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segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

O "Beija Mão" ainda existe!


As antigas cerimónias de protocolo em que os súbditos beijavam a mão de sua majestade o rei, a rainha e a família real, prestando-lhes vassalagem,  acabou oficialmente à precisamente 154 anos no ano de 1858, e manteve-se na igreja com  os fieis a beijar os anéis do bispo ou do cardeal.
Facto curioso da história de Portugal foi o Rei D. Pedro I, que levantou do túmulo os restos mortais de sua amada D. Inês de Castro, levou-a para o palácio e pôs toda a corte a prestar-lhe vassalagem, beijando a mão da "Rainha Morta".
Olhando bem para o hábito na monarquia, nota-se que no fundo traduzia-se em troca de favores, de culto da personalidade e de um hábito que derivava do feudalismo, acabado na monarquia, manteve-se vivo na área eclesiástica, sendo os fiéis a prestar vassalagem ao beijar o anel pastoral e ajoelharem-se perante o bispo ou o cardeal.
Costume que simbolicamente passou para a República e manteve-se no Estado novo, sendo nos ditados populares, o beija-mão representa o político ou empresário interesseiro, oportunista que tenta cativar as atenções dos governantes com o intuito de ver realizados os seus interesses pessoais (aplica-se também a grupos económicos quer nacionais quer estrangeiros).
O pós 25 de Abril, não está livre da figura do "Beija-mão", que não só, não acabou como se intensificou com a entrada do país na CEE e na busca desenfreada de fundos comunitários, que vieram aos milhões, mas que não enriqueceram o povo português.
No entanto o "Beija-mão" da linguagem popular, que tanto se refere à busca de interesses pessoais, sem falar noutras práticas correlacionadas, esse sim deve se extirpar, a bem do desenvolvimento de um país com mais ordem, mais progresso e menos mediocridade política.
O aceitável embora já muito demodê, é o hábito de beijar a mão, como sinal de amor e respeito por pessoas da família ou o beijar a mão de uma mulher de quem se está enamorado, que é aliás muito antigo, há relatos que já havia esse costume na Grécia antiga e no Império Romano.



Autor Filipe de Freitas Leal


Sobre o Autor

Filipe de Freitas Leal nasceu em Lisboa, em 1964, estudou Serviço Social pelo Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas da Universidade de Lisboa. Estagiou como Técnico de Intervenção Social numa Instituição vocacionada à reinserção social de ex-reclusos e apoio a famílias em vulnerabilidade social, é blogger desde 2007, de cariz humanista, também dedica-se a outros blogs de temas os.

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