terça-feira, 17 de setembro de 2024

Afinal qual é a Capital de Israel, Tel Aviv ou Jerusalém?




Jerusalém: Capital Histórica, Funcional e Soberana de Israel

A imprensa global frequentemente retrata Tel Aviv como capital de Israel, com expressões como "governo de Tel Aviv". Essa convenção não é mera imprecisão geográfica, mas uma escolha editorial influenciada por disputas diplomáticas, evitando o reconhecimento de Jerusalém — onde os três poderes estatais (Legislativo, Executivo e Judiciário) estão concentrados.

Definição Objetiva de Capital

Uma capital é definida pela sede dos poderes soberanos de um Estado. Países com poderes distribuídos têm capitais múltiplas: África do Sul (Pretória: executiva; Cidade do Cabo: legislativa; Bloemfontein: judicial); Paquistão (Islamabad: administrativa, mas poderes espalhados). Israel, porém, centraliza tudo em Jerusalém, conforme critérios funcionais.

Os Três Poderes em Jerusalém: Prova Factual

1. Poder Legislativo — HaKnesset (הַכְּנֶסֶת)

O Parlamento unicameral de 120 membros, inaugurado em 1966 (não 1957), localiza-se em Givat Ram, Jerusalém. Construído em um jardim de 18 hectares, foi doado por James de Rothschild em 1959. Seu nome remete à Knesset Hagedolá (Grande Assembleia, c. 450 a.C.), que reuniu 120 sábios para codificar leis judaicas.

2. Poder Executivo

  • Beit HaNassi (בֵּית הַנָּשִׂיא): Residência oficial do Presidente (chefe de Estado simbólico), em Talbiya, Jerusalém. O palácio moderno foi concluído em 1971, substituindo uma mansão otomana.

  • Beit Aghion (בית אגיון): Residência do Primeiro-Ministro (chefe de governo), na Rua Smolenskin 9, Jerusalém Ocidental. Projetada em 1934 pelo arquiteto Richard Kaufmann (estilo Bauhaus), serve desde 1959.

3. Poder Judicial — Beit HaMishpat HaElyon (בית המשפט העליון)

A Suprema Corte, inaugurada em 1992, ocupa um edifício icônico em Givat Ram (projetado por Doron Lyon e outros). Decide sobre constitucionalidade e direitos fundamentais, com 15 juízes vitalícios.

Contexto Histórico e Jurídico

  • Antiguidade: Jerusalém foi capital do Reino Unido de Israel (Davi, c. 1000 a.C.) e do Reino de Judá até 586 a.C..

  • Lei Básica: Jerusalém, Capital de Israel (1980): Declara-a "capital completa e unida", sede eterna dos poderes.

  • Reconhecimentos: EUA (2017, Trump; embaixada em 2018), Guatemala, Honduras e outros. A maioria dos países mantém embaixadas em Tel Aviv por pressões da ONU e Acordos de Oslo (1993), que diferem Jerusalém Oriental (ocupada em 1967).

  • Comparação: Similar à Índia (Nova Délhi reconhecida apesar de disputas com Paquistão sobre Caxemira).

Por Que Tel Aviv?

Tel Aviv, fundada em 1909 como subúrbio de Jaffa, é o centro econômico e cultural (bolsa, mídia). Embaixadas se concentram lá por boicote diplomático à Jerusalém Oriental, mas isso não altera a realidade institucional — assim como Buenos Aires é capital argentina apesar de Malvinas.

Reflexão Final

Jerusalém é capital de facto (funcional) e de jure (legal) por critérios objetivos, independentemente de reconhecimentos externos. A soberania nacional prevalece sobre convenções midiáticas. Essa realidade reflete 3.000 anos de centralidade espiritual e política para o povo judeu.

Referências Bibliográficas
Gilbert, M. (1998). Jerusalem in the Twentieth Century. Wiley.
Watts, R. L. (2008). Comparing Federal Systems. McGill-Queen's University Press.
Knesset.gov.il: "History of the Knesset" (1966 inauguration).
President.gov.il: "Beit HaNassi History".
PMO.gov.il: "Beit Aghion".
SupremeCourt.gov.il: "Court Building".
Finkelstein, I., & Silberman, N. A. (2001). The Bible Unearthed. Free Press.
Knesset.gov.il/laws/special/eng/basic10_eng.htm (1980 Law).
U.S. State Dept.: "Jerusalem Embassy Act" (1995/2018).

UNSC Res. 478 (1980); Oslo II (1995).

Autor Filipe de Freitas Leal

Sobre o Autor

Filipe de Freitas Leal nasceu em Lisboa, em 1964, é licenciado em Serviço Social pelo Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas da Universidade de Lisboa, com Pós-graduação em Políticas Públicas e Desigualdades Sociais, frequentou o Mestrado de Sociologia na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. Estagiou com reinserção social de ex-reclusos e o apoio a famílias em vulnerabilidade social. É Bloguer desde 2007, tem publicados oito livros de temas muito diversos, desde a Poesia até à Política.


domingo, 21 de julho de 2024

Biden Desistiu pelo bem do País e do Partido


Não façamos confusão, Joe Biden não renunciou ao cargo de Presidente, resignou sim à candidatura à Reeleição para a Presidência dos EUA, e a meu ver era a decisão mais acertada, porque a Presidência já estava perdida, mas resta tentar salvar pelo menos uma maioria no Congresso (Parlamento).

Joe Biden disse que acreditava que estava a fazer o que era melhor para o interesse dos americanos e que daria todo o apoio à Vice Presidente Kamala Harris na corrida eleitoral à Casa Branca, e acrescentou ainda: "Acredito que é do melhor interesse do meu partido e do país que eu me afaste e me concentre apenas em servir como presidente durante o resto do meu mandato", pode ler-se na declaração.  "Foi a maior honra da minha vida servir-vos como presidente", acrescenta o texto.

Os democratas temiam que a candidatura de Biden, pudesse por tudo a perder, além da Presidência (Poder executivo), poderiam perder o controlo do Congresso (Poder Legislativo) o que indiretamente facilitaria a Trump governar sem oposição.

Autor Filipe de Freitas Leal

Sobre o Autor

Filipe de Freitas Leal nasceu em Lisboa, em 1964, é licenciado em Serviço Social pelo Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas da Universidade de Lisboa, com Pós-graduação em Políticas Públicas e Desigualdades Sociais, frequentou o Mestrado de Sociologia na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. Estagiou com reinserção social de ex-reclusos e o apoio a famílias em vulnerabilidade social. É Bloguer desde 2007, tem publicados oito livros de temas muito diversos, desde a Poesia até à Política.

A Chave da Resignação de Biden


A chave para a resignação de Biden na corrida eleitoral está nas mãos dos seus familiares mais próximos, mais do que em qualquer membro do Partido Democrático, porquê? Porque quanto aos correligionários políticos, a retórica para convencer Biden a desistir é baseada em cálculos eleitorais e obviamente isso não o irá convencer, mas os familiares como Jill e os filhos Hunter e Ashley, tocar-lhe-ão o coração e são os que genuinamente pugnam por uma saída honrosa a fim de salvaguardar a dignidade de Biden que hoje está claramente fragilizado.

Quanto a um sucessor na corrida eleitoral à Presidência, a escolha mais lógica e justa será Kamala Harris, a actual Vice-Presidente. Creio que Michelle Obama, por maior que sejam as simpatias do eleitorado, não tem a necessária experiência e habilidade política que o cargo exige.

O que neste momento está efetivamente em causa é o facto de que já é tida como certa a eleição de Donald Trump à Casa Branca, no entanto se Joe Biden se se mantiver na corrida eleitoral, os democratas não só perdem a presença no Poder Executivo (Presidência) como também perderão o controlo do Poder Legislativo (Câmara dos Deputados e o Senado).

Autor Filipe de Freitas Leal

Sobre o Autor

Filipe de Freitas Leal nasceu em Lisboa, em 1964, é licenciado em Serviço Social pelo Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas da Universidade de Lisboa, com Pós-graduação em Políticas Públicas e Desigualdades Sociais, frequentou o Mestrado de Sociologia na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. Estagiou com reinserção social de ex-reclusos e o apoio a famílias em vulnerabilidade social. É Bloguer desde 2007, tem publicados oito livros de temas muito diversos, desde a Poesia até à Política.

quinta-feira, 18 de julho de 2024

Biden está doente e devia resignar


A meu ver, Joe Biden está doente, mas não se fala disto. Recentemente confundiu outra pessoa com a sua mulher, o que foi altamente desagradável.

Dá-me pena ver alguém nesta situação. Acho que não deveria ter avançado para a candidatura, até mesmo por causa da idade, toda a gente no momento certo, tem o direito a retirar-se da vida ativa e gozar a reforma ao lado dos seus.

