segunda-feira, 6 de junho de 2022

Portugal - País Seguro ou Não Violento?



Portugal não é um país violento, há um baixo índice de criminalidade, te tal modo, que muitas pessoas sentem-se seguras em  viver neste retângulo à beira mar plantado, algumas pessoas abandonaram o seu país de origem, como os EUA e o Brasil onde os índices de violência e a sensação de segurança são grandes, e assim vêm para se fixarem neste cantinho da Europa, onde nada de muito grave acontece.

Enquanto nos EUA, só nesta semana, não houve um só dia sem que houvesse um tiroteio com feridos e mortos, ocorrem sempre muitos, seja em escolas, supermercados, igrejas ou até hospitais, e tudo serve para o móbil do crime. Enquanto isso, por cá nada disso se passou, nem nesta semana, nem neste mês, nem neste ano, mas porquê?

Será Portugal um país verdadeiramente seguro? Qual será a razão para além da cultura local? O que permite não haver um índice de criminalidade tão alto?

Apesar de termos uma boa Polícia Judiciária e de Segurança Pública, eu creio e arrisco dizer que a segurança em Portugal é deficitária, além disso, o facto de não haver muita violência, poderá dever-se a um comportamento social e cultural da maioria da população portuguesa. Assim sendo, creio que não será errado dizer que Portugal não é um país seguro, mas é sem dúvida um País "Não Violento", e muito provavelmente porque a população não anda armada como nos EUA.

Autor do blog: Filipe de Freitas Leal

Sobre o Autor

Filipe de Freitas Leal nasceu em Lisboa, em 1964, é licenciado em Serviço Social pelo Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas da Universidade de Lisboa, com Pós-graduação em Políticas Públicas e Desigualdades Sociais, frequentou o Mestrado de Sociologia na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. Estagiou com reinserção social de ex-reclusos e o apoio a famílias em vulnerabilidade social. É Bloguer desde 2007, tem publicados oito livros de temas muito diversos, desde a Poesia até à Política.

domingo, 5 de junho de 2022

Cinco Tipos de Pessoas e Uma Estrela.






Existem cinco tipos de pessoas e, apesar das diferenças, em cada uma delas há uma estrela que brilha. 
No campo da espiritualidade, dividem-se em três tipos; no campo social, em dois.
No aspecto espiritual, temos o religioso, o crente e o ateu.
O ateu é aquele que não consegue crer no transcendente, mas isso não o torna uma má pessoa.
O religioso segue e pratica uma religião, mas pode ou não ser alguém de fé — e o simples hábito religioso não garante que ele seja uma boa pessoa.
Já o homem de fé é o verdadeiro crente. Ele pode ou não seguir uma religião, mas baseia a sua vida em princípios morais, ética e valores de solidariedade. É alguém que confia, crê e enxerga no outro um semelhante. Por si só, essas qualidades o definem como uma boa pessoa.

No aspecto social, dividimos entre os que pensam por si e os que seguem a moda.
Os que pensam por si, independentemente de sua visão de mundo, são maioritariamente honestos ao afirmar aquilo em que realmente acreditam.
Por fim, os que "seguem a moda", fazem-no porque pensar exige esforço, dá trabalho e, na maioria das vezes, não atrai público ou aprovação.
Há muito tempo descobri que sou um crente que decidiu pensar por conta própria. E sigo assim, mesmo assumindo o risco de, às vezes poder estar errado.

Autor do blog: Filipe de Freitas Leal

Sobre o Autor

Filipe de Freitas Leal nasceu em Lisboa, em 1964, é licenciado em Serviço Social pelo Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas da Universidade de Lisboa, com Pós-graduação em Políticas Públicas e Desigualdades Sociais, frequentou o Mestrado de Sociologia na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. Estagiou com reinserção social de ex-reclusos e o apoio a famílias em vulnerabilidade social. É Bloguer desde 2007, tem publicados oito livros de temas muito diversos, desde a Poesia até à Política.

