terça-feira, 1 de janeiro de 2008

Da Filosofia e da Sociologia à Religião: Uma Trajetória do Positivismo de Auguste Comte

Auguste Comte (1798–1857), filósofo francês nascido em Montpellier, é universalmente reconhecido como o pai da Sociologia — termo que ele próprio cunhou — e o fundador do Positivismo, uma corrente filosófica que buscava explicar o mundo através da ciência e da razão.
Durante sua juventude, Comte ingressou na prestigiada Escola Politécnica de Paris, um ambiente focado nas ciências exatas que moldou seu desejo de aplicar o rigor científico ao estudo dos comportamentos humanos. Mais tarde, ele se tornou secretário e colaborador direto de Henri de Saint-Simon, um dos principais intelectuais do socialismo utópico. Essa convivência foi crucial para que Comte desenvolvesse suas primeiras ideias sobre a necessidade de uma reorganização social e política.
A Europa em que Comte viveu estava profundamente fragmentada. O filósofo testemunhou de perto os desdobramentos da Revolução Francesa e da Revolução Industrial, eventos que desestruturaram o Antigo Regime, gerando um cenário de profundo caos social. Diante dessa instabilidade, ele buscou criar uma nova ciência capaz de entender as leis que regem a sociedade, visando restabelecer a ordem e guiar o progresso humano de forma controlada.
No entanto, a trajetória puramente racional de Comte tomou um rumo inesperado e profundamente humano em 1844, quando ele conheceu Clotilde de Vaux (1815–1846) uma escritora e intelectual francesa de origem aristocrática. Longe de ser apenas uma personagem passiva na vida de Auguste Comte, ela foi uma mulher que enfrentou as severas restrições sociais e jurídicas impostas às mulheres do século XIX. O filósofo apaixonou-se perdidamente, mas, devido às rígidas leis e convenções da época, o relacionamento manteve-se estritamente platônico e obsessivo. Apenas um ano depois, a tragédia bateu à porta: Clotilde faleceu precocemente de tuberculose, deixando Comte completamente devastado.
Essa perda dolorosa transformou o intelectual frio em um homem guiado pelo sentimento. Comte imortalizou sua musa, transformando-a na figura central de sua nova criação: a Religião da Humanidade. Foi o amor por Clotilde que o fez compreender que a razão sozinha não bastava para salvar o mundo; era preciso afeto. Dessa união entre a mente científica e o coração partido nasceu a máxima completa do Positivismo: "O Amor por princípio e a Ordem por base; o Progresso por fim" — cujo eco político influenciaria profundamente a história, resumido na própria bandeira do Brasil.
Entre a busca pela exatidão da ciência e a entrega ao sentimento místico, Comte provou que não era apenas um analista da sociedade, mas um pensador profundamente tocado pela experiência humana.
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English Version
From Philosophy and Sociology to Religion: A Trajectory of Auguste Comte’s Positivism
Auguste Comte
(1798–1857), a French philosopher born in Montpellier, is universally recognized as the father of Sociology — a term he coined himself — and the founder of Positivism, a philosophical current that sought to explain the world through science and reason.
During his youth, Comte entered the prestigious École Polytechnique in Paris, an environment focused on the exact sciences that shaped his desire to apply scientific rigor to the study of human behavior. Later, he became the secretary and direct collaborator of Henri de Saint-Simon, one of the leading intellectuals of utopian socialism. This close relationship was crucial for Comte to develop his initial ideas regarding the need for social and political reorganization.
The Europe in which Comte lived was deeply fragmented. The philosopher closely witnessed the aftermath of the French Revolution and the Industrial Revolution, events that shattered the Old Regime and generated a scenario of profound social chaos. Faced with this instability, he sought to create a new science capable of understanding the laws that govern society, aiming to restore order and guide human progress in a controlled manner.
However, Comte's purely rational trajectory took an unexpected and deeply human turn in 1844, when he met Clotilde de Vaux (1815–1846), a French writer and intellectual of aristocratic origin. Far from being a mere passive character in Auguste Comte's life, she was a woman who faced the severe social and legal restrictions imposed on nineteenth-century women. The philosopher fell madly in love, but due to the rigid laws and conventions of the time, their relationship remained strictly platonic and obsessive. Just a year later, tragedy struck: Clotilde passed away prematurely from tuberculosis, leaving Comte completely devastated.
This painful loss transformed the cold intellectual into a man guided by emotion. Comte immortalized his muse, turning her into the central figure of his new creation: the Religion of Humanity. It was his love for Clotilde that made him understand that reason alone was not enough to save the world; affection was needed. From this union of a scientific mind and a broken heart, the full maxim of Positivism was born: "Love as a principle and Order as the basis; Progress as the goal" — a political echo that would deeply influence history, as summarized on Brazil's own flag.
Between the pursuit of scientific exactness and his surrender to mystical sentiment, Comte proved that he was not just an analyst of society, but a thinker profoundly touched by the human experience.
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Referèncias Bibliograficas / References
PICKERING, Mary. Auguste Comte: An Intellectual Biography (Volume 1). Nova York: Cambridge University Press, 1993.
MILL, John Stuart. Auguste Comte e o Positivismo. São Paulo: Ícone Editora, 2011. (Nota: Esta é a edição traduzida mais comum e acessível no Brasil).
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Sobre o Autor | About the Author

