A perseguição do regime iraniano a Israel não é um fenómeno
recente; é uma diretriz teocrática que vigora desde a Revolução de 1979. Sob a
liderança do Aiatolá Khomeini, o Irão transformou a "destruição da
entidade sionista" num pilar de Estado. Na madrugada de 14 de
abril de 2024, essa agressividade materializou-se num ataque direto com
mais de 300 drones e mísseis, totalizando 60 toneladas de explosivos. Embora
apresentado como retaliação ao bombardeamento em Damasco — capital da Síria,
hoje um país vassalo de Teerão —, o ataque revelou o perigo de um regime que
utiliza as suas forças, como a Guarda Revolucionária, para exportar o caos
regional.
Infelizmente, assistimos hoje a um "antissionismo"
que serve, muitas vezes, de máscara a um antissemitismo profundo. Muitos, por
ignorância ou ideologia, regozijam-se com a agressão iraniana, ignorando um
facto crucial: por que razão nações como o Egito, a Jordânia ou a Arábia
Saudita não saem em defesa do Hamas ou do Irão? A resposta reside na cooperação
silenciosa; no próprio ataque de abril, países árabes vizinhos participaram
na interceptação de mísseis e drones iranianos, vendo em Teerão uma
ameaça à sua própria soberania. É irónico que a Esquerda, que hoje demoniza
Israel, esqueça que a União Soviética (URSS) foi a primeira potência a
conceder o reconhecimento de jure ao Estado judeu, em 17
de maio de 1948, garantindo a sua sobrevivência inicial através de armamento
crucial fornecido via Tchecoslováquia.
O drama vivido em Gaza é inegável, mas a sua génese é clara:
resulta do ataque bárbaro de 7 de outubro de 2023, perpetrado pelo Hamas. Este
grupo não representa a vontade democrática; após as eleições de 2006, o Hamas
tomou o poder absoluto em Gaza em junho de 2007 através de uma violenta guerra
civil, expulsando a Autoridade Palestiniana (Fatah) à bala e executando
oponentes em praça pública. Desde então, transformaram o enclave numa base
militar onde milhares de milhões de euros em ajuda internacional foram
desviados para a construção de túneis sob hospitais e escolas, bem como a máquina de
propaganda "Paliwood" em funcionamento.
A História é teimosa. Em pelo menos sete ocasiões, foram
oferecidas soluções de dois Estados que garantiriam uma Palestina livre. No
entanto, desde os Acordos de Oslo em 1993 até propostas subsequentes, líderes
como Yasser Arafat recusaram sistematicamente a paz, preferindo a via da Jihad e
a dependência do apoio radical de outros regimes árabes. A ONU e a Esquerda
fingem desconhecer que, durante sete décadas, a mão estendida de Israel foi
rejeitada por quem nunca desejou a independência palestiniana, mas sim a
destruição total do vizinho judeu. Negar estes factos não é ser humanista; é
ser cúmplice da narrativa de quem usa o seu próprio povo como escudo humano.
segunda-feira, abril 15, 2024
Filipe de Freitas Leal


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