A morte de Yahya Sinwar, o líder máximo do Hamas e arquiteto dos ataques de 7 de outubro de 2023, marca o golpe mais profundo na estrutura da organização terrorista desde o início da guerra. Ocorrendo na cidade de Rafah, no sul da Faixa de Gaza, a eliminação de Sinwar é vista por líderes globais como um marco que pode, finalmente, abrir caminho para a libertação dos reféns e para uma resolução diplomática que encerre o domínio do Hamas no enclave.
Os Detalhes do Confronto
Diferente de outras operações de inteligência cirúrgicas, a morte de Sinwar ocorreu durante um encontro fortuito. Tropas da 828ª Brigada Bislamach patrulhavam Rafah em 16 de outubro quando detetaram três militantes. Após uma troca de tiros, Sinwar refugiou-se num edifício em ruínas.
- Ação com Drone: Antes de invadirem, os israelitas enviaram um drone para reconhecimento. As imagens captadas mostraram um homem ferido, sentado numa poltrona e com o rosto coberto, tentando desesperadamente derrubar o aparelho com um pedaço de madeira.
- Identificação: Após um bombardeamento de tanque e tiros fatais na cabeça, o corpo foi encontrado nos escombros na manhã seguinte. A identidade foi confirmada através de testes de ADN e registos dentários, facilitados pelos 22 anos que Sinwar passou em prisões israelitas.
Reações Internacionais e Impacto Político
O Presidente dos EUA, Joe Biden, classificou o dia como "um bom dia para o mundo", afirmando que Sinwar era o "maior obstáculo" para a paz e tinha as mãos sujas de sangue de várias nacionalidades, incluindo americanos. O Primeiro-Ministro Benjamin Netanyahu declarou que, embora a guerra não tenha terminado, este é o "início do fim" do Hamas em Gaza.
O Corpo como Moeda de Troca
Fontes de segurança indicam que o cadáver de Sinwar, atualmente guardado num local secreto em Israel, tornou-se um ativo estratégico valioso. O governo israelita considera usá-lo como "moeda de troca" em futuras negociações para garantir a libertação dos mais de 100 reféns que ainda permanecem sob custódia de facções em Gaza.
O Vácuo no Hamas e no Hezbollah
A queda de Sinwar ocorre num momento de extrema fragilidade para o chamado "Eixo de Resistência". Com a liderança do Hezbollah também dizimada no Líbano (incluindo Hassan Nasrallah), as organizações aliadas do Irão enfrentam um vácuo de poder sem precedentes. Resta agora saber se a nova liderança do Hamas adotará uma postura mais pragmática ou se o grupo se fragmentará em células ainda mais radicais e difíceis de negociar.
Autor Filipe de Freitas Leal
sexta-feira, outubro 18, 2024
Filipe de Freitas Leal


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