PT Filipe de Freitas Leal nasceu em Lisboa (Portugal), em 1964, é licenciado em Serviço Social pelo ISCSP (Universidade de Lisboa) e pós-graduado em Políticas Públicas e Desigualdades Sociais pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. Na sua trajetória profissional, destaca-se o estágio em reinserção social de ex-reclusos e o apoio a famílias em situação de vulnerabilidade. No mundo digital, é blogger desde 2007, atuou como ilustrador, editor e autor, conta já com oito livros publicados em áreas distintas, que vão desde o Serviço Social, Poesia até à Ciência Política, escreve artigos sobre atualidade política e conflitos geopolíticos.

EN Filipe de Freitas Leal was born in Lisbon in 1964. He holds a degree in Social Work from ISCSP (University of Lisbon) and a postgraduate degree in Public Policy and Social Inequalities. He also attended a Master’s program in Sociology at the Faculty of Social Sciences and Humanities (Universidade Nova de Lisboa). His professional background includes social reintegration of former inmates and support for families in situations of social vulnerability. A blogger since 2007, he has acted as an illustrator and independent editor, with eight published books ranging from Social Work and Poetry to Political Science. He currently writes about political current affairs and geopolitical conflicts.

Bento de Jesus Caraça

Nasceu a 18 de abril de 1901 em Vila Viçosa, e morreu em 1948 em Lisboa a 25 de junho, Bento de Jesus Caraça foi um conceituado matemático e professor universitário, tendo sido licenciado em 1923 pelo Instituto Superior do Comércio, hoje denominado Instituto Superior de Economia e Gestão (ISEG), que faz parte de Universidade de Lisboa (UL).
Bento de Jesus Caraça, foi um grande impulsionador da cultura no seu tempo, acreditando que a cultura é para todos, editou nos anos 40 a Biblioteca Popular Cosmos, tendo também colaborado nas revistas "Seara Nova" e "Vértice" esta última ainda em circulação.
Em 1946 por ser um resistente anti-fascista ligado ao PCP Partido Comunista Português,  veio a ser perseguido e preso pela PIDE, policia política no regime de Salazar, o que lhe acarretou ter sido demitido do cargo de professor universitário no mesmo ano.
Foi como muitos dos grande homens perseguidos na ditadura fascista, que foi reconhecido o valor da sua obra pelo seu país e pelo seu povo, tendo sido condecorado postumamente com duas grandes distinções ao mérito, uma delas a "Ordem da Liberdade".
Um dos livros mais famosos que publicou foi: "A Cultura Integral do Individuo - O Problema do nosso tempo" (1933) que pode ser descarregado no seguinte link: Aqui, e "Conceitos Fundamentais de Matemática" (1942) fora outros livros da "Biblioteca Cosmos". 

Links sobre Bento de Jesus Caraça: http://www.infopedia.pt/$bento-de-jesus-caraca

Autor Filipe de Freitas Leal

Sobre o Autor

Filipe de Freitas Leal nasceu em Lisboa, em 1964, estudou Serviço Social pelo Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas da Universidade de Lisboa. Estagiou como Técnico de Intervenção Social numa Instituição vocacionada à reinserção social de ex-reclusos e apoio a famílias em vulnerabilidade social, é blogger desde 2007, de cariz humanista, também dedica-se a outros blogs de temas diversos.