Nota-se no semblante e no olhar dele que está doente. A meu ver, a resignação da candidatura deve prender-se mais à preocupação com a dignidade na doença, e não nos cálculos eleitorais. Afinal é um ser-humano.

Autor Filipe de Freitas Leal

Sobre o Autor

Filipe de Freitas Leal nasceu em Lisboa, em 1964, é licenciado em Serviço Social pelo Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas da Universidade de Lisboa, com Pós-graduação em Políticas Públicas e Desigualdades Sociais, frequentou o Mestrado de Sociologia na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. Estagiou com reinserção social de ex-reclusos e o apoio a famílias em vulnerabilidade social. É Bloguer desde 2007, tem publicados oito livros de temas muito diversos, desde a Poesia até à Política.

quarta-feira, 17 de julho de 2024

Puto, Putti - A Origem da Palavra



A palavra puto, em português europeu, significa "menino" ou "rapazinho", um uso preservado especialmente em Portugal e regiões periféricas da Península Ibérica. Sua origem remonta ao latim clássico, onde putus (no século II a.C.) designava "menino", "garoto" ou "jovem rapaz", com conotação neutra ou afetiva. No latim vulgar (séculos III-V d.C.), evoluiu para puer ("menino"), mas formas arcaicas como putu persistiram em dialetos periféricos, influenciando o português como língua neolatina .

No feminino, puta equivalia a "menina" ou "garotinha". A depreciação semântica do feminino — associando-o a "prostituta" — ocorreu por processos linguísticos comuns: semelhança fonética com termos vulgares ou corruptelas. Um paralelo é o caso de rapariga no Brasil, originalmente o feminino de "rapaz" (do latim rapax, "ávido"), mas que ganhou conotação pejorativa de "prostituta" por associação cultural, enquanto em Portugal manteve o sentido neutro de "menina" ou "jovem" .

Essa evolução reflete mudanças semânticas por metonímia ou analogia, comuns nas línguas românicas. Em português moderno, "puto" permanece positivo em contextos como "ó puto!" (afetuoso para "ei, menino!"), enquanto o feminino sofreu estigma social, similar ao inglês "girl" (neutro) versus gírias depreciativas.

Na arte sacra, o termo aparece em inscrições latinas como PUTUS IESUS ("Menino Jesus"), comum em esculturas e pinturas medievais. Os querubins, anjos infantis rechonchudos, eram chamados de putti em latim e italiano renascentista — "meninos anjos" —, como nos afrescos de Rafael na Villa Farnesina (século XVI). Esse uso artístico reforça a origem inocente .

Uma nota filológica crucial: no século I d.C., o alfabeto latino não distinguia U de V; a letra V representava tanto o som /u/ (como em puer, pronunciado /ˈpu.er/) quanto /w/ ou /v/. Assim, escrevia-se PVER, mas pronunciava-se PUER. A separação U/V só ocorreu no Renascimento (século XV), padronizando grafias .

Em resumo, "puto" é um relíquia viva do latim, testemunha da riqueza etimológica do português. Sua conotação positiva em Portugal contrasta com usos coloquiais depreciativos em outros contextos lusófonos, ilustrando como o tempo e a cultura moldam as palavras.

Referências Bibliográficas
Ernout, A., & Meillet, A. (1959). Dictionnaire Étymologique de la Langue Latine. Klincksieck. (Entrada: putus, p. 548).
Corominas, J. (1974). Diccionario Crítico Etimológico Castellano e Hispánico. Gredos. (Entradas: puta e rapariga, vols. IV e V).
Blunt, A. F. (1980). Artistic Theory in Italy, 1450-1600. Oxford University Press. (Sobre putti na arte renascentista, pp. 45-67).
Allen, W. S. (1978). Vox Latina: A Guide to the Pronunciation of Classical Latin. Cambridge University Press. (Capítulo sobre V/U, pp. 22-25).
Houaiss, A. (2009). Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa. Objetiva. (Etimologia de "puto" e "rapariga").


Autor Filipe de Freitas Leal

Sobre o Autor

Filipe de Freitas Leal nasceu em Lisboa, em 1964, é licenciado em Serviço Social pelo Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas da Universidade de Lisboa, com Pós-graduação em Políticas Públicas e Desigualdades Sociais, frequentou o Mestrado de Sociologia na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. Estagiou com reinserção social de ex-reclusos e o apoio a famílias em vulnerabilidade social. É Bloguer desde 2007, tem publicados oito livros de temas muito diversos, desde a Poesia até à Política.

 
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