Quando o Poder torna-se Perigoso











Ver toda estes os acontecimentos recentes, tanto as atrocidades sobre a Guerra na Ucrânia, como os suicídios de vários oligarcas e das suas famílias, passa-nos a sensação que passa para fora, é que o Poder instalado no Kremlin, assemelha-se a uma gangue de mafiosos que tomaram o poder afastando Boris Yeltsin, e que desenvolveram uma promiscuidade amoral e antiética com os oligarcas russos, assemelha-se em tudo a um filme de terror, quem sabe, talvez até com pactos de sangue à mistura. Não que eu morra de amores por Biden, ou os lideres ocidentais, mas creio que não têm o nível de ameaça que Putn tem, e ver Putin e o seu séquito e lembrar de tudo isto é assustador.

Desde o início da Guerra na Ucrânia, já apareceram mortos, nove dos oligarcas russos supostamente em suicídios e acidentes muito estranhos.
Podemos até não acreditar no Diabo, mas que o "Mal" existe no coração dos seres humanos, não há dúvida. existe de facto.

Autor do blog: Filipe de Freitas Leal

Sobre o Autor

Filipe de Freitas Leal nasceu em Lisboa, em 1964, é licenciado em Serviço Social pelo Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas da Universidade de Lisboa, com Pós-graduação em Políticas Públicas e Desigualdades Sociais, frequentou o Mestrado de Sociologia na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. Estagiou com reinserção social de ex-reclusos e o apoio a famílias em vulnerabilidade social. É Bloguer desde 2007, tem publicados oito livros de temas muito diversos, desde a Poesia até à Política.