segunda-feira, 29 de outubro de 2007

Como Eu Vejo o Humanismo


O humanismo tem sido visto como uma mera filosofia que coloca o ser humano acima de qualquer outro interesse. Até certo ponto, isso não está longe de ser verdade, mas não é só isto. O humanismo que eu defendo é uma filosofia de vida, uma moral e uma ética centradas na ação humana — logo, uma práxis — que tem como objetivo a resolução de todos os problemas humanos em sociedade, abrangendo as áreas da ecologia, da política, da ciência e da cultura.
Acho que o ser humano não se pode entender como independente de uma entidade espiritual superior, seja ela qual for. A religião não deve ser subtraída pela filosofia humanista; antes pelo contrário, deve, juntamente com ela, dar resposta aos problemas humanos e sociais nas diferentes culturas, credos e raças de todo o mundo.
Claro está que, se me perguntarem sobre se é ou não utópico, eu vou afirmar positivamente que o é. Mas lembrem-se de que a viagem à Lua, a energia nuclear, a democracia, a robótica e tantas outras invenções que hoje são tidas como comuns — sobretudo para as camadas mais jovens — foram, em tempos, impensáveis e tidas como utópicas.
Não devemos ter medo de sonhar, de lutar por um mundo melhor. Creio, claro, como crente em Deus, que sem Ele nada nos será possível, mas lutemos. A solidariedade social é hoje, mais que nunca, uma necessidade urgente e deve partir de cada um particularmente, dando o melhor de si para construir, no Serviço Social, uma sociedade mais humanizada.
Houve vertentes diferentes de humanismo ao longo da história: o Humanismo clássico, o humanismo cristão, o humanismo marxista, entre outras variantes desta filosofia. Mas não me verão a fazer aqui qualquer tipo de apologia político-partidária, apenas a crítica social e o elogio sincero de grandes homens e mulheres que lutaram por um mundo melhor: Moisés, Buda, Hilel, Jesus, Leonardo da Vinci, Thomas More, João XXIII, Luther King, Gandhi, Aristides de Sousa Mendes, António Sérgio, Gilberto Freyre, Yitzhak Rabin, Sérgio Vieira de Mello, Nelson Mandela, Madre Teresa de Calcutá, entre tantos outros em todo o mundo.





Autor Filipe de Freitas Leal

Sobre o Autor

Filipe de Freitas Leal nasceu em Lisboa, em 1964, estudou Serviço Social pelo Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas da Universidade de Lisboa. Estagiou como Técnico de Intervenção Social numa Instituição vocacionada à reinserção social de ex-reclusos e apoio a famílias em vulnerabilidade social, é blogger desde 2007, de cariz humanista, também dedica-se a outros blogs de temas diversos.

terça-feira, 28 de agosto de 2007

O Despertar Por Um Novo Humanismo.




Creio que chegamos a uma época em que, como sociedade ou civilização, já não há margem para erros. Não existe mais espaço para soluções que não tenham o Ser Humano como centro, objetivo e motor desta nova caminhada da Humanidade pela sobrevivência do Planeta e de toda a nossa espécie.
Muito do que foi feito em nome do "progresso" — e das suas falsas ilusões de riqueza e grandeza dentro de um prisma individualista — criou um fosso profundo entre as pessoas. Deixou, ano após ano e década após década, um rastro de erosão e destruição maciça do nosso planeta. A fauna e a flora agonizam; a natureza reage de forma agressiva, como que desesperada para salvar um ecossistema que destruímos de forma inconsciente e egoísta.
Sim, é urgente um "Novo Humanismo". São necessárias novas políticas, mais pragmáticas e inteiramente livres da obsessão pelo lucro ou pelo crescimento desenfreado. Neste momento de crise, seria salutar um revivalismo naturalista da humanidade, pautado pelo menor consumismo das populações, por uma maior solidariedade coletiva e pelo respeito mútuo entre governados e governantes.
No entanto, os tempos tornam-se difíceis e o futuro, duvidoso. Isso se reflete não apenas no desafio da sobrevivência económica das famílias, mas também na deterioração do ambiente social através da violência, do desemprego e do crime. Diante desses fenômenos alarmantes, precisamos projetar caminhos que garantam maior justiça social, igualdade, liberdades e direitos fundamentais. Somente sob o ecossistema de uma cidadania ativa e consciente poderemos ultrapassar os grandes obstáculos que se avizinham.
Autor Filipe de Freitas Leal







Sobre o Autor

Filipe de Freitas Leal nasceu em Lisboa, em 1964, estudou Serviço Social pelo Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas da Universidade de Lisboa. Estagiou como Técnico de Intervenção Social numa Instituição vocacionada à reinserção social de ex-reclusos e apoio a famílias em vulnerabilidade social, é blogger desde 2007, de cariz humanista, também dedica-se a outros blogs de temas diversos.

domingo, 5 de agosto de 2007

O Socialismo Cristão: As Origens, desde Thomas More à Revolução Industrial


O socialismo cristão tem antecedentes que remontam a épocas anteriores, encontrando eco não apenas na figura de Jesus Cristo, mas também na de outras personalidades marcantes como Thomas More, com a sua Utopia, e santos da Igreja Católica, como São Francisco de Assis. No entanto, é fundamentalmente com o surgimento da Revolução Industrial que nascem as bases deste ideal. Ele surge como resposta às desigualdades gritantes de um sistema capitalista emergente e de um Estado despreparado para dar respostas sociais em prol dos mais desfavorecidos.
Se, por um lado, se entende que o cristianismo é naturalmente uma forma de socialismo, por outro, argumenta-se que o socialismo marxista foi sumamente influenciado pelos ideais judaico-cristãos. Sabe-se que Karl Marx tinha origens judaicas e que a sua família se converteu ao protestantismo luterano. Mais tarde, o ateísmo pregado no seu materialismo dialético não passava, para muitos, da necessidade de se criar um Estado plenamente leigo. [3, 4]
Este movimento teve o seu início em meados do século XIX, através das obras de vários doutrinários cristãos católicos, principalmente franceses (como Ozanam, Henri de Saint-Simon, Lamennais, Montalembert e Albert de Mun) e alemães (como Ketteler). Estes autores propunham um socialismo novo, baseado nos ideais do cristianismo e oposto à luta de classes, mas profundamente preocupado com as reivindicações das classes pobres e trabalhadoras, defendendo um governo mais justo e uma sociedade mais equilibrada.
O socialismo cristão desenvolveu-se, mais tarde, como um ramo ou variante progressista do catolicismo social consignado nas encíclicas papais, sobretudo de Leão XIII (Rerum Novarum) e Pio XI. Em oposição ao socialismo de Proudhon e, mais tarde, ao marxismo ou socialismo científico, mas opondo-se também e de igual modo ao capitalismo selvagem, o catolicismo social recusa a luta de classes. Em vez disso, promove a colaboração entre patrões e trabalhadores, prega a aplicação da doutrina cristã e exige a intervenção do Estado para corrigir os males criados pela industrialização, gerando uma maior justiça social e uma distribuição mais equitativada riqueza.
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English Version
Christian Socialism: Its Origins, from Thomas More to the Industrial Revolution
By Filipe de Freitas Leal
Christian socialism has antecedents that reach back to earlier periods, finding resonance not only in the figure of Jesus Christ but also in other notable personalities such as Thomas More, with his Utopia, and Catholic saints such as Francis of Assisi. Nevertheless, it is fundamentally with the advent of the Industrial Revolution that the foundations of this ideal were laid. It emerged as a response to the stark inequalities of an emerging capitalist system and to a State unprepared to provide social solutions for the most disadvantaged.
While, on the one hand, Christianity is sometimes understood as inherently a form of socialism, on the other it is argued that Marxist socialism was profoundly influenced by Judaeo-Christian ideals. It is well known that Karl Marx had Jewish origins and that his family converted to Lutheran Protestantism. Later, the atheism advocated in his dialectical materialism was seen by many as little more than the necessity of establishing a fully secular State.
This movement began in the mid-nineteenth century through the works of several Catholic Christian theorists, chiefly French (such as Ozanam, Henri de Saint-Simon, Lamennais, Montalembert and Albert de Mun) and German (such as Ketteler). These authors proposed a new form of socialism, grounded in Christian ideals and opposed to class struggle, yet deeply concerned with the demands of the poor and working classes, advocating a more just government and a more balanced society.
Christian socialism later developed as a branch or progressive variant of social Catholicism as articulated in papal encyclicals, particularly those of Leo XIII (Rerum Novarum) and Pius XI. In opposition to the socialism of Proudhon and, later, to Marxism or scientific socialism—while equally rejecting unrestrained capitalism—social Catholicism repudiates class struggle. Instead, it promotes cooperation between employers and workers, advocates the application of Christian doctrine, and calls for State intervention to remedy the harms produced by industrialisation, thereby fostering greater social justice and a more equitable distribution of wealth.

Sobre o Autor | About the Author

PT Filipe de Freitas Leal nasceu em Lisboa (Portugal), em 1964, é licenciado em Serviço Social pelo ISCSP (Universidade de Lisboa) e pós-graduado em Políticas Públicas e Desigualdades Sociais pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. Na sua trajetória profissional, destaca-se o estágio em reinserção social de ex-reclusos e o apoio a famílias em situação de vulnerabilidade. No mundo digital, é blogger desde 2007, atuou como ilustrador, editor e autor, conta já com oito livros publicados em áreas distintas, que vão desde o Serviço Social, Poesia até à Ciência Política, escreve artigos sobre atualidade política e conflitos geopolíticos.

EN Filipe de Freitas Leal was born in Lisbon in 1964. He holds a degree in Social Work from ISCSP (University of Lisbon) and a postgraduate degree in Public Policy and Social Inequalities. He also attended a Master’s program in Sociology at the Faculty of Social Sciences and Humanities (Universidade Nova de Lisboa). His professional background includes social reintegration of former inmates and support for families in situations of social vulnerability. A blogger since 2007, he has acted as an illustrator and independent editor, with eight published books ranging from Social Work and Poetry to Political Science. He currently writes about political current affairs and geopolitical conflicts.

quinta-feira, 19 de julho de 2007

Bertold Brecht - Quem Faz a História

Quem construiu a Tebas das sete portas?
Nos livros constam os nomes dos reis.
Os reis arrastaram os blocos de pedra?
E a Babilónia tantas vezes destruída
Quem ergueu outras tantas?
Em que casas da Lima radiante de ouro
Moravam os construtores?
Para onde foram os pedreiros
Na noite em que ficou pronta a Muralha da China?
A grande Roma está cheia de arcos do triunfo.
Quem os levantou?
Sobre quem triunfaram os Césares?
A decantada Bizâncio só tinha palácios
Para seus habitantes?
Mesmo na legendária Atlântida,
Na noite em que o mar a engoliu,
Os que se afogavam gritaram por seus escravos.
O jovem Alexandre conquistou a Índia.
Ele sozinho?
César bateu os gauleses,
Não tinha pelo menos um cozinheiro consigo?
Filipe II de Espanha chorou quando sua armada naufragou.
Ninguém mais chorou?
Frederico II venceu a Guerra dos Sete Anos.
Quem venceu além dele?
Uma vitória a cada página.
Quem cozinhava os banquetes da vitória?
Um grande homem a cada dez anos.
Quem pagava as despesas?
Tantos relatos.
Tantas perguntas.

Bertolt Brecht
(1898-1956)

Autor do blog Filipe de Freitas Leal

Sobre o Autor

Filipe de Freitas Leal nasceu em Lisboa, em 1964, estudou Serviço Social pelo Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas da Universidade de Lisboa. Estagiou como Técnico de Intervenção Social numa Instituição vocacionada à reinserção social de ex-reclusos e apoio a famílias em vulnerabilidade social, é blogger desde 2007, de cariz humanista, também dedica-se a outros blogs de temas diversos.

Bertold Brecht - O Analfabeto Político


O pior analfabeto 
É o analfabeto político,
Ele não ouve, não fala,
Nem participa dos acontecimentos políticos.
Ele não sabe que o custo da vida,
O preço do feijão, do peixe, da farinha,
Do aluguer, dos sapatos e dos remédios
Dependem das decisões políticas.

O analfabeto político
É tão burro que se orgulha
E estufa o peito dizendo
Que odeia a política.

Não sabe o imbecil que,
da sua ignorância política
Nasce a prostituta, o menor abandonado,
E o pior de todos os bandidos,
Que é o político vigarista,
Malandro, corrupto e lacaio
Das empresas nacionais e multinacionais.


Bertolt Brecht
(1898-1956)


Autor do blog Filipe de Freitas Leal

Sobre o Autor

Filipe de Freitas Leal nasceu em Lisboa, em 1964, estudou Serviço Social pelo Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas da Universidade de Lisboa. Estagiou como Técnico de Intervenção Social numa Instituição vocacionada à reinserção social de ex-reclusos e apoio a famílias em vulnerabilidade social, é blogger desde 2007, de cariz humanista, também dedica-se a outros blogs de temas diversos.

 
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