sábado, 12 de outubro de 2024

O 7 de Outubro e o Vácuo Moral da ONU


Há um ano, Israel sofreu o maior ataque terrorista da sua história; o mais brutal pogrom desde o Holocausto, perpetrado dentro das suas próprias fronteiras. Mil e trezentas vidas foram ceifadas de forma desumana e indescritível, vítimas de uma barbárie vil que desafia a imaginação. No entanto, enquanto o sangue ainda corria, parte do Ocidente escolheu relativizar o horror. No epicentro desta falha ética esteve o Secretário-Geral da ONU, António Guterres, que inverteu o ónus da culpa. O homem que deveria liderar a paz e condenar o massacre sem hesitação preferiu fustigar o país agredido.
Ao afirmar que o 7 de outubro "não surgiu do nada", Guterres não apenas proferiu uma frase infeliz; ele tentou justificar o injustificável. Quer o tenha feito por uma ignorância perigosa ou por uma vontade consciente, o resultado é o mesmo: tornou-se indigno do cargo que ocupa. Há uma fronteira onde a dicotomia entre Esquerda e Direita deve cessar; uma fronteira onde as ideologias se curvam perante o bom senso e a humanidade básica. O 7 de outubro, tal como o 11 de setembro, é essa fronteira. Ao ultrapassá-la, Guterres ilibou os assassinos e condenou um povo, sugerindo que aquela morte bárbara era uma consequência merecida.
Esta postura é a face visível de um antissemitismo dissimulado sob a capa do antissionismo, uma tendência que se tornou tristemente comum em certa Esquerda. Esta atitude tem consequências reais: alimenta o ódio aos judeus na Europa e sustenta uma campanha internacional que visa deslegitimar o direito soberano de Israel à autodefesa. Guterres é hoje uma voz que ecoa o isolamento de Israel, um isolamento que poderá agravar-se dependendo dos desfechos políticos globais. É por isso que, simbolicamente, o Prémio Nobel da Paz para Guterres em 2024 ficou — e bem — no vácuo.
É imperativo recordar a verdade histórica que a ONU e a Esquerda insistem em tratar como tabu: o ataque não vem do "vácuo", mas de décadas de rejeição palestiniana a todas as soluções de dois Estados. De Yasser Arafat — que falhou a transição de líder militar para estadista — aos atuais líderes, a opção foi sempre recusar os planos de paz, incluindo os de Oslo, em favor da via da Jihad.
Há sete décadas que Israel estende a mão à paz, desde o momento da sua independência, apenas para ser rejeitado por líderes árabes que preferiram o caminho da guerra. A preocupação nunca foi a independência da Palestina ou o futuro do seu povo, mas sim o objetivo declarado de impedir a existência do Estado de Israel e, posteriormente, a sua total destruição. Negar isto é negar a História; justificar o terrorismo em nome desta negação é abdicar da civilização.

Autor Filipe de Freitas Leal

Sobre o Autor

Filipe de Freitas Leal nasceu em Lisboa, em 1964, é licenciado em Serviço Social pelo Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas da Universidade de Lisboa, com Pós-graduação em Políticas Públicas e Desigualdades Sociais, frequentou o Mestrado de Sociologia na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. Estagiou com reinserção social de ex-reclusos e o apoio a famílias em vulnerabilidade social. É Bloguer desde 2007, tem publicados oito livros de temas muito diversos, desde a Poesia até à Política.

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