quinta-feira, 5 de março de 2026

A Geopolítica do Apocalipse: Os Pilares Teológicos da Inimizade do Irão contra Israel




Para compreender a fundo a hostilidade do regime iraniano contra Israel, é necessário transcender a análise política convencional e mergulhar nos dogmas do pensamento xiita. Para Teerão, o conflito não é uma disputa territorial comum, mas uma missão sagrada de purificação do solo islâmico.
Aqui estão os pilares teológicos que sustentam esta visão:
1. A Terra como "Waqf" (Legado Inalienável)
No pensamento jurídico fundamentalista seguido por Khomeini, o mundo divide-se em Dar Al-Islam (Território do Islão) e Dar Al-Harb (Território da Guerra). Qualquer terra que já tenha sido governada pelo Islão torna-se um Waqf — um património sagrado e inalienável pertencente à comunidade muçulmana (Umma) sob a guarda de Deus.
  • O Dogma da Inversão: Para o regime, é uma abominação teológica que "infiéis" governem crentes. Embora judeus e cristãos sejam considerados "Povos do Livro" (Ahl al-Kitab), o seu lugar dogmático seria o de Dhimmis (minorias protegidas, mas submissas e sem poder político). A existência de Israel é vista como um "roubo" de um território sagrado e, pior, uma inversão da hierarquia divina, onde o antigo submisso agora governa sobre o solo do Islão.
2. A Reinterpretação dos "Filhos de Israel"
Khomeini e os seus sucessores utilizam versículos do Alcorão (das Suras Al-Baqarah e Al-Ma'idah) sobre a desobediência de grupos israelitas no passado para alimentar uma narrativa anacrónica.
  • A Aplicação: O moderno Estado de Israel não é visto como uma entidade política secular, mas como o herdeiro das "características de traição" descritas nos textos antigos. Nesta visão, combater o sionismo é a continuação direta da luta dos profetas contra a corrupção e a arrogância.
3. Escatologia Xiita: O Retorno do Mahdi
A teologia xiita é profundamente marcada pela crença no retorno do 12º Imam, o Mahdi, que virá para estabelecer a justiça final.
  • O Papel de Jerusalém: A tradição escatológica afirma que o Mahdi travará uma batalha final contra as forças do mal e liderará a oração na Mesquita de Al-Aqsa.
  • Aceleração do Destino: Diferente de uma espera passiva, o regime de Teerão vê-se como a "vanguarda" que deve preparar o cenário para este retorno. A eliminação de Israel é vista como um pré-requisito teológico; ao "limpar" o caminho para o Messias islâmico, o regime acredita estar a cumprir um cronograma divino.
Conclusão: Uma Ameaça Existencial
O regime teocrático do Irão e os seus proxies (Hamas, Hezbollah, Houthis e milícias) não lutam por fronteiras ou pela autodeterminação palestiniana — que serve apenas como ferramenta de propaganda. O objetivo final é a eliminação total de Israel. Nesta visão apocalíptica, muitos analistas veem paralelos com a batalha final de Yajuj e Majuj (Gog e Magog), sugerindo que, para os Aiatolás, estamos a viver os capítulos finais de um confronto cósmico onde a diplomacia humana não tem lugar.
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A ideologia central do Hamas, conforme estabelecido no seu Estatuto de Fundação de 1988, baseia-se na premissa de que a Palestina histórica — abrangendo toda a área entre o rio Jordão e o Mar Mediterrâneo, incluindo o território de Israel — é uma terra islâmica de waqf (posse religiosa inalienável).
Essa visão teológica e política implica o seguinte:
Propriedade Perpétua: A terra pertence à comunidade muçulmana (Ummah) e não pode ser cedida, vendida ou alienada por nenhum líder ou autoridade, nem por um período limitado.
Conflito Religioso: O Hamas argumenta e admite que o conflito não é apenas uma disputa territorial, mas um dever religioso. Portanto, a libertação da Palestina é tratada como uma Jihad (guerra santa) individual e obrigatória para todos os muçulmanos.
Rejeição de Israel: Baseado nessa ideologia, o Hamas rejeita o reconhecimento da legitimidade de Israel e opõe-se a qualquer acordo de paz que resulte na perda de território palestino.
Atualizações e nuances:
Embora o documento de 2017 tenha suavizado parte da linguagem e aceitado um estado palestino provisório nas fronteiras de 1967 (Cisjordânia, Gaza e Jerusalém Oriental), o Hamas não renunciou formalmente ao seu estatuto original de 1988 nem à ideologia de que toda a Palestina é um waqf islâmico. Líderes do grupo frequentemente afirmam que o documento de 2017 é um complemento, não um substituto, da visão fundamental do grupo


segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

Israel x Palestina e Irão: A Origem do Conflito



Olá a todos, como estão? Cá estou de volta a aprofundar um tema muito polémico. Eu estive a informar-me sobre detalhes do conflito Israelo-árabe, detalhes que a imprensa não revela e uma parte dos intelectuais, uns desconhecem, outros não entendem, e outros ainda pior, escondem de nós.

Um desses detalhes é, a bem da verdade, uma das causas fundamentais do conflito, que opõe os países muçulmanos face ao Estado de Israel, (sobretudo os mais radicais), trata-se do dogma religioso do 'Waqf' ou Dogma do Solo Sagrado do Islão, e também dos 'Dhimis' (os não muçulmanos chamados de infiéis que para viverem no Dar al-Islam ou a Casa do Islão e poder praticar a sua religião devem pagar o imposto da 'Gizhya'), quanto ao solo Sagrado, compreende toda o território do I Califado. E é devido a isto que em 1979, após a Revolução Islâmica, o Irão colocou na sua constituição programática a missão da destruição total da Entidade Sionista, e dos judeus, chamando de Israel um cancro no solo Sagrado do Islão.

O Hamas em Gaza, tal como o Hezbollah do Líbano, ou a Jihad Islâmica, são os tais proxies, grupos terroristas, financiados pelo Irão, e que têm esta visão dogmática do Waqf. E foi este dogma religioso que levou os países árabes a não aceitarem a partilha da Palestina pela Resolução 181 da ONU em 1947.

Yasser Arafat não era um religioso, pelo contrário era um muçulmano secular casado com uma católica, mas apesar de ser secular, de reconhecer o direito de Israel como Estado e de querer a Palestina livre, ele hesitou, pois tinha medo do que se chama hoje de "A rua árabe" e a reação da ala mais radical, e por isso rejeitou a solução dos dois Estados, na Reunião de Camp David no ano 2000; bastava dizer sim e a Palestina hoje seria livre e existia. O mundo ficou perplexo, inclusive levou Bill Clinton a dizer que a recusa de Arafat foi "uma tragédia de dimensões históricas"

O atentado de 07/10 foi a gota D'Água que mudou o paradigma de ação defensiva de Israel e da politica dos EUA face ao conflito, somando-se os atentados contra os navios no Mar Vermelho pelos Houtis, e fez com que Israel e os EUA mudassem a tática, antes atacavam defensivamente apenas os tentáculos do polvo, que eram os grupos terroristas financiados pelo Irão, mas agora a tática passou a ser a necessidade de eliminar a cabeça do Polvo (o regime teocrático do Irão). Não é para menos, o governo de Teerão calculou mal as consequências do 07/10. Esperava liderar o mundo árabe contra Israel.

Agora o problema é saber como este embroglio se resolve. Nenhuma das possibilidades é fácil, e todas trazem consequências. A queda do regime é uma Caixa de Pandora, que pode abrir-se para outros males que não sabemos quais são. Se Yasser Arafat tinha medo da rua Árabe, é bom que os EUA tenham medo do vazio de poder, porque não sabemos até que ponto a população quer como líder o Príncipe Rheza Pahlavi, filho do Xá deposto em 1979.

Ou será que vale mais deixar tudo como está no Irão e fazer um ultimato como o Artigo 5 da NATO-OTAN, dizendo ao Irão: "Se atacares Israel, vais pelos ares". Enfim, algo tem que ser bem calculado, porque há o perigo de cair o poder na rua e no vazio de autoridade, algo que poderá deflagrar numa guerra civil, e nesse caso ninguém sai a ganhar.

