sexta-feira, 9 de janeiro de 2026

Novos Conflitos na Geopolítica


Se a URSS, o Pacto de Varsóvia, o COMECOM e o Comunismo caíram em simultâneo no ano de 1991, deixando então de ser uma ameaça para o Ocidente, porque é que a NATO/OTAN permaneceu e expandiu-se ainda mais, até às fronteiras com a Rússia? Será que se a NATO já não existisse não teria havido guerra na Ucrânia?

Da mesma forma, a União Europeia expandiu-se para leste, mas também aqui, para além da parceria na Nord Stream, a Rússia sempre foi posta de lado e a subserviência europeia a Washington nunca foi posta em causa. Os países europeus do COMECOM poderiam ter aderido à UE tal como os países do Pacto de Varsóvia poderiam ter aderido à NATO/OTAN promovendo cooperação e intercâmbios para uma nova era de desenvolvimento. Mas não foi isso que aconteceu.

Com a ilusão da paz, e o boom económico da UE, a Europa optou pelo Soft power e desmilitarizou-se e assim, entregou à NATO/OTAN (EUA) a sua defesa, e na mesma época deslocalizou para a China muito da sua indústria e know how (fábricas) permitindo que esta viesse a ser a grande talvez já a maior potência económica, política e militar que é hoje, com o ser Hard Power.

E sim, é claro que se de facto houver a anexação da Groenlândia, aí sim, será o fim da NATO/OTAN, mas será mais do que isso, será o abandono da Europa à sua sorte. O ataque à Venezuela e o derrube de Maduro, bem como ameaças a outras áreas perto dos EUA são um sinal inequívoco disso.

E é claro que trata-se de uma guerra geopolítica num mundo que entrou em desequilíbrio, visto que até 1991, haviam duas superpotências, até que veio a queda do gigante urso soviético, depois por algum tempo só a Águia americana voo altaneira. Mas passadas três décadas e uma revolução tecnológica, o mundo passou a ser multipolar. Há sim uma disputa surda e feroz no Oceano Ártico por rotas abertas com o degelo. Há sim uma redefinição de posições no tabuleiro do xadrez das relações internacionais e está a ser obviamente feita com conflitos e provocações.

Autor Filipe de Freitas Leal

Sobre o Autor

Filipe de Freitas Leal nasceu em Lisboa, em 1964, é licenciado em Serviço Social pelo Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas da Universidade de Lisboa, com Pós-graduação em Políticas Públicas e Desigualdades Sociais, frequentou o Mestrado de Sociologia na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. Estagiou com reinserção social de ex-reclusos e o apoio a famílias em vulnerabilidade social. É Bloguer desde 2007, tem publicados oito livros de temas muito diversos, desde a Poesia até à Política.

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