O socialismo cristão tem antecedentes que remontam a épocas anteriores, encontrando eco não apenas na figura de Jesus Cristo, mas também na de outras personalidades marcantes como Thomas More, com a sua Utopia, e santos da Igreja Católica, como São Francisco de Assis. No entanto, é fundamentalmente com o surgimento da Revolução Industrial que nascem as bases deste ideal. Ele surge como resposta às desigualdades gritantes de um sistema capitalista emergente e de um Estado despreparado para dar respostas sociais em prol dos mais desfavorecidos.
Se, por um lado, se entende que o cristianismo é naturalmente uma forma de socialismo, por outro, argumenta-se que o socialismo marxista foi sumamente influenciado pelos ideais judaico-cristãos. Sabe-se que Karl Marx tinha origens judaicas e que a sua família se converteu ao protestantismo luterano. Mais tarde, o ateísmo pregado no seu materialismo dialético não passava, para muitos, da necessidade de se criar um Estado plenamente leigo. [3, 4]
Este movimento teve o seu início em meados do século XIX, através das obras de vários doutrinários cristãos católicos, principalmente franceses (como Ozanam, Henri de Saint-Simon, Lamennais, Montalembert e Albert de Mun) e alemães (como Ketteler). Estes autores propunham um socialismo novo, baseado nos ideais do cristianismo e oposto à luta de classes, mas profundamente preocupado com as reivindicações das classes pobres e trabalhadoras, defendendo um governo mais justo e uma sociedade mais equilibrada.
O socialismo cristão desenvolveu-se, mais tarde, como um ramo ou variante progressista do catolicismo social consignado nas encíclicas papais, sobretudo de Leão XIII (Rerum Novarum) e Pio XI. Em oposição ao socialismo de Proudhon e, mais tarde, ao marxismo ou socialismo científico, mas opondo-se também e de igual modo ao capitalismo selvagem, o catolicismo social recusa a luta de classes. Em vez disso, promove a colaboração entre patrões e trabalhadores, prega a aplicação da doutrina cristã e exige a intervenção do Estado para corrigir os males criados pela industrialização, gerando uma maior justiça social e uma distribuição mais equitativada riqueza.
__________________
English Version
Christian Socialism: Its Origins, from Thomas More to the Industrial Revolution
By Filipe de Freitas Leal
Christian socialism has antecedents that reach back to earlier periods, finding resonance not only in the figure of Jesus Christ but also in other notable personalities such as Thomas More, with his Utopia, and Catholic saints such as Francis of Assisi. Nevertheless, it is fundamentally with the advent of the Industrial Revolution that the foundations of this ideal were laid. It emerged as a response to the stark inequalities of an emerging capitalist system and to a State unprepared to provide social solutions for the most disadvantaged.
While, on the one hand, Christianity is sometimes understood as inherently a form of socialism, on the other it is argued that Marxist socialism was profoundly influenced by Judaeo-Christian ideals. It is well known that Karl Marx had Jewish origins and that his family converted to Lutheran Protestantism. Later, the atheism advocated in his dialectical materialism was seen by many as little more than the necessity of establishing a fully secular State.
This movement began in the mid-nineteenth century through the works of several Catholic Christian theorists, chiefly French (such as Ozanam, Henri de Saint-Simon, Lamennais, Montalembert and Albert de Mun) and German (such as Ketteler). These authors proposed a new form of socialism, grounded in Christian ideals and opposed to class struggle, yet deeply concerned with the demands of the poor and working classes, advocating a more just government and a more balanced society.
Christian socialism later developed as a branch or progressive variant of social Catholicism as articulated in papal encyclicals, particularly those of Leo XIII (Rerum Novarum) and Pius XI. In opposition to the socialism of Proudhon and, later, to Marxism or scientific socialism—while equally rejecting unrestrained capitalism—social Catholicism repudiates class struggle. Instead, it promotes cooperation between employers and workers, advocates the application of Christian doctrine, and calls for State intervention to remedy the harms produced by industrialisation, thereby fostering greater social justice and a more equitable distribution of wealth.
domingo, agosto 05, 2007
Filipe de Freitas Leal


Posted in:
1 comentários:
Enviar um comentário