Facto é que há milhares de mortos, milhares de presos políticos e de execuções no Irão. Um povo sem armas não consegue derrubar um governo Teocrático, fanático e tirano.

Enquanto tudo isto se passa os manifestantes e a oposição clamam pela libertação que venha dos EUA, mas até mais de Israel.

Autor Filipe de Freitas Leal

Sobre o Autor

Filipe de Freitas Leal nasceu em Lisboa, em 1964, é licenciado em Serviço Social pelo Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas da Universidade de Lisboa, com Pós-graduação em Políticas Públicas e Desigualdades Sociais, frequentou o Mestrado de Sociologia na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. Estagiou com reinserção social de ex-reclusos e o apoio a famílias em vulnerabilidade social. É Bloguer desde 2007, tem publicados oito livros de temas muito diversos, desde a Poesia até à Política.

quinta-feira, 29 de janeiro de 2026

EUA X IRÀO - Guerra ou Pressão ?





   
Não faz sentido nenhum gerar uma enorme despesa militar e toda a aparatosa armada americana no Golfo, se fosse só para pressionar. Tudo de facto indica para uma Guerra, a meu ver, o Irão fez por merecer, está em guerra com Israel, o Ocidente e a civilização cristã há 47 anos, mas usa apenas os Proxies ou forças entrepostas como se nada tivesse a ver com o regime teocrático xiita e persecutório dos Ayiatholás. 

Os muitos ataques a Israel e os ataques a navios ocidentais no Mar Vermelho partiram das ordens de Teerão, o hediondo ataque de 07/10 em Israel foi orquestrado por ordem de Teerão e visava levar Israel a perder a cabeça. Nada foi por acaso e nem em vão na cabeça daquela gente fanática, capaz de matar o próprio povo para se manterem no poder, e fazem tudo isso em nome de Deus. Portanto Chega! O que eu acho é que a guerra vai trazer consequências que não sabemos bem quais serão.

O Esmagamento do Hamas e do Hezbollah eram condição sine qua non para pôr fim ao terrorismo. E o mundo árabe sabe que Israel não vai fazer as malas, entregar Jerusalém, Tel Aviv e o resto de Israel e ir-se embora. 

Daí a emergência dos acordos de Abraão. Aliás, na queda do Irão, quem mais sai a ganhar é a Arábia Saudita. A questão é que a Solução dos dois Estados tem que ser resolvida de facto, quer Netanyahu goste quer não, porque para o bem dos palestinianos e dos israelitas, é importante resolver esta questão. Que todavia, há que dizer, a bem da verdade, que nunca foi aceite pelos países e líderes árabes mais radicais, entre eles o Irão que defende a destruição do Estado de Israel e o extermínio dos judeus, daí a célebre frase "Palestina Livre do Rio até ao Mar".

Após o esmagamento do Hamas, do Hezbollah, da queda de Maduro e da asfixia do Iémen, a prioridade passa a ser derrubar o regime que financia o terrorismo, ou seja, a teocracia do Irão. Para mim, tudo isto faz parte de um plano de sobrevivência ou morte dos EUA e de Israel em maior grau, mas também do Ocidente, que pode permitir um maior equilíbrio e estabilidade no Médio Oriente.

Mas esta guerra pode ser o estopim para um conflito maior, oxalá não seja, mas tem potencial para isso. E ainda por arrastão, irá antecipar a grande crise económica que será parecida com a crise de 1929, que aliás fará com que os ricos fiquem ainda mais ricos e os pobres mais pobres.

Mas há outro fator, é que a queda do Irão, asfixia em parte a Rússia, que é fomentada por armas e pelos drones iranianos na Guerra contra a Ucrânia. E é aqui que a porca torce o rabo, o que fará a China e como reagirá a Rússia, vão ficar a ver quietinhos a estratégia geopolítica dos EUA e Israel ou vão intervir? E se sim, como?

Creio que a China ganha em manter o Soft power, o objetivo deles é preciso, certeiro e infalível, o domínio econômico, e vão conseguir. A Rússia é que pode se aventurar, ou talvez ceda num acordo de paz, desde que lhe concedam território. Não sei o que se irá passar. 

