A verdade nua e crua é que, enquanto o regime teocrático e ditatorial dos Aiatolás persistir no Irão, a paz no Médio Oriente permanecerá uma miragem inalcançável. É um erro histórico e analítico acreditar que a instabilidade atual começou com o massacre de 7 de outubro de 2023. Na realidade o 7 de outubro foi o auge do que enfrentamos, uma guerra de desgaste que perdura há 45 anos — uma ofensiva iniciada com a Revolução de 1979 e perpetuada pela estratégia iraniana de "guerra por procuração" (proxy warfare).
Sem coragem ou capacidade para enfrentar Israel num conflito convencional em pé de igualdade, o regime de Teerão utiliza os seus tentáculos — Hezbollah, Hamas e os Houthis — para desestabilizar a região, escondendo-se atrás de milícias enquanto financia o terrorismo. Este cerco estratégico revela a natureza de um regime que não procura a coexistência, mas a hegemonia absoluta através da destruição do outro.
Neste cenário, a possibilidade de um regime com tal perfil ideológico e escatológico deter armas nucleares é o pior pesadelo da diplomacia global. O contraste é evidente: enquanto o arsenal nuclear de Israel tem servido historicamente como uma ferramenta de dissuasão e garantia de sobrevivência num ambiente hostil — mantendo, de certa forma, um equilíbrio precário de paz —, um Irão nuclear representaria uma rutura definitiva na segurança mundial.
Para a teocracia iraniana, o átomo não seria um instrumento de defesa, mas uma arma de chantagem global e o meio final para concretizar a sua ameaça explícita: a aniquilação total do Estado de Israel. O perigo não é apenas regional; é um desafio direto à ordem internacional e à preservação da civilização tal como a conhecemos.
Autor Filipe de Freitas Leal
sábado, outubro 19, 2024
Filipe de Freitas Leal


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