombas Atómicas existem no planeta prontas a ser usadas (se preciso for?) outras tantas já foram usadas em testes no Pacífico, com explosões subterrâneas e subaquáticas, criando provavelmente danos naturais, embora que não sejam oficialmente reconhecidos e nem sequer divulgados (não interessa aos poderosos ter um povo informado).
Chernobyil e Fukushima, são exemplos do que não deve ser construído, Hiroshima e Nagasaki são exemplos do que o ser humano tem coragem de fazer, mas não deve ser feito! E ter consciência cívica e política, faz com que não possamos permitir isto; Hiroshima nunca mais deve ser esquecida, como não devem ser esquecidas as vitimas que sucumbiram aos interesses economicistas e políticos, da guerra fria e de jogos geoestratégicos que não nos interessa compreender, sobretudo porque em cada local do mundo um ser humano é sempre um ser humano, (não há raças, não há cores, as nacionalidades dissipam-se na semelhança física e espiritual de cada um de nós) mas sim, há pessoas em toda a parte iguais entre si na dignidade e no direito à vida, pessoas que nascem, vivem, amam e têm o direito de viver e morrer em dignidade e em equilíbrio com o mundo em que vivem.

Guernica – A Arte como intervenção política

Pablo Picasso (foto abaixo), artista plástico espanhol, um nome de grande reconhecimento artístico da História da Arte do Século XX, e que foi sem duvida um vanguardista, cuja obra e o modelo estético fez escola em toda a Europa e no continente americano, influenciando também inúmeros artistas plásticos como a brasileira Tarsila do Amaral, Picasso deixou um cunho pessoal e modernista no modo como se desenvolveu e popularizou a arte até hoje, no modo com é vista e produzida, mas também que a arte pode ser utilizada como uma forma de expressão, de ideias e de intervenção promotora da consciência política, da identidade cultural de um povo, da cidadania e dos Direitos Humanos.
É da sua autoria, o famoso quadro a tons cinzentos, que expressam a agonia de um povo martirizado pelos nazistas de Hitler, em solo espanhol e com a conivência de Franco o caudilho que derrubou a República espanhola.


“Guernica” nome pelo qual é conhecido o quadro, (imagem acima), que descreve a dor causada pelos bombardeamentos que ocorreram na cidade homónima do País Basco, do que sobrou resta apenas escombros e uma única arvore como monumento, que ainda hoje é guardada qual espólio do que restou das gentes e da vila Euskadi, conhecida em todo o Mundo pelo quadro de Picasso, que perpetua a tão barbaramente massacrada, humilhada população, e no qual se pode ouvir os sons mudos do medo, da dor, do desespero de crianças que não viram o futuro ou um sentido para as suas vidas, das mães desesperadas, dos idosos que não puderam descansar em paz, enfim,  Guernica é muito mais que um quadro, é um grito!
Grito que permanece atual, se olharmos sempre com olhos de ver a atualidade política internacional e se reconhecermos nesses sinais o povo sírio massacrado pelas suas próprias tropas, um povo que apenas pediu democracia, tem como resposta o genocídio. 
Picasso não se calou, pintou Guernica, e o grito do seu povo, e ainda que exilado em França denunciou as atrocidades do regime e jurou nunca mais voltar a Espanha enquanto não vigorasse um regime democrático, respeitador dos direitos e da dignidade humana, e o mesmo deixou em testamento para o seu quadro, não poderia ir para Espanha enquanto lá estivesse Franco e o seu regime hediondo.
Não nos calemos também, façamos pela arte, seja na música, seja na pintura, na poesia, no cinema, no teatro, na literatura, a voz dos que a não têm, como é o caso agora do povo sírio.

Este artigo respeita as normas do novo Acordo Ortográfico.


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Sobre o Autor

 - Nasceu em 1964 em Lisboa (Portugal), é estudante de Serviço Social no ISCSP  Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas. Trabalha em Logística na Indústria Farmacêutica. Fundou este blog em 2007 e atualmente está a desenvolver um blog votado para o apoio ao estudo autodidático, a "UHL Universidade Humanista Livre". (ver o Perfil completo)

 
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