Enquanto isso, a Índia cresce economicamente seguindo os passos dos sábios chineses. A família Tata esfrega as mãos de contente com as escaramuças dos EUA e a derrocada da economia ocidental. Sim a crise será mundial, mas vai afetar os mercados "decadentes" muito mais do que os emergentes.

Resta uma palavra final de solidariedade e sentimento para o povo iraniano, homens e mulheres, corajosos e lutadores, de diferentes classes sociais e faixas etárias, que são hoje os mártires pela democracia e a libertação da sua patria. Fala-se em muitos milhares de mortos. Para dar apoio à insurreição popular a ONU e a UE declaram a Guarda Revolucionária do Irão como um grupo terrorista e genocida que massacra o próprio povo.

Autor Filipe de Freitas Leal

Sobre o Autor

Filipe de Freitas Leal nasceu em Lisboa, em 1964, é licenciado em Serviço Social pelo Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas da Universidade de Lisboa, com Pós-graduação em Políticas Públicas e Desigualdades Sociais, frequentou o Mestrado de Sociologia na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. Estagiou com reinserção social de ex-reclusos e o apoio a famílias em vulnerabilidade social. É Bloguer desde 2007, tem publicados oito livros de temas muito diversos, desde a Poesia até à Política.

terça-feira, 20 de janeiro de 2026

Eleições em Portugal: Seguro Vs. Ventura.


Gosto dos comentários de Miguel Morgado na SIC. Os comentadores de direita são mais livres nas suas opiniões do que os de Esquerda, devido a que estes últimos têm uma rigidez ideológica que não lhes permite uma opinião que possa ferir a ideologia marxista, ou meramente socialista. Há na esquerda, não apenas uma rigidez ideológica, mas também um policiamento da linguagem e das ideias dos seus membros, o chamado politicamente correto ou ainda o pensamento Woke.

É precisamente este tipo de rigidez ideológica, em defesa da ortodoxia, (algo próprio das religiões) que fez com que a Esquerda mais radical perdesse estas eleições de uma forma humilhante. A Esquerda parece que vive fora da realidade algo quase patológico.

E por fim, não é preciso ser de esquerda nem de direita para se defender a democracia, princípios e valores humanistas que de resto os democratas-cristãos há muito tempo têm, basta ver a Encíclica Rerum Novarum do Papa Leão XIII no fim do século XIX e que serviu de base à fundação da Democracia Cristã em Itália,

Não sei se Ventura será eleito. Penso que não, tal como o Miguel Morgado, que nesta luta uma grande parte dos eleitores da direita e centro-direita votarão no Seguro, o que não quer dizer que não seja uma luta renhida. Mas o discurso por vezes mono-temático e radical de André Ventura não é um discurso transversal. Não nos esqueçamos que os liberais  não se prendem por discursos mono-temáticos ou excessivamente radicais do ponto de vista ideológico, eles querem é pragmatismo estão-se nas tintas para leis de imigração desde que os imigrantes ganhem pouco e dêem lucro, para os Liberais a Pátria é a União Europeia, o Euro e a Bolsa de Valores. Discursos do ventura não dão lucro.

E os demais partidos são a grosso modo mais do mesmo, com um verniz socializante mas só mesmo de fachada. O próprio Seguro é um liberal.

Quanto ao Almirante Gouveia e Melo, creio que ele esperava ser o novo Ramalho Eanes, e obter como há 50 anos, o apoio das forças democráticas do PS, PSD e CDS, mas o PSD não teve coragem de apoiar a candidatura transversal como o Almirante pretendia, e sem apoios partidários o discurso de Gouveia e Melo foi fraco, periclitante, vazio, porque tentou não se comprometer demasiado e quis agradar a gregos e troianos. E assim o PSD mereceu esta derrota ( para aprender a dar a palavra às bases) E com esta derrota, Montenegro colocou a sua imagem e o próprio PSD em perigo, e até pode ser substituído pelo Chega e a IL nas próximas eleições.

O Almirante naufragou numas eleições em que não serviu para ser o novo Ramalho Eanes com o eixo-democrático e nem o novo Américo Thomaz em Belém com o Ventura em São Bento.

