sábado, 10 de janeiro de 2015

Poema # 42 - Ser na Exata Medida

Eu quis ser um dia,
Tal com o em criança eu queria ser,
E qui-lo verdadeiramente ser,
Em tudo o melhor de mim.

Um pai e um filho, um irmão,
Um marido sem igual,
Um amigo e um colega,
Um homem, um cidadão.

Embora muito aquém
Fui, fui na exata medida
Daquilo que deveras,
Podia e sabia ser.

Falhas e dúvidas,
Que as leve o vento,
Que eu cá não carrego fardos,
Mais que os que eu invento.

Fui, fui tudo o que pude,
Na exata medida
Do que podia ser,
Eu mesmo!

E o destino a isto não castiga,
Porque fui fogo e fui terra, fui água e ar.
Aprendi a ser o que a arte obriga,
E sem saber como, aprendi a amar.

Sem ser diferente, fui igual
A mim mesmo, como sonhei,
E procurei perfeição tal,
Que só nos limites a encontrei,
Nos grilhões do tempo impiedoso,
Na imensidão do espaço desditoso.




Autor Filipe de Freitas Leal

Sobre o Autor

Filipe de Freitas Leal nasceu em Lisboa, em 1964, estudou Serviço Social pelo Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas da Universidade de Lisboa. Estagiou como Técnico de Intervenção Social numa Instituição vocacionada à reinserção social de ex-reclusos e apoio a famílias em vulnerabilidade social, é blogger desde 2007, de cariz humanista, também dedica-se a outros blogs de temas diversos.

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