10 ANOS

Desde julho de 2007 a debater ideias e a defender causas.

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Carta Aberta ao Primeiro Ministro de Portugal

Sr. Primeiro-ministro Pedro Passos Coelho, é com espanto e grande surpresa, senão mesmo aflição, que os portugueses, vêm ser tomadas mais medidas de austeridade, que em muito afetam o nosso povo e penso que em pouco ou nada resultam para a recuperação económica do país, como aliás até aqui não resultaram.
Há muita coisa que é dita, mas há algo que tem sido esquecido nas críticas que são dirigidas a si e a todo o governo em geral, é a de que se deve procurar (no âmbito da justiça), apurar responsabilidades da atual situação, bem como punir os responsáveis, no mínimo com a inibição dos seus direitos políticos, impedidos assim do exercício do poder bem como da capacidade de serem eleitos, e isto é algo de suma importância, para que se possa recuperar a credibilidade, é deveras o que o povo exige, ainda que numa maioria silenciosa, pede que a justiça seja feita em nome da democracia e do Estado de Direito.
Outrossim, é de que as medidas que têm vindo a ser tomadas não são potencialmente promotoras do emprego, nem do desenvolvimento, e não nos deixam vislumbrar qualquer hipótese de um futuro próspero para este país, até porque se os portugueses são aconselhados a emigrar, é o mesmo que lhes dizer, não tenham esperança!
O que verdadeiramente falta a todos os governos portugueses, ou melhor a Portugal, é haver um projeto, não de governação para quatro anos, mas sim um projeto das linhas de futuro e do rumo que o País quer tomar, mediante as suas potencialidades e necessidades, e definir com clareza o que queremos para Portugal, onde queremos chegar, qual o nível de desenvolvimento a que nos propomos sacrificar, e isso tudo inclui politicas de formação e educação, politicas habitacionais, politicas de transportes públicos, politicas de saúde pública, a médio e longo prazo, num trabalho em conjunto de todo um povo, mas não é isso que se está a fazer hoje, testemunhamos exatamente o oposto, os portugueses sentem que Portugal neste momento é um comboio desgovernado pronto para descarrilar a qualquer momento, ou seja a bancarrota e a desgraça de tanta gente que lutou e acreditou nos seus políticos, no seu país, tanta gente que ama Portugal e o defende, sente-se traída, porque ao que pagaram em impostos para gerirem o país, receberam em troca a incerteza e a humilhação, e é por isso que o povo indignado se manifestará na ruas, dia 15 de Setembro.
Há que entender, que o serviço público seja ele qual for, é uma obrigação do Estado, e não tem necessariamente que gerar lucro, é para isso que se pagam impostos, é uma necessidade e um direito dos cidadãos contribuintes, que exigem que lhes sejam prestados serviços que vão da televisão (mas com qualidade por favor) ao saneamento básico, passando pelos serviços de rádio, de correios, de banco, de saúde pública (hospitais e centros de saúde), escolas, faculdades, creches, transportes públicos, e tudo isso é pago pelos contribuintes que exigem que esses serviços funcionem e não aceitam que sirvam para pagarem-se absurdos ordenados a gestores que sabem menos que os recém licenciados em administração ou economia. que aliás, muitos encontram-se no desemprego e fariam melhor serviço à nação, comparados com os Barões que ganham sem trabalhar, e sobretudo sem saber gerir.

E quando se entra ou se sai pela porta das traseiras, sendo um governante e no intuito de evitar o contacto com a população, isto é um sinal inequívoco para o povo, de que está já instalado, um processo irreversível de uma política económica e financeira de mais austeridade sem querer ouvir a opinião pública e os cidadãos, mostrando claramente o resultado de subserviência aos interesses do capitalismo financeiro, que vêm as populações como meros objetos e o país como mero produto de mercado para compra e venda.



Autor Filipe de Freitas Leal

Sobre o Autor

Filipe de Freitas Leal nasceu em Lisboa, em 1964, estudou Serviço Social pelo Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas da Universidade de Lisboa. Estagiou como Técnico de Intervenção Social numa Instituição vocacionada à reinserção social de ex-reclusos e apoio a famílias em vulnerabilidade social, é blogger desde 2007, de cariz humanista, também dedica-se a outros blogs de temas diverso

2 comentários :

Caros Leitores, fui à manifestação "Que se lixe a troika"

Vim de lá entusiasmado, pois vi uma manifestação como não se via há muito tempo, pessoas de todos os quadrantes políticos, era uma verdadeira onda pluralista, heterodoxa e heterogénea, que se uniu e mostrou a sua força, vi familias inteiras, pais e filhos, namorados, amigos, todos em coro a gritar por um país de justiça social para todos.
Quiçá seja o nascer de uma nova onda de consciencialização política do povo português desde o 25 de abril, bem como dos jovens eleitores que tomarão nas mãos a responsabilidade de escolher os seus governante doravante em eleições futuras.

Escrevi isto em Setembro de 2012, passados alguns meses apenas, esta carta aberta continua praticamente atual, não mudaria nada, e já nem tenho vontade de lhe acrescentar detalhes de uma governação catastrófica, é mera retórica toda a vã propaganda que o governo PS-PSD que fala maravilhas do seu trabalho, ou dos erros dos governantes anteriores do Socratismo.
Portugal continua sem um projeto, os portugueses continuam sem um futuro, fala-se apenas em vender isto, mais aquilo, e nomeia-se fulano para aqui, beltrano para acolá, é só mais do mesmo.
À esquerda a oposição de Seguro, é tudo menos segura, sobretudo dentro do seu próprio partido o PS, o Bloco de Esquerda ainda anda à procura de consolidar a sua liderança e o PCP está mais forte, embora o seu lider esteja mais desgastado.
O que pergunto é: e se fossem hoje as eleições, ainda que ganhasse o PS, o que seria Portugal?
Como Humanista defendo que é imperioso uma mudança de sistema eleitoral, mais amplo, mais pluralista e que permita a Democracia Participativa e com votos nominais, no lugar da moribunda Democracia Representativa de votos em meros Partidos Políticos.

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