Se Ventura for eleito, o que eu acho difícil, ele terá então um desafio enorme, o de ultrapassar a imagem de extremista que não é de todo aceitável na UE, vai ter que lidar com dossiers muito para além da imigração, e não poderá se posicionar contra os compromissos assumidos por Portugal nos governos anteriores. Ou seja, terá que fazer uma metamorfose, indo de Salazar a Georgia Meloni. Deixar de lado a linguagem agressiva e apresentar uma imagem moderada, assertiva e diplomática.

António José Seguro tem tudo o que precisa para agradar a quase todos como queria o Almirante, é que seguro é na verdade um líder fraco, um hesitante, aliás no PS líderes de punho só me lembro de dois, goste-se ou não , foram Mário Soares e José Sócrates, os demais líderes foram hesitantes como António Guterres que se queixava do pântano, mas o pântano era a sua falta de punho nas decisões políticas e partidárias.

Voltando à questão central deste texto que já vai longo, creio que a ascensão de André Ventura a Belém, seria o início da "Era da Incerteza" em Portugal em particular para o PSD e o PS, bem como do início de crises políticas que culminariam em dissoluções do Parlamento que fizessem Ventura beneficiar o seu partido em eleições legislativas. Mas ao contrário do que se diz, Ventura não é um fascista, nem um perigo para a democracia porque claramente ele não governaria em Ditadura.

Eu pessoalmente prefiro mil vezes Ventura como Primeiro Ministro para mostrar o que de facto vale, do que como Presidente que tem que ser para todos os portugueses e não apenas para uma parcela de portugueses que votaram nele.

Autor Filipe de Freitas Leal

Sobre o Autor

Filipe de Freitas Leal nasceu em Lisboa, em 1964, é licenciado em Serviço Social pelo Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas da Universidade de Lisboa, com Pós-graduação em Políticas Públicas e Desigualdades Sociais, frequentou o Mestrado de Sociologia na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. Estagiou com reinserção social de ex-reclusos e o apoio a famílias em vulnerabilidade social. É Bloguer desde 2007, tem publicados oito livros de temas muito diversos, desde a Poesia até à Política.

sexta-feira, 16 de janeiro de 2026

Massacres No Irão e Silêncio da Esquerda


Por onde andas ó Esquerda que tanto lutas pelos Direitos Humanos?

Onde estás Greta Thunberg, porque te calas ó Mariana Mortágua, e porque não se fazem Flotilhas pelo povo martirizado no Irão?

E os governantes e líderes de Esquerda, o que dizem, o que vão dizer e fazer Sanchez, Lula, Guterres, António Costa, Melanchon, entre outros em defesa do povo iranano? 

Será porque o Irão que atropela os direitos humanos, persegue as mulheres e mata manifestantes é o mesmo Irão que defende a Palestina, financia os terroristas do Hezbollah e do Hamas, será o mesmo Irão que a Esquerda tanto ama e defende?

Será porque o Aiatolá Khamenei era o melhor amigo de Maduro, um caudilho esquerdista corrupto e acusado de transformar a Venezuela num Narco-estado?

Porque se cala a Esquerda quando morrem às centenas, talvez já milhares? É porque o Irão é o maior inimigo de Israel ?

Ao fim e ao cabo, o que é a Esquerda hoje?

Que raio de Esquerda é esta que luta pela Palestina e abandona as iranianas. Afinal não somos todos iguais?

Se a resposta for sim, então, equivale a dizer que esta nova Esquerda de hoje é cúmplice e cobarde, e que preferiu trocar os manuais humanistas e da luta de classes pelos "Protocolos dos Sábios de Sião".

Autor Filipe de Freitas Leal

Sobre o Autor

Filipe de Freitas Leal nasceu em Lisboa, em 1964, é licenciado em Serviço Social pelo Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas da Universidade de Lisboa, com Pós-graduação em Políticas Públicas e Desigualdades Sociais, frequentou o Mestrado de Sociologia na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. Estagiou com reinserção social de ex-reclusos e o apoio a famílias em vulnerabilidade social. É Bloguer desde 2007, tem publicados oito livros de temas muito diversos, desde a Poesia até à Política.

sexta-feira, 9 de janeiro de 2026

Novos Conflitos na Geopolítica


Se a URSS, o Pacto de Varsóvia, o COMECOM e o Comunismo caíram em simultâneo no ano de 1991, deixando então de ser uma ameaça para o Ocidente, porque é que a NATO/OTAN permaneceu e expandiu-se ainda mais, até às fronteiras com a Rússia? Será que se a NATO já não existisse não teria havido guerra na Ucrânia?

