terça-feira, 20 de janeiro de 2026

Eleições em Portugal: Seguro Vs. Ventura.


Gosto dos comentários de Miguel Morgado na SIC. Os comentadores de direita são mais livres nas suas opiniões do que os de Esquerda, devido a que estes últimos têm uma rigidez ideológica que não lhes permite uma opinião que possa ferir a ideologia marxista, ou meramente socialista. Há na esquerda, não apenas uma rigidez ideológica, mas também um policiamento da linguagem e das ideias dos seus membros, o chamado politicamente correto ou ainda o pensamento Woke.

É precisamente este tipo de rigidez ideológica, em defesa da ortodoxia, (algo próprio das religiões) que fez com que a Esquerda mais radical perdesse estas eleições de uma forma humilhante. A Esquerda parece que vive fora da realidade algo quase patológico.

E por fim, não é preciso ser de esquerda nem de direita para se defender a democracia, princípios e valores humanistas que de resto os democratas-cristãos há muito tempo têm, basta ver a Encíclica Rerum Novarum do Papa Leão XIII no fim do século XIX e que serviu de base à fundação da Democracia Cristã em Itália,

Não sei se Ventura será eleito. Penso que não, tal como o Miguel Morgado, que nesta luta uma grande parte dos eleitores da direita e centro-direita votarão no Seguro, o que não quer dizer que não seja uma luta renhida. Mas o discurso por vezes mono-temático e radical de André Ventura não é um discurso transversal. Não nos esqueçamos que os liberais  não se prendem por discursos mono-temáticos ou excessivamente radicais do ponto de vista ideológico, eles querem é pragmatismo estão-se nas tintas para leis de imigração desde que os imigrantes ganhem pouco e dêem lucro, para os Liberais a Pátria é a União Europeia, o Euro e a Bolsa de Valores. Discursos do ventura não dão lucro.

E os demais partidos são a grosso modo mais do mesmo, com um verniz socializante mas só mesmo de fachada. O próprio Seguro é um liberal.

Quanto ao Almirante Gouveia e Melo, creio que ele esperava ser o novo Ramalho Eanes, e obter como há 50 anos, o apoio das forças democráticas do PS, PSD e CDS, mas o PSD não teve coragem de apoiar a candidatura transversal como o Almirante pretendia, e sem apoios partidários o discurso de Gouveia e Melo foi fraco, periclitante, vazio, porque tentou não se comprometer demasiado e quis agradar a gregos e troianos. E assim o PSD mereceu esta derrota ( para aprender a dar a palavra às bases) E com esta derrota, Montenegro colocou a sua imagem e o próprio PSD em perigo, e até pode ser substituído pelo Chega e a IL nas próximas eleições.

O Almirante naufragou numas eleições em que não serviu para ser o novo Ramalho Eanes com o eixo-democrático e nem o novo Américo Thomaz em Belém com o Ventura em São Bento.

Se Ventura for eleito, o que eu acho difícil, ele terá então um desafio enorme, o de ultrapassar a imagem de extremista que não é de todo aceitável na UE, vai ter que lidar com dossiers muito para além da imigração, e não poderá se posicionar contra os compromissos assumidos por Portugal nos governos anteriores. Ou seja, terá que fazer uma metamorfose, indo de Salazar a Georgia Meloni. Deixar de lado a linguagem agressiva e apresentar uma imagem moderada, assertiva e diplomática.

António José Seguro tem tudo o que precisa para agradar a quase todos como queria o Almirante, é que seguro é na verdade um líder fraco, um hesitante, aliás no PS líderes de punho só me lembro de dois, goste-se ou não , foram Mário Soares e José Sócrates, os demais líderes foram hesitantes como António Guterres que se queixava do pântano, mas o pântano era a sua falta de punho nas decisões políticas e partidárias.

Voltando à questão central deste texto que já vai longo, creio que a ascensão de André Ventura a Belém, seria o início da "Era da Incerteza" em Portugal em particular para o PSD e o PS, bem como do início de crises políticas que culminariam em dissoluções do Parlamento que fizessem Ventura beneficiar o seu partido em eleições legislativas. Mas ao contrário do que se diz, Ventura não é um fascista, nem um perigo para a democracia porque claramente ele não governaria em Ditadura.

Eu pessoalmente prefiro mil vezes Ventura como Primeiro Ministro para mostrar o que de facto vale, do que como Presidente que tem que ser para todos os portugueses e não apenas para uma parcela de portugueses que votaram nele.

Autor Filipe de Freitas Leal

Sobre o Autor

Filipe de Freitas Leal nasceu em Lisboa, em 1964, é licenciado em Serviço Social pelo Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas da Universidade de Lisboa, com Pós-graduação em Políticas Públicas e Desigualdades Sociais, frequentou o Mestrado de Sociologia na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. Estagiou com reinserção social de ex-reclusos e o apoio a famílias em vulnerabilidade social. É Bloguer desde 2007, tem publicados oito livros de temas muito diversos, desde a Poesia até à Política.

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