sábado, 4 de junho de 2022

O Judeu Karl Marx e a Sua Triplice Identidade

O Homem Além do Mito: A Tríplice Identidade de Marx
Karl Marx foi um sociólogo e economista do século XIX focado nos aspetos socioeconómicos da organização social. Foi a partir dele que se inaugurou uma análise sócio-histórica profunda da economia, integrando a dialética de Hegel a uma visão materialista do mundo. No entanto, para compreender o homem por trás da teoria, precisamos de olhar para além dos manuais políticos. Há, na verdade, três dimensões que se cruzam em Karl Marx: o pensador, o militante pelos direitos dos trabalhadores e o herdeiro de uma rica linhagem judaica.
A Herança Étnica e os Valores Culturais
Marx era judeu de etnia e sangue, filho e neto de judeus. Embora não fosse um homem crente ou religioso na sua vida adulta — tendo sido batizado no luteranismo na infância por contingências políticas que forçaram o seu pai a converter-se para poder advogar na Prússia —, a sua raiz cultural é inegável. O seu avô paterno, Meier Halevi Marx, foi o Rabino de Trier, e a sua família materna vinha de uma longa linhagem de rabinos.
Mesmo sem praticar a religião, a bagagem moral desse ecossistema familiar influenciou o seu pensamento. A forte tradição do debate intelectual contido no Talmud e a busca incessante por justiça social, dignidade humana e proteção aos oprimidos — valores profundamente enraizados na Torá — ecoam na sua indignação contra a exploração humana. Marx traduziu o clamor ético dos seus antepassados numa linguagem sociológica secular.
O Ateísmo Contextualizado e a Luta Operária
Quando Marx criticava a religião oficial da sua época, o seu foco era a laicidade e a emancipação humana. Ao formular que a religião funciona como o "ópio do povo", ele não fazia um ataque gratuito à fé individual, mas sim uma crítica sociológica de como as instituições religiosas eram usadas pelo poder político para pacificar as classes dominadas, prometendo o paraíso no além para que aceitassem a miséria no presente.
O Marx militante e ativista político — que ajudou a fundar a Primeira Internacional — estava profundamente engajado com a defesa da classe trabalhadora, que na altura sofria em condições subumanas e desprovida de direitos. Se hoje as democracias representativas ocidentais usufruem de direitos laborais e de políticas de Bem-Estar Social, isso deve-se histórico-filosoficamente à pressão gerada pelo pensamento crítico de Marx, mais tarde canalizada e reformada pelos partidos social-democratas ocidentais.
O Erro do Anacronismo
O pensamento de Marx está circunscrito a uma realidade temporal e socioeconómica totalmente diferente da atual. Ele pensou e analisou as dores do capitalismo industrial do Século XIX. O grande problema contemporâneo não é o que ele escreveu, mas sim as distorções ideológicas feitas tanto à esquerda quanto à direita.
Os regimes totalitários do século XX, como os da União Soviética de Lenine e Stálin, da China ou da Coreia do Norte, autoproclamaram-se "marxistas", mas na prática criaram estruturas burocráticas e ditatoriais que violavam o núcleo da filosofia original de Marx, que idealizava a emancipação e a liberdade humana. O antissemitismo e o ateísmo militante que muitas vezes lhe atribuem de forma rasa ignoram a complexidade de um homem que, acima de tudo, buscou compreender as engrenagens do seu tempo para libertar o ser humano da opressão.
Karl Marx nunca "deixou" o judaísmo por vontade própria porque ele nunca o praticou. Ele nasceu em uma família já convertida ao cristianismo protestante por razões políticas e econômicas.
A Conversão da Família Marx
O rompimento formal da família de Marx com a religião judaica aconteceu antes mesmo de seu nascimento, motivado pelo antissemitismo de Estado na Prússia.
  • O Avô Rabino: O avô paterno de Karl, Mordechai HaLevi Marx, foi o rabino de Trier. Seu tio também assumiu o cargo posteriormente.
  • A Conversão do Pai: Heinrich Marx (nascido Herschel Levi), pai de Karl, era um advogado de sucesso. Em 1815, o reino da Prússia aplicou leis que proibiam judeus de exercerem cargos públicos e profissões jurídicas. Para poder continuar trabalhando e sustentar a família, Heinrich converteu-se ao luteranismo por volta de 1817.
  • O Batismo de Karl: Karl Marx nasceu em 1818 e foi batizado na Igreja Luterana em 1824, aos seis anos de idade, junto com seus irmãos.
Marx cresceu em um lar secularizado e de valores iluministas. Na juventude, ele se tornou ateu e manteve uma postura crítica em relação a todas as religiões, considerando-as barreiras para a emancipação humana.  
O Socialismo de Marx e as Semelhanças com o Talmud
A relação entre o pensamento de Marx e a tradição judaica é alvo de intensos debates na filosofia e na sociologia. Embora Marx rejeitasse a religião, muitos historiadores apontam que a estrutura moral e profética do judaísmo moldou indiretamente o socialismo.
Aqui estão os pontos de conexão mais citados entre os ensinamentos judaicos (incluindo o Talmud e a Torá) e as ideias marxistas:
1. A Busca por Justiça Social na Terra
  • No Judaísmo (Tikkun Olam): Diferente de religiões focadas na salvação ultraterrena, o judaísmo clássico prioriza a ação no mundo presente. O conceito de Tikkun Olam ordena a "reparação do mundo" por meio da justiça social e da caridade coletiva.
  • No Marxismo: Marx foca estritamente na emancipação material e terrena. Sua famosa frase resume isso: "Os filósofos apenas interpretaram o mundo; o que importa é transformá-lo".
2. A Proteção ao Trabalhador e Crítica à Acumulação
  • No Talmud: Existem extensas leis talmúdicas sobre as relações de trabalho (tratado de Bava Metzia). O Talmud proíbe a retenção do salário do trabalhador, exige condições dignas de descanso e condena o lucro excessivo obtido através da exploração da necessidade alheia.
  • No Marxismo: Toda a base do livro O Capital é uma denúncia contra a extração da mais-valia e a exploração do trabalhador pela classe burguesa.
3. A Visão Messiânica e Linear da História
  • No Judaísmo: A história da humanidade caminha de forma linear em direção a uma Era Messiânica de paz universal, onde a opressão desaparecerá.
  • No Marxismo: A história avança por meio da luta de classes em direção a uma sociedade sem classes (o comunismo), que representa o fim da exploração humana. Muitos filósofos (como Walter Benjamin e Ernst Bloch) definiram o marxismo como uma forma de "messianismo secularizado".
4. A Máxima da Distribuição
  • A frase de Marx: "De cada qual segundo sua capacidade, a cada qual segundo suas necessidades" (Crítica do Programa de Gotha, 1875).
  • Paralelo Judaico: No Talmud e nos comentários sobre a justiça distributiva (Tzedaká), o princípio de ajudar o próximo baseia-se estritamente na necessidade de quem recebe, e a responsabilidade de dar pesa sobre a capacidade comunitária de quem possui.
Embora Marx fosse culturalmente assimilado ao mundo europeu e se considerasse um homem da ciência e da razão pura, a herança intelectual e a sensibilidade ética em relação à opressão que permeavam a Europa Central judaica acabaram ecoando em sua obra teórica.
Autor do blog: Filipe de Freitas Leal

