segunda-feira, 15 de abril de 2024

o Irão, Israel e o Tabu do Conflito: Entre o Dogma e a Realidade


A perseguição do regime iraniano a Israel não é um fenómeno recente; é uma diretriz teocrática que vigora desde a Revolução de 1979. Sob a liderança do Aiatolá Khomeini, o Irão transformou a "destruição da entidade sionista" num pilar de Estado. Na madrugada de 14 de abril de 2024, essa agressividade materializou-se num ataque direto com mais de 300 drones e mísseis, totalizando 60 toneladas de explosivos. Embora apresentado como retaliação ao bombardeamento em Damasco — capital da Síria, hoje um país vassalo de Teerão —, o ataque revelou o perigo de um regime que utiliza as suas forças, como a Guarda Revolucionária, para exportar o caos regional. 

Infelizmente, assistimos hoje a um "antissionismo" que serve, muitas vezes, de máscara a um antissemitismo profundo. Muitos, por ignorância ou ideologia, regozijam-se com a agressão iraniana, ignorando um facto crucial: por que razão nações como o Egito, a Jordânia ou a Arábia Saudita não saem em defesa do Hamas ou do Irão? A resposta reside na cooperação silenciosa; no próprio ataque de abril, países árabes vizinhos participaram na interceptação de mísseis e drones iranianos, vendo em Teerão uma ameaça à sua própria soberania. É irónico que a Esquerda, que hoje demoniza Israel, esqueça que a União Soviética (URSS) foi a primeira potência a conceder o reconhecimento de jure ao Estado judeu, em 17 de maio de 1948, garantindo a sua sobrevivência inicial através de armamento crucial fornecido via Tchecoslováquia. 

O drama vivido em Gaza é inegável, mas a sua génese é clara: resulta do ataque bárbaro de 7 de outubro de 2023, perpetrado pelo Hamas. Este grupo não representa a vontade democrática; após as eleições de 2006, o Hamas tomou o poder absoluto em Gaza em junho de 2007 através de uma violenta guerra civil, expulsando a Autoridade Palestiniana (Fatah) à bala e executando oponentes em praça pública. Desde então, transformaram o enclave numa base militar onde milhares de milhões de euros em ajuda internacional foram desviados para a construção de túneis sob hospitais e escolas, bem como a máquina de propaganda "Paliwood" em funcionamento. 

A História é teimosa. Em pelo menos sete ocasiões, foram oferecidas soluções de dois Estados que garantiriam uma Palestina livre. No entanto, desde os Acordos de Oslo em 1993 até propostas subsequentes, líderes como Yasser Arafat recusaram sistematicamente a paz, preferindo a via da Jihad e a dependência do apoio radical de outros regimes árabes. A ONU e a Esquerda fingem desconhecer que, durante sete décadas, a mão estendida de Israel foi rejeitada por quem nunca desejou a independência palestiniana, mas sim a destruição total do vizinho judeu. Negar estes factos não é ser humanista; é ser cúmplice da narrativa de quem usa o seu próprio povo como escudo humano.


Autor Filipe de Freitas Leal

Sobre o Autor

Filipe de Freitas Leal nasceu em Lisboa, em 1964, é licenciado em Serviço Social pelo Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas da Universidade de Lisboa, com Pós-graduação em Políticas Públicas e Desigualdades Sociais, frequentou o Mestrado de Sociologia na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. Estagiou com reinserção social de ex-reclusos e o apoio a famílias em vulnerabilidade social. É Bloguer desde 2007, tem publicados oito livros de temas muito diversos, desde a Poesia até à Política.

0 comentários:

Enviar um comentário

 
Projeto gráfico pela Free WordPress Themes | Tema desenvolvido por 'Lasantha' - 'Premium Blogger Themes' | GreenGeeks Review