As
letras de intervenção que enriqueceram muito a música popular
portuguesa nos anos 60 e 70 do Século XX, têm um exemplo digno de
ser aqui referido, trata-se de Café, interpretada por Fernando Tordo
e com Letra de Art dos Santos, que data de 1973, um ano antes do 25
de Abril.
Chegam uns meninos de mota,
Com
a china na bota e o papá na algibeira.
São
pescada marmota que não vende na lota,
Que
apodrece no tempo e não cheira,
Porque
o tempo,
É
a derrota.
Chegam criaturas fatais,
Muito
intelectuais tal como a fava-rica,
Sabem
sempre demais,
Escrevem
para os jornais com canetas molhadas na bica
E
a inveja (sim! A inveja),
É
quanto fica.
Como quem está num chá dançante,
Dos
velhos de penante, que depenicam uma intriga,
Debicando
bolinhos vários,
Dizem
mal dos operarios,
Que
são a especie inimiga.
Chegam depois boas maneiras
Com
aneis e pulseiras e sapatos de salto,
São
as bichas matreiras, que só dizem asneiras,
São
rapazes pescados do alto,
E
o que resta,
É
pó de talco.
Chegam depois os vagabundos
Que
por falta de fundos não ocupam a mesa,
Têm
olhos profundos vão atrás de outros mundos,
Que
pagaram com sonho e beleza
Mas
o troco,
É
a pobreza.
Chegam finalmente os cantores,
Os
que fazem as flores deste mundo de gente,
São
os modernos trovadores que adormecem as dores
Numa
bica bem quente.
Autor Filipe de Freitas Leal
quinta-feira, abril 16, 2015
Filipe de Freitas Leal


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