Da mesma forma, a União Europeia expandiu-se para leste, mas também aqui, para além da parceria na Nord Stream, a Rússia sempre foi posta de lado e a subserviência europeia a Washington nunca foi posta em causa. Os países europeus do COMECOM poderiam ter aderido à UE tal como os países do Pacto de Varsóvia poderiam ter aderido à NATO/OTAN promovendo cooperação e intercâmbios para uma nova era de desenvolvimento. Mas não foi isso que aconteceu.

Com a ilusão da paz, e o boom económico da UE, a Europa optou pelo Soft power e desmilitarizou-se e assim, entregou à NATO/OTAN (EUA) a sua defesa, e na mesma época deslocalizou para a China muito da sua indústria e know how (fábricas) permitindo que esta viesse a ser a grande talvez já a maior potência económica, política e militar que é hoje, com o ser Hard Power.

E sim, é claro que se de facto houver a anexação da Groenlândia, aí sim, será o fim da NATO/OTAN, mas será mais do que isso, será o abandono da Europa à sua sorte. O ataque à Venezuela e o derrube de Maduro, bem como ameaças a outras áreas perto dos EUA são um sinal inequívoco disso.

E é claro que trata-se de uma guerra geopolítica num mundo que entrou em desequilíbrio, visto que até 1991, haviam duas superpotências, até que veio a queda do gigante urso soviético, depois por algum tempo só a Águia americana voo altaneira. Mas passadas três décadas e uma revolução tecnológica, o mundo passou a ser multipolar. Há sim uma disputa surda e feroz no Oceano Ártico por rotas abertas com o degelo. Há sim uma redefinição de posições no tabuleiro do xadrez das relações internacionais e está a ser obviamente feita com conflitos e provocações.

Autor Filipe de Freitas Leal

Sobre o Autor

Filipe de Freitas Leal nasceu em Lisboa, em 1964, é licenciado em Serviço Social pelo Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas da Universidade de Lisboa, com Pós-graduação em Políticas Públicas e Desigualdades Sociais, frequentou o Mestrado de Sociologia na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. Estagiou com reinserção social de ex-reclusos e o apoio a famílias em vulnerabilidade social. É Bloguer desde 2007, tem publicados oito livros de temas muito diversos, desde a Poesia até à Política.

segunda-feira, 5 de janeiro de 2026

Queda de Maduro e a Nova Ordem Mundial

 



É ingénuo pensar que o que aconteceu na Venezuela seja só por causa do Petróleo, ou do Narcotráfico. Não foi nada disso, o que está por trás disto é algo muito maior, trata-se de um jogo de domínio político na redefinição de uma Nova Ordem Mundial.

Todos sabem que o Petróleo é um ativo poderoso no Xadrez Político e económico global, não se trata apenas de os EUA passarem a ter mais barris, mas num jogo geopolítico, equivale a decidir para quem será vendido e a que preço. Isto significa que os países que são aliados de Maduro terão menos petróleo, ou terão problemas de inflação e instabilidade com o aumento do preço.

Mas sejamos francos, apesar disto, de que seja Geopolítica, redefinição de uma Nova Ordem Mundial ou o mero interesse geo-estratégico pelo controlo da maior reserva petrolífera (e isto tudo é verdade, admito) temos que olhar o lado positivo disto. Primeiro, a Venezuela com o Regime de Maduro não era um Estado de Direito mas sim um Regime de Exceção, Segundo, o país hoje está livre de um Caudilho, um facínora torcionário que perseguiu, prendeu e torturou os seus opositores e hoje já pode aspirar a ser uma democracia plena. Maduro há muito que deveria ter sido derrubado por um Golpe de Estado, até porque além disso nem sequer foi de facto eleito, fez a maior fraude eleitoral da história de que há memória até hoje.

Creio também que estamos a assistir ao fim da globalização e a ver o mundo a ser dividido em "Quintais" outra vez, ou seja está a redefinir-se uma clara luta por zonas de influência. É neste contexto, a Europa poderá perder ainda mais a capacidade de influencia. 

Também é ingénuo pensar que o Regime de Maduro era ele mesmo. Não era, ele era uma peça no Xadrez de influência e interesses de um bloco específico na Geopolítica. Cuba, Rússia, Irão, China. Hoje essa peça do Xadrez caiu, em parte por culpa própria ao perder apoio popular devido à forma ditatorial com que governou e à falta de legitimidade, ao usurpar a Presidência, através de uma fraude eleitoral, falsificando os resultados das eleições, que de facto perdeu.

Sim. Tendo em conta que um dos principais aliados do Putin era a Venezuela e Maduro, e que a Venezuela era um dos principais fornecedores de Petróleo para a Rússia. Isto diz tudo e faz sentido. Como disse, trata-se não só de os EUA controlarem a área Geopolítica nas Américas, mas também definir para quem vai e a que preço vai o Petróleo da Venezuela. Outro país que será afetado, obviamente é Cuba.

Autor Filipe de Freitas Leal

Sobre o Autor

Filipe de Freitas Leal nasceu em Lisboa, em 1964, é licenciado em Serviço Social pelo Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas da Universidade de Lisboa, com Pós-graduação em Políticas Públicas e Desigualdades Sociais, frequentou o Mestrado de Sociologia na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. Estagiou com reinserção social de ex-reclusos e o apoio a famílias em vulnerabilidade social. É Bloguer desde 2007, tem publicados oito livros de temas muito diversos, desde a Poesia até à Política.

domingo, 28 de dezembro de 2025

O Dilema da Europa: Federalismo Vs. Nacionalismo


Para preservar a Europa, será necessário que a União Europeia (UE) volte a ser apenas como a Comunidade Económica Europeia (CEE), não na dimensão das fronteiras, mas na forma como estava organizada; além disso, os países devem permaner independentes e soberanos, que tenham o pleno controlo de fronteiras, que sejam livres nas políticas de imigração, bem como a Constituição Nacional de cada país membro esteja claramente acima das Normativas europeias. 

Portanto, a Comissão Europeia deve abandonar a sua doutrina Neoliberal, que é a génese da atual crise sócioeconomica em toda a Europa, e deve ser subordinada às decisões dos Governos soberanos dos Países membros e não o contrário.

Porquê? É simples. Porque o problema da Europa, em particular a Comissão da UE, é que não só é Neoliberal, e com isso visa um mercado económico e financeiro alargado, e para esse fim, tenta a todo o custo erradicar os Nacionalismos e destruir as Nações para transformar esse Mercado Alargado num País equivalente aos EUA na Europa.

Talvez eu até corra o risco de ser censurado, pois hoje, os Tribunais estão a fazer uma jurisprudência muito má, na medida que não estão apenas a limitar-se a impor o cumprimento da Lei, mas a fazer um juízo de valores subjetivos e isso, além de não competir aos Tribunais, é uma forma de censura e de restrição da democracia no que toca à Liberdade de Expressão.

Este é o meu pensamento, sinceramente é a minha forma de ver a questão, além disso, obviamente, não sou dono de nenhuma verdade absoluta, e admito que em parte posso estar errado.

No entanto, eu ou qualquer outra pessoa, que ao defender a Soberania nacional e o regresso da UE ao que era a CEE, podemos ser censurados, e para desacreditar a nossa opinião, basta rotulá-la e denominá-la de fascista, racista, nacionalista e xenófoba.

Autor Filipe de Freitas Leal

Sobre o Autor

Filipe de Freitas Leal nasceu em Lisboa, em 1964, é licenciado em Serviço Social pelo Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas da Universidade de Lisboa, com Pós-graduação em Políticas Públicas e Desigualdades Sociais, frequentou o Mestrado de Sociologia na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. Estagiou com reinserção social de ex-reclusos e o apoio a famílias em vulnerabilidade social. É Bloguer desde 2007, tem publicados oito livros de temas muito diversos, desde a Poesia até à Política.

 
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