Sobre o Autor

Filipe de Freitas Leal nasceu em Lisboa, em 1964, é licenciado em Serviço Social pelo Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas da Universidade de Lisboa, com Pós-graduação em Políticas Públicas e Desigualdades e frequenta o Mestrado de Sociologia na Faculdade de Sociais Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. Estagiou numa Instituição vocacionada à reinserção social de ex-reclusos e apoio a famílias em vulnerabilidade social, é blogger desde 2007.

Porte de Armas - A Banalidade da Violência

A violência entra sorrateira na nossa vida, e sem darmos conta, divertimo-nos com a banalidade dos tiroteios, dos massacres e dos assassinatos, que são propagados através dos meios de comunicação e os audiovisuais como os filmes de cinema, as séries policiais na televisão e os videojogos, tudo isto pejado de armas e sangue, ou ainda na imprensa com jornais e telejornais com notícias das atrocidades das guerras, e assim, alimentamos os nossos jovens com violência do pequeno-almoço ao jantar, até que a violência passa a fazer parte intrínseca da cultura ocidental, com maior gravidade na sociedade estadunidense, visto que em 2022 até ao fim de maio, foram registados 144 tiroteios, com 256 vitimas, ataques ocorridos maioritariamente a escolas, mas também hospitais, supermercados e até templos religiosos.

Posto isto, podemos aferir que o livre porte e uso de armas, revela ser a fonte da decadência civilizacional que se vive hoje no Ocidente, e em particular nos EUA; tornando-se no maior perigo ao Estado de Direito e à Democracia.
"Quem com ferro mata, com ferro morre!". A Lei das armas, volta-se de forma implacável contra os cidadãos estadunidenses, pessoas inocentes, que não têm culpa de nascer e viver num país de incongruências.

Autor do blog: Filipe de Freitas Leal

Sobre o Autor

Filipe de Freitas Leal nasceu em Lisboa, em 1964, é licenciado em Serviço Social pelo Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas da Universidade de Lisboa, com Pós-graduação em Políticas Públicas e Desigualdades Sociais, frequentou o Mestrado de Sociologia na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. Estagiou com reinserção social de ex-reclusos e o apoio a famílias em vulnerabilidade social. É Bloguer desde 2007, tem publicados oito livros de temas muito diversos, desde a Poesia até à Política.

Crer ou Não Crer? Eis a questão.

"Crer ou não crer", eis a questão. "Ninguém é obrigado a crer no que quer que seja", eis a resposta. Por outras palavras, cada um crê no que consegue crer, crê no que sente e no que faz sentido para si.

Quanto à Ciência, trata-se de um conhecimento que não abrange tudo, e não visa destruir a crença ou opor-se à fé (como muitos pensam), mas sim, estudar dentro dos limites do possível, os fenómenos astronómicos, naturais, sociais e humanos, trazendo-nos respostas à luz da verdade.

Muito antes de sabermos a verdade que a Terra era esférica, e que andava à volta do Sol, acreditávamos que era um disco e que o sol andava à volta da Terra, tal crença não mudou a realidade dos factos, apenas revelaram-se mais tarde, com o advento da ciência.

De igual modo, para o facto de a Ciência não poder estudar a existência ou não de D-us, porque não é mensurável, tal não significa que não exista essa "Entidade" espiritual, que é também inefável por palavras e indefinível em conceitos.

Por outras palavras, a ciência não prova, não tem sequer como provar, e nem quer provar que D-us existe ou não, porque não é essa a sua área de pesquisa, não é essa a sua vocação cientifica e nem o seu papel na sociedade, e como tal, cabe a cada um de nós crer ou não, nos limites do que se consegue crer, mas se possível, sempre com "Verdade" e "honestidade".

Há muito mais realidade e vida, para além dos limites da matéria e da nossa existência. Sabemos muito pouco sobre tudo, mesmo com a ajuda e o esforço da ciência, sabemos com toda a certeza que nunca saberemos tudo, e que haverá sempre muitas perguntas, muitas hipóteses, muitas lacunas e sempre algo em aberto, algo por descobrir.

Autor do blog: Filipe de Freitas Leal

Sobre o Autor

Filipe de Freitas Leal nasceu em Lisboa, em 1964, é licenciado em Serviço Social pelo Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas da Universidade de Lisboa, com Pós-graduação em Políticas Públicas e Desigualdades Sociais, frequentou o Mestrado de Sociologia na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. Estagiou com reinserção social de ex-reclusos e o apoio a famílias em vulnerabilidade social. É Bloguer desde 2007, tem publicados oito livros de temas muito diversos, desde a Poesia até à Política.

quarta-feira, 18 de maio de 2022

Azovstal - A Retirada dos Resistentes


A retirada dos soldados do complexo da Azovstal, que Putin classifica de Rendição, é na verdade a alma da natureza desta guerra na Ucrânia, que é a ascensão da "Tirania" e dos seus seguidores, contra as democracias e a autodeterminação dos Povos.

Não morro de amores por Biden nem pelos EUA, que já cometeu o grave erro da retirada desastrosa no Afeganistão, mas para além disso, entendo que a OTAN é mais uma plataforma de países para a defesa conjunta, do que uma hipotética ameaça a quem quer que seja. A OTAN não foi criada para atacar, mas sim para defender o Ocidente. A retórica da ameaça da OTAN é um mito.
Se a Suécia e a Finlândia pediram para aderir, é porque têm razões para crer que necessitam de proteger-se. Além disso, são países democráticos e soberanos, e como tal, decidem com quem querem se aliar, de que lado querem estar, e procurar o melhor para o bem dos seus cidadãos.
Do outro lado, na Nova Cortina de Ferro que Putin reergueu, lançam-se as bases de um sistema cada vez mais opressor. A questão que ninguém ousou até agora colocar é: Porque razão Putin receia a proximidade da OTAN junto às suas fronteiras? De que é que tem medo? Eu creio que a resposta é que Putin teme que lhe façam o mesmo que ele gostaria de nos fazer. Putin imagina que todos os líderes ocidentais são iguais a ele e que pensam como ele. Logo, vê em cada país do Ocidente um inimigo.
Simbolicamente a Ucrânia é o Ocidente e a Azovstal a Liberdade; assim estamos todos a ser agredidos, a queda da Rússia na Ucrânia é a vitória das democracias. Só o PCP e a Esquerda Radical não conseguem ou não querem ver isto. Em primeiro lugar, porque este conflito não é entre Esquerda e Direita, mas entre Liberdade e Tirania, e segundo, porque Putin não é comunista, mas um capitalista selvagem, um oligarca, ou seja, é tudo o que a retórica da Esquerda combate.

Autor do blog: Filipe de Freitas Leal

Sobre o Autor

Filipe de Freitas Leal nasceu em Lisboa, em 1964, é licenciado em Serviço Social pelo Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas da Universidade de Lisboa, com Pós-graduação em Políticas Públicas e Desigualdades Sociais, frequentou o Mestrado de Sociologia na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. Estagiou com reinserção social de ex-reclusos e o apoio a famílias em vulnerabilidade social. É Bloguer desde 2007, tem publicados oito livros de temas muito diversos, desde a Poesia até à Política.

 
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