quinta-feira, 16 de abril de 2015

Músicas - O Café - Fernando Tordo e Ary dos Santos

As letras de intervenção que enriqueceram muito a música popular portuguesa nos anos 60 e 70 do Século XX, têm um exemplo digno de ser aqui referido, trata-se de Café, interpretada por Fernando Tordo e com Letra de Art dos Santos, que data de 1973, um ano antes do 25 de Abril.

Chegam uns meninos de mota,
Com a china na bota e o papá na algibeira.
São pescada marmota que não vende na lota,
Que apodrece no tempo e não cheira,
Porque o tempo,
É a derrota.

Chegam criaturas fatais,
Muito intelectuais tal como a fava-rica,
Sabem sempre demais,
Escrevem para os jornais com canetas molhadas na bica
E a inveja (sim! A inveja),
É quanto fica.

Como quem está num chá dançante,
Dos velhos de penante, que depenicam uma intriga,
Debicando bolinhos vários, 
Dizem mal dos operarios,
Que são a especie inimiga.

Chegam depois boas maneiras
Com aneis e pulseiras e sapatos de salto,
São as bichas matreiras, que só dizem asneiras,
São rapazes pescados do alto,
E o que resta,
É pó de talco.

Chegam depois os vagabundos
Que por falta de fundos não ocupam a mesa,
Têm olhos profundos vão atrás de outros mundos,
Que pagaram com sonho e beleza
Mas o troco,
É a pobreza.

Chegam finalmente os cantores,
Os que fazem as flores deste mundo de gente,
São os modernos trovadores que adormecem as dores
Numa bica bem quente.





Autor Filipe de Freitas Leal

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Sobre o Autor

Filipe de Freitas Leal nasceu em Lisboa, em 1964, estudou Serviço Social pelo Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas da Universidade de Lisboa. Estagiou como Técnico de Intervenção Social numa Instituição vocacionada à reinserção social de ex-reclusos e apoio a famílias em vulnerabilidade social, é blogger desde 2007, de cariz humanista, também dedica-se a outros blogs de